O Movimento Negro nas Igrejas Evangélicas
Este artigo pode ser um tanto anti-cristão MAS concordo com o autor, de que está havendo
um aumento do racismo, não somente contra negros, mas contra asiáticos,
mulatos, índios, e até nordestinos.
Este artigo nos mostra alguns maus exemplos do passado, com relação aos negros, e mostra que estão sendo hoje repetidos, mas de forma muito pior.
Marcelo Gross
Hernani
Francisco da Silva -
MNE -
MOVIMENTO NEGRO EVANGÉLICO
Foi a partir do centenário da abolição da escravatura que o movimento negro no Brasil, depois da repressão, começou a sair dos muros das universidades e dos congressos e seminários e mostrar a sua cara negra. A Igreja Católica lançava a campanha da fraternidade: “Ouvi o clamor deste Povo”, com a temática Negra; neste período também o movimento negro começou a buscar a unidade para uma grande marcha, as Igrejas protestantes tradicionais abriram seus templos para a questão negra, a Igreja Metodista cria o Ministério de Combate ao Racismo, é criado a CENACORA - Comissão Nacional de Combate ao Racismo, ligada ao CONIC ( Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil), nas Igrejas que não pertencem ao CONIC como as Igrejas Batistas (Tradicionais e Independentes), os Metodistas Wesleyana e Livre, surgem grupos e organizações focados na questão negra. Nas Pentecostais surge um significante mover do espírito como, Comunidade Martin Luther King, Missões Quilombo, GEVANAB, Negros Evangélicos de Londrina, e outros grupos, diferentemente das igrejas históricas onde a preocupação da questão negra partiu de lideranças ( Bispos, Pastores, Padres, Reitores, Professores, etc..) nas Igrejas pentecostais esse despertamento vem do Povo: surgem grupos no Rio de Janeiro( Assembléia de Deus) em São Paulo (O Brasil Para Cristo, Assembléia de Deus, Quadrangular) no Sul, no Nordeste, aqui e ali vão surgindo novos grupos, um movimento de baixo para cima. O surgimento desses grupos e organizações no seguimento evangélico já nos faz pensar em um Movimento Negro Evangélico se consolidando no Brasil.
O Negro Evangélico
Diferentemente do catolicismo, o negro evangélico é realmente fechado para qualquer aproximação com a religião dos seus antepassados, o negro evangélico não aceita qualquer ligação com os cultos afro-brasileiros, por achar que essas crenças são coisas do demônio. Mas para compreendermos melhor esse comportamento do negro evangélico devemos fazer algumas considerações históricas do protestantismo brasileiro, analisaremos esse protestantismo por algumas classificações, mesmo porque seríamos muito simplistas se não considerarmos as grandes diferenças que existem dentro desse protestantismo. Vamos classificá-lo de protestantismo histórico, pentecostal e neopentecostal:
O Negro no Protestantismo Histórico
O Protestantismo Histórico é composto pelas primeiras Igrejas (denominações) que chegaram no Brasil através dos missionários estrangeiros: Congregacionais, Batistas, Presbiterianos, Metodistas, Luteranas, Anglicanas. Essas Igrejas chegaram no Brasil no período da escravidão e tiveram entre seus líderes: defensores da escravidão, omissos, e abolicionistas.
Os defensores da escravidão - na sua maioria eram os missionários que vieram do sul dos Estados Unidos, ainda com ressentimentos da derrota da guerra da Secessão contra o Norte dos Estados Unidos pela libertação dos escravos. Esses missionários sulistas tinham a escravidão como instituída por Deus, baseando-se em argumentos teológicos de que o povo negro era da descendência de Cam filho de Noé, amaldiçoado para ser escravos dos escravos:
Os Omissos – Esta era a posição da grande maioria dos históricos a respeito da escravidão negra. Eles também defendiam a sua posição teologicamente, afirmando que a Igreja não devia interferir no Estado, na política e que o seu compromisso era com o “espiritual”, devendo a Igreja estar sujeita a toda autoridade constituída, baseado na carta de Paulo aos Romanos capitulo 13.
