Fogo
Por
Carlinha
Nota da
autora: Uma nova songfic, bem do estilo das minhas outras songs. A música era
originalmente escrita para um homem cantar, mas alterei o gênero da letra para
se encaixar na história. E a música é do Capital Inicial, só pra informar.
Estava cada
vez mais difícil se concentrar naquelas aulas. Não sabia o porquê, era
simplesmente impossível de saber o que estava a deixando tão nervosa. O pior
era que isso não acontecia em outras disciplinas, era apenas naquela: Poções.
Não conseguia se conformar, porém, com sua falta de atenção. Antes, a melhor
das alunas de seu ano, agora uma que se distraía com qualquer coisa, e estava
ficando pior até mesmo do que Neville Longbottom. O que poderia ser isso, o quê?
- Srta.
Granger, sua poção está errada novamente
– disse o professor Snape se aproximando, salientando bem a última palavra, e
falando bem próximo ao ouvido de Hermione.
- Desculpe
professor, eu não sei onde estava com a cabeça e... – tentou se desculpar,
desesperada para não ser humilhada na frente de todos.
- Sim, eu sei
que anda viajando muito em sua imaginação, Srta. Granger, não temos mais uma
aula em que a Srta. prepara uma poção corretamente – zombou o professor,
deixando Hermione púrpura de raiva.
- Desculpe!
– disse com um fio de voz, não agüentando a humilhação que não tardaria a
vir – Prometo que não vai mais acontecer.
-
Naturalmente que não, Srta., ou terá de ver o diretor – disse Snape
friamente.
Ela abaixou a
cabeça, incapaz de segurar as lágrimas que se formavam em seus olhos. Como
podia deixar ser humilhada daquele jeito, como? Sentia-se pior que uma formiga,
de tão diminuída que fora.
- Prestem bem
atenção, alunos – disse o professor em voz alta, chamando a atenção do
resto da classe. – Quero que guardem muito bem isso em suas cabeças ocas, e
que sirvam-lhes de exemplo quando ficarem com pensamentos flutuantes. Seus NIEM’s
estão chegando e, a não ser que queiram tirar uma nota deplorável, acho que
deveriam prestar mais atenção nas aulas. Vou tirar 10 pontos de Grifinória,
por estar tendo um comportamento tão vergonhoso, Srta.
Os grifinórios
começaram a falar alto, protestando contra a decisão do professor de tirar 10
pontos de sua casa. Como podia fazer isso, prejudicar toda uma casa, por causa
da desatenção de uma aluna? Era o mínimo que se podia esperar de Snape.
Hermione
continuava com a cabeça abaixada, chorando silenciosamente. Sentia-se a pior
das criaturas. Humilhada na frente de todos... Nunca iria esquecer daquilo,
mesmo que um dia se tornasse melhor preparadora em Poções do que Snape. Nunca.
E provaria seu valor, mesmo que no último dia de aula.
Apenas não
conseguia entender o que a fazia ficar tão desligada, tão nervosa com tudo, a
ponto de ter quebrado um frasco de néctar importado e deixado todo seu conteúdo
cair dentro de seu caldeirão na aula passada. O que a estava deixando assim?
Precisava descobrir, custe o que custasse.
Você é tão acostumado
A sempre ter razão
Ele tinha razão?
Em partes, claro que tinha. Aliás, nunca vira um momento em que a opinião dele
não era lei, pelo menos em suas aulas. Severo Snape... sim, era ele quem a
deixava daquele jeito! Quem mais poderia ser? Ninguém mais do que ele. Mas por
quê? O que naquele homem frio e misterioso a deixava daquele jeito?
Seus
pensamentos foram interrompidos pelo toque do sinal, indicando o fim daquela
aula. Poderia pelo menos respirar aliviada até o dia seguinte, por aquela ser a
última aula de uma tempestuosa quinta-feira. Queria sair correndo daquela
masmorra, se trancar no quarto e chorar em paz este novo problema em sua vida.
Quem dera fosse tudo como ela queria...
Mal pisara do
lado de fora da sala, um braço a puxou com força. Seu cabelo voou e ela olhou
assustada para o rapaz que a puxara. Que ótimo poderia ser aquilo! Draco Malfoy,
que diabos será que ele queria?
- Me largue
Malfoy – disse imperativa, mas não o olhando nos olhos.
- Por que eu
deveria? – ele perguntou, com sua voz desinteressada de sempre – Eu só
queria saber por que você está chorando, moças bonitas não devem chorar.
- Deixa de
ser bobo, você sabe porque eu estou chor... – ela rebateu, furiosa – Não
importa Draco, apenas me deixe ir, sim?
- Eu quero
saber Hermione, ouvir da sua boca o que é.
Num movimento
repentino, a garota conseguiu livrar seu braço da mão de Draco, e correu em
disparada corredor afora, deixando o rapaz confuso e bravo com o escape.
“Como as
coisas podem estar tomando o rumo que estão?” pensou desesperada, enquanto
corria em prantos até o Salão Comunal. “Primeiro isso sobre Snape, agora
Malfoy vem querer saber por que eu estou chorando?! O que mais me falta
acontecer, o quê?”
Parecia um
foguete enquanto não chegava ao seu destino. Quase atropelou o retrato da
Mulher Gorda, e se trancou no dormitório em questão de segundos. Pouco se
importava se suas companheiras fossem querer usufruir do local, quem estava
precisando ficar sozinha era ela.
