Terceira parte de "É uma linha tênue"
Capítulo 8
De longe, Severus olhou, depois olhou de novo e certificou-se de que não estava vendo coisas.
Ao entardecer, na beira do lago, Miranda estava com Lupin. A tia não estava em lugar nenhum. O professor substituto segurava as mãos dela entre as suas e lhe sorria suavemente. Miranda tinha a cabeça baixa, os cabelos ondulando suavemente ao vento da primavera.
Fúria incontida se apoderou do Mestre de Poções ao ver a cena. O passeio no lago era a ocasião sagrada, o momento íntimo e especial de Miranda consigo mesma. Como aquele licantropo infernal ousava se intrometer em tal momento? Lupin o estava conspurcando, dessacralizando!... E ele estava junto de Miranda!
Aquilo Snape não iria permitir. Ele sentiu uma ira verde a tomar conta de si.
Vestes negras tremularam incessantemente diante da velocidade que Severus imprimiu ao atravessar o gramado, os olhos negros injetados de ódio avassalador. Fazia tempo que ele não sentia uma raiva tão negra em seu sangue.
– Tire as patas dela, Lupin!
O casal se virou, surpreso.
– Severus?
– Deixe-a em paz, já disse!
– Do que está falando? – Lupin parecia genuinamente confuso, incapaz de acreditar na reação do homem a quem conhecia desde criança.
– Snape – Miranda franziu o cenho, irritada –, o que você quer?
– Já que a senhorita aparentemente não se dá ao respeito, achei melhor vir restabelecer o decoro o quanto antes!
– Mas é muita pretensão! – respondeu ela, indignada. – Quem o nomeou guardião da moralidade?
– Está tirando conclusões precipitadas, Severus – Lupin ainda tentou dizer. – Você parece não estar pensando corretamente.
– Ah, não? – ele tinha os dentes cerrados, e tremia de cólera. – Então essa agarração em público não é prova mais do que suficiente?
Miranda soltou um grito abafado de indignação. Apesar de ser um homem pacífico e bem-humorado, Lupin também estava chegando aos seus limites, e também rosnou:
– E se for, Snape? O que você tem a ver com isso? Está claro que você optou por não assumir sua parte na situação.
Severus se indignou ainda mais:
– Está enganado se pensa que foi minha opção! E mais enganado ainda se pensa que vou deixá-lo se aproveitar com o que está acontecendo!
– É mesmo? E exatamente como você pretende me impedir? Se Miranda quiser refazer sua vida com um homem disposto a se casar com ela e criar sua filha, então não há nada que você possa...
Lupin jamais terminou a frase. O punho fechado de Severus chocou-se violentamente com a maçã de seu rosto, e ele cambaleou para trás, sob o grito assustado de Miranda. Antes que Lupin pudesse reagir, Severus avançou contra ele, empurrando-o com toda a força e jogando-o efetivamente no chão. Num reflexo, enquanto caía, Lupin agarrou as vestes de Severus e os dois rolaram no chão, esbofeteando-se, a confusão começando a atrair alunos a caminho do jantar. Em poucos minutos, havia uma considerável balbúrdia perto do lago. Os reflexos de Auror de Miranda finalmente apareceram, e ela Petrificou os dois. Alguns alunos protestaram, pois as apostas mal tinham começado para saber quem venceria a luta.
Sem surpresas, todos foram levados à sala do diretor. Ao entrarem no escritório de Dumbledore, os três tinham aparência deplorável. A melhor dentre eles era Miranda, esfogueada e descabelada, segurando furiosamente a barriga. Severus tinha um corte no lábio, manchas roxas no rosto, dedos esfolados e lama nas vestes. Além de também ter lama na roupa, Lupin apresentava arranhões generalizados, uma grande mancha roxa na bochecha direita e o olho esquerdo roxo e fechado. Os três pareciam crianças levadas e desobedientes a caminho de um longo carão.
O Prof. Dumbledore estava sentado à sua mesa, o rosto indecifrável. A seu lado, Minerva McGonagall estava lívida, pálida, sua voz mais aguda do que o normal:
– Estou positivamente chocada! Nunca, em todos os meus anos de Hogwarts, testemunhei tamanho espetáculo de imaturidade e selvageria! Já teria sido ruim o suficiente partindo de alunos, mas vindo de dois professores experientes, é inaceitável! Brigando feito Muggles na frente dos alunos!... Muito bem: o que têm a dizer em suas defesas?
Miranda se adiantou:
– Foi Snape quem começou!
O Prof. Dumbledore dirigiu-se a ela, em voz baixa:
– Profª Montgomery, acredito que seja melhor esperar lá fora enquanto converso com seus colegas. A Profª McGonagall a acompanhará até o corredor e lhe fará companhia.
