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SONETO da Morte próxima
XXII


Neste estrado frio em que ora me deito,
Repousa o velho corpo em agonia.
Meu ser, antes loquaz, já silencia
Ante o atroz suplício  que me é direito.

O ar já se faz fétido e rarefeito,
Dada a putrefação que se inicia.
E eu, o que sou...? Esta triste alegoria
Que tênue se desmancha sobre o leito.


Eu, que versos fiz, que zombei do mundo!
Fiz da pena o gládio... da Arte, a batalha...!
Hoje, findo só, sem ter quem me valha...


Quem o pranto ouça deste moribundo.
Já nem, sequer, me servem de mortalha
Estas páginas que, em versos, inundo.


Rio, 07/12/2001


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