Landmarks
Texto
obtido no site da Grande Loja Maçônica do Estado da Paraíba,
digitado
e formatado por José Inácio da Silva Filho (WebDesigner e WebMaster)
a quem agradecemos a permissão de reprodução.
A
primeira vez em que se fez menção à palavra Landmark
em Maçonaria foi nos Regulamentos Gerais compilados em 1720 por George
Payne, durante o seu segundo mandato como Grão-Mestre da Grande Loja de
Londres, e adoados em 1721, como lei orgânica e terceira parte integrande
das Constituições dos Maçons Livres, a conhecida Constituição de
Anderson, que, em sua prescrição 39, assim, estabelecia:
"XXXIX
- Cada Grande Loja anual tem inerente poder e autoridade para modificar este
Regulamento ou redigir um novo em benefício desta Fraternidade, contanto
que sejam mantidos invariáveis os antigos Landmarks..."
Os
Landmarks, que podem ser considerados "constituição maçônica não
escrita", longe de ser uma questão pacífica, se constituem numa das
mais controvertidas demandas da Maçonaria, um problema de difícil solução
para a Maçonaria Especulativa. Há grandes divergências entre os
estudiosos e pesquisadores maçônicos acerca das definições e
nomenclatura dos Landmarks. Existem várias e várias classificações de
Landmarks, cada uma com um número variado deles, que vai de 3 até 54.
Virgilio
A. Lasca, em "Princípios Fundamentales de la Orden e los Verdaderos
Landmarks", citado por Nicola Aslan em "Landmarques e Outros
Problemas Maçônicos", dá a seguinte relação de compilações de
"Landmarks":
-
3,
para Alexander S. Bacon e Chetwode Crawley;
-
6,
para a Grande Loja de Nova York, que toma por base os capítulos em que
se dividem as Constituições de Anderson;
-
7,
para Roscoe Pound, a Grande Loja da Virgínia e o cubano Carlos F.
Betancourt;
-
9,
para J. G. Findel;
-
10,
para a Grande Loja de Nova Jersey;
-
12,
para A. S. Mac Bride;
-
15,
para John W. simons e para a Grande Loja de Tennessee;
-
17,
para Robert Morris;
-
19,
para Luke A. Lockwood e a Grande Loja de Connecticut;
-
20,
para a Grande Loja Ocidental de Colômbia, com sede em Cali;
-
25,
para Albert Galletin Mackey e Chalmers I. Paton e ainda a Grande Loja de
Massachussets, a qual, embora só admitindo 8 Landmarks, estes são
iguais àqueles enunciados por Mackey;
-
26,
para a Grande Loja de Minnesota;
-
29,
para Henrique Lecerff;
-
31,
para o Dr. Oliver;
-
54,
para H. G. Grant e para a Grande Loja de Kentucky.
As
Potências Maçônicas latino-americanas, via de regra, adotam a classificação
de vinte e cinco Landmarks compilada por
ALBERT GALLETIN
MACKEY.
Os
Landmarks
de
Albert Galletin Mackey
I
- Os processos de reconhecimento são os mais legítimos e inquestionáveis
de todos os Landmarks. Não admitem mudança de qualquer espécie; desde que
isso se deu, funestas conseqüências posteriores vieram demonstrar o erro
cometido.
II
- A
divisão da Maçonaria Simbólica em três graus - Aprendiz, Companheiro e
Mestre - é um Landmark que, mais que qualquer outro, tem sido preservado de
alterações apesar dos esforços feitos pelo daninho espírito inovador.
III
-
A lenda do terceiro grau é um
Landmark importante, cuja integridade tem sido respeitada. Nenhum rito
existe na Maçonaria, em qualquer país ou em qualquer idioma, em que não
sejam expostos os elementos essenciais dessa lenda. As fórmulas escritas
podem variar, e na verdade variam; a lenda do Construtor do Templo de Salomão,
porém, permanece em essência. Qualquer rito que a excluir ou a altere
substancialmente, deixará de ser um Rito Maçônico.
