
REGIÃO BRASIL
ENTREVISTA

Leia abaixo a entrevista exclusiva com a Presidente Eleita da Federação Soroptimista das Américas, Nordélia Gradowski.
Perguntas efetuadas por Julia Schreiner - SI Campinas, Solange Lopes - SI Brasília Sul e Jane Machado - SI Santos Praia.
Julia: Quais são exatamente as funções da Presidente-Eleita e da Presidente da Federação?
Nordélia: A presidente da Federação é a cabeça do Board, composto por 13 membros eleitos pelas áreas eleitorais; a ela compete zelar para que os assuntos e negócios da Federação tenham bom andamento, além de representá-la sempre que for necessário. É a embaixadora da Federação entre ela e as Regiões e frente às outras ONGs; é um dos 3 membros votantes do SI. A Presidente-eleita é sua substituta legal mas tem algumas atribuições específicas durante as reuniões do Board e representa a Presidente em reuniões de outras ONGs. É um dos 3 membros votantes do SI (o terceiro membro votante do SI é a Past-President imediata - chamamos de IPP)
Julia: É necessário morar em Philadelphia para exercer a função de Presidente ou poderemos contar com sua presença no Brasil a maior parte do tempo?
Nordélia: A Presidente não precisa morar na Philadelphia; ela estará lá de 3 em 3 meses, nas reuniões do Board, somente chega antes e sai depois dos demais membros, afim de colocar os assuntos em ordem, assinar documentos, tomar certas providencias que compete a ela e a Diretora Executiva. Como sua presença é muito requisitada em reuniões da ONU, de outras ONGs e mesmo de reuniões especiais em diversas Regiões, a Presidente viaja muito. Meu tempo de estadia no Brasil tem sido de um mês, no máximo. Na época dos Congressos, menos; chego a passar um mês viajando (2 ou 3 Conferencias sem voltar em casa) e 10 a 15 dias aqui.
Julia: Por que o mandato da Presidente e Presidente-eleita da Federação é de apenas um ano? Não é pouco tempo para desenvolver algum trabalho?
Nordélia: Na verdade são dois anos: um ano aprendendo e outro atuando. Pela resposta acima você pode calcular o desgaste pessoal; achamos que 1 ano é o suficiente; além do mais, como trabalhamos juntas, os projetos e programas não sofrem solução de continuidade.
Julia: Para nós parece ser muito importante a eleição de uma não americana para o cargo de Presidente da Federação. Você poderia falar a respeito?
Nordélia: Realmente, foi muito importante a eleição de uma não norte-americana para a Presidência. As outras Federações não viam isto com bons olhos pois fazem um rodízio entre os membros dos diversos países que as compõem e não concordavam que a SIA só elegesse americanas. Além do mais, foi uma abertura de novos horizontes. Como se viu, este ano uma filipina concorreu à Presidente-eleita e teve ótima votação. Tenho certeza de que, dentro de muito pouco tempo teremos uma Presidente japonesa. É muito importante lembrar que eu não fui eleita pela Região do Brasil; temos apenas 38 Clubes e somente 70% deles exercitaram o direito de voto. Tive 68 votos à mais que a outra candidata; se nenhum Clube da Região Brasil tivesse votado em mim, eu seria eleita do mesmo jeito. Isto nos mostra que a grande maioria dos Clubes da Federação concordava com uma mudança de posicionamento, inclusive os americanos.
Julia: Na sua opinião, o que a Região pode ou deve fazer para obter maior destaque na Federação?
Nordélia: Abrir muitos e muitos Clubes; recrutar muitas e muitas novas sócias; relatar todos os programas executados para Celebrando Sucessos e enviar muitas notícias para o 'Soroptimist of the Americas Magazine'; doar para as Fundações, para os Fundos de Traduções e de Desastres. Dar demonstrações de unidade, amizade e valorização de seus membros.
Julia: Como tem sido a participação dos Clubes brasileiros nos programas da Federação? Você tem alguma idéia de como melhorar esta participação?
Nordélia: A participação não tem sido ruim mas podemos melhorar bastante; este assunto é das Coordenadoras Regionais que precisam envolver e entusiasmar os Clubes a cumprirem os programas, principalmente o "Prêmio Oportunidade para Mulheres" que é o carro chefe da Federação e no qual tivemos em 2000 somente 68% de participação. Este é um programa que REALMENTE faz a diferença para as mulheres que recebem os prêmios; não dá para deixar de realizar.
