5. SITUAÇÃO ATUAL

 Neste segmento serão abordadas as diferentes atividades desenvolvidas na região, usos e problemas deles decorrentes e seus efeitos na qualidade ambiental.


5.1 Agropecuária
5.2 Desmatamento
5.3 Mineração
5.4 Adensamento Populacional


 

5.1. AGROPECUÁRIA

 A atividade agropecuária teve início com a colonização alemã e ocupou a maior parte das planícies costeiras da região, especialmente as áreas mais próximas às encostas da serra, onde prodominam as pequenas propriedades familiares. Quase a totalidade destas áreas foram desmatadas para dar lugar às pastagens e culturas como o arroz, hortifrutigranjeiros e outros. A incorporação de novas áreas ao processo produtivo, algumas impróprias para o uso agrícola como as encostas e margens dos rios, está agravando os problemas já existentes.

 Aproximadamente 1.000 famílias residem a montante do ponto de captação do rio Cubatão e têm na agricultura a sua principal fonte de renda. O uso de técnicas agrícolas inadequadas, especialmente daquelas relacionadas ao uso e conservação do solo e o desmatamento sem controle, são as atividades mais impactantes, podendo causar a degradação dos recursos hídricos.

 Sem dúvida, a retirada das matas ciliares e a ocupação indevida das margens dos rios são os maiores causadores da poluição. As margens desprotegidas sofrem maior efeito erosivo, permitindo o carreamento de partículas do solo, restos culturais e até mesmo produtos químicos para os cursos d'água. Além disso, a presença mais freqüente de pessoas e animais próximo aos rios, pode aumentar a possibilidade de contaminação biológica da água (fezes e outros restos animais).

 Outros problemas podem ainda ser citados, inerentes à presença do homem no local, como por exemplo a questão do saneamento, que será abordada mais adiante.

 As atividades agropecuárias desenvolvidas na região, possuem grande importância socio-econômica para o município, pois delas dependem um grande número de famílias rurais, e seus produtos abastecem a cidade de Joinville.

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5.2. DESMATAMENTO

 A retirada da cobertura vegetal é o principal fator causador da degradação ambiental dos mananciais. Além da grande área desmatada para fins agropecuários, existe também o desmatamento para reflorestamentos e pastagens, mais freqüentes no planalto ocidental, e o corte clandestino de árvores para a exploração da madeira. Na conquista de novas áreas produtivas, as encostas da Serra do Mar, margens dos cursos d'água e nascentes (áreas de preservação permanente, de acordo com o Código Florestal), também estão sendo desmatadas.

 Entre os principais efeitos do desmatamento estão a aceleração dos processos erosivos, causando o aumento da turbidez da água e assoreamento dos leitos , a retenção menos eficiente das águas das chuvas, com alterações da vazão dos rios (maiores enxurradas e períodos mais longos de estiagem).

 A densa cobertura vegetal natural, a Mata Atlântica, é responsável pela redução do impacto e absorção das fortes chuvas, comuns na região. Além deste importante papel na manutenção da qualidade dos recursos hídricos, a Mata Atlântica recebe a atenção especial por ser uma floresta com alta diversidade biológica e grande potencial ecológico, econômico e social.

 A beleza cênica faz da área um local com grande potencial para o Turismo Ecológico, já existindo visitação pública em algumas trilhas e pontos de rara beleza, por exemplo o local conhecido como "Castelo dos Bugres". A articulação entre a FATMA e a FUNDEMA, através de convênio, poderá facilitar um trabalho integrado para a execução dos projetos de proteção da Mata no município de Joinville e região.

 No entanto, o maior problema enfrentado no combate ao desmatamento é a deficiência da fiscalização. Esta deficiência deve-se à falta de estrutura e planejamento dos órgãos fiscalizadores. A inexistência de uma política e estratégia definida para a região também dificulta as atividades de fiscalização.

