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Continuação:
Meses depois fui numa
palestra no centro holístico que freqüentava aqui na
minha cidade. A palestra era sobre Wicca. Cheguei meio
receosa porém tomada de expectativa. Tinham muitas
pessoas na palestra, a maioria garotas com algumas
senhoras perdidas no meio delas. Eu tinha 23 anos nessa
época e estava entre a maioria das participantes porém
meu jeito estava mais parecido com o jeito das senhoras
ali presentes.
O palestrante era um homem de seus trinta e poucos anos
e se dizia mestre na tradiçao Avalônica e falava sobre a
tradiçao da lua e tradiçao do sol, de covens e muitas
coisas que eu já tinha lido.
Ao final da palestra muitas mulheres, inclusive eu,
foram falar com ele sobre como seguir a bruxaria. Ele
distribuiu cartões e pedia que todas as interessadas
ligassem. Nessa ocasião fiz amizade com uma garota da
minha idade que como eu buscava a bruxaria porém ela já
seguia num grupo. Trocamos telefone e dias depois
telefonei para ela. Também liguei para o mestre e ele
marcou um dia onde estariam todas as novas alunas.
No
grupo dessa nova amiga encontrei pessoas bem bacanas,
porém fui pouco a pouco percebendo que o casal que
organizava os encontros tinha hábitos estranhos e as
pessoas que ali freqüentavam eram vítimas de usurpação
financeira e moral. Depois de 5 meses freqüentando os
encontro do grupo, afastei-me. Nas aulas com o mestre
tudo parecia em ordem. Tínhamos duas aulas por semana
onde aprendíamos muitas coisas. Tive de comprar um
caderno de anotações, fazer uma roupa e comprar uma
espada e um punhal. Ao final de 9 meses foi marcada a
Iniciação das novas bruxas e eu estava entusiasmada com
tudo que estava acontecendo.
Para
encurtar a história que é bem longa, no dia da iniciação
das novas bruxas fomos até um sítio perto de Teresópolis
( Serra carioca - Nota dos Discípulos) onde todos os
membros se encontraram, iniciados e noviços. O ritual
parecia como nas descrições dos livros que já havia lido
até que notei que alguns membros mais velhos do grupo
estavam fazendo uso de entorpecentes. Falei com uma das
organizadoras do evento sobre isso e ela me disse que eu
também deveria usar a droga para ajudar na minha
experiência. Comecei a me sentir perdida diante dos
fatos. As pessoas começaram então a utilizar todo tipo
de bebidas antes mesmo de iniciar o ritual. Havia desde
aguardente barato até wisky de boa qualidade.
O
rito então passou a ser um festival de bebidas e drogas
onde todos partilhavam de copos, seringas e afins.
Fui
até o mestre para lhe falar porém me disseram que ele
estava em transe e não podia ser interrompido. O transe
que eles se referiam era o estado quase inconsciente que
esse se encontrava deitado próximo de uma árvore onde
dois outros membros tentavam fazer com que recobrasse a
consciência.
Saí de lá sem me iniciar se é que se pode chamar o que
estava acontecendo de iniciação. Decidi então me afastar
do grupo. Depois de alguns dias refletindo sobre tudo o
que vira, decidi também não buscar mais nada disso em
minha vida.
Anos mais tarde tive acesso a Internet e hoje vejo o
grande número de sites de wicca e bruxaria na maioria
falando as mesmas coisas sobre o assunto. Assim como nos
livros os sites parecem uma cópia um do outro e muitas
vezes vemos jovens buscando isso sem realmente saberem o
que há por trás de toda essa conversa.
Hoje sigo o meu caminho sozinha, sem muito romantismo
sobre espiritualidade e distante de tudo que o brida me
inspirou um dia. Não sei se um dia irei encontrar meu
caminho mesmo mas gostaria de viver essas experiências
mágicas que alguns dizem viver. Talvez eu não seja digna
dessas coisas ou quem sabe eu não seja bruxa mesmo.
(Agradeço se puderem aceitar meu desabafo no site de
vocês por que eu precisava dizer isso e espero que vocês
tenham mais sorte do que eu.)
Obrigado e felicidades a todos.
Joana
Nota:
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aqui postados são de inteira responsabilidade de seus
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