Julia: Sabemos que a língua é um grande obstáculo entre as comunicações dos clubes brasileiros com o escritório central na Philadelphia. O Fundo de Traduções tem capacidade de proporcionar a resolução deste problema? O que você pretende fazer para estimular as doações a este Fundo por parte dos Clubes brasileiros e como este Fundo pode proporcionar uma melhora nas comunicações?
Nordélia: Todas que trabalham para o Soroptimismo há algum tempo sabem que o problema não é só a língua; é a comunicação em si. Presidentes não se comunicam com suas sócias; Clubes da Região Brasil não se comunicam com as Coordenadoras, com a Diretoria ou mandam noticias para a Revista... Quando a comunicação é entre países, piora um pouco mais; temos no Staff duas pessoas que falam espanhol correntemente. Quem realmente QUER se comunicar, consegue. Já estamos estimulando os Clubes de TODA a Federação a doarem para o Fundo de Traduções; em todas as Conferências, os membros do Board que estavam presentes falaram de sua importância para o fortalecimento dos Clubes em países que não falam inglês. Quer uma noticia surpreendente? os Clubes que falam inglês estão doando mais para as Traduções que os Clubes que não falam. Uma pesquisa foi enviada para todas as Governadoras para aquilatar quais os materiais PRIORITÁRIOS, no entender deles, a serem traduzidos. De acordo com a apuração das respostas eles começarão a ser.
Julia: O Soroptimismo está presente no Brasil desde 1947, porém somos poucos Clubes no país. Como pretende incentivar o aumento da exposição dos Clubes às suas comunidades de modo a expandirem e fundarem outros Clubes?
Nordélia: Como você mesmo diz...desde 1947....não há novas fórmulas ou soluções de prateleira, prontas para serem usadas. Cada caso é um caso; cada cidade ou estado é diferente do outro. Vai depender da habilidade das Soroptimistas que realmente vestem a camisa do Soroptimismo fazerem que suas comunidades saibam da Organização, entendam e apoiem seus projetos e programas. Somos ou não somos líderes em nossas comunidades? Só temos que provar isto!
Julia: A internet proporciona que nos sintamos perto das Soroptimistas de outros Clubes e de outros países e faz com que sintamos que realmente fazemos parte de uma organização Internacional muito importante para a mulher, entretanto as Soroptimistas brasileiras que tem acesso à internet ainda são poucas. Então eu pergunto, como a SIA pretende envolver um maior número de Soroptimistas neste sentimento de fazer parte de um todo, mais capaz do que o Clube sozinho, sem utilizar recursos materiais, ainda escassos, como computador e etc..?
Nordélia: Através de seus programas internacionais; quando você contribui para um deles e procura saber o que sua contribuição está ajudando a fazer, você se sente parte de uma comunidade internacional. Nosso grande problema é que parece que não enxergamos muito além de nossa barriga; não nos envolvemos com os grandes e poderosos programas internacionais em que somos parceiros - tipo "Limbs for Life", "Stop Trafficking", "Education in Inner Mongolia", etc.. Infelizmente este é um caso típico do Brasil e das Americas do Sul e Central: pouca visão internacional. Quantas vezes escutamos de sócias nossas (escutei antes de ontem): porque mandar dinheiro para a Mongólia se temos jovens no nordeste do Brasil que também não podem ter acesso à educação? Você pode ser uma excelente cidadã doando, trabalhando, lutando por problemas de seu país; agora, se você quer ser Soroptimista, fazer parte de uma organização internacional, você tem que parar de pensar somente dentro de suas fronteiras.
Julia: A SIA tem algum projeto de formar um cadastro de endereços eletrônicos de Soroptimistas de todas as suas Regiões para facilitar e estimular as comunicações entre as Regiões?
Nordélia: Não sei mas posso me informar na Philadelphia e responder quando voltar, OK?
Solange: A futura Presidente Nordélia pretende dar maior visibilidade à Soroptimist como uma organização que realmente tenha o que dizer para as mulheres e, principalmente, demonstrar o que fazer por elas ? De que forma entende o 'Ser Uma Voz Global Para as Mulheres' ?
Nordélia: Esta é obrigação de todas nós. Cada Soroptimista deve, sempre que possível, fazer marketing da organização, mostrando quanto ela pode fazer, se tiver o apoio das comunidades onde atuam. O slogan "Uma Voz Global Para Mulheres" significa que todas falamos a mesma linguagem em qualquer parte do mundo; a linguagem da amizade, do companheirismo e da luta pelos Direitos Humanos e pela melhoria da situação da mulher em nossas sociedades.
Solange: Quanto à posição de ranking do Soroptimismo do Brasil, e uma vez que a futura Presidente é brasileira, pensa que seja a hora de alavancá-lo para maior destaque entre as Regiões das Américas, quiçá do mundo ?