Os Abolicionistas – Estes tiveram presentes em quase todas as denominações históricas, eram em sua maioria missionários do norte dos Estados Unidos, e europeus, e alguns convertidos brasileiros. E eram em número muito pequeno. Um dos exemplos mais notáveis foi o pastor abolicionista presbiteriano Eduardo Carlos Pereira que publicou em 1886 um folheto criticando duramente os defensores da escravidão nas Igrejas e no final da sua publicação ele pede aos crentes para libertarem os seus escravos: “Confesso que grande é a minha vergonha e grande a confusão da Igreja de Cristo no Brasil, ao ver incrédulos, pelos simples amor à humanidade, abrirem mão de seus escravos; entretanto os que professam fé no redentor dos cativos não rompem as ligaduras da impiedade, nem deixam ir livres os oprimidos! Leitor, se acaso vires alguém incrédulo ler este artigo, eu te peço para honra da Igreja de nosso Senhor no Brasil, que não deixe seus olhos percorrer este parágrafo”.
Além de Pereira, houve também: o metodista Daniel P. Kidder, o presbiteriano James C. Fletcher, e Salomão Ginsburg pregador batista.
O Negro nas Igrejas Pentecostais:
As Igrejas Pentecostais são as denominações que chegaram no Brasil com o movimento missionário Norte Americano da rua azusa, após as Igrejas históricas, também trazidas por missionários estrangeiros. Tem como característica o batismo com o Espírito Santo, a cura de enfermidades no nome de Jesus, expulsão de demônios, e os milagres. Os cultos são animados com muitos cânticos e são festivos. As principais Igrejas Pentecostais são: Assembléia de Deus, o Brasil Para Cristo, Congregação Cristã do Brasil, evangelho Quadrangular, e Igreja Unida. É nas Igrejas Pentecostais onde estão a maioria dos negros evangélicos. Os negros Pentecostais encontraram nestas Igrejas tudo aquilo que eles precisavam para vencer do preconceito à baixa auto-estima: “agora sou um crente, não pratico a macumbaria e sou aceito pelos brancos meus irmãos que me dizem que sou um negro diferente dos outros, um negro de alma branca”.
Quando o movimento Pentecostal chegou no Brasil (assim como os evangélicos históricos) juntamente com o Evangelho eles trouxeram a cultura ocidental com seus valores e costumes. Até pouco tempo ele era totalmente alheio a qualquer assunto que não fosse das “coisas lá de cima”, “os valores e a cultura ocidental são divinos modelos para todos os povos e as outras culturas não são de Deus, são do diabo como a cultura afro.”Toda essa didática da Igreja juntamente com a ideologia do branqueamento na sociedade, faz com que o negro Pentecostal se afaste a cada dia de qualquer coisa que lembre seu povo e sua cultura, se distanciando cada vez mais da sua identidade”.
O Negro nas Igrejas Neopentecostais
As Igrejas Neopentecostais surgiram a partir dos anos setenta e suas principais denominações são:
Igreja Universal do Reino de Deus, Renascer em Cristo, Comunidades da Graça, e uma grande quantidade de outras pequenas comunidades.
O que diferenciam os Neopentecostais dos Pentecostais e Históricos além da data do seu surgimento são alguns aspectos teológicos e doutrinários, que essas Igrejas trouxeram para o cenário evangélico brasileiro, como:
tolerância na maneira de se vestir, no cabelo, nos esportes, introdução da dança nos cultos, diversidade de ritmos nas músicas.
Uma das características mais marcantes nessas Igrejas são algumas doutrinas trazidas por elas do ocidente como:
A Batalha Espiritual, A Doutrina da Prosperidade, a Doutrina das Maldições Hereditárias, e outras doutrinas como o Dente de Ouro, Cair Pelo Poder do Espírito e a divisão de pequenos grupos (células).
Como existe uma forte ligação dos Neopentecostais com os Pentecostais, essas doutrinas já são comuns em muitas Igrejas Pentecostais.