Passou a
tarde toda refletindo, chorando, deixando seus sentimentos fluírem para, quem
sabe, eles saíssem de perto dela e pudesse voltar a ter uma vida normal. Saiu
de lá apenas na hora do jantar, depois de ter se recomposto, mas não achando
nenhuma resposta para suas dúvidas.
Decidiu pegar
o caminho menos utilizado, para ver se conseguia alguma iluminação no meio das
trevas que estavam seus pensamentos. Após caminhar um pouco, porém, escutou
vozes, e tratou de se esconder atrás de uma armadura. As vozes se aproximavam
cada vez mais, e Hermione pôde constatar que eram dois homens que conversavam
enquanto se dirigiam até o Salão Principal.
- A Srta.
Granger, francamente Alvo, não consigo entender...
- Dê um
tempo à moça, Severo – contrapôs Dumbledore, calmo como sempre. – Ela
deve estar com algum problema em sua mente, não devia ficar a pressionando
tanto.
- Mas ela era
a Sabe-Tudo, nunca errava um milímetro em seus preparos, como agora pode estar
quebrando os frascos raros? – argumentava Snape inconformado, gesticulando com
as mãos.
- Apenas não
fique a pressionando, garanto que seu desempenho melhorará – garantiu o
diretor, dando um sorriso.
- Agora Alvo,
sobre a última convocação...
- Isto não
é assunto para comentarmos em pleno corredor, melhor esperarmos o fim do almoço,
naturalmente. – cortou, já sabendo sobre o que se tratava.
Aos poucos os
passos foram diminuindo até cessarem, e Hermione permaneceu observando o
corredor, relembrando em como o professor Snape gesticulava enquanto falava.
“Mas nunca o vi fazendo isso em classe... Será que esse é um sinal de que
ele só fica mais à vontade com o diretor Dumbledore?” questionou
intimamente, percebendo o quão pouco sabia sobre o professor.
Você é tão articulado
Quando fala não pede atenção
Acabou se
atrasando para o jantar. Que raiva tinha de ficar espreitando as conversas
alheias, e terminar por ter apenas mais dúvidas, além de se atrasar para suas
tarefas de monitora-chefe. Era desgastante. Quando chegou no Salão Principal,
Snape e Dumbledore já estavam em seus lugares, e Harry e Rony estavam acenando
freneticamente em sua direção. Não teve outra opção a não ser se reunir a
eles.
- Mione, o
que aconteceu com você? Não conseguimos te encontrar em lugar nenhum depois da
aula do Snape.
- Nada Ron,
estava tentando me recompor da humilhação que passei – respondeu a garota,
tentando parecer convincente.
- Não
conseguimos acreditar em como o Snape te tratou mal, ele realmente passou dos
limites!
Ela deu um
sorriso amarelo na direção de Harry, como que conformada com aquela situação.
Forçou um pouco do purê, mas nada parecia querer descer pela sua garganta.
- Você
deveria comer algo, Mione. Não comeu nada no almoço também – disse Rony,
obviamente preocupado com a garota.
- Estou sem
apetite. Desculpem rapazes, mas acho que vou me deitar – Hermione então se
levantou, deu um fraco aceno para os amigos e caminhou na direção da porta,
lançando um breve olhar na direção da mesa dos professores. Seu olhar logo
focalizou Snape, que parecia falar algo muito sigiloso com Flitwick, sua boca se
movia lentamente a cada palavra.
“Não
acredito que está observando os lábios
de Snape!” exclamou para si mesma, começando realmente a achar que estava
ficando doida. Será que ele estava deixando de ser apenas seu professor para
ser algo mais do que isso? Não, não, isso não poderia ser verdade, ele era apenas
seu professor, nada mais que isso. Balançou sua cabeça freneticamente.
Precisava tirar aquilo de sua mente, definitivamente. Tinha a sorte de a próxima
aula de Poções ser apenas na segunda-feira. “Ao menos isso” pensou
esgotada.
Não estava
tendo muitas mudanças em seu comportamento desde a última aula. Que maldito
dia para dar uma prova surpresa! Ele não tinha mais nada a fazer?
- Vinte
minutos – avisou o professor, no meio de sua ronda pelos caldeirões.
Hermione
suava frio, enquanto mexia febrilmente em seu caldeirão e tentava ler os
ingredientes que faltavam na poção. Aquela realmente era a poção mais difícil
que já vira na vida! – ou, talvez, a única que não entendera uma palavra do
que estava escrito. Era a conhecida Poção do Tempo, que fazia com que a pessoa
que a bebesse tivesse a impressão de que o tempo não estava correndo do modo
original, para ela o tempo poderia correr ou não, dependendo da fórmula
utilizada. Não era tão difícil assim, mas... era muito complicada.
Snape
caminhava vagamente por entre as mesas dos alunos, checando minuciosamente se
estavam fazendo tudo certo. Como era de se esperar, parou ao lado do preparo de
Hermione, que procurava apressada por um frasco de pêlo de unicórnio.
- De que cor
deveria ficar a poção em sua reta final, Srta. Granger? – perguntou fria e
lentamente, próximo ao pescoço da moça.
- Hum? –
ela perguntou distraída, mal percebendo que quem a chamara era o professor
Snape.
- Para sua
informação, Srta., a poção deveria ficar de cor dourada. Agora me diga, de
que cor está sua poção? – explicou o professor, com seu olhar cínico e seu
sorriso de canto, que já deixaram nervosos tantos alunos.
