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SONETO
da Sombra da Morte
XXIX


Era noite. No c�u, Plut�o e Marte.
De s�bito, uma aragem fria a vela
Apaga, e avisto surgir � janela
Um vulto a invadir meu baluarte.

De coragem me investi e, destarte,
Bradei � Sombra, que n�o se desvela:
- "Quem sois?" Responde-me a voz suave e bela:
- "Eu... sou a Morte"- disse - "e vim buscar-te!

Um frio percorre-me, parte � parte...
Um arrepio no corpo, um n� na goela...
Mas, contive-me, im�vel, ante aquela

Sombra esguia que l� estanca, n�o parte...
E num instante de luz, vejo u'a donzela
Que me enla�a. E eu... me entrego � sua Arte.

Rio, 18/12/2001
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