CAMPEÃO PAULISTA 1971


O São Paulo chegou à última rodada com 34 pontos ganhos e o Palmeiras, com 33. Foi um fim de campeonato super-emocionante que só poderia desembocar numa final eletrizante: São Paulo vs. Palmeiras. O confronto do primeiro turno já daria uma avant-premiére. O São Paulo ganhou por 2 a 1 de virada, gols do meia-artilheiro contratado naquele ano: Pedro Rocha. Um dos gols, de falta e o outro, de craque fora-de-série. Quando Terto ia cobrar o escanteio pela direita, Rocha correu na direção dele e, já perto da linha da grande área, a uns três ou quatro metros da linha de fundo, agachou-se (a bola vinha em alta velocidade à altura de sua cintura) e deu um toque genial de cabeça. A bola bateu na trave oposta antes de entrar e deixar o goleiro Leão boquiaberto. A final foi até mais do que eletrizante. Logo aos 5 minutos do primeiro tempo, Toninho aparou no peito uma bola rebatida pela defesa e, mais ou menos da altura do pênalti, mandou-a para as redes palmeirenses. Daí para a frente foi o Palmeiras atacar sem parar, porque precisava vencer a partida, e o São Paulo se defender, já que o empate também Ihe daria o título. Defender-se com categoria e com malandragem, por que não. Essa partida teve um lance polêmico, que até hoje não foi resolvido na cabeça dos palmeirenses: aos 22 minutos do segundo tempo, Leivinha fez um gol que não foi validado pelo juiz Armando Marques. Para os palmeirenses, o gol foi de cabeça; para Armando Marques, foi de mão. Leivinha diz até hoje que foi de cabeça; Jurandir dizia que foi de mão... Irritados, os palmeirenses chegaram ao limite quando, já no finalzinho, um funcionário errou ao devolver a bola para o campo, deixando-a escapar pelo lado contrário. Todos, de Leão a Fedato, correram atrás do funcionário para agredi-lo. Ninguém o pegou e, ainda por cima, Eurico e Fedato foram expulsos. Foi, enfim, um jogo fantástico, emocionante, eletrizante, que deu ao São Paulo o terceiro bicampeonato de sua história.
Infarto afasta grande ídolo
O São Paulo entrou e disputou todo o Campeonato de 71 sem o maior ídolo da torcida dos últimos 10 anos: Roberto Dias. Um inusitado infarto, em dezembro do ano anterior, não respeitou os seus 28 anos nem a sua condição de atleta. Foi uma paulada do destino ainda maior do que a grande injustiça que João Saldanha e Zagalo haviam cometido com ele pouco antes. João Saldanha não o convocou para a Seleção Brasileira que disputou as Eliminatórias porque, como teve pouco tempo para treinar, optou por chamar praticamente todo o time do Santos. Já Zagalo não o levou para a Copa de 70 e, como "castigo", teve de improvisar Wílson Piazza na quarta-zaga, já que os quartos-zagueiros convocados, Joel e Fontana, não convenciam. A sorte de Zagalo foi que o Brasil ganhou, o que certamente também ocorreria (e a vitória seria ainda mais bonita) se Dias fizesse parte daquele timaço. Roberto Dias só voltou aos gramados em fins de 72, mas com um futebol mais recatado e menos encantador. Foi perdendo espaço até ganhar passe livre em 73. A saída de Dias fez parte de uma reformulação do time, ocasião em que também saíram Paraná, Édson, Toninho Guerreiro, Sérgio Valentim e outros. Gérson havia sido vendido ao Fluminense um ano antes. Reformulado, o São Paulo voltaria a ganhar o título paulista dois anos depois, em 1975

DECISÃO
PALMEIRAS 0
SÃO PAULO 1
Palmeiras: Leão; Eurico, Luís Pereira, Minuca e Dé; Dudu e Ademir da Guia; Edu, Leivinha, César e Pio (Fedato). Técnico: Mário Travaglini.
São Paulo: Sérgio; Forlan, Jurandir, Arlindo e Gilberto; Édson, Gerson e Pedro Rocha (Carlos Alberto); Terto, Toninho Guerreiro e Paraná. Técnico: Osvaldo Brandão.
Local: Morumbi
Data: 27/06/71
Árbitro: Armando Marques
Público: 103.887 pagantes
Gol: Toninho Guerreiro, aos 5 min. do 1º tempo.
A partida final e decisiva do campeonato, São Paulo 1, Palmeiras 0, gol de Toninho aos 5 minutos do 1º tempo, foi realizada dia 27/06/71 e assistida por 103.887 pagantes. O São Paulo jogou com Sérgio, Forlan, Jurandir, Arlindo e Gilberto; Édson, Gérson e Pedro Rocha (Carlos Alberto); Terto, Toninho e Paraná. Técnico: Osvaldo Brandão. Palmeiras: Leno, Eurico, Luis Pereira, Minuca e Dé; Dudu e Ademir; Edu, Leivinha, César e Pio (Fedato). Técnico: Mário Travaglini.

CLASSIFICAÇÃO
1- São Paulo 36
2- Palmeiras 33
3- Corinthans 28
4- Santos 28
5- Portuguesa 28

ARTILHEIROS
O artilheiro do São Paulo foi Toninho Guerreiro, com 15 gols, seguido por Terto e Rocha (5 cada), Edson, Gerson, Paraná e Téia (3 cada) e Forlan (2).
TIME-BASE: Sérgio; Forlan, Jurandir, Arlindo e Gilberto; Édson, Gerson e Pedro Rocha; Terto, Toninho Guerreiro e Paraná. Técnico: Osvaldo Brandão.
CAMPANHA: 22 jogos - 17 vitórias, 2 empates, 3 derrotas
39 gols pró, 17 gols contra

PRIMEIRO TURNO
São Paulo 3 x 1 Juventus
Portuguesa 3 x 2 São Paulo
São Paulo 4 x 2 Paulista
| São Paulo 2 x 1 Palmeiras
Ferroviária 1 x 2 São Paulo
São Paulo 1 x 0 Pte. Preta
São Paulo 1 x 1 Corinthians
São Bento 1 x 3 São Paulo
São Paulo 1 x 0 Botafogo
Santos 1 x 0 São Paulo
Guarani 0 x 1 São Paulo

SEGUNDO TURNO
Juventus 0 x 1 São Paulo
São Paulo 2 x 0 Guarani
São Paulo 0 x 0 Santos
Botafogo 1 x 2 São Paulo
São Paulo 3 x 0 São Bento
Ponte Preta 0 x 1 São Paulo
São Paulo 2 x 1 Ferroviária
Corinthians 1 x 0 São Paulo
Paulista 2 x 3 São Paulo
São Paulo 4 x 1 Portuguesa
Palmeiras 0 x 1 São Paulo

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