Sou feliz por ser Católico!

 

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(Sylas de Souza Neves) em

 

            O vocábulo ‘protestante’ originou-se na Reforma religiosa do século XVI e, era aplicado com teor pejorativo para os grupos de príncipes eleitores e cidades imperiais que se atreveram a protestar contra as heresias ensinadas pela Igreja Católica Apostólica Romana. Na ocasião, o clero romano obteve total liberdade para rebater, proibir e perseguir àqueles que ensinavam e propagavam as “doutrinas” luteranas.

            Hoje, quase quinhentos anos depois, podemos perceber os resultados da Reforma e também da Contra-Reforma romana, mas, infelizmente, muitos Católicos e Protestantes da atualidade não sabem nem o significado destes adjetivos que lhe são atribuídos.

            Tendo isto em vista, quero transcrever neste artigo, o prefacio a edição brasileira do livro “INOVAÇÕES DO ROMANISMO” da Edições Parakletos escrito pelo editor Valter Graciano Martins.

 

 

            Criou-se um adesivo para autos, cujo teor religioso revela ignorância e falsidade, a saber: “Sou Feliz por Ser Católico!” É provável que muitos usuários nem mesmo sejam ‘católicos’. Imaginemos, porém, que a maioria dos usuários seja realmente ‘católica’. Poderiam responder às perguntas: Você conhece, realmente, as Sagradas Escrituras? O ensino ou a fé dos santos Apóstolos? O ensino do nosso Senhor nos Evangelhos? A resposta, quase que invariavelmente, seria negativa. Nenhum ‘católico’, por mais fiel que seja a sua religião, conhece a Bíblia, e tampouco acredita que precisa conhecê-la. A outra pergunta é: Você conhece realmente, sua própria religião? Novamente, a resposta, quase que invariavelmente, é negativa. É possível que um bom ‘católico’, entre mil, estude com esmero a sua religião e detenha um bom conhecimento dela. Todavia, a pergunta mais séria seria: Você realmente é feliz por ser ‘católico’? Ou seja, você está seguro de que, sendo ‘católico’, está bem com Deus, espiritualmente está tudo bem com você, a vida eterna é uma possessão que lhe pertence infalivelmente? Sendo ‘católico’, você se sente em plena e direta comunhão com Deus? Possivelmente, a resposta será negativa, a menos que quem a responda seja demente.

            Sem conhecer a Santa Escritura e sem conhecer sua religião (que é flagrantemente contrária à Santa Escritura), como é possível que alguém use tal adesivo como um testemunho de sua felicidade espiritual em harmonia com Deus? Então esse adesivo não foi criado nem é usado como testemunho de uma gloriosa realidade, mas como um falso testemunho, como uma camuflagem, com o intuito de impedir que outra religião, muito melhor, substitua a do usuário do adesivo.

            O fato é que ser ‘católico’ não diz nada; é algo vazio em matéria de Cristianismo; não passa de uma palavra isolada. Ela carece de uma substantivação. Dá-se o mesmo com o evangélico que, por ventura, dia: “Eu sou protestante!”, como uma designação isolada. Embora ‘protestante’ seja um termo de grande importância histórica, isoladamente não significa nada aos olhos de Deus. É preciso ser cristão evangélico, bíblico, consciente, conhecedor dos fundamentos da “fé uma vez dada aos santos”.

            Nosso intuito, é mostrar ao leitor brasileiro, destituído de preconceito religioso, de mente aberta, amante da leitura e que se interessa pelo bom conhecimento, especialmente das coisas de Deus, e que não se satisfaz com quimeras, o quanto o romanismo é uma terrível distorção da religião do Sublime Nazareno. O quanto se distanciou da mensagem dos profetas e Apóstolos. O quanto afastou-se da religião da igreja primitiva. O quanto converteu o cristianismo ao romanismo. De fato o catolicismo é ‘romanismo’, é a sobrevivência da religião pagã do Império Romano, com seus pontífices, seus sacerdotes, seus deuses, suas cerimônias, suas superstições, sua inquisição sanguinária, seu despotismo escravagista da mente humana, sua audácia inescrupulosa em manter o ‘fiel’ cego e sem vontade de formular ou de encarar perguntas.

            Um dos fundamentos do romanismo é a sua catequese de ser ele uma religião antiga. Isso só impressiona quem não lê, quem não faz pergunta, quem não nutre interesse em aumentar seus conhecimentos. Afirma também que todos os papas são sucessores diretos de São Pedro, que todos os sacerdotes são sucessores diretos dos apóstolos. Diz ainda que a Igreja – naturalmente, a Igreja de Roma – é a depositária de todos os tesouros do reino de Deus e que possui autoridade provinda diretamente do Espírito Santo. O que ela ensina, mesmo que não esteja expresso nas Escrituras, é a plena verdade de Deus. Que todas as demais religiões são falsas e seus adeptos, perdidos, porque não existe reino de Deus fora dos muros da “Cidade de Deus”, a Igreja de Roma. Na verdade, quem insiste em permanecer nos arraias é que está fora da “Cidade de Deus”, porque romanismo e cristianismo não são a mesma coisa. Algo bem distinto é a religião do Sublime Nazareno.

