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DO SONHO À PROJEÇÃO


Capítulo 1

  O Sonho e a Projeção através da História

 


O sonho é tão antigo quanto a própria humanidade, e, muito além do que se possa imaginar, eles tiveram uma influência considerável sobre os fatos humanos, já que os sonhos, o chamado mundo dos sonhos é ao mesmo tempo depositário dos desejos humanos, e o fiel espelho dos anseios e reflexo da natureza humana, transmitida em forma simbólica, e também onde surgem as visões premonitórias do amanhã que ainda não surgiu.

Existe a história conhecida da humanidade, e há ainda a desconhecida, mas como não podemos investigar o que nós é desconhecido, começaremos pelo que nós é mais acessível.

O sonho, como algo etéreo e inconsistente para o estudo físico, palpável, só pode ser estudado a partir de uma única ferramenta: a Consciência, a narração fiel se faz necessária, já a interpretação do sonho requer plena sensibilidade e conhecimento que nos fazemos parte do Universo, do todo, e que ele também faz parte de nós.

Desde os tempos mais remotos, o poder profético do sonho tem sido de importância fundamental.

Os livros sagrados das diversas religiões antigas, do judaísmo ao hinduísmo, mostram a grande relevância dos sonhos. Não os sonhos comuns e recorrentes, pois estes eram mera repetição de desejos e ações do sonhador, mas sim dos sonhos proféticos, visionários, simbólicos, premonitórios.


Sonhos simbólicos – Jacó e José


Uma das primeiras referências bíblicas a sonhos simbólicos é o sonho de Jacó, onde ele vê uma escada em que sobem e descem anjos, esta escada representa o próprio Universo, mas seu sentido último é demais profundo para o intelecto captar, assim compreendemos que Deus manda seu ensinamento e luz através de sonhos simbólicos, não que os merecemos, mas que, estando abertos, está luz consegue chegar a nós.

Jacó viveu por volta de 1600 a.C., porém, mais de mil anos antes os sonhos já eram estudados de forma profunda nos grandes templos egípcios; os egípcios, entre outros povos, sabiam que os sonhos eram fontes de mensagens dos deuses aos mortais. Certamente quando o faraó teve seu sonho simbólico, também narrado no gênesis bíblico, este não se inquietou até ver seu sonho decifrado pelo magnífico José.

O sonho do faraó, o qual viu sete vacas gordas pastando, em seguida surgindo sete vacas magras, que devoraram as gordas mas mesmo assim continuaram magras; e de sete feixes gordos, igualmente devorados por sete magros, os quais após os devorarem continuaram magros, tinha um significado implícito, uma mensagem, porém, faltava ao faraó e aos seus sacerdotes o dom de interpretar os sonhos, de compreender sua simbologia.

A interpretação de José era clara: tanto as sete vacas gordas, como os sete feixes gordos representavam sete anos de fartura que logo viriam ao Egito, porém, como no sonho, em que estas vacas e estes feches foram devorados pelos magros, também os sete anos de fartura seriam seguidos por sete anos de seca e estiagem tamanha que se esqueceriam dos anos de fartura.

O faraó, surpreso com a resposta de José, exclamou que isto não era possível, o Nilo secar ! Porém, José lhe falou que isto já ocorrerá antes, estava nos registros do Nilo. José disse mais ainda, que seria necessário achar alguém sábio que, durante os anos de fartura armazenasse alimentos para que nos anos de seca que se seguissem o povo não sofresse, assim mostrou que ao lado da interpretação, é necessário o senso prático. O faraó então lhe nomeou governador do Egito, e José preparou tudo para os anos de fartura e de seca, que ocorreram exatamente como o previsto.

Por este caso, amplamente conhecido, observamos a importância oculta dos sonhos na história humana.

Citamos aqui a Bíblia por ser de amplo conhecimento, como ponto de partida, poderíamos ainda citar os sonhos de outros profetas, como Daniel, Isaías, Jeremias, etc. Mas eles não cabem neste breve preâmbulo, poderão se saciar os estudiosos lendo os próprios livros sagrados.