-...
Silêncio.
Snape observava o rosto de Hermione, esperando sua resposta. Alguns segundos
depois, ela disse hesitante, nem querendo imaginar seu castigo.
- Verde
borbulhante, senhor.
Ele a encarou
friamente. Ao primeiro momento foi como se levasse um balde de água gelada em
sua cabeça, tamanha indiferença em seu olhar frio e penetrante. Depois, a
sensação foi de uma profunda queda, uma queda que parecia não terminar nunca.
“Deviam proibi-lo de ter estes olhos, parecem buracos negros de tão
profundos”, ela conseguiu pensar, ao que estava atordoada.
Não soube
quanto tempo ficaram se encarando, mas pôde afirmar que fora uma sensação
estranha, ruim, em que não conseguia sentir seu corpo, apenas o vazio daqueles
olhos negros. Quando deu conta, ele sibilava, de um modo lento e envolvente, e
parecia que ninguém mais poderia ouvi-lo falando desse jeito.
- Detenção
amanhã à noite, senhorita. Espero que esteja mais disposta a preparar sua poção
até lá.
E como tudo
começou, acabou. A cumplicidade do momento se perdera em um instante, junto com
o aceno de varinha que fez com que o conteúdo de seu caldeirão desaparecesse.
Ele a olhou com indiferença e disse, em sua frieza habitual.
- Está
dispensada.
O poder de dominar é tentador
Eu já não sinto nada
Sou todo(a) torpor
Não
conseguiu ficar um minuto sequer sem pensar no ocorrido. Aquela fora a situação
mais estranha que já passara em sua vida. Sentiu um arrepio quando Snape
informou que teria uma detenção. Não sabia porquê, mas aquilo não estava
cheirando nada bem, mas nada bem mesmo... Certamente alguma coisa ruim poderia
acontecer.
Mas que
diachos sentia pelo professor Snape? Não era o ódio, sentimento que muitos
grifinórios tinham para com ele. Também não era afeto, achava que ninguém
poderia ter esse tipo de sentimento por uma pessoa como ele. Admiração? Sim,
ele era um ótimo – injusto e exigente, mas mesmo assim um ótimo professor.
Mas não achava que sentisse uma admiração tão grande a ponto de se distrair
daquele jeito.
Então o que
poderia ser? Já estava se desesperando com aquilo, a incerteza de seus
sentimentos era algo que não podia tolerar. Mas logo uma luz veio à sua mente,
e agora ela pedia por tudo que aquilo não fosse verdade: Paixão?! Não podia
ser. Apaixonada pelo professor Snape?
“Hermione,
pare com isso, você não pode estar tendo esse tipo de sentimento para
com um professor! E ainda mais Snape!” Mas uma outra voz martelou em sua cabeça,
revelando que aquilo poderia ser verdade... ‘Lembra-se quando descobriu que
gostava do Rony? Por acaso não sentiu este sentimento também? Oras, já se
esqueceu disso?’
- Não! Não
pode ser, não pode ser! – gritava para si mesma, com as mãos na cabeça.
Aquilo já estava a deixando desesperada. Precisava tirar a limpo aquela história,
e sua única chance seria a detenção. Maldita detenção! Não podia ter
surgido em outra hora?
Seu relógio
despertou, e Hermione deu um pulo em sua cama. Oito e quarenta, estava atrasada
para a detenção! Como um foguete, juntou seus ingredientes na mochila e
disparou até as masmorras, tendo levado dez minutos para chegar até lá, pois
esquecera o caminho duas vezes.
Ao abrir a
porta da masmorra, deu de cara com um Snape embravecido, olhando seriamente para
a porta.
- Vinte
minutos atrasada, Srta. Granger. Vinte. O que acha que devo fazer com a
senhorita? Tirar mais dez pontos de sua casa? Outra detenção? O que me sugere?
– disse Snape frio, mas obviamente muito bravo com o atraso de Hermione.
- O senhor
decide, professor – respondeu dando de ombros. Sabia que se falasse o que
achava certamente levaria uma bronca, então deixou-o escolher o que julgava
melhor – ou seja, algo pior para ela.
Snape arqueou
uma sobrancelha, desconfiado. Não era comum que algum aluno respondesse a ele
com tamanha indiferença – uma indiferença calculada, é verdade -, sem medo
do castigo que pudesse levar. Normalmente escolheria a pior coisa para o aluno,
mas daquela vez parecia ser diferente. Já não tinha mais graça alguma
humilhar aquela aluna, ela já parecia não se importar mais. Verdade que ouvira
os professores comentarem que ela estivera muito desligada nos últimos dias,
então pôde constatar que o problema não era só com ele. Ou será que era?
- Srta, desta
vez irei lhe aplicar apenas uma detenção um pouco mais longa, mas garanto que
na próxima não serei tão bonzinho.
- Obrigada
professor! – disse Hermione agradecida. Quanto menos problema arranjasse com
Snape, melhor.
- Hoje sua
detenção será preparar novamente a Poção do Tempo, para ver se consegue
tirar alguma nota. Tenho de lhe avisar, Srta., que se continuar desse jeito,
nunca conseguirá uma nota que se preze em seus NIEM’s. Vários professores já
reclamaram de sua falta de atenção nas outras disciplinas.
