CAMPEAO BRASILEIRO 1986


Faltava apenas um minuto 1 minuto para terminar a prorrogação e o Guarani vencia por 3 x 2 aquela dramática decisão da Copa Brasil de 1986. A bola está no pé do zagueiro Wagner, do São Paulo, que houve um grito desesperado do goleiro Gilmar: "Passa pro Careca que ele resolve". Foi como se a instrução viesse dos céus. Wagner dá um chutão para frente. Pita só desvia de cabeça e a bola cai justamente no pé esquerdo dele, Careca. O artilheiro do campeonato, com 25 gols, não perdoa: enche o pé e empata. A minoria dos 40.000 torcedores que superlotam o Brinco de Ouro, vai à loucura. Os são-paulinos pressentiram, naquele instante, que a estrela do time na decisão por pênaltes iria brilhar. Mas o sofrimento começou cedo. Careca foi o primeiro tricolor a cobrar. Ingrata com o goleador, a bola repousa nos braços do goleiro Sérgio Néri. O São Paulo, porém, tinha Gilmar, que defendeu o pênalti de Marco Antônio e teve sorte no chute para fora de João Paulo. Coube a Wagner a missão de efetuar a última cobrança - justo ele, que havia falhado grosseiramente no terceiro gol do Bugre durante a partida e quase desmoronado os sonhos tricolores. Wagner chuta fraco, e mansinha, a bola vai parar no fundo do gol. Pronto o zagueiro estava reabilitado e o São Paulo se consagrava Bi Campeão Brasileiro. Reeditava 1997, quando também fora de casa e também nos pênaltes, cantou de galo sobre o Atlético. Depois de 120 minutos de legitima emoção - aos 9 do primeiro tempo o jogo já estava 1 x 1 - , o São Paulo o São Paulo escreve seu nome na galeria das máquinas imbatíveis. Comandada pelo pé quente Pépe a engrenagem funcionava perfeitamente com Gilmar, Darío Pereyra, Nelsiho, Pita, Careca, Silas, Müller e, por que não, Wagner. A máquina são-paulina era forte, campeã e soberana. Os felizes tricolores sabiam disso e fizeram a festa, que atravessou a noite de 25 de janeiro de 1987 e invadiu a madrugada. Uma madrugada que amanheceu em vermelho, branco e preto. Veja a seguir a campanha do time na competição.

CAMPANHA
34 jogos - 17 vitórias, 13 empates, 4 derrotas - 62 gols pró e 22 gols contra.

DECISÃO
GUARANI 3
SÃO PAULO 3

Guarani: Sérgio Néri; Marco Antônio, Valdir Carioca, Ricardo Rocha e Zé Mário; Tosin, Tite (Vágner) e Boiadeiro; Catatau
(Chiquinho Carioca), Evair e João Paulo. Técnico: Carlos Gainete.
São Paulo: Gilmar; Fonseca, Wágner Basílio, Dario Pereyra e Nelsinho; Bernardo, Pita e Silas (Manu); Müller, Careca e Sidney (Rômulo). Técnico: Pepe.
Gols: Nelsinho (contra) aos 2 min e Bernardo aos 9 min do primeiro tempo. Pita a 1 min, Boiadeiro aos 7 min, João Paulo aos 17 min e Careca aos 28 min da rorrogação.
Local: Brinco de Ouro da Princesa
Data: 25/02/87
Árbitro: José de Assis Aragão
Público: 37.370 pagantes
Time Base: Gilmar, Fonseca, Wágner, Dario Pereyra, Nelsinho, Bernardo, Silas (Manu), Pita, Müller, Careca, Sidnei. Técnico: Pepe

PRIMEIRA FASE
Coritiba 0 x 1 São Paulo
Sobradinho 1 x 1 São Paulo
São Paulo 1 x 1 Bangu
São Paulo 4 x 0 Ceará
São Paulo 0 x 0 Internacional
Sampaio Corrêa 0 x 4 São Paulo
São Paulo 3 x 2 Fluminense
Operário-MS 1 x 2 São Paulo
Remo 0 x 2 São Paulo
São Paulo 3 x 2 Sport
Ponte Preta 0 x 2 São Paulo
São Paulo 2 x 0 Santos
São Paulo 2 x 0 Bangu
São Paulo 1 x 1 América-RJ
Palmeiras 0 x 0 São Paulo
Joinville 0 x 0 São Paulo
Treze 1 x 0 São Paulo
São Paulo 5 x 0 Botafogo
Santos 0 x 0 São Paulo
América-RJ 0 x 0 São Paulo
São Paulo 4 x 1 Treze
Botafogo 0 x 0 São Paulo
São Paulo 6 x 1 Ponte Preta
Palmeiras 2 x 2 São Paulo
São Paulo 5 x 0 Joinville
Bangu 1 x 0 São Paulo

OITAVAS DE FINAIS
Inter-SP 2 x 1 São Paulo
São Paulo 3 x 0 Inter-SP

QUARTAS DE FINAIS
Fluminense 1 x 0 São Paulo
São Paulo 2 x 0 Fluminense

SEMI DE FINAL
São Paulo 1 x 0 América-RJ
América-RJ 1 x 1 São Paulo

FINAL
São Paulo 1 x 1 Guarani

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