IV
- O Governo da Fraternidade por
um Oficial que é seu presidente, denominado Grão-Mestre, eleito pelo povo
maçônico, é o quarto Landmark da Ordem Maçônica. Muitos pensam que a
eleição do Grão-Mestre se pratica por ser estabelecida em lei ou
regulamento, mas nos anais da Instituição, escontram-se Grão-Mestres
muito antes de existirem Grandes Lojas, e se todos os Regulamentos e
Constituições fosse abolidos, sempre seria mister a existência de um Grão-Mestre.
V
- A prerrogativa do Grão-Mestre
de presidir todas as reuniões maçônicas, feitas onde e quando se fizerem,
é o quinto Landmark. É em virtude dessa lei, de antiga usança e tradição,
que o Grão-Mestre ocupa o Trono e preside todas as sessões da Grande Loja,
assim como quando se ache presente à sessão de qualquer Loja subordinada
à autoridade maçônica de sua obediência.
VI
- A prerrogativa do Grão-Mestre
de conceder licença para conferir graus em tempos anormais, é outro
importantíssimo Landmark. Os estatutos e leis maçônicas exigem prazos,
que devem transcorrer entre a proposta e a recepção do candidato, porém o
Grão-Mestre tem o direito de dispensar esta ou qualquer exigência, e
permitir a Iniciação, a Elevação ou Exaltação imediata.
VII
- A prerrogativa que tem o Grão-Mestre
de dar autorização para fundar e manter Lojas, é outro importante
Landmark. Em virtude dele, o Grão-Mestre pode conceder a um número
suficiente de Mestres-Maçons o privilégio de se eunir e conferir graus. As
Lojas assim constituídas chamam-se "Lojas Licenciadas". Criadas
pelo Grão-Mestre só existem enquanto ele não resolva o contrário,
podendo ser dissolvidas por ato seu. Podem viver um dia, um mês ou seis.
Qualquer que seja, porém, o prazo de sua existência, exclusivamente ao Grão-Mestre
a deve.
VIII
- A prerrogativa do Grão-Mestre de criar Maçons por sua deliberação
é outro Landmark importante. O Grão-Mestre
convoca em seu auxílio seis outros Mestres-Maçons, pelo menos, forma uma
Loja e sem uma forma prévia confere os graus aos candidatos, findo o que,
dissolve a Loja e despede os Irmãos. As Lojas asssim convocadas por este
meio são chamadas "Lojas de Emergência" ou "Lojas
Ocasionais".
IX
- A necessidade de se
congregarem os Maçons em Lojas é outro Landmark. Os Landmarks da Ordem
prescrevem sempre que os Maçons deveriam congregar-se com o fim de
entregar-se a tarefas operativas e que às suas reuniões fosse dado o nome
de "Lojas". Antigamente, eram estas reuniões extemporâneas,
convocadas para assuntos especiais e logo dissolvidas, separando-se os Irmãos
para de novo se reunirem em outros pontos e em outras épocas, conforme as
necessidades e as circunstâncias exigissem. Cartas Constitutivas,
Regulamentos Internos, Lojas e Oficinas permanentes e contribuições anuais
são inovações puramente moderna de um período relativamente recente.
X
- O Governo da Fraternidade,
quando congregada em Loja, por um Venerável e dois Vigilantes é um outro
Landmark. Qualquer reunião de Maçons congregados sob qualquer outra direção,
como, por exemplo, um presidente e dois vice-presidentes, não seria
reconhecida como Loja. A presença de um Venerável e dois Vigilantes é tão
essencial para a validade e legalidade de uma Loja que, no dia de sua
consagração, é considerada como uma Carta Constitutiva.
XI
- A necessidade de estar uma
Loja a coberto, quando reunida, é outro importante Landmark que não deve
ser descurado. O cargo de Guarda do Templo, que vela para que o local da
reunião seja absolutamente vedado à intromissão de profanos, independe,
pois, de qualquer Regulamento ou Constituição.