Miranda não gostou de ouvir aquilo, e claramente estava pensando em protestar, mas desistiu diante do olhar de Dumbledore. McGonagall também parecia contrariada, mas levou a jovem professora grávida para fora. O diretor esperou que as duas saíssem para então se dirigir aos dois, com uma expressão grave:
– Estou extremamente desapontado com os dois. Não preciso dizer que terei de levar o fato ao Conselho de Diretores da escola. Caberá a eles deliberar sobre a permanência de ambos no quadro de professores de Hogwarts.
Lupin tentou dizer:
– Albus, eu...
– Silêncio! – Dumbledore vociferou, e em nada parecia o bondoso diretor de sempre. – A decisão do Conselho não isenta de uma punição que cabe a mim administrar. Vocês agiram como crianças e como tal serão tratados. Preliminarmente, vou descontar cinco dias do salário de cada um. Adicionalmente, vocês terão que servir detenção. Remus, você irá preparar um plano de ensino destinado a preparar para NEWTS e OWLS os alunos de Poções e Transfiguração. Severus, você deve preparar planos de ensino de Defesa contra as Artes das Trevas para alunos de OWLS e NEWTS, bem como provas nesses níveis que sejam alternativas às aplicadas pelo Ministério da Magia. Isso deverá mantê-los ocupados tempo suficiente para evitar cenas como as que acabamos de presenciar. Ambos estão dispensados.
E pela primeira vez desde que podia se lembrar, Severus notou que Dumbledore não tinha oferecido sequer um docinho.
Miranda estava com tia Lucy na porta do gabinete do diretor, nervosamente olhando a imensa gárgula de pedra que guardava a entrada do escritório. Quando os dois emergiram, ela se dirigiu a Lupin, reservando um olhar cheio de veneno a Severus. O Mestre de Poções devolveu o olhar com igual desgosto, encarando-a, depois saiu pelo corredor, deixando os três a sós.
– E então? – Miranda quis saber.
– O Conselho de Diretores vai decidir. Por enquanto, nós dois ganhamos suspensão de salário e trabalho extra.
– Snape não foi demitido?
– Nem eu. Mas isso é o Conselho que vai decidir.
– Ele deveria ser expulso imediatamente! Ele o atacou sem provocação!
– Calma, Miranda – disse a tia Lucy.
– Isso é o que eu não entendo – disse Lupin, intrigado. – Severus nunca perdeu o controle desse jeito.
– Ora, ele é um homenzinho invejoso e mal-humorado. Não admira ter o temperamento horrível que tem.
– Não, não é isso. Conheço Severus há quase 30 anos, e ele jamais provocou uma briga. Ele é um Slytherin, prefere outros métodos. Ele simplesmente não perde o controle, Miranda, jamais. Começo a pensar que ele tem outros motivos.
– Como assim?
– Ele está com ciúmes. Acho que Severus está atraído por você, mas não tenho certeza de que ele saiba disso.
Miranda fez uma careta.
– Remus, isso é tão ridículo que não é nem engraçado.
– Olhe, Severus não é uma pessoa fácil, eu sei, mas isso não quer dizer que ele não tenha sentimentos a seu respeito. Ele agiu completamente fora de seu normal. Avançou para mim porque eu parecia estar tomando algo dele. Quanto mais penso sobre isso, mais me parece ser verdade.
Miranda ia protestar mais uma vez, mas tia Lucy, que geralmente ficava calada, indagou ao licantropo:
– Remus, meu rapaz, poderia levar Miranda para seu quarto? Preciso me ausentar, e ela está um pouco agitada demais.
– Claro, Madame. Não se preocupe.
– Aonde você vai, tia?
A velhinha se limitou a sorrir para a sobrinha e em seguida saiu pelo corredor afora, apressada. Miranda arregalou os olhos, num estalo:
– Ela foi falar com ele!... Tia! Volte já aqui!
– Miranda, você está muito nervosa.
– Mas não entende? Ela vem me dando insinuações e indiretas de que eu deveria tomar a iniciativa e me aproximar de Snape. Quando eu contei que recusei a proposta de casamento, ela não gostou. Ficou tentando chamá-lo, achando que eu não percebia o que ela fazia.
– Olhe, fique tranqüila.
– Mas tia Lucy vai cometer um erro! Snape provavelmente vai destratá-la. Você sabe como ele é!
– Miranda, vou repetir o que já lhe disse várias vezes. Como sua tia, eu também acredito que você deveria fazer todo o esforço para se aproximar do pai de sua filha. Não quero lhe dizer como deve viver sua vida, mas Snape fez um gesto quando a pediu em casamento. Na minha opinião, sua reação foi exagerada. Por que você não tenta fazer um gesto agora?
– Remus – ela segurou a barriga –, ele me magoou muito. Você pensa que eu não gostaria de me acertar com ele e ver minha filha crescer ao lado do pai? Por um minuto, eu achei que tudo terminaria como um conto de fadas, um final feliz e um casamento. Mas aí ele começou com aquela conversa de ser um puro sangue, e eu percebi que ele não tinha o menor interesse nem em mim nem em Sílvia, só o que ele queria era o seu nome. Tanto é que depois ele ameaçou reclamar seu herdeiro. Eu já lhe contei isso.
