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SONETO da Paix�o
XV

Tua cruz eu cravo no meu peito exangue
E em meio a espasmos, convuls�es febris,
Cavo mais fundo - indel�vel pleuris -
'T� que de todo se esvaia o meu sangue.

O assoalho encharco. F�tido mangue,
Empapu�ado de mat�rias vis...
Gosmas, fezes me escorrem os quadris...
E as for�as abandono, lento e langue.

Tua coroa, que a minha fronte lanha,
Real�a em vivas cores esta sanha:
Quadro espinhoso do mart�rio humano.

E tu, que n�o me v�s - no fogo em que ardo! -
A mim, que s� fiz carregar teu fardo,
Num sacrif�cio atroz, est�ico e lhano.

Rio, 21/07/2001
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