XII
- O direito representativo de
cada Irmão nas reuniões da Fraternidade, é outro Landmark. Nas reuniões
gerais, outrora chamadas "Assembléias Gerais", todos os Irmãos,
mesmo os Aprendizes, tinham o direito de tomar parte. Nas Grandes Lojas,
hoje, só tem direito de assistência os Veneráveis e Vigilantes, na
qualidade, porém, de representantes de todos os Irmãos das Lojas.
Antigamente, cada Irmão se auto-representava. Hoje são representados pelas
Luzes de sua Loja. Nem por motivo dessa concessão, feita em 1817, deixa de
existir o direito de representação firmado por este Landmark.
XIII
- O direito de recurso de cada
Maçon das decisões de sua Loja para a Grande Loja, ou Assembléia Geral
dos Irmãos, é um Landmark essencial para a preservação da Justiça e
para previnir a opressão.
XIV
- O direito de todo Maçom
visitar e tomar assento em qualquer Loja é um inquestionável
Landmark da Ordem. É o consagrado "Direito de Visitação",
reconhecido e votado universalmente a todos os Irmãos que viajam pelo orbe
terrestre. É a conseqüência do modo de encarar as Lojas como meras divisões
da família maçônica.
XV
- Nenhum Irmão desconhecido
dos Irmãos da Loja pode a ela ter acesso como visitante sem que primeiro
seja examinado, conforme os antigos costumes, e como tal reconhecido. Este
exame somente pode ser dispensado se o Irmão visitante for conhecido por
algum Irmão da Loja, o qual por ele será responsável.
XVI
- Nenhuma Loja pode
intrometer-se em assunto que diga respeito a outra, nem conferir graus a Irmãos
de outros Quadros.
XVII
- Todo Maçom
está sujeito às leis e aos regulamentos da jurisdição maçônica em que
residir, mesmo não sendo, aí, obreiro de qualquer Loja.
A inafiliação constitui, por si própria, uma falta maçônica.
XVIII
- Por este
Landmark, os cadidatos à Iniciação devem ser isentos de defeitos ou
mutilações, livres de nascimento e maiores. Uma mulher, um aleijado ou um
escravo não podem ingressar na Fraternidade.
XIX
- A crença no GRANDE
ARQUITETO DO UNIVERSO
é um dos mais importantes Landmarks da Ordem. A negação dessa crença é
impedimento absoluto e irremovível para a Iniciação.
XX
-
Subsidiariamente à crença em um ENTE
SUPREMO,
é exigida, para a Iniciação, a crença numa vida futura.
XXI
- Em Loja, é
indispensável a presença, no Altar, de um LIVRO
DA LEI,
no qual supõe-se, conforme a crença, estar contida a vontade do Grande
Arquiteto do Universo. Não cuidando a Maçonaria de intervir nas
peculiaridades da fé religiosa dos seus membros, o "Livro da Lei"
pode variar conforme o credo. Exige, por isso, este Landmark que um
"Livro da Lei" seja par indispensável das alfaias de uma Loja Maçônica.
XXII
- Todos os Maçons
são absolutamente iguais dentro da Loja, sem distinção de prerrogativas
profanas, de privilégios que a sociedade confere.
A Maçonaria a todos nivela nas reuniões maçônicas.
XXIII
- Este Landmark
prescreve a conservação secreta dos conhecimentos havidos pela Iniciação,
tanto os métodos de trabalho como suas lendas e tradições, que só devem
ser comunicados a outros Irmãos.
XXIV
- A fundação
de uma ciência especulativa, segundo métodos operativos e uso do
simbolismo e a explicação dos ditos métodos e dos termos neles empregados
com o propósito de ensinamento moral, constitui outro Landmark.
A preservação da Lenda do Templo de Salomão é outro fundamento deste
Landmark.
XXV
- O último
Landmark é o que afirma a inalterabilidade dos anteriores, nada lhes
podendo ser acrescido ou retirado, nenhuma modificação podendo ser-lhes
introduzida. Assim como de nossos antecessores os recebemos, assim os
devemos transmitir aos nossos sucessores - Nolumus
est leges mutari.
|