Hermione deu
um suspiro. “Se ao menos soubesse, professor, que a causa de minha falta de
atenção é única e exclusivamente você... Não estaria me dizendo essas
coisas.” pensou exasperada, enquanto tirava seus ingredientes da mochila.
Snape se
sentou em sua habitual mesa de professor, observando minuciosamente cada
movimento da garota. Isto estava a deixando nervosa, envergonhada com o olhar
dele preso em si, e estava começando a errar em tudo novamente. Não podia
estar corando na frente do professor, realmente... E se estivesse? Seria pior do
que perder todos os pontos de Grifinória, seria como se ele descobrisse que
gostava dele!
“O quê? O
que você disse, Hermione? Você disse que gosta dele?” surpreendeu-se com sua
própria afirmação. E então olhou cautelosamente para Snape. E não o viu
como o vil e ditator professor de Poções, mas sim como um homem; e como
mulher, ficou curiosa para saber o que havia por debaixo daquela máscara alheia
a tudo e a todos.
- Algum
problema, Srta. Granger? – questionou o professor.
- Nada
professor! – exclamou rapidamente, corando por estar o admirando tão
descaradamente.
- Então
suponho que deva continuar com sua poção, não acha?
- Hum-hum...
É
tão certo quanto o calor do fogo
Eu
já não tenho escolha
E
participo do seu jogo
Eu
participo
Já eram onze
e meia quando Hermione desligou o fogo de seu caldeirão, checando se sua poção
estava nos conformes. Já suava frio, já que em grande parte do tempo seus
pensamentos se deslocaram para o novo sentimento que a pegara de surpresa. Sem
contar as três vezes em que se distraíra e teve de começar tudo novamente.
Severo Snape levantou-se de seu lugar e caminhou até o caldeirão.
- Acho que
finalmente sua poção saiu corretamente – disse, após algum tempo analisando
o conteúdo. – Mas não saiu perfeita. Gostaria de saber agora, Srta., quanto
tempo julga durar o efeito de sua poção.
Hermione
abaixou sua cabeça na direção do caldeirão, checando o líquido dourado que
brilhava serenamente. Para falar a verdade não fazia a mínima idéia de quanto
tempo ela deveria durar.
- Uma hora?
– disse incerta, fazendo breves cálculos mentais.
-
Aproximadamente. Qual a freqüência que sua poção conseguiu alcançar? –
perguntou rapidamente, revezando seu olhar entre a poção e a garota.
- Hum... três
horas equivalem a uma?
- Não acho
que tenha chegado a tanto – respondeu friamente, colocando um pouco do líquido
em um copo transparente.
- E por que
isso, senhor? – questionou Hermione, observando atentamente os movimentos do
professor.
- Eu avisei
à senhorita que sua detenção seria mais longa. E decididamente não estava
brincando. – ele fez uma pausa - Veremos na prática se conseguiu aprender a
poção – um sorriso mau se formara nos lábios de Snape, que deixaram
Hermione amedrontada e receosa.
- O que quer
dizer, professor? – perguntou, mas já tendo a certeza da resposta.
- Que a
senhorita deverá beber a poção, naturalmente – respondeu em tom óbvio, mas
calmo como quem comenta o tempo.
- O QUÊ? –
gritou a garota, não acreditando no que ele estava dizendo.
- É isso
mesmo que ouviu, Srta.
Hermione quis
lançar a pior praga que conhecia no professor. Como ousava, fazê-la
experimentar a própria poção, sabendo que estivera distraída? Será que
perdera a noção do perigo? Se alguma coisa desse errado, ele seria o culpado,
e ela nunca o perdoaria por isso. Se ao menos pudesse se rebelar, fazer um escândalo...
- E então,
senhorita? Está preparada? – perguntou Snape mordazmente.
- Como se eu
tivesse escolha... – murmurou para si mesma, segurando o copo com uma espécie
de nojo.
- Senhorita,
marque o tempo com este relógio, que eu irei marcar o tempo com este outro –
avisou o professor, entregando um relógio antigo a Hermione. – Pode ler algum
livro, se quiser.
Apontou para
uma estante escondida no canto da sala. Havia todo o tipo de livro sobre Poções,
desde o mais básico até alguns bem complicados, para apenas pessoas que faziam
faculdade de Poções. Naturalmente não havia livros de material das Trevas,
Hermione julgava que este tipo de livro deveria ficar guardado em algum lugar
muito secreto, e tinha certeza de que Snape os possuía.
Bebeu todo o
conteúdo do copo, e logo sentiu tudo à sua volta ficar mais lento, como se o
tempo diminuísse bruscamente. Começou a marcar o tempo no relógio. Esperava
que aquelas três horas não fossem tão desgastantes para ela. Caminhou na direção
das prateleiras e escolheu um livro, embora achasse que não conseguiria lê-lo,
por seu pensamento estar preso em uma única pessoa e nada mais: Severo Snape.
Assim
como o ar me parece vital
Onde
quer que eu vá
O
que quer que eu faça
Já Snape
apenas observava Hermione Granger em seus movimentos, todos em uma velocidade
mais rápida do que o normal. A observava de um modo estranho, muito diferente
do que o normal. Observava que ela já não era uma simples garotinha, com seus
cabelos chocolate parecendo um cabo de vassoura. Agora eles já estavam bem mais
disciplinados, graças ao complicado tratamento que fizera desde seu quinto ano.
Pareciam ter mais vida, e resplandeciam ao menos toque. Não era à toa que
muitos garotos lamberiam o chão pelo qual a Senhorita Granger passasse, ela
realmente estava muito bonita.