– Sim, mas você só não me disse a verdadeira razão por que o rejeitou. É por que você queria um romance e não uma família? Ou você queria os dois?
A pergunta fez Miranda esquecer a dor no seu ventre, de tão inusitada. Só então ela se deu conta:
– Eu queria... os dois, acho.
– E no fundo, Miranda, ele lhe ofereceu isso. Do jeito dele, claro. Não se deve esperar grandes gestos românticos ou dramáticos de Snape. Mas ele é leal e confiável, e jamais a trataria mal. Está confuso e talvez magoado por ter sido rejeitado daquele jeito, mas para mim é óbvio que ele sente algo por você. Nunca o vi desse jeito.
– Não é a primeira pessoa que me diz isso. – Ela fez outra careta e segurou a barriga com mais força. – Você se importa de acharmos um lugar para sentar? Estou sentindo uma dor estranha. Vai e volta, e parece estar aumentando.
– Dor? – Lupin se alarmou. – Desde quando vem sentindo isso?
– Desde que você dois começaram a rolar no chão, lá no lago.
– Não pode ser o bebê?
– Acho difícil. Ainda não é época do período de risco.
– Ainda assim, eu acho que você deve ver Madame Pomfrey. Só para se certificar.
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– Prof. Snape! Professor! Por favor, espere!
Severus se virou e viu a tia de Miranda, Lucy Hengisworth, correndo para alcançá-lo na escada. Por cortesia, ele foi até ela.
– Madame, estava me procurando?
– Sim, professor, se pudesse me dar cinco minutos de seu tempo.
– O que posso fazer pela senhora?
– Gostaria de lhe fazer uma pergunta, correndo o risco de ser impertinente. – Severus ergueu uma sobrancelha e ela continuou: – O senhor ama a minha sobrinha?
Por muito menos, Severus tinha lançado maldições terríveis contra pessoas bem mais poderosas do que aquela simpática velhinha que o encarava curiosamente. Contudo, indo contra sua natureza, ele não sentiu vontade de arremessar-lhe um feitiço capaz de explodi-la inteirinha. Ela não trazia qualquer sentimento de animosidade ou disposição para discutir. Portanto, ele desarmou suas defesas, suspirou longamente e soltou uma sincera pergunta, dando de ombros:
– Que diferença isto faz?
– Por favor, não diga isso. – A velha bruxa parecia angustiada. – É claro que faz diferença. Mas preciso ter certeza de que o senhor sente algo por Miranda, se é que pretendo convencê-la a se casar com o senhor.
– A senhora deve saber o que ela pensa a meu respeito.
– Miranda está equivocada em muitos aspectos. Penso que se o senhor a ama, vocês têm uma grande chance de serem felizes.
– Está sendo muito otimista, Madame. Sua sobrinha me despreza – abaixou a cabeça. – Ela deve ter lhe dito quem sou... e o que fiz.
– Sim, ela me contou que é um dos heróis na guerra contra Você-Sabe-Quem. Graças a homens como o senhor, Prof. Snape, Sílvia vai nascer num mundo seguro.
– Sílvia – ele repetiu. – É o nome da criança?
– Sim. Ela não lhe disse?
– Ela não fala comigo.
– Isso não está certo – Madame Hengisworth abanou a cabeça. – Simplesmente não está certo.
– Na verdade, Madame, começo a admitir que ela pode ter tomado uma atitude sensata.
– Como pode dizer isso?
– Sua sobrinha deixou claro que ela me vê como ex-colaborador do Lord das Trevas – Ele a olhou com tristeza no olhar. – É compreensível que ela não queira ver a filha associada a um homem com este tipo de passado.
– Não, está enganado. Ela só está assustada. Só em pensar que o senhor pode tirar-lhe Sílvia ao reclamá-la como sua herdeira, Miranda fica muita abalada.
– Eu jamais pensei seriamente em tal possibilidade, Madame – ele confessou, sincero. – Na verdade, estou cada vez mais inclinado a acreditar que o melhor para todos os envolvidos é que eu desista completamente de qualquer vínculo com a menina. Ela pode crescer sem carregar o estigma do nome Snape, e a mãe estará livre para refazer sua vida com Lupin ou outra pessoa que escolher. Ela tem o direito de ser feliz. As duas têm.
– Como pode dizer isso? Sílvia é sua filha, sua herdeira!
– Não se preocupe. Ela será beneficiária de todo o meu patrimônio, e estou disposto a reservar-lhe uma mesada enquanto não alcançar a maioridade.
– Não é disso que estou falando! Professor, minha sobrinha-neta tem direito a crescer ao lado do verdadeiro pai. Além do mais, eu sei que tem sentimentos por Miranda. Sempre acreditei que seu pedido de casamento foi sincero e honesto. Mesmo que tivesse dúvidas antes, o que aconteceu hoje é suficiente para convencer qualquer um. O senhor teve uma reação de um homem enciumado, disposto a lutar pela mulher que ama.
