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Mundial 1993
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DECISÃO
SÃO PAULO 3 MILAN (ITA) 2 Local: Estádio Nacional (Tóquio) Juiz: Joel Quiniou (França) Gols: Palhinha, 19 do primeiro; Masaro 3, Cerezo 14, Papin 36 e Muller 41 do segundo tempo. Cartões amarelos: Ronaldão, Toninho Cerezo e Papin. São Paulo F.C.: Zetti, Cafu, Válber, Ronaldão e André; Doriva, Dinho, Toninho Cerezo e Leonardo; Muller e Palhinha (Juninho). Técnico: Telê Santana. AC Milan: Rossi, Panucci, Costacurta, Baresi e Maldini; Albertini (Orlando),Desailly,Donadoni e Massaro; Papin e Raducioiu (Tassoti). Técnico: Fábio Capello. Data: 12 de dezembro de 1993 Quando o francês Joel Quiniou apitou o final da partida contra o Milan, o capitão Ronaldo chutou a moderação para o alto e falou: "No ano passado, o super time era o Barcelona, mas viemos a Tóquio e ganhamos deles. Este ano, o supertime era o Milan, e também vencemos. Então eu pergunto: se eles são os supertimes, o que é o São Paulo, afinal? Gostaria que me respondessem." O zagueiro tricolor tinha razão de sobra para ser irônico. Pela segunda vez consecutiva, o São Paulo chegou a Tóquio para disputar a Toyota Cup como azarão aos olhos da imprensa internacional. E pela segunda vez consecutiva o time do técnico Telê Santana despachou o adversario, sem deixar qualquer dúvida de qual era o melhor time. Desta vez, a vítima foi o todo poderoso Milan, tricampeão do Mundo (1969, 1989/90). O Milan do elenco multinacional, da fama de melhor time do mundo. Apesar de todos esses atributos, a equipe italiana não consegui conter o talento, a guarra e a sorte do tricolor do Morumbi. "Eles pensam que são bons, mas não são", desdenha Müller, o autor do terceiro gol da vitória por 3 x 2, o histórico gol do bicampeonato. "O melhor do mundo é o São Paulo! Provamos isso duas vezes." Assim como Ronaldo, Müller costumava evitar criticas mais contundentes aos adversários. No entanto, a emoção de marcar o gol do título em cima dos famosos - e, dentro de campo, cheias de empáfia - Baresi e Costacurta de vez o nó do comedimento. Não era para menos. Aos 41 minutos do segundo tempo, o incansável Toninho Cerezo esticou um lançamento. O lance estava mais para o goleiro Rossi. Na disputa da jogada, porém, Müller acabou fazendo um gol de letra. "Aconteceu um incidente com o nosso galeiro", lamentava o técnico do Milan, Fabio Capello. E daí? O São paulo devorador de títulos agora é bi campeão do mundo. Na garra, nos contra ataques fatais e - por que não? - também com alguma sorte. "Estavamoos mesmo num dia de alto astral", confirmava o meia Leonardo depois da partida. "O Milan empatava, agente corria atrás e fazia mais um gol na hora certa. Nem sei com o Müller marcou aquele gol, só sei que o título é nosso." Depois de 94 partidas em um ano, o São Paulo topou com um pario duríssimo. Espectadores dos 161 países para os quais o jogo foi transmitido viram um Milan poderoso. "O time não tem a qualidade técnica do Barcelona de 92, mas é mais combativel, mais aguerrido", analisava Telê Santana, depois da partida. De fato a equipe italiana assimilou bem o golpe do gol de Palhinha, aos 19 minutos do primeiro tempo e partio para o ataque. Só conseguio empatar aos 3 do segundo, através de Massaro, quando dominava o jogo. Onze minutos depois, porém, Leonardo, num lance de rapidez e categoria, safou-se do lateral Panucci e cruzou para Cerezo colocar o São Paulo novamente na frente. O Milan mais uma vaz não se entregou. Numa cabeçada de Papin, aos 36, chegou ao empate. A prorrogação parecia ser, então, o capítulo seguinte da Toyota Cup. Mas não. O bendito calcanhar de Müller, aos 41, decretou que aquele capítulo da história tricolor teria um final feliz. E, com ele, surgiram respostas para a pergunta levantada pelo desabafo do zagueiro Ronaldão. O que é o São Paulo afinao? "um time que equilibra talento e aplicação tática na mesma proporção", respondia Zico, que foi ao estadio abraçar os são-paulinos. "Uma equipe que sabe jogar à italiana, com muita marcação", admitia Capello, o técnico perdedor. "Um time que ganha títulos jogando na bola, sem apelar para a cera e o antijogo", sentisiava Telê, na sua eterna cruzada de fazer do Futebol um espetáculo e não uma guerra. Acima de tudo isso, o São Paulo deste início da década de 90 é um supertime capaz de ganhar 4 grandes torneios internacionais no mesmo ano (Libertadores, Recopa, Supercopa e Mundial Interclubes) e de detonar adversários sem se preoucupar com a cor da camisa, a conta bancária ou o tamanho de sua fama. Uma superequipe para a História, a única do país do futebol a igualar-se ao Santos de Pelé. O São Paulo de Telê se consagra 30 anos depois do Santos de Pelé; sobre o mesmo Milan, bi campeão do mundo. Muito justo, portanto, que o tricolor tenha agora o mundo aos seus pés. |
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