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SONIA NOGUEIRA


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*Cansei: Confesso*

De tanto ver a vida em desventura

Dos gritos dispersos aos tormentos

Das páginas dos jornais sem ruptura

Que o cansaço se afoga em lamentos

Apenas a palavra em meus momentos



Dos discursos em promessas vãs

Aplausos de vozes em coro aberto

Das mentes nuas em corpos sãs

Na rotineira caminhada em deserto

Olho todos, ali ninguém por perto.



Os números crescem sem fronteiras

Os povos unem-se pelos valores

Os mentores da guerra em trincheira

A plebe sempre a mesma, desertores.

A platéia assiste, humildes clamadores



A terra gira sem desviar a rota

A flora chora cativa das asneiras

A fauna longe da terra que lhe brota

A juventude voou, quais volandeiras

Eu impotente, só o poema na algibeira



E o amor cantado em prosa e versos

Do seresteiro a primeira canção

Do cantador a embolada em reversos

O coração desafinou sem devoção

Os valores clamam mais emoção



Os dogmas multiplicaram sem fé

Os estereótipos habitam nas peles

No amor, dor, religião, canção, axé...

Os supérfluos comandam as galés

Oh! Amor não me deixa sem marés.



SOGUEIRA


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