Nordélia: Isto vai depender mais das brasileiras que de mim. No Board não represento meu país; represento a Organização. Acho que é mais que hora do Brasil ser reconhecido como líder no Soroptimismo, não importa quem seja a Presidente, mas, isto vai depender de nosso envolvimento e vontade de crescer.
Solange: Preocupa-se a futura Presidente com o fechamento de clubes ? Como planeja fortalecer a retenção e ampliar os quadros de sócias ? Usaria critérios como uma flexibilização das exigências para o ingresso ou mediante treinamento em SOLT nas unidades soroptimistas já existentes ou ainda por outro meio?
Nordélia: Esta é uma preocupação dos dirigentes de TODAS as organizações de prestação de serviço; estamos perdendo membros e Clubes. Por que? muitas são as respostas; nem tanto convincentes. Será que não nos tornamos desinteressantes para nossa clientela? Será que não alardeamos o que não fazemos, e com isso, perdemos a credibilidade? Até onde influímos realmente para a melhoria de vida de nossos semelhantes? Já flexibilizamos bastante; estamos recebendo aposentadas e mulheres que estão PENSANDO em se tornar profissionais; onde iremos parar? SOLT é necessidade constante; só se defende e se propagandeia aquilo que se conhecesse; mas nossas sócias não gostam muito de estudar nossos assuntos, temos muito que crescer...se tivermos tempo!
Solange: Na sua opinião, seria desejável e em que amplitude a futura Presidente se permite sonhar, idealizar e dar suporte para que as companheiras brasileiras utilizem mais e melhor as opções existentes, troca de correspondência tradicional e de mensagens eletrônicas ou recebimento de material mais farto (impresso ou eletrônico), por exemplo, para se manterem interessadas, bem informadas e atualizadas sobre as questões que envolvem o Soroptimismo mundial ?
Nordélia: A Internet é uma porta aberta para o mundo e as Soroptimistas brasileiras devem escancarar esta porta. Manter contato com Soroptimistas de todo o mundo é hoje um sonho realizável; com o aumento das traduções quase todo o material, pelo menos o mais importante, está vindo em Português (nem sempre castiço, é verdade, mas Português compreensível) A verdade é que sempre vão estar utilizando tudo isto aquelas que se interessam; interesse você pode despertar mas não pode obrigar.
Jane: Quais os planos da Federação Americana para conectar todas as sócias via internet?
Nordélia: Elas já tem uma vasta rede de contato; nós mesmos temos entrado em contato com muitas delas. Não podemos esquecer que mesmo nos EEUU há pessoas que não estão conectadas. Por isso, assuntos oficiais são enviados por correio comum. No Board nós nos comunicamos pela Internet; somente votações e alguns relatórios são mandados por correio comum. Mas, em futuro bem próximo, a grande maioria das comunicações será via e-mail.
Jane: Qual a diferença do tipo de votação para o 'Board' da Federação Americana e a Diretoria da Fundação Soroptimista?
Nordélia: Para o Board é feito o pedido de nomeação às Regiões; os nomes votáveis são declarados candidatos e a eleição se processa com os Clubes recebendo a cédula eleitoral com os nomes das candidatas e escolhendo sua preferida, 1 voto por Clube. Uma vez eleito o Board, seus membros são convidados a concorrerem a Secretaria/Tesoureira e a Presidente-eleita. As que aceitam, concorrem. A Secretaria/Tesoureira é eleita pelos votos dos 12 membros do Board. A Presidente-eleita é votada pelos Clubes, no mesmo modo dos membros do Board. Para se eleger a candidata precisa ter maioria absoluta (50% + 1). Para as Fundações, são pedidos nomes para os Clubes, que os enviam; é feita uma pré-seleção pelo Board. As candidatas remanescentes são apresentadas durante a Convenção da Federação e votadas pelas delegadas presentes. O período para o Board é de 2 anos; para as Fundações de 4 anos.
Jane: A Federação Americana poderia elaborar um plano de treinamento para algumas Coordenadoras das Regiões Soroptimistas visando maior expansão?
Nordélia: Já se fez isto no passado; o resultado não foi muito satisfatório. Muito dispendioso para pouco retorno. Além disso há o problema da língua. Para isso é que temos as Coordenadoras de SOLT da Região que se supõe, sejam sócias antigas e entendidas nos assuntos da Organização. A Governadora deve dar especial atenção ao treinamento de suas Coordenadoras e faze-las realmente, retransmissoras de capacitação.
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