– Foi a reação de um tolo – Severus abanou a cabeça. – O que fiz foi indefensável e provavelmente vou pagar sendo expulso de Hogwarts. Miranda ficará livre de mim finalmente.
– Mas o senhor me provou que gosta de Miranda e que se preocupa com ela. Não é certo ela se aproximar de outra pessoa. Também não é verdade que ela e Remus estejam juntos. Pessoalmente, Remus me parece ser uma boa pessoa, e ele é um bom amigo para Miranda, mas preciso ser sincera em dizer que não fico muito confortável com a idéia de ter alguém de sua espécie tão perto de uma criança pequena. Ele é um lobisomem, afinal de contas. Além do mais, Sílvia merece crescer com o verdadeiro pai por perto. Pode me chamar de antiquada, mas eu acredito que se continuar solteira, Miranda vai ser discriminada por ter uma filha fora do casamento. No fundo, é assim que as pessoas pensam. Eu só não quero que minha sobrinha sofra, Prof. Snape.
– Madame, isso tudo é irrelevante. Não importa o que eu sinta ou pense. Sua sobrinha simplesmente me odeia e não acredito que vá mudar de idéia tão cedo. Essa discussão é inócua.
Um barulho alto chamou a atenção dos dois. Um aluno vinha correndo, seus passos ecoando alto pelos corredores vazios àquela hora da noite. Snape o reconheceu de longe.
– Potter – ele sibilou –, que arruaça é essa?
Ele chegou ofegante:
– Vim... chamar tia Lucy!... Emergência! É o bebê da Srta. Montgomery!
– O bebê? Mas não está na hora!
– O Prof. Lupin me pediu para eu buscá-la. Parece que ela vai ter o bebê agora!
– Deixe que eu a acompanho até a ala hospitalar – ofereceu-se Snape. – Pode voltar para seu dormitório, Potter.
– Eu quero ir também. Ainda não é hora de recolher.
– Então venha logo!
Capítulo 9
Quando os três chegaram à ala hospitalar, Lupin estava de pé em frente à entrada, andando de um lado para o outro e logo indicou para tia Lucy entrar. Madame Pomfrey tinha proibido outras pessoas de entrar na enfermaria. Miranda definitivamente tinha entrado em trabalho de parto, pelo menos duas semanas antes do prazo esperado.
O clima na porta da ala estava tenso. Harry Potter encarava o Mestre de Poções com um brilho homicida nos olhos verdes. Ele cochichou com Lupin:
– Por que ele está aqui? Depois do que ele fez com você...
Em voz alta, Lupin garantiu:
– O Prof. Snape tem mais direito de estar aqui do que nós dois, Harry. Na verdade, Severus, se você falar com Madame Pomfrey, tenho certeza de que ela o deixará ficar lá dentro.
– Isso não será necessário, Lupin.
Harry fez um comentário maldoso:
– Claro que ele não quer entrar, Remus. Ele não tem o mínimo interesse de assumir sua responsabilidade pela situação da Profª Montgomery.
– Harry! – exclamou Lupin. – Isso não é jeito de falar com seu professor.
– Deixe-o, Lupin – sibilou Severus. – Deixe que ele fale o que quiser. Com sorte, eu terei desculpas suficientes para expulsá-lo de Hogwarts antes mesmo da formatura.
O garoto parecia indignado:
– Eu estava começando a ter outra idéia a seu respeito, Prof. Snape. Depois do que passamos na guerra, depois de tudo que fizemos, passei a admirá-lo. Achei que talvez não fosse o canalha que todos acreditavam. Mas aí uma coisa dessas acontece e o senhor volta a ser o seboso nojento de sempre.
– O que você quer que eu faça, Potter?
– O senhor deveria estar do lado da Profª Montgomery! – ele se inflou. – É seu dever cuidar dela e do bebê!
Lupin tentou dizer:
– Harry...
– Não sei o que você pensa que sabe, Potter, mas a verdade é que eu jamais fugi à minha responsabilidade. Se você tivesse sido informado corretamente, saberia que é ela quem não me aceita. Mas eu não preciso ficar aqui explicando minhas atitudes para um adolescente!
– Severus – pediu Lupin –, por favor, fique. É o nascimento de sua filha, você não vai querer perder isso, vai?
– Não, mas a companhia pode se tornar insuportável para mim – ele disse, azedo. – Eu apreciaria se vocês permanecessem quietos ou se abstivessem de comentar assuntos sobre os quais têm pouca ou nenhuma informação.
Severus disse aquilo encarando diretamente Harry, que devolveu o olhar intimidador. Lupin puxou o garoto para um canto do corredor e começou a cochichar. Com sorte, eles continuariam a falar entre si mesmos e o esqueceriam.
