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Servidora estadual, 37 anos, mora em Rio de Janeiro.


 

 
 
 

 Joana Cardoso     v

 Perfil

quem sou eu:
 
aniversário:   15 março
idade:   37 anos
interesses no Spaces Discípulos:   não há resposta
etnia:   branco
religião:   não há resposta
visão política:   não há resposta
estilo:   não há resposta
moro:   minha família
cidade natal:   Rio de Janeiro
   
 Tradição
Tradição:    não há resposta
Participa de Coven:    não
Orientação:    não há resposta
Interesse na bruxaria - estudo e prática:    não há resposta
Aprendizagem:   não há resposta
 Contato
e-mail:

  não permitido postar e-mail

página web:  
 

Meu depoimento

 

Qual a verdade sobre a Bruxaria?


 Saudações amigos;
 
 Não sei se posso escrever no site de vocês pois só o que tenho visto são declarações de amor e correspondência com a bruxaria, a deusa e tudo que essa crença envolve. Minha experiência com a bruxaria não é tão positiva assim, minha história é marcada por desencantos e desilusões na busca por todo esse entendimento da chamada velha religião. Primeiro que segundo as minhas fontes de estudo a wicca nem é tão antiga assim e a bruxaria hoje é dominada pelas tradições wicca, então como ser um seguidor da velha religião se ela é tão nova quanto a tal Nova Era?
 
 Minha caminhada em busca do universo das bruxas teve início há 14 anos depois que li o livro Brida do Paulo Coelho. Fiquei encantada com tudo que li no livro, os rituais, a história da outra parte ou almas gêmeas como muitos chamam, os dons, os desafios e as conquistas da jovem aprendiz de bruxaria.

 Depois de ler o livro e me identificar com as buscas da Brida, comecei a buscar incessantemente alguém que me auxiliasse no meu caminho espiritual. Foram dois anos de buscas e muita leitura sobre o tema. Quanto mais eu lia mais me identificava com esse caminho até que um dia, por meio de uma amiga muito atraída pelo esoterismo em geral, encontrei uma "bruxa".

 Nos nossos primeiros encontros tudo parecia exatamente como no livro. Minha professora me falava coisas poéticas e eu tinha a certeza de estar finalmente no meu caminho - "o universo conspira", diz o autor do brida - e eu tinha certeza de que ele estava conspirando a meu favor. Tudo ia bem até que no terceiro encontro minha professora parecia irritada e veio logo me falando que não tínhamos acertado um valor para as minhas aulas. Fiquei assustada com o jeito dela, ela demonstrava claramente o seu interesse pelo valor das aulas. Tudo bem que ela cobrasse um valor por isso, afinal parecia que essa era sua atividade profissional, mas ela não tinha me falado nada a respeito de valores e para minha surpresa o preço que ela me dava para cada encontro era sem dúvida exorbitante.
 

 Saí de lá muito chateada com aquela história toda. Não entendia e não entendo até hoje como um caminho espiritual pode ser tão difícil de achar um mestre e quando achamos um não podemos pagar!!

 

  Continuação:


Meses depois fui numa palestra no centro holístico que freqüentava aqui na minha cidade. A palestra era sobre Wicca. Cheguei meio receosa porém tomada de expectativa. Tinham muitas pessoas na palestra, a maioria garotas com algumas senhoras perdidas no meio delas. Eu tinha 23 anos nessa época e estava entre a maioria das participantes porém meu jeito estava mais parecido com o jeito das senhoras ali presentes.

O palestrante era um homem de seus trinta e poucos anos e se dizia mestre na tradiçao Avalônica e falava sobre a tradiçao da lua e tradiçao do sol, de covens e muitas coisas que eu já tinha lido.

Ao final da palestra muitas mulheres, inclusive eu, foram falar com ele sobre como seguir a bruxaria. Ele distribuiu cartões e pedia que todas as interessadas ligassem. Nessa ocasião fiz amizade com uma garota da minha idade que como eu buscava a bruxaria porém ela já seguia num grupo. Trocamos telefone e dias depois telefonei para ela. Também liguei para o mestre e ele marcou um dia onde estariam todas as novas alunas.
 

No grupo dessa nova amiga encontrei pessoas bem bacanas, porém fui pouco a pouco percebendo que o casal que organizava os encontros tinha hábitos estranhos e as pessoas que ali freqüentavam eram vítimas de usurpação financeira e moral. Depois de 5 meses freqüentando os encontro do grupo, afastei-me. Nas aulas com o mestre tudo parecia em ordem. Tínhamos duas aulas por semana onde aprendíamos muitas coisas. Tive de comprar um caderno de anotações, fazer uma roupa e comprar uma espada e um punhal. Ao final de 9 meses foi marcada a Iniciação das novas bruxas e eu estava entusiasmada com tudo que estava acontecendo.
 

Para encurtar a história que é bem longa, no dia da iniciação das novas bruxas fomos até um sítio perto de Teresópolis ( Serra carioca - Nota dos Discípulos) onde todos os membros se encontraram, iniciados e noviços. O ritual parecia como nas descrições dos livros que já havia lido até que notei que alguns membros mais velhos do grupo estavam fazendo uso de entorpecentes. Falei com uma das organizadoras do evento sobre isso e ela me disse que eu também deveria usar a droga para ajudar na minha experiência. Comecei a me sentir perdida diante dos fatos. As pessoas começaram então a utilizar todo tipo de bebidas antes mesmo de iniciar o ritual. Havia desde aguardente barato até wisky de boa qualidade.
 

O rito então passou a ser um festival de bebidas e drogas onde todos partilhavam de copos, seringas e afins.
 

Fui até o mestre para lhe falar porém me disseram que ele estava em transe e não podia ser interrompido. O transe que eles se referiam era o estado quase inconsciente que esse se encontrava deitado próximo de uma árvore onde dois outros membros tentavam fazer com que recobrasse a consciência.

Saí de lá sem me iniciar se é que se pode chamar o que estava acontecendo de iniciação. Decidi então me afastar do grupo. Depois de alguns dias refletindo sobre tudo o que vira, decidi também não buscar mais nada disso em minha vida.

Anos mais tarde tive acesso a Internet e hoje vejo o grande número de sites de wicca e bruxaria na maioria falando as mesmas coisas sobre o assunto. Assim como nos livros os sites parecem uma cópia um do outro e muitas vezes vemos jovens buscando isso sem realmente saberem o que há por trás de toda essa conversa.

Hoje sigo o meu caminho sozinha, sem muito romantismo sobre espiritualidade e distante de tudo que o brida me inspirou um dia. Não sei se um dia irei encontrar meu caminho mesmo mas gostaria de viver essas experiências mágicas que alguns dizem viver. Talvez eu não seja digna dessas coisas ou quem sabe eu não seja bruxa mesmo.

(Agradeço se puderem aceitar meu desabafo no site de vocês por que eu precisava dizer isso e espero que vocês tenham mais sorte do que eu.)

Obrigado e felicidades a todos.

Joana



 

Nota: os textos aqui postados são de inteira responsabilidade de seus criadores.

 

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