O São Paulo chegou à última rodada com 34 pontos ganhos e o Palmeiras,
com 33. Foi um fim de campeonato super-emocionante que só poderia desembocar
numa final eletrizante: São Paulo vs. Palmeiras. O confronto do primeiro
turno já daria uma avant-premiére. O São Paulo ganhou por 2 a 1 de virada,
gols do meia-artilheiro contratado naquele ano: Pedro Rocha. Um dos
gols, de falta e o outro, de craque fora-de-série. Quando Terto ia cobrar
o escanteio pela direita, Rocha correu na direção dele e, já perto da
linha da grande área, a uns três ou quatro metros da linha de fundo,
agachou-se (a bola vinha em alta velocidade à altura de sua cintura)
e deu um toque genial de cabeça. A bola bateu na trave oposta antes
de entrar e deixar o goleiro Leão boquiaberto. A final foi até mais
do que eletrizante. Logo aos 5 minutos do primeiro tempo, Toninho aparou
no peito uma bola rebatida pela defesa e, mais ou menos da altura do
pênalti, mandou-a para as redes palmeirenses. Daí para a frente foi
o Palmeiras atacar sem parar, porque precisava vencer a partida, e o
São Paulo se defender, já que o empate também Ihe daria o título. Defender-se
com categoria e com malandragem, por que não. Essa partida teve um lance
polêmico, que até hoje não foi resolvido na cabeça dos palmeirenses:
aos 22 minutos do segundo tempo, Leivinha fez um gol que não foi validado
pelo juiz Armando Marques. Para os palmeirenses, o gol foi de cabeça;
para Armando Marques, foi de mão. Leivinha diz até hoje que foi de cabeça;
Jurandir dizia que foi de mão... Irritados, os palmeirenses chegaram
ao limite quando, já no finalzinho, um funcionário errou ao devolver
a bola para o campo, deixando-a escapar pelo lado contrário. Todos,
de Leão a Fedato, correram atrás do funcionário para agredi-lo. Ninguém
o pegou e, ainda por cima, Eurico e Fedato foram expulsos. Foi, enfim,
um jogo fantástico, emocionante, eletrizante, que deu ao São Paulo o
terceiro bicampeonato de sua história.
Infarto afasta grande ídolo
O São Paulo entrou e disputou todo o Campeonato de 71 sem o maior ídolo
da torcida dos últimos 10 anos: Roberto Dias. Um inusitado infarto,
em dezembro do ano anterior, não respeitou os seus 28 anos nem a sua
condição de atleta. Foi uma paulada do destino ainda maior do que a
grande injustiça que João Saldanha e Zagalo haviam cometido com ele
pouco antes. João Saldanha não o convocou para a Seleção Brasileira
que disputou as Eliminatórias porque, como teve pouco tempo para treinar,
optou por chamar praticamente todo o time do Santos. Já Zagalo não o
levou para a Copa de 70 e, como "castigo", teve de improvisar Wílson
Piazza na quarta-zaga, já que os quartos-zagueiros convocados, Joel
e Fontana, não convenciam. A sorte de Zagalo foi que o Brasil ganhou,
o que certamente também ocorreria (e a vitória seria ainda mais bonita)
se Dias fizesse parte daquele timaço. Roberto Dias só voltou aos gramados
em fins de 72, mas com um futebol mais recatado e menos encantador.
Foi perdendo espaço até ganhar passe livre em 73. A saída de Dias fez
parte de uma reformulação do time, ocasião em que também saíram Paraná,
Édson, Toninho Guerreiro, Sérgio Valentim e outros. Gérson havia sido
vendido ao Fluminense um ano antes. Reformulado, o São Paulo voltaria
a ganhar o título paulista dois anos depois, em 1975
DECISÃO
PALMEIRAS 0
SÃO PAULO 1
Palmeiras: Leão; Eurico, Luís Pereira, Minuca e Dé; Dudu e Ademir da
Guia; Edu, Leivinha, César e Pio (Fedato). Técnico: Mário Travaglini.
São Paulo: Sérgio; Forlan, Jurandir, Arlindo e Gilberto; Édson, Gerson
e Pedro Rocha (Carlos Alberto); Terto, Toninho Guerreiro e Paraná. Técnico:
Osvaldo Brandão.
Local: Morumbi
Data: 27/06/71
Árbitro: Armando Marques
Público: 103.887 pagantes
Gol: Toninho Guerreiro, aos 5 min. do 1º tempo.
A partida final e decisiva do campeonato, São Paulo 1, Palmeiras 0,
gol de Toninho aos 5 minutos do 1º tempo, foi realizada dia 27/06/71
e assistida por 103.887 pagantes. O São Paulo jogou com Sérgio, Forlan,
Jurandir, Arlindo e Gilberto; Édson, Gérson e Pedro Rocha (Carlos Alberto);
Terto, Toninho e Paraná. Técnico: Osvaldo Brandão. Palmeiras: Leno,
Eurico, Luis Pereira, Minuca e Dé; Dudu e Ademir; Edu, Leivinha, César
e Pio (Fedato). Técnico: Mário Travaglini.
CLASSIFICAÇÃO
1- São Paulo 36
2- Palmeiras 33
3- Corinthans 28
4- Santos 28
5- Portuguesa 28
ARTILHEIROS
O artilheiro do São Paulo foi Toninho Guerreiro, com 15 gols, seguido
por Terto e Rocha (5 cada), Edson, Gerson, Paraná e Téia (3 cada) e
Forlan (2).
TIME-BASE: Sérgio; Forlan, Jurandir, Arlindo e Gilberto; Édson, Gerson
e Pedro Rocha; Terto, Toninho Guerreiro e Paraná. Técnico: Osvaldo Brandão.
CAMPANHA: 22 jogos - 17 vitórias, 2 empates, 3 derrotas
39 gols pró, 17 gols contra
PRIMEIRO TURNO
São Paulo 3 x 1 Juventus
Portuguesa 3 x 2 São Paulo
São Paulo 4 x 2 Paulista
| São Paulo 2 x 1 Palmeiras
Ferroviária 1 x 2 São Paulo
São Paulo 1 x 0 Pte. Preta
São Paulo 1 x 1 Corinthians
São Bento 1 x 3 São Paulo
São Paulo 1 x 0 Botafogo
Santos 1 x 0 São Paulo
Guarani 0 x 1 São Paulo
SEGUNDO TURNO
Juventus 0 x 1 São Paulo
São Paulo 2 x 0 Guarani
São Paulo 0 x 0 Santos
Botafogo 1 x 2 São Paulo
São Paulo 3 x 0 São Bento
Ponte Preta 0 x 1 São Paulo
São Paulo 2 x 1 Ferroviária
Corinthians 1 x 0 São Paulo
Paulista 2 x 3 São Paulo
São Paulo 4 x 1 Portuguesa
Palmeiras 0 x 1 São Paulo