As horas se passaram, Harry teve que se recolher ao dormitório, mas alguns professores passaram pela enfermaria, avisados que Miranda estava ganhando o nenê. Eles estavam esperando há quatro horas quando tia Lucy foi ao corredor. Estavam lá Severus, Lupin e o Prof. Dumbledore.
– Ela está bem – tranqüilizou a bruxa. – Mas ainda falta dilatação. Madame Pomfrey está tentando induzir magicamente maior dilatação, para evitar uma cesariana.
– Excelente – Dumbledore sorriu, sentado numa poltrona que tinha conjurado. – Pedirei aos elfos que tragam um lanche. Parece que a espera vai se prolongar por mais algum tempo.
Tia Lucy se dirigiu ao Prof. Snape:
– Madame Pomfrey realmente prefere que ninguém entre na enfermaria, professor, mas se quiser, eu posso insistir com ela.
– Não é Madame Pomfrey que me impede de entrar.
– Oh, Miranda não se opõe a que entre – ela garantiu. – Ela me disse isso textualmente.
Severus se admirou, e ficou pensando nisso nas horas que se seguiram, madrugada adentro. Ele também ficou pensando no que tia Lucy tinha dito. Será que ele deveria ir contra o que seus instintos lhe diziam e tentar se aproximar de Miranda? Tão ensimesmado estava que se esqueceu das outras pessoas que também esperavam notícias na porta da enfermaria.
Finalmente, a porta se abriu e tia Lucy saiu rapidamente dizendo:
– Nasceu!
Os presentes soltaram exclamações e só então Severus reparou que estavam ali Dumbledore, McGonagall e Lupin, além dele mesmo.
– É uma linda menina de 49 cm e 295 gramas – continuou a tia Lucy, sorrindo emocionada. – E é perfeita! Já contamos todos os dedinhos dos pés e das mãos!
– Que notícia fantástica, Mrs. Hengisworth – entusiasmou-se McGonagall. – E Miranda?
– Ótima. Exausta, mas feliz. Ela está amamentando agora, mas assim que ela terminar vocês podem vê-la. Prof. Snape, o senhor tem permissão de entrar agora, se quiser.
Surpreso, ao ver todos olhando para ele, Severus pensou em recusar. Afinal, provavelmente a criança cresceria longe dele, então de que adiantava conhecê-la? Por outro lado, ele se deu conta de que aquela poderia ser última chance de ver sua filha. Não seria prudente desperdiçar uma oportunidade tão preciosa. Entrou sem hesitar.
Miranda estava numa área reservada da enfermaria, atrás de biombos. Severus foi incentivado a entrar, e viu Miranda sentada na cama, apoiada em travesseiros, segurando o que parecia ser uma trouxinha feita de cobertor contra o ombro. Ela tinha uma fisionomia abatida, mas estava sorrindo.
– Ela estava tão cansada por vir ao mundo que não comeu muito. Deixe só eu fazê-la arrotar – Um pequeno ruído a interrompeu. – Opa, já foi. Muito bom, Silvinha. Pronto, já pode pegá-la.
– Pegá-la? Não, eu...
– Não tem problema – insistiu Miranda. – Assim você poderá vê-la melhor. Tia Lucy, por favor, ajude aqui.
– Claro – a bruxa idosa pegou a criança dos braços de Miranda.
– Mas... mas... – Antes que ele pudesse reagir, a trouxinha já estava sem seus braços, tia Lucy o guiando para apoiar a cabecinha corretamente. – Eu... eu...
As palavras de protesto morreram em sua boca quando ele olhou para a criaturinha envolta num cobertorzinho verde. Era uma coisinha rosada que dormia tranqüilamente, uma mãozinha de dedos longos como os seus aparecendo entre as cobertas. Ele a olhou com atenção, absorvendo cada detalhe. O cabelo bem preto estava agarradinho à cabeça, em fios finos e compridos. O narizinho parecia pequeno e Severus ficou aliviado em perceber que não puxara ao nariz característico dos Snape. De repente, ela bocejou: a boquinha sem dentes abrindo-se impossivelmente, a mãozinha se abrindo e fechando como se fosse uma pequena estrela.
Sua filha era lindíssima.
Severus não conseguiu deter uma poderosa onda de emoção que lhe percorreu o corpo. Aquela criaturinha o tinha conquistado completamente em questão de segundos, entrado no seu coração instantaneamente. Naquele minuto, ele soube que a amaria para sempre, com todas as suas forças.
Ele olhou para Miranda. Ela estava abatida, suada e ofegante, mas irradiava uma felicidade que ele bem podia compreender. Ela estava adorável, ele percebeu.
Miranda o viu a encará-la e sorriu, exausta. Tinha sido o olhar mais doce que ela lhe lançara desde que se conheceram, e talvez Madame Pomfrey lhe tivesse dado alguma medicação para ter tão bizarro comportamento. Severus então tomou a decisão mais dolorosa de toda a sua vida.