Os órgãos responsáveis por esta atividade, IBAMA a nível federal, Polícia de Proteção Ambiental a nível estadual e FUNDEMA a nível municipal, devem articular-se visando a fiscalização conjunta, preenchendo as lacunas existentes e tornando-a mais eficaz.

 Na busca da solução do problema, a Educação Ambiental também se faz necessária, visando a formação de uma consciência voltada para a proteção da vegetação das nascentes e mata ciliar. Estas, devem receber atenção especial a curto prazo, inclusive com relação à sua recuperação, devido aos importantes papéis que exercem na proteção dos recursos hídricos.

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5.3. MINERAÇÃO

 Responsáveis pelo abastecimento da construção civil de Joinville, as empresas mineradoras exploram as planícies de inundação dos rios, formadas por sedimentos aluviais, de onde retiram o seixo rolado, mineral de classe II, utilizado para a britagem. A exploração é feita principalmente nas áreas próximas aos cursos d'água, ou até mesmo nos leitos.

 Além disso, após o término da exploração, muitas vezes a recuperação ambiental do local não é feita, expondo as margens à ação erosiva. A exploração ou lavagem do seixo nos leitos dos rios elevam a turbidez da água, que é o maior problema das estações de tratamento, que muitas vezes interrompem o tratamento para a limpeza dos filtros que foram dimencionados para tratar água com baixa turbidez.

 O combate a estes problemas pode ser realizado através de um melhor controle das atividades de mineração, não permitindo a lavra clandestina, principalmente nas áreas muito próximas aos rios (áreas de preservação permanente previstas no Código Florestal), submetendo estas atividades ao processo de licenciamento ambiental e acompanhando a execução dos projetos, dando especial atenção às atividades de recuperação do local minerado. Uma fiscalização efetiva, com a aplicação das sanções previstas na Legislação Ambiental também deve ser um instrumento utilizado para coibir as irregularidades do setor minerário.

 O Licenciamento Ambiental é um instrumento importante da política ambiental, pois possui caráter preventivo, inserindo no processo de planejamento a atenção às questões ambientais, objetivando minimizar ou eliminar os danos decorrentes do projeto. Para tanto, o licenciamento deve ser analizado com rigor técnico, visando conciliar a exploração do bem mineral com a preservação da qualidade ambiental da área do empreendimento.

 A situação precária dos setores governamentais ambientais, em todos os níveis de atuação, a falta de coordenação entre as instituições envolvidas no registro, controle e fiscalização do setor mineral, combinado com o baixo grau de conscientização e pouca capacitação técnica dos mineradores, com relação às questões ambientais, agravam o quadro e alertam para a necessidade de ações imediatas para a regularização destas atividades, principalmente na área dos mananciais, onde a degradação ambiental é mais significativa.

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5.4. ADENSAMENTO POPULACIONAL

 Em levantamento realizado na região, constatou-se que 1.117 famílias residem a montante da captação e alguns problemas relativos ao saneamento da região já podem ser notados. Grande parte dessas famílias apenas residem no local, exercendo suas atividades econômicas na cidade.

 A alta pressão de ocupação exercida pela urbanização, com a criação de núcleos urbanos, desmatamentos, trânsito mais intenso, produção de lixo e principalmente de esgoto, não são compatíveis com a área dos mananciais.

 Além disso, a ocupação urbana sobre a zona agrícola também traz problemas, pois desta forma estão sendo eliminadas as áreas tradicionalmente produtoras de alimentos para abastecimento da cidade.

 O controle da ocupação da região deve ser realizado de forma mais intensa, com o objetivo de coibir o avanço da ocupação irregular.

 Trabalhos relativos ao saneamento também devem ser realizados, visando minimizar os problemas causados pelos dejetos produzidos pela população do local, como por exemplo a educação ambiental visando a destinação correta do lixo e a construção de fossas, evitando o despejo dos dejetos nos rios.

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