Não apenas
de rosto, analisou atentamente o professor. Já possuía um corpo de mulher, um
corpo de dar inveja a muitas outras jovens... E então o professor pareceu
acordar de um transe. Não poderia estar pensando coisas assim de sua aluna!
Definitivamente não podia! Precisava tomar uma atitude, para tirar estes
pensamentos oportunos de sua mente.
Suas vistas já
estavam cansadas. Não conseguia mais ler aquele livro, sua mente já fazia
graves protestos. Olhou no relógio. Duas horas e meia. Em seguida mirou o
professor Snape, que parecia estar se movendo lentamente, quase como uma estátua.
Com tristeza pôde concluir que o efeito da poção não passara, e já não
podia agüentar mais um segundo aquela tortura. Que diachos de detenção era
aquela, que parecia não acabar nunca? Virou rapidamente algumas páginas do
livro sem o menor cuidado, e ouviu uma bronca de Snape.
- O que pensa
que está fazendo, Srta. Granger? Saiba que esses livros são relíquias de
Hogwarts, existem desde sua fundação! Não espera comprar outro em seu lugar,
espera? – seu rosto estava vermelho, como se ela tivesse mexido em algo de
vital importância.
- O senhor não
está mais lento! – exclamou Hermione.
- É claro
que não estou – retrucou Snape com brutalidade. – O efeito da poção
acabou.
- Quer dizer
que eu posso ir embora? – perguntou com um fio de esperança.
- Acho que não
– respondeu friamente. – Agora terá seu tempo final de detenção, com
algumas perguntas para aumentar sua nota.
Hermione o
encarou sem entender. Snape, então, caminhou até o caldeirão, que ainda
borbulhava, e encheu dois copos com a poção. Ela ergueu os olhos, assustada.
Ele estaria pensando em passar mais duas horas e meia a torturando? Não, não,
ela não iria aturar aquele sofrimento nem mais um pouco. Se fosse preciso,
estuporaria o professor, mas sairia daquela sala.
- O que pensa
que está fazendo?
- Vou
perguntar-lhe algumas coisas, srta. – respondeu Snape calmamente, mas em sua
voz letal.
- Eu não vou
tomar mais uma dose dessa poção! – disse Hermione com convicção.
- Mas a
senhorita não tem escolha – retrucou Snape.
- Eu n...
Ela nem
conseguiu terminar a frase. Snape avançou sobre ela de um modo tão rápido que
ela nem viu o correr dos fatos. Ele a segurou pela cintura com força e a fez
engolir todo o conteúdo rapidamente, a fazendo engasgar. Em seguida ele próprio
tomou a poção do outro copo, para não deixar Hermione com motivos para
protestar.
- O que pensa
que está fazendo? – perguntou fracamente, ainda chocada com o que acabara de
acontecer.
- Agora
poderemos continuar com o resto de sua detenção sem motivos para interrupções
– disse com a voz fria.
Hermione o
encarou com explícito ódio em seu olhar. Snape apenas deu um sorrisinho de
prazer, seu típico sorriso frio e enviesado.
E
eu tento entender
Você
nunca se arrepende
Você
gosta e sente até prazer
- Então
podemos começar. Srta. Granger, você sabe alguma utilidade que essa poção
pode ter na vida de diferentes bruxos? – Snape disse calmamente, sentando-se
em sua mesa e anotando algo em um pergaminho.
-...
- Não sabe?
– questionou, já esperando por isso – Muitos bruxos pensadores utilizaram
esta poção para terem um rendimento melhor em suas pesquisas, podendo
conseguir resultados surpreendentes em um curto espaço de tempo. Naturalmente a
utilizavam também para recuperarem suas horas de sono, por normalmente passarem
mais de um dia sob o efeito da poção, e sem dormir.
- Eles
utilizam essa poção para fazerem novas descobertas? – perguntou curiosa,
começando a se interessar pela aula particular que estava tendo.
- Apenas
aqueles que conseguem administrá-la corretamente. Vários alunos do 7º ano de
outras épocas a utilizaram também, principalmente para estudarem para seus
NIEM’s. Naturalmente perderam pontos por isso.
- É
proibido?
-
Naturalmente. Ou então todos ficariam aproveitando o tempo livre e apenas de
madrugada fariam seus deveres, e também aproveitariam para dormirem algumas
horas extras – argumentou Snape, mexendo levemente suas mãos. – Além de
que o uso dessa poção é controlado seriamente pelo Ministério, e seu uso sem
permissão pode acarretar pena em Azkaban.
Hermione
estava pasma. Nunca imaginara receber tantas informações importantes de Snape,
e desta vez ele parecia destituído de sua frieza habitual, argumentava e
externava as informações como se estivesse falando com Dumbledore. Aquilo era
um grande passo, mas um grande passo mesmo.
Conversaram
por quase meia hora sobre alguns assuntos de trabalho, como Poções, NIEM’s e
o Ministério da Magia. Hermione estava maravilhada com a inteligência do
professor. Isso fazia com que seu sentimento crescesse mais ainda, e que tivesse
mais vontade ainda de revelar tudo a ele, de ter seu sentimento retribuído.
- McGonagall
me confidenciou que seu cargo de chefe dos monitores pode ser retirado se
continuasse desligada. Suponho que esta detenção tenha te deixado mais atenta
ao mundo, apenas me pergunto se isso irá durar – disse Snape de repente,
cortando completamente o assunto anterior.