– Ela é adorável, parabéns. – Devolveu a criança à mãe e sentiu a voz querendo se estrangular de emoção. – Gostaria de agradecer por me permitir estar aqui. Sei que minha presença a incomoda e não vou mais me impor. Pode descansar tranqüila, porque eu não vou mais incomodá-la. Nem à senhora nem à pequena. Boa-noite.
Virou-se, e Miranda chamou:
– Não, por favor, não vá! Não podemos conversar?
– A senhora deve descansar. Pode dormir tranqüila.
E saiu, ignorando os olhares de Miranda e Lucy. Quando chegou ao corredor, ignorou também Dumbledore, McGonagall e Lupin, e foi direto às masmorras.
Capítulo 10
Durante três dias, Severus sentiu como se seu coração tivesse sido moído até virar pó e a dor tivesse sido prolongada artificialmente. Ele sabia que amava mãe e filha, mas não podia fazer nada a não ser se afastar delas. Seu trabalho de professor teria que ser suficiente para ocupar sua mente, para não deixá-lo pensar que ambas estavam logo ali, junto com ele em Hogwarts. Tão perto e tão distante.
Ele se dedicou ao máximo ao final do ano letivo. Elaborou provas, corrigiu trabalhos, fez revisões para NEWTs e OWLs. Buscou com todas as forças ignorar o assunto que esmagava seu peito.
O reboliço na escola em torno do bebê fazia seus planos ficarem mais complicados. Dumbledore fez o anúncio oficial do nascimento de Sílvia no café da manhã, e os alunos aplaudiram, em comemoração. Muitos deles, bem como os professores, falavam em fazer visitas à enfermaria. Deprimido, Severus deixou seu café pela metade e refugiou-se nas masmorras.
Tinha quase conseguido seu objetivo de alcançar o santuário de seu laboratório quando ouviu passos apressados e um grito:
– Prof. Snape! Por favor, espere!
Ele se virou e fechou a cara ao ver quem o chamava:
– Potter! Já fazendo arruaça de novo?
Harry Potter parou em frente a ele:
– Eu queria lhe falar, senhor, um instante apenas.
– Pois fale logo! Tenho uma aula em quinze minutos.
– Eu só queria me desculpar, professor. Pelas coisas que eu lhe disse. O Prof. Lupin me explicou tudo. Eu não sabia.
Cáustico, Snape o atacou:
– Gostaria de acreditar que o incidente o ensinou a não agir impensadamente, mas otimismo não é meu traço forte. Por outro lado, não pensei que o famoso herói do mundo bruxo pudesse admitir ter cometido um erro. É refrescante.
Harry ignorou a ironia:
– O senhor devia procurá-la. Ainda mais agora.
– Potter, de onde tirou a idéia de que dou permissão a meus alunos para que dêem palpites em minha vida pessoal?
– Se quiser, eu falo com ela. Para dar uma sondada, entende? Vejo se ainda ela está muito brava, depois digo como foi. Que diz?
– Digo que se você não quiser me ver tirar 50 pontos de sua casa, deve parar com isso imediatamente e seguir para sua aula! – rosnou. – E rápido, antes que eu mude de idéia e o transforme numa salamandra de fogo!
Frustrado, Harry obedeceu, temendo a punição. Mas Severus ficou surpreso ao constatar sua visível disposição em ajudar a reunir o casal. Mais do que isso, ele ficou intrigado.
Mais intrigado ainda ele ficou com a batida à porta de seus aposentos ao amanhecer, quase uma hora antes do que ele costumava se levantar. Vestiu-se apressadamente para abrir a porta, e quando o fez, teve um choque:
– Srta. Montgomery?
Ela vestia um conjuntinho azul-petróleo comprido e carregava uma colorida bolsa de bebê pendurada no ombro e um bebê-conforto nas mãos. No rosto, um sorriso aberto:
– Bom-dia. Desculpe o horário. Podemos entrar?
– Claro – deixou que passassem. – Vou acender a lareira.
Miranda ocupou o sofá todo com o bebê e seus objetos, e Severus se sentou na poltrona ao lado. Pela ausência de ruídos, ele imaginou que Sílvia estivesse dormindo. Não ousou olhar para a criaturinha, o coração dolorosamente contraído no peito.
– Hoje nós vamos tomar café no Grande Salão pela primeira vez – anunciou Miranda, animada. – Mas antes achei melhor fazer uma visita.
– Por quê?
– Porque você não apareceu mais, e estranhamente fiquei com a impressão de que tinha resolvido nunca mais nos ver.
Ele desviou o olhar:
– Acredito que prefira desta maneira. Não quero lhe impor minha presença.
– Acho que devíamos conversar sobre isso, Severus. Posso chamá-lo assim?
– Fique à vontade.