As Igrejas Neopentecostais, além de reforçar o que os
Históricos e os Pentecostais já tinham feito na demonização
da cultura do negro, trouxeram novos pontos teológicos preocupantes que revelam
fortes indícios de racismo. Sem perceber, os neopentecostais estão trazendo
velhos conceitos racistas grandemente enraizados na cultura do sul dos Estados
Unidos que no passado usavam a Bíblia para justificar a escravidão e a
inferioridade do povo negro. Hoje, sutilmente através da doutrina da
prosperidade, das maldições hereditárias e da batalha espiritual essa velha
tendência chega
Na doutrina da prosperidade se mede o crente abençoado por seus bens, onde de uma maneira simplista se faz um diagnóstico da situação do povo negro: “ é pobre porque é pecador e é oriundo de um continente idólatra e praticante da bruxaria”. Segundo as maldições hereditárias o povo negro é considerado uma raça maldita e para que o negro se livre desta maldição( aceitar Jesus não é suficiente) é necessário que ele faça uma espécie de cura interior se desvinculando de todos os seus antepassados ou seja, não sendo mais negro. Qualquer relação que ele venha a ter com a sua cultura poderá trazer de volta as maldições. Na Batalha Espiritual o caso parece ser mais sério para o negro: se olharmos cuidadosamente nos livros que tratam do assunto (principalmente dos E.U.A, ver o livro: Este Mundo Tenebroso, de Frank E. Peretti – Ed. Vida) veremos que no exército de Deus são todos brancos e louros e no exército do diabo são todos pretos e negros. Conteúdos muito sérios que vão penetrar na mente das pessoas influenciando seu comportamento e trazendo conseqüências sérias para a saúde da Igreja Evangélica Brasileira.
Grupos e Organizações nas Igrejas Evangélicas:
Históricas:
Cenacora (Comissão Ecumênica Nacional de Combate ao Racismo); Grupo de Reflexão Teológica, Teólogos Negros, AGAR (Sociedade Teológica de Mulheres Negras), Coral de Resistência de Negros Evangélicos, Ministério de Combate ao Racismo da Igreja Metodista, o Grupo de Combate ao Racismo da Igreja Batista (Centenário, Duque de Caxias, Rio de Janeiro). Projeto Palmares da Igreja Batista – SP.
Pentecostais e Neopentecostais:
Entre os Pentecostais e neopentecostais temos a Sociedade Cultural Missões Quilombo, Negros Evangélicos do Rio de Janeiro, Ministério Azusa, Gevanab – Grupo Evangélico Afro-Brasileiro, Negros Evangélicos de Londrina.
Grupo Misto:
Grupo de Cristãos de Herança Africana do Rio de Janeiro, Fórum de Mulheres Cristãs Negras de São Paulo e Rio de Janeiro.
Atitudes racistas nas Igrejas:
Um pastor negro, membro de uma respeitada denominação no País, guarda alguns atenciosos bilhetes anônimos que andou recebendo com as cordiais palavras: “Lugar de macaco não é no púlpito ; é na bananeira!”.
Num seminário para casais o palestrante ariano soltou categoricamente: “jamais permitirei que minha filha se case com um negro”. Para o desespero dos participantes, havia um casal inter- racial presente.
Um certo pastor consentiu o casamento de sua filha com um negro nas seguintes condições: que se tivesse um filho. Se passasse disso, poderia ver problemas “raciais” entre as crianças.
Um Pastor negro Pentecostal, ouviu a seguinte afirmação de um pastor branco: “O negro não pode pregar porque tem o nariz chato conforme ensinamentos bíblicos”.
· Negro Evangélico – Comunicações do ISER
·
Blessed
Anastácia. Women, Race, and Popular Christianity
in
· Os Negros da Bíblia e os do Brasil – Paulo de Sousa Oliveira – Editora Sete
· Negritude & Fé: O Resgate da Auto-Estima – Edílson Marques da Silva - FFCLCQ
· A Igreja & Reparações. Uma Perspectiva Afro-Americana – Iva E. Carruthers – ORITA
· Teologia Africana – Unipo
· Este Mundo Tenebroso – Frank E. Peretti – Editora Vida
· Protestantismo Brasileiro – Émile G. Léonard