- Oh, sim,
vou me empenhar para isso – respondeu corada, ficando pouco à vontade com o
modo como Snape fizera a pergunta.
- Eu espero
que sim, pois julgo que nenhum outro monitor-chefe possa cumprir os deveres de
modo melhor que a srta.
- Obrigada
professor, não sabia que o senhor achava isso.
- Mesmo sendo
uma intragável Sabe-Tudo, todos sabemos reconhecer as qualidades dos outros,
seja cedo ou tarde – contrapôs sabiamente.
Hermione
sentiu como se a frase fosse dita especialmente para ela, como se Snape
estivesse tentando dizer alguma coisa nas entrelinhas que ninguém parecia
entender. E ficou pensativa, julgando se tudo o que ele dizia deveria ter algum
significado oculto ou se era apenas para provocar.
- Eu poderia
liberá-la, mas julgo que a senhorita não queira ser pega caminhando em alta
velocidade pelo castelo – disse Snape distante, não olhando diretamente para
Hermione.
Mas
se você me perguntar eu digo sim
Eu
continuo, porque a chuva
Não
cai só sobre mim
Vejo
os outros, todos estão tentando
- Eu
preferiria ficar aqui até o efeito acabar – respondeu Hermione tímida.
- Pois então
Srta. O que deseja fazer para o tempo passar? Ainda faltam... duas horas para o
efeito da poção acabar.
- Eu não
sei... gostaria que me ensinasse um pouco mais sobre as poções que podem cair
nos NIEM’s – disse a garota sem querer realmente saber aquilo, pensando em
como poderia revelar seus sentimentos ao professor.
- Se é o que
deseja... – respondeu Snape dando de ombros.
Snape começou
a explicar sobre uma nova poção, mas não chegou nem à metade da frase
inicial.
- Na
realidade, professor...! – chamou Hermione de repente, tomando coragem para
revelar tudo o que tinha em seu coração.
- O que é?
– perguntou em tom rude, não satisfeito de ter sua explicação interrompida.
- Eu gostaria
de dizer que... que... bem... Apenas que... – ela começara, mas muito
envergonhada e sem saber ao certo como dizer – Professor Snape, eu tenho um
sentimento de muito respeito para com o senhor! – disse de uma vez, suspirando
em seguida.
Snape arqueou
uma sobrancelha, desconfiado. Isso definitivamente não era coisa para um aluno
dizer ao seu professor, ainda mais a Srta. Granger, uma aluna que ele nunca
esperaria um relacionamento além do estritamente profissional. E ainda tinha
aquela sensação estranha latejando em seu peito, algo que o fizera prender a
garota em seu escritório particular por mais um longo tempo... O que poderia
ser aquilo, o quê?
- O que
significa isso? – perguntou friamente. Achava melhor ficar na defensiva do que
partir para algum ataque que não resultaria em nada.
- Hum, é...
senhor, eu apenas queria dizer o quanto eu o estimo e o considero uma pessoa
especial e... e... – ela se embaralhara toda, na frustrada tentativa de
consertar a burrice que fizera.
Ele ficou a
encarando, uma expressão séria em seu rosto. Em um movimento impulsivo, ele
aproximara seu rosto do de Hermione e puxara seu queixo, aproximando-os ainda
mais. Ela levou um susto, e arregalou os olhos em surpresa. Mais do que
rapidamente ele a puxou para um beijo, que surpreendeu os dois.
Ela, por
nunca esperar ter seu sentimento retribuído pelo fechado e sisudo Professor de
Poções. Ele, por achar que não estava mais tendo controle sobre seu próprio
corpo, já que nunca, em sua sã consciência, faria uma coisa dessas. Mas ambos
puderam constatar que era uma sensação muito boa, como se um completasse o
outro.
O beijo durou
um longo tempo. Quando se separaram, um ar de constrangimento rondava os dois.
Ficaram se encarando em um desagradável silêncio por um longo tempo, sem ninguém
se atrever a dizer nada.
- Hum...
isto... é... interes...
- Cale-se.
Palavras podem atrapalhar tudo – repreendeu Snape a cortando.
Ela deu de
ombros. Sabia que era verdade, e não queria atrapalhar aquele momento por nada
nesse mundo. Aproximou-se lentamente do rosto de Snape, encostando seus lábios
nos dele para mais um beijo, desta vez com mais paixão.
Podiam sentir
seu corpo queimar de tanto desejo, e os beijos apenas aumentavam mais essa sensação.
Os beijos eram um pouco brutos – talvez pela já conhecida brutalidade e
frieza de Snape -, mas não deixavam de serem bons. Snape deu a volta em sua
mesa – o que separava os dois -, e colou seu corpo no de Hermione. Ela sentiu
que ele também queria o mesmo que ela, e se entregou por completo nos beijos.
- Aqui não
é um bom lugar – murmurou ele, entre um beijo e outro, pegando-a no colo e
começando a andar.
- O que está
fazendo? – perguntou Hermione num misto de curiosidade e receio.
- A levando
para meu escritório particular. Lá teremos mais privacidade.
Aproximou-se
de uma estante oculta, pegou um grande livro de couro preto e, no lugar da
estante, surgiu uma pequena passagem, suficiente para uma pessoa passar
confortavelmente. Beijou Hermione apaixonadamente e entrou com ela, a passagem
fechando logo em seguida.
