5.


SONIA NOGUEIRA


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*Nosso Alforje*


Em tiracolo numa longa viagem

Está sempre em nossos ombros

Às vezes carregado de assombros

Outras da leveza da acetinagem


Conduzimos sementes variadas

Plantamos em terrenos férteis

Outras em pedregulhos inférteis

O fruto depende das adubadas


Caso o espinho sangre na mão inábil

Não culpe a natureza tão perfeita

Mas, a falta de tato na espreita

Por não usar carinho colhedor hábil


Quantas estradas nós temos a trilhar

Com tantos desvios, tantas erupções

Na obscuridade oculta dos vulcões

A perplexidade vive a nos beirar


No alforje conduzimos amor e ódio

Tristezas, alegria, dor e solidão

Sucessos, fracassos, abdicação

Sabor de adocicado com sódio


Na insanidade de nós herdeiros

Desta terra planeta de mistérios

Destruída com lentidão e critérios

A lágrima tem na face seu canteiro


Somos da própria vida alienígena

Estrangeiros do saberes incultos

Rendo-me ao Céu por meus indultos

E ao amor de nascimento rurígena


E absolvição por fazer do amor

Minha ilusão de sonho facundo

Minha fantasia quase moribunda

Meu estandarte, canto multicor.


Sogueira



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