Cabe aqui falar do exemplo de José, onde o sonho foi utilizado para se preparar para o futuro, escutando atentamente aos avisos que vinham “do alto”.


Um sonho simbólico ignorado – Julio César


Um caso célebre de avisos que não foram escutados é o da esposa de Julio César, Calpúrnia, ela tivera sonhos premonitórios anunciando a morte do marido, num deles ela viu uma estrela caindo do céu, em outro, a estátua de César jorrando sangue.

Calpúrnia chamara um velho astrólogo, que, após profunda reflexão, fez os vaticínios corretos sobre os sonhos: Julio César corria risco de vida, poderia ser assassinado.

As súplicas de Calpúrnia para que César na fosse ao senado no trágico dia dos idos de março foram em vão, César, cheio de soberba e crendo se invencível, caminhou para a própria morte, no capitólio, onde estavam a espreita os assassinos que o apunhalaram e mataram.

Assim, descobrimos que os sonhos podem revelar, em seu caráter premonitório, fatos futuros, e representam avisos que vem de esferas ou dimensões superiores.

Dizem que Constantino só se converteu ao cristianismo após sonhar com uma cruz, após este sonho, que teve antes de uma terrível batalha, resolveu usar este símbolo, e, se vencesse, se converteria a nova fé, logo a vitória não fez por esperar-se, e, após esta, a sua conversão a nova fé.


Aviso divino – sonho de José


Deus sempre vela pelos puros e virtuosos, dando-lhes avisos quando necessário, e estes sempre lhe obedecem, salvando-se das perseguições e dificuldades, eis aqui, como exemplo, o sonho de José, esposo de Maria, mãe de Jesus:

“Tendo eles partido, eis que um anjo do Senhor apareceu em sonhos a José, e lhe disse: Levanta-te, toma o menino e sua mãe, e foge para o Egito, e fica lá até que eu te avise, porque Herodes vai procurar o menino para lhe tirar a vida. E ele, levantando-se de noite, tomou o menino e sua mãe, e retirou-se para o Egito” (Mateus, cap.2, 13-14)

Desta forma, José salvou o menino Jesus da matança dos inocentes que se seguiria, quando foram mortos todos os meninos com menos de dois anos em Belém e em todos os seus arredores.


Egito, Grécia, Índia ...


No antigo Egito se prestava culto dos mortos atravês do Kha, o duplo, estas tradições permaneceram até hoje nas danças dos derviches, e muitas práticas e mantrans egípcios ainda hoje são ensinadas por aqueles que tem este conhecimento.

Os rituais do templo de Elêusis, na Grécia, buscavam o sendeiro da iluminação íntima através de cerimônias, para renascer espiritualmente após a participação no ritual. Nestes rituais era praticado intensamente o desdobramento astral. Grande parte destas técnicas secretas se perderam no ocidente por muito tempo, devido a destruição desenfreada dos “príncipes” da igreja e dos conquistadores irracionais; fortuitamente, as tradições destes assuntos permaneceram de forma contínua na Índia e no Tibet.

Hermótimo , filósofo grego do século VI a.C., realizava o desdobramento astral, investigando a natureza do ser humano após a morte do corpo humano, outros filósofos gregos incentivaram a saída do corpo humano para a investigação direta do Universo, entre eles Herótodo, Platão e outros.

Através do desdobramento consciente é que ocorreram as diversas visões que se contam e descrevem nos livros sagrados das diversas religiões, desde Ezequiel até a visão do espaço, dos planetas e da terra pequenina no meio do Universo narrada por Cicero (século I a.C.) no seu famoso Sonho de Cipião.

Plotino (século III d.C.) praticava intensamente o desdobramento astral para estudar as leis do Universo, e era através destas experiências que baseava sua filosofia, como ele mesmo afirma:

“Mais de uma vez, regressando a mim mesmo ao sair do sono e assim me tornando exterior a tudo e só interior a mim mesmo, me percebi então de uma beleza maravilhosa.”