– Olhe, eu vou direto ao ponto. Sei que nossa convivência sempre foi difícil, e nós dois temos culpa nisso. Mas ultimamente tenho agido de forma muito errada com você. Eu o magoei muito quando você foi me pedir em casamento, e não sei se você algum dia vai conseguir me perdoar, mas ainda assim peço desculpas. Sei que errei. Falei coisas horríveis para você, coisas que não são verdadeiras, Severus. Em minha defesa, só o que posso dizer é que eu estava assustada, com medo e disposta a lutar para não perder minha filha. Sei que isso não justifica o que fiz, mas é a verdade.
Severus a encarou. Ao contrário da maioria das vezes que a vira, agora Miranda estava calma e racional. Ela continuou:
– Tia Lucy me contou que você desistiu de reclamar Sílvia como herdeira. Posso entender que você não queira registrá-la como sua filha.
– Imaginei que você preferisse desse modo. Quando se casar, seu marido poderá adotá-la sem constrangimentos, e será seu pai legítimo.
– Sílvia já tem um pai legítimo. Gostaria que ela crescesse perto desse pai... se ele a quiser.
Ele piscou, surpreso.
– Você... quer isso?
– Sim, esse é o meu desejo. Sei que não tenho o mínimo direito a falar nisso, mas eu também desejo ser próxima ao pai de Sílvia. Gostaria muito que nós três fôssemos uma família de verdade.
– Entendo – ele baixou a cabeça. – Estaria disposta a fazer o sacrifício de viver ao lado de um homem que despreza por sua filha. Louvável, mas não posso aceitar.
Miranda ergueu-se do sofá, ajoelhou-se na frente de sua poltrona e pegou-lhe a mão:
– Não, isso não é verdade. Primeiro porque eu não o desprezo. Depois porque não seria sacrifício algum. Sei que não mereço que você me escute ou acredite, mas a verdade é que eu quero você, Severus. Eu o quero na minha vida, para sempre. Custei a ver que aquela nossa única noite juntos não foi um erro – ela foi mágica e apaixonada, e especial, mesmo que não tenha sido programada. Se não fosse assim, não teríamos sido abençoados por esse milagre que está aqui no sofá.
Severus olhou para a mulher ajoelhada a seus pés, tentando usar Legilimência. Mas não foi preciso. Havia lágrimas nos olhos azuis, que pareciam derreter de tanta emoção. Por mais incrível que parecesse, Miranda falava a verdade. Ela era sincera no que dizia.
Uma lágrima escapuliu de seu olho e rolou pela pele alva de seu rosto.
– É claro que você pode não me acreditar. Também vou entender se você não me quiser. Eu errei muito, fui orgulhosa, arrogante, inflexível e injusta com você. Desculpe-me, se puder. Perdoe-me.
Era verdade, pensou Severus. Ela o tinha magoado muito. Ele tinha todo o direito de recusá-la e rejeitar sua oferta, nem que fosse pelo simples medo de sofrer mais uma rejeição em seu coração já esmagado.
Nesse caso, eles podiam continuar a alimentar ressentimentos e mágoas pela vida inteira, sem que isso trouxesse bem a ninguém, muito menos a Sílvia. Talvez essa fosse a melhor chance de fazer a coisa certa para todos. Mais uma vez ele viu a oportunidade de ouro aparecer em sua vida.
Um salto de fé.
– O que exatamente está propondo?
– Eu quero você e quero Sílvia, e quero que sejamos uma família. Severus, sei que tem sentimentos por mim, e agora percebo que sempre tive por você. Acho que eu o amo.
Ele a fez erguer-se, pegando-lhe as mãos:
– Então... Se eu lhe pedir em casamento de novo...
– Eu aceitarei na hora.
– Sabe, eu sou a mesma pessoa que lhe pediu antes. É isso mesmo que quer?
– Antes eu era cega e burra. Agora quero tê-lo do meu lado e criar nossos filhos.
– <i>Nossos</i>?
– Não acho que devamos ficar em um só. Sílvia vai precisar de um irmãozinho – ela lhe beijou as mãos. – E eu quero o quanto antes.
– É um projeto ousado. Precisaremos ter certeza de que seremos bem-sucedidos.
– Isso quer dizer que teremos que fazer várias tentativas – ela sorriu. – Muitas tentativas mesmo.
– Oh, sim, definitivamente.
Severus levou o rosto para junto do dela e aproximou seus lábios. Quando eles estavam para se encostar, um chorinho baixo os interrompeu. Sílvia estava acordada, contorcendo-se toda no bebê-conforto. Os dois se encararam.
– Acho que ela precisa ser trocada – sugeriu a mãe, divertida. – Quer tentar?
Ele deu um passo para trás, olhos arregalados:
– Trocar fraldas?
Miranda percebeu o pavor em seus olhos e riu-se:
– O quê? O grande herói da guerra contra as Trevas com medo de uma simples fraldinha? Nada disso, você vai trocá-la.
– Eu? Mas...
Ela já tinha pegado a bolsa do bebê e tirou Silvia do bebê-conforto.
– Vamos usar a escrivaninha. É melhor afastar esses pergaminhos e cobrir a superfície com esse cobertorzinho.