Eu
já não tenho escolha
E
participo do seu jogo
Eu
participo
O sol entrava
timidamente por uma fresta descoberta da cortina escura. Mal iluminava o
ambiente, que tinha tonalidades escuras e era muito frio, quase tinha ar
sombrio. Hermione coçou os olhos, incomodada com a claridade. Virou de um lado
para o outro, tentando fugir do sol. Não conseguindo, contentou-se em despertar
totalmente. Instintivamente, virou para o lado para abraçar o homem que
compartilhara seus sentimentos na noite anterior. Não o encontrou, e se
decepcionou. Em seu lugar, viu uma luxuosa bandeja de café-da-manhã, com tudo
o que mais gostava. E, ao lado da xícara de café com leite, um pequeno
bilhete, rabiscado às pressas.
“Srta.
Hermione,
Perdoe-me
não estar ao seu lado quando acordasse. Tive de dar aulas. Aproveite o café da
manhã que mandei preparar. Quando quiser voltar aos seus aposentos, pegue o
livro mais fino na segunda prateleira e diga a senha de seu salão comunal. Nos
vemos mais tarde.
Severo”
“Por que é
que você não pôde estar aqui, comigo, quando eu acordasse?” perguntou
Hermione com lágrimas nos olhos, sentindo-se abandonada. “Eu gostaria muito
de vê-lo aqui, sabia?” disse em voz alta, esperando que ele fosse ouvir.
Olhou com
raiva para a bandeja de café. Teve vontade de jogar tudo para os ares, para
liberar sua decepção. Mas reconsiderou. Fazia horas que não comia, e se
contasse com as horas em que estava sob o efeito da poção, deveria fazer mais
de 12 horas. Comeu tudo com a maior boa vontade, mas sem deixar de pensar em
Severo Snape um minuto só, e em como ele podia ser imprevisível.
Quando
acabou, resolveu se vestir para ir ao salão comunal. Não poderia perder mais
aulas ainda, se não seu cargo de chefe dos monitores estaria perdido. Olhou no
relógio e viu que era hora do almoço, mas não quis ir até o salão
principal. Além de não estar com fome, seria um bom jeito de não ter de
encarar Severo tão cedo. Ainda mais que suspeitava que ele esperava justo esta
oportunidade para encontrá-la. Não deixaria as coisas mais fáceis, uma vez
que ele nem a esperara acordar, nem ao menos a acordara na hora em que tinha de
ir às aulas!
Fez como o
bilhete mandava, e demorou um bom tempo para achar o livro, que deveria ter
pouco mais de 0,5mm de espessura. Quando o puxou, nada aconteceu. Supôs que
deveria abri-lo para surtir algum efeito, e letras finas surgiram no topo da página.
“Escolha o seu destino”, era o que dizia.
- Salão
Comunal de Grifinória – disse Hermione em voz alta.
Novas
palavras surgiram na folha, desta vez um pouco abaixo das anteriores. “Senha?”
- Guerreiros
corajosos.
No lugar da
estante de livros, surgiu outra passagem secreta, muito parecida com a da noite
anterior. Mas, ao invés de ver apenas uma parede escura, pôde ver as já
conhecidas poltronas e a decoração do seu salão comunal. Sem hesitar, entrou
na passagem, que se fechou logo em seguida.
Em instantes
chegou no seu salão comunal, e percebeu que a passagem utilizada fora a
lareira, que fora tantas vezes usadas por Sirius para se comunicar com Harry...
Quis dispersar esses pensamentos rapidamente, ainda doía pensar em Sirius.
Dirigiu-se até o dormitório feminino do 7º ano, em busca de um momento para
relaxar.
Tomou um
longo banho de banheira, forçando sua mente ao máximo para não pensar em
nada. Quando acabou, porém, sentiu um enorme vazio dentro de si, como se um
pedaço dela tivesse ficado junto com Severo Snape, e a necessidade de vê-lo se
tornou maior. Teve a sorte de ainda estar no horário de almoço, e correu até
o salão principal, apenas para ter uma grande decepção: ele não estava lá.
Deu um suspiro de lamentação e pensou em ir embora, mas Harry e Rony, tendo-a
avistado nos enormes portões, a chamaram freneticamente. Não teve escolha a não
ser se aproximar, mas desta vez sem a mínima disposição para fazê-lo.
- Mione, o
que aconteceu? Você sumiu desde a detenção de Snape, Lilá e Parvati disseram
que você não dormiu no dormitório... Snape te maltratou muito? – perguntou
Harry preocupado, com Rony concordando.
- Sim, sim, exageradamente – respondeu Hermione, mas sem sequer ter ouvido o que o amigo dissera. Esticava seu pescoço esperançosamente na direção da entrada, torcendo para Snape aparecer e a levar para longe daquelas perguntas tolas...
Não
consigo dizer se é bom ou mau
Assim
como o ar me parece vital
Onde
quer que eu vá
O
que quer que eu faça
Sem
você não tem graça
Aquelas aulas
estavam a deixando doida. Não conseguira se concentrar em uma palavra que todos
disseram, seus pensamentos vagueavam o castelo até onde estava situada a sala
de Snape. Estava se consumindo por dentro com a ansiedade de vê-lo novamente,
de saber o que ele realmente sentia por ela. Por que, era verdade, em momento
algum ele dissera se sentia alguma coisa por ela, ele bem que poderia estar
apenas a usando, e isso ela nunca perdoaria. Não responderia por Hermione
Granger se soubesse que ele tinha a usado.