            Por exemplo, é possível que o bom conhecedor das Escrituras aceite a heresia de que Pedro é o “manda-chuva” do mundo? O povo acredita, e a Igreja de Roma endossa, que Pedro tem as chaves não só do reino de Deus, mas até mesmo da natureza. Ele governa tudo. Se vier a seca, é porque ele está aborrecido e retém as chuvas. Se chove, é porque ele resolveu liberar a chuva. Se alguém entra no céu, é porque ele liberou a sua entrada. Isso fica bem no paganismo. Nenhum leitor sério da Bíblia acredita em tal invenção. Ainda que todo o teor da Santa Escritura seja contrário a tais idéias, os felizes ‘católicos’ se sentem plenamente seguros em crer assim. Nunca perguntam um momento sequer: “Antes de Pedro vir ao mundo, quem fazia chover?”.

            Ser ‘católico’ é crer que ainda existe um “Menino Jesus” milagroso, presente e atuante para atender a todos os ‘crentes’ nele. O ‘fiel’ apela para ele como ainda ‘Menino’, e ele é retratado como ‘Menino’. Ainda que tal coisa violente todo o raciocínio e o teor de toda a Santa Escritura, a Igreja de Roma continua endossando tão frontal absurdo. Existe o Jesus que está assentado à destra do Pai, plenamente adulto, e o “Menino Jesus”, perenemente infante, milagroso, sempre presente com seus devotos.

            Ser ‘católico’ é acreditar que quem determina ou não o casamento é Santo Antônio, quem guardar ou não o viajante é São Cristóvão; quem livra ou não do fogo é São Lourenço; quem protege ou não os olhos é Santa Luzia. Para todas as esferas da vida há um ou mais santos para cuidar dos ‘fiéis’. Essa era precisamente a crença greco-romana. Havia deuses para todas as esferas da vida humana. Por mais que isto esteja ausente da revelação divina nas Escrituras proféticas e apostólicas, e por mais que tudo isso atente contra o são raciocínio, a religião de Roma insiste em dizer que essa é a plena verdade revelada por Deus a ela.

            Ser ‘católico’ é crer que a hóstia consagrada pelo sacerdote deixa de ser matéria comum para converter-se no genuíno corpo e sangue de nosso Senhor Jesus Cristo, em todos os lugares e ao mesmo tempo, e que o ‘fiel’ está deglutindo o próprio Senhor em toda a inteireza. Por mais que isto agrida o são raciocínio e violente de forma frontal a religião do Sublime Nazareno, o romanismo insiste em dizer que se não crermos e fizermos assim, estaremos irremediavelmente perdidos.

Das aberrações que suplantam a própria religião de Roma está a canonização de pecadores, os quais se convertem em deuses onipresentes, oniscientes e onipotentes, cuja ação dispensa a própria ação governante do Deus soberano.

O que o romanismo fez de Maria, mãe humana de nosso Senhor e redentor Jesus Cristo, jamais seria crido por todos os profetas e apóstolos, caso lhes fosse relatado antecipadamente que viria um dia em que isso seria praticado pela igreja que nosso Senhor fundou com tanta solidez. Ela recebeu dessa Igreja toda a atribuição que até então unicamente Deus recebia. É possuidora de todos os atributos divinos. Aliás o que falam dela nunca foi escrito do próprio Cristo, ainda que ele seja tudo isso e muito mais. Há uma estampa da trindade onde Maria aparece como a quarta pessoa da Deidade, pairando acima do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Se o que falam de Maria fosse verdade, então poderíamos crer somente nela, dispensando as três pessoas da trindade. Se Maria é tudo o quanto essa Igreja afirma, então os apóstolos, inclusive nosso Senhor, foram muitíssimos injustos para com ela, porque, sendo ela tudo isso, eles o ignoraram por completo, como no caso de Paulo, que nunca mencionou nominalmente; no caso do escritor aos Hebreus, que discorre de forma fenomenal sobre todos os propósitos divinos na redenção da Igreja, afirmando a sublimidade de nosso Senhor Jesus Cristo, sem sequer mencionar sua mãe humana. Aliás, se fosse dado a Maria a chance de voltar a este mundo, e ela visse o que fizeram dela, em detrimento da glória do Deus eterno e seu glorioso Redentor, cremos que ela choraria torrencialmente de tristeza.

O romanismo é a religião dos anátemas, das maldições, das ex-comunhões. Tudo quanto ele instituiu é de caráter obrigatório, compulsório, inescapável, e quem não obedecer com exatidão será anatematizado, amaldiçoado, lançado nas profundezas do inferno, inapelavelmente. Nem mesmo Cristo o poderá livrar de tal maldição.

Ficamos a indagar o que seria o romanismo hoje se não fosse o freio chamado Reforma Protestante do século dezesseis. Ela se viu obrigada a modificar uma porção de coisas em seu seio para poder enfrentar o protestantismo agressivo e franco, o qual abriu as Escrituras de par em par para o mundo, e seus leitores passaram a confrontar o romanismo com o ensino profético e apostólico. Nem todos os remendos que ele fez na Bíblia foram suficientes para impedir o leitor serio de estarrecer-se diante de ambos os conteúdos, tão divergentes, tão distinto um do outro.

Como é possível uma pessoa ser feliz em pertencer a uma religião que de cristã não sobrou quase nada? Como é possível que alguém enganado ainda seja feliz por ser enganado? E como é possível que muitos dos cristãos evangélicos ainda acreditem que o romanismo seja também parte da religião do Sublime Nazareno? Como é possível que ainda existam igrejas que estendam a destra da fraternidade cristã a uma seita do visivelmente contrária a todo o ensino das Escrituras? E isso em nome de amor fraternal? ....

 

Glória Somente a Deus

Valter Graciano Martins

Editor

 

 

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