Percebendo que protestar pouco iria adiantar, Severus fez o que era pedido, protegendo seus preciosos papéis. Sílvia começou a reclamar com mais determinação, e Miranda a desenrolou de seus panos e a colocou no cobertorzinho. A nenê ficou deitadinha de barriga para cima, bracinhos e perninhas se mexendo, o chorinho ininterrupto. Miranda o pôs em frente à filha.
– Eu vou lhe dizer o que fazer, mas só dessa vez, que é para você aprender. Você precisa saber trocar uma fralda, Severus. É moleza para quem faz a Poção Wolfsbane regularmente.
Olhando para a pequena Silva, ele não parecia estar tão certo.
– Primeiro você deixa a fralda limpa à mão, junto com o que vai precisar: toalhinhas umedecidas, talquinho e pomada antiassadura. – Ela abriu a bolsa de bebê para que ele mesmo pegasse. – Eventualmente, você vai precisar até trocar a roupinha, se estiver suja.
– Não admira que seja uma bolsa tão grande.
– Isso mesmo. Agora você retira a fralda suja: abre a roupa – ele começou, desajeitado, e Miranda corrigiu. – É melhor primeiro tirar o sapatinho. Com cuidado.
Severus mexeu no bebê como se manipulasse um caro e delicado ingrediente de poções. Sílvia ainda estava irritada por estar suja, mas era pequena demais para oferecer resistência a seu toque. Ele ficou maravilhado com a interação.
– Agora abra a fralda usada e retire-a com cuidado para não derramar nada.
– Não posso simplesmente usar um feitiço?
– Não faça isso jamais – Miranda disse seriamente, vendo-o se esforçar para tirar os alfinetes. – Feitiços nunca devem ser usados diretamente no corpo de crianças até sete anos. Mas você pode usar um feitiço antivazamento depois que trocar a fralda. Conseguiu tirar as presilhas?
Ele tinha um alfinete de fralda na boca:
– Afo que fim – Miranda riu e retirou-lhe o alfinete. – Obrigado. E agora, o que faço?
– Erga as pernas dela gentilmente e retire a fralda debaixo dela.
Quando ele obedeceu, viu a sujeira e torceu o nariz. Miranda riu:
– Está exagerando. Enquanto ela estiver apenas sendo amamentada, o cheiro não é tão ruim. Mas quando ela passar para comida sólida, a coisa muda.
– Está tentando me dizer que eu vou ter saudade disso?
– Para você ver – ela continuou rindo. – Agora você deve limpá-la, usando os lencinhos umedecidos. Levante as pernas dela de novo.
Ele pensou que fosse achar aquilo nojento. Mas de alguma forma, não parecia tão ruim. Ainda mais que Sílvia tinha parado de chorar.
– Assim está bom?
– Se não tem certeza, passe o lencinho de novo para ver se ficou bem limpinho – ele obedeceu e ficou satisfeito. – Agora é hora da pomada. Passe em todos os lugares onde você limpou com o lencinho. Não se esqueça das dobrinhas.
– Mas assim ela vai ficar toda lambuzada.
– É assim mesmo, Severus. Depois disso, você passa o talco.
Severus fez como lhe era instruído, e viu que suas vestes negras ficaram sujas de pomada antiassadura e talquinho infantil. Ia suspirar de irritação, mas seus olhos pousaram em Sílvia, olhando em volta, os olhinhos de recém-nascido sem enxergar. Seu coração sentiu um toque estranho.
Miranda o devolveu à realidade:
– Agora você deve colocar a fralda corretamente. Primeiro dobre num triângulo como esse – mostrou – e depois faça assim – ele obedeceu. – Levante as pernas dela.
– A pobrezinha não sente dor assim quase dobrada em duas?
– Ela é muito boazinha, mas reclamaria se estivesse sentindo dor, acredite. Consegue abotoar a roupinha?
– Acho que não sou tão incompetente assim.
Apesar de ser totalmente sem jeito, ele conseguiu vestir a filha, que agora estava desperta e ativa – ou tão ativa quanto um bebê de apenas alguns dias podia ser. Severus a pegou no colo para devolvê-la ao bebê-conforto, mas mudou de idéia e ficou olhando-a, embevecido. Miranda se aninhou perto dele, abraçando-lhe a cintura, e os três ficaram juntinhos, em silêncio.
Havia muito que fazer: registrar o nascimento de Sílvia no Ministério, preparar o casamento, comunicar tia Lucy, informar Dumbledore para que ele pudesse anunciar para a escola inteira, pedir o aumento dos aposentos das masmorras para incluir um quarto de bebê, fazer os proclames no Profeta Diário, arranjar padrinhos e madrinhas tanto para o casamento quanto para Sílvia, mudar o testamento... e mais, muito mais. Mas tudo isso podia esperar, pensou Severus, olhando para sua filha com uma sensação inédita em toda a sua vida.
Confiança no futuro. E a família a seu lado.
THE END
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