O sair significa desdobrar, exterior as ilusões físicas e interior a própria consciência.

Desta forma compreendemos como os sábios tinham suas visões, seus conhecimentos, etc. Este ensinamento era entregue de mestre a discípulo, desde a Antigüidade mais remota, passando pela Idade Média e chegando enfim a Idade Moderna.


Era Moderna


Na época moderna começou-se a preparar o terreno para ensinar, de maneira prática, o desdobramento astral, o precursor destes estudos modernos foi Emanuel Swedendorg (1688-1772), filósofo, teólogo e vidente moderno, ele anotou em numerosos volumes suas experiências astrais .

Honoré de Balzac (1794-1850), em sua novela auto-biográfica Louis Lambert, já falava claramente sobre o desdobramento astral e a necessidade de sua divulgação para que todos os seres humanos pudessem realizá-lo :

“Se eu estava aqui enquanto dormia na alcova, este fato não constitui uma separação completa entre meu corpo e meu ser interior? .” “Ora, se meu espírito e meu corpo puderam separar-se durante o sono, por que não poderei eu divorciá-los igualmente durante a vigília?” “Estes fatos se verificaram pelo poder de uma faculdade que põe em movimento o segundo ser ao qual meu corpo serve de invólucro.” “Se, durante a noite ... na mais absoluta imobilidade atravessei os espaços, então os homens terão faculdades internas, independentes das leis físicas exteriores.” “Por que acusam neles uma dupla vida? Não haverá uma nova ciência neste fenômeno?”

O corpo astral se desprende do corpo físico, porém não há uma separação completa, já que estes ficam ligados pelo cordão de prata, esta faculdade é o desdobramento astral, o segundo ser é a nossa Consciência, e a nova ciência que estuda este fenômeno é a projeciologia.

Sigmund Freud (1856-1939) publicou seu livro sobre os sonhos em 1899 , nele ele comprovou a realidade que os sonhos servem para a satisfação dos desejos; estes desejos, criados durante o dia, mas não satisfeitos plenamente (sempre esfomeados e querendo mais) se libertam totalmente; assim, se durante o dia se teve vontade de matar alguém, de noite se mata, se teve vontade de roubar algo, de noite se satisfaz este desejo, assim como os desejos do libido sexual; desta forma o ser humano consome sua energia para satisfazer desejos que nunca se satisfazem, criando um círculo vicioso do qual só se sai ao lutar contra estes desejos, eliminando-os.

O ensinamento sobre o desdobramento astral sempre foi conhecido e praticado nas escolas de auto-conhecimento, como já vimos, e este estudo se manteve de maneira contínua desde a mais remota antigüidade até os dias atuais na Índia e no Tibet, e coube o seguinte passo na divulgação do desdobramento astral a estas civilizações, na obra do lama tibetano Lobsang Rampa esta técnica e amplamente divulgada como uma maneira direta e prática de comprovação do Real e do Universo.

No ocidente, é através da obra de Samael Aun Weor (1917-1977), sintética e prática no auto-conhecimento, que o desdobramento astral é divulgado de maneira simples e direta, possibilitando a todo ser humano realizar esta prática revolucionária e verificar a realidade do desdobramento e suas infinitas possibilidades.

Por fim cabe aqui falar do reconhecimento oficial do desdobramento astral, conseguido através do infindável trabalho de Waldo Vieira , coube a este Einstein da Projeciologia (ciência que estuda o desdobramento ou projeção astral), comprovar a realidade deste fenômeno, e que a nova ciência deve ser estudada a partir da Consciência do ser humano, e não atravês dos limitados métodos da lógica cartesiana e racional.

Concluímos por hora nosso trajeto histórico, que será ampliado a medida que investigarmos o desdobramento astral e a dimensão astral

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