SONETO MALDITO XXXVIII
Sou, sim, o dedo infecto na ferida Do mundo, que, por isso, me detesta. Sou a bebida amarga em meio à festa, Sou a palavra ácida proferida.
Que ninguém beije a boca carcomida, E nem contemplar ouse a hedionda testa, Deste que de incertezas mais infesta A já tão incerta e tortuosa vida.
Feio rebento que a Criação recusa, Sou o olhar atento ante a empresa escusa, E meu nome soará sempre maldito.
Já sem saber se sou fim, ou começo, Prossigo - e o meu caminho é sempre o avesso - Mas, ninguém há de me calar o grito...!
Rio, 08/04/2002
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