CAMPANHA
42 jogos - 23 vitórias,
12 empates, 7 derrotas -
72 gols pró, 29 gols contra
O São Paulo ressurgiu em 1985 depois de três anos penosos, principalmente
1982 e 1983, em que perdeu finais de campeonatos paulistas para o Corinthians.
Em 1984 o clube contratou o técnico Cilinho, especialista em revelar
jogadores, e a providência resultou-se das melhores: três ótimas promessas
foram reveladas, Muller, Silas e Sidney, e o novo time foi campeão jogando
um futebol, como dizia o treinador, "livre, leve e solto". Frasista
de efeito, falante, alegre, Cilinho não deixava para menos: comparava
o entrosamento do seu time com o entendimento dos músicos porto-riquenhos
Menudos, grupo de meninos que fez muito sucesso na época. Outra proeza
que contou com colaboração importante de Cilinho foi a recuperação do
centroavante Careca, que, contratado por uma fortuna no inicio de 1983,
ainda não havia justificado o gasto. Falavam ate que aos 24/25 anos
Careca estava acabado para o futebol, pois vivia contundido. Comentava-se
que ele não se cuidava e desconfiava-se de que tinha problemas crônicos
de saúde. O lateral-direito Ze Teodoro, comprado do Goiás em meados
de 85, foi outro reforço fundamental ao titulo que, pela segunda vez,
e exatos dez anos depois - foi conquistado em cima da Portuguesa. O
regulamento desse campeonato, determinava um quadrangular decisivo entre
o campeão do primeiro turno (Portuguesa), campeão do segundo turno (São
Paulo) mais as duas equipes de melhor índice técnico nos dois turnos
(Guarani e Ferroviária). Restaram, para a decisão, São Paulo e Portuguesa
e a Lusa caiu diante dos "Menudos": 3 a 1 na primeira final (dois gols
de Careca e um de Dario Pereyra de pênalti) e 2 a 1 na finalíssima (um
do "menudo" Sidney e outro do "menudo" Muller).
MULLER, SIDNEY E SILAS
O ano de 1985 foi muito fértil pare o São Paulo em termos de revelação
de jogadores. Muller, Silas, Sidney, Vagner Lopes, Lange, Renatinho,
Vizoli, Márcio Araújo e até o lateral-esquerdo Nelsinho, que começou
antes, mas se firmou com o titulo daquele ano. Muller deu tão certo
que e tido como um dos maiores craques do Brasil (e do mundo) em todos
os tempos. Participou de três Copas pela Seleção (86, 90 e 94), foi
campeão paulista, brasileiro e mundial interclubes, atuou na Europa
e hoje ainda dá shows. Silas também teve grande sucesso. Jogou na Seleção
(Copas de 86 e 90), na Europa, na Argentina (onde é ídolo da torcida
do San Lorenzo de Almagro), em outros grandes times brasileiros e está
encerrando a carreira em boa situação, no futebol japonês. Sidney era
tão bom em 85/86 quanto Muller e Silas. Rápido, ágil, chutava com os
dois pés, driblava, tinha boa visão de jogo. Era craque de seleção,
mas não se preparava convenientemente e teve carreira curta. Renatinho
também era craque e também teve carreira curta, por se contundir com
muita freqüência. Vagner Lopes e Lange fizeram o nome no futebol japonês.
Vagner chegou a jogar na seleção daquele país, no ano passado. Márcio
Araújo fez boa carreira em times grandes de outros estados. Vizoli foi
campeão paulista pelo São Paulo em 89, atuou no Japão e hoje e técnico
das equipes de base. Foi, enfim, uma bela safra de jogadores formados
nas divisões de base.
DECISÃO
PORTUGUESA 1
SÃO PAULO 2
PORTUGUESA: Serginho; Luciano, Luís Pereira, Eduardo e Albéris; Célio,
Toninho e Edu; Toquinho (Jorginho), Luís Müller e Esquerdinha. Técnico:
Jair Picerni.
SÃO PAULO: Gilmar; Zé Teodoro, Oscar, Darío Pereyra e Nelsinho; Márcio
Araújo, Silas (Pita) e Falcão (Freitas); Müller, Careca e Sidnei. Técnico:
Cilinho.
Local: Morumbi
Data: 22/12/85
Árbitro: José Carlos Gomes do Nascimento
Público: 99.025 pagantes
Gols: Sidnei, aos 24 min, e Esquerdinha, aos 32 min do 1º tempo; Müller,
aos 22 min do 2º tempo.
ARTILHEIROS
O artilheiro do São Paulo e do campeonato foi Careca com 23 gols, seguido
por Muller (20), Pianelli C7), Sidney (4), Silas, Freitas e Dario Pereyra
(3 cada), Edivaldo, Márcio Araújo e Fonseca (2 cada), Newton e Éder
Taino (1 cada).
TIME BASE
Gilmar; Zé Teodoro, Oscar, Darío Pereyra e Nelsinho; Márcio Araújo,
Silas e Falcão; Müller, Careca e Sidnei. Técnico: Cilinho.
PRIMEIRO TURNO
BOTAFOGO-SP 1X1 SÃO PAULO
PAULISTA 2X1 SÃO PAULO
SÃO PAULO 0X0 SANTO ANDRÉ
AMERICA-SP 3X2 SÃO PAULO
PORTUGUESA 0X3 SÃO PAULO
XV PIRACICABA 1X0 SÃO PAULO
SÃO PAULO 2X1 PONTE PRETA
SÃO PAULO 2X0 XV JAU
NOROESTE 1X1 SÃO PAULO
SÃO PAULO 0X0 MARILIA
SANTOS 1X1 SÃO PAULO
SÃO PAULO 2X0 JUVENTUS
PALMEIRAS 2X3 SÃO PAULO
SÃO PAULO 5X0 SÃO BENTO
SÃO PAULO 1X0 CORINTHIANS
FERROVIARIA 0X0 SÃO PAULO
SÃO PAULO 3X0 COMERCIAL
SÃO PAULO 3X1 INTER-SP
GUARANI 1X0 SÃO PAULO
SEGUNDO TURNO
SANTO ANDRE 0X0 SÃO PAULO
SÃO PAULO 2X0 PAULISTA
SÃO PAULO 2X0 BOTAFOGO-SP
COMERCIAL 1X1 SÃO PAULO
CORINTHIANS 1X1 SÃO PAULO
JUVENTUS 0X2 SÃO PAULO
XV JAU 0X3 SÃO PAULO
INTER-SP 2X2 SÃO PAULO
SÃO PAULO 4X0 AMERICA-SP
SÃO PAULO 0X1 PORTUGUESA
MARILIA 0X2 SÃO PAULO
SÃO PAULO 4X2 FERROVIARIA-SP
SÃO PAULO 2X0 GUARANI
SÃO PAULO 3X0 SANTOS
SÃO PAULO 1X1 XV PIRACICABA
SÃO BENTO 0X1 SÃO PAULO
SÃO PAULO 1X2 PALMEIRAS
PONTE PRETA 2X0 SÃO PAULO
SÃO PAULO 2X0 NOROESTE
SEMIFINAIS
GUARANI 1X1 SÃO PAULO
SÃO PAULO 3X0 GUARANI
FINAL
SÃO PAULO 3X1 PORTUGUESA
PORTUGUESA 1X2 SÃO PAULO