Quando a última
aula do dia – Transfiguração – acabou, Hermione gostaria de ter ido
correndo até o aposento pessoal de Snape, mas não tinha idéia de onde isso
ficava. Teve de apelar para outros meios, que uma vez ela mesma os rotulara
‘perigosos’.
- Harry, você
pode me emprestar seu Mapa do Maroto? – perguntou sorridente, fingindo essa
ser uma pergunta comum.
- Para que
você precisa do mapa, Mione? – perguntou Rony desconfiado.
- Nas rondas
dos monitores. Preciso mostrar serviço, estou na corda bamba com McGonagall –
respondeu simplesmente, a resposta surgindo na hora.
- Tem certeza
disso, Mione? E se ela te pegar com o mapa, o que vai dizer? – questionou
Harry, não julgando ser aquela uma boa idéia.
- Isso nunca
vai acontecer, Harry. Estarei precavida – disse Hermione despreocupada.
- Então tudo
bem. Pode pegar no meu malão, está escondido bem no fundo.
- Harry, não!
– exclamou Rony de repente, entrando na frente de Hermione – Deixa que eu
pego.
- Por que,
Ron? Há alguma coisa nele que eu não possa ver? – questionou a garota, muito
curiosa com esse comportamento estranho.
Com esta
frase de Hermione, Harry pareceu se lembrar de alguma coisa muito importante, e
mudou sua postura para cautelosa.
- Sabe Mione...
É melhor mesmo que Rony vá pegar o mapa, não sei se Dino e Simas vão estar
no dormitório, eles pegaram uma mania de andarem só de cueca, algo horrível
– disse Harry, argumentando lentamente.
- Então ao
menos deixem-me acompanhá-los até o salão comunal – sugeriu ela, já
entendendo que não conseguiria saber o que havia de secreto naquele baú.
Eles deram de
ombros. Os três seguiram até o salão comunal juntos, até que Hermione teve
de ficar esperando os dois rapazes perto da lareira. Estava muito curiosa para
saber o que eles estavam aprontando, mas a ansiedade de saber os sentimentos de
Severo Snape era mais importante.
Os dois
chegaram minutos depois, parecendo levemente ofegantes.
- Qual o
motivo de tanta demora? Não achei que seu malão estivesse tão desarrumado...
– comentou a garota impaciente.
- É que nós...
- O malão
estava mesmo uma bagunça! Neville perdera seu sapo novamente, e revirou todos
os malões do dormitório – cortou Rony rapidamente, vendo que o amigo falaria
algo improvável.
- Não
importa. Eu já estou atrasada para minhas rondas – cortou Hermione
rispidamente. – Vejo vocês dois mais tarde.
Saiu
rapidamente do salão comunal, a ansiedade crescendo estrondosamente. Abriu
cautelosamente o mapa, e deu uma batidinha com sua varinha, dizendo: “Juro
solenemente não fazer nada de bom”. Linhas finas surgiram no local onde a
ponta da varinha tocara, e logo estava formado o mapa de Hogwarts, com diversos
pontinhos minúsculos, que mostravam onde estava cada habitante do castelo.
“Uma grande
invenção, devo dizer. Mas uma perigosa invenção também” disse para si
mesma, enquanto procurava o pontinho rotulado ‘Hermione Granger’. O achou
exatamente no mesmo local que estava, e foi em questão de segundos para
localizar o pontinho de ‘Severo Snape’.
“Está nas
masmorras, como supus” pensou triunfante, começando a seguir até o caminho
especificado. Checou antes, porém, se havia algum perigo, e teve a sorte de
constatar que não havia ninguém nas redondezas.
Algum tempo
depois, chegou ofegante até a masmorra principal, onde tinha aulas de Poções
duas vezes por semana. A porta estava entreaberta, o que podia significar duas
coisas: ou havia mais alguém ali ou ele estava a esperando. As duas hipóteses
causavam um frio em sua espinha, mas ela preferiria que fosse a segunda, ao
menos estariam sozinhos.
Hermione
abriu a porta, cautelosa. Snape estava sentado em sua cadeira de professor,
olhando em sua direção. Então, sem aviso, ele caminhou até a moça,
beijando-a com paixão. Após o susto, ela se entregou totalmente ao beijo que
ansiava desde o amanhecer.
É
tão certo quanto o calor do fogo
Eu
já não tenho escolha
E
participo do seu jogo
Eu
participo do seu jogo
- Onde esteve
desde o amanhecer? Não te encontrei em lugar nenhum – comentou Hermione
sorridente, após um longo beijo.
- Eu avisei
no papel, tive de dar aulas, não quis te acordar – respondeu Snape
lentamente, em sua voz normal, mas sem a habitual frieza.
- Deveria ter
me acordado, eu estava esperando acordar ao seu lado – contrapôs ela, não
convencida com a resposta.
- Da próxima
vez eu te acordo, então – ele deu de ombros.
Hermione
olhou bravia para Snape. Como podia agir tão indiferente a uma coisa deveras
importante? Ou será que não julgava ser importante, estar ao lado da pessoa
com quem passara uma das melhores noites de sua vida? Realmente era muito difícil
entender Severo Snape...
- Eu queria
saber o que você achou da noite anterior – perguntou subitamente,
surpreendendo até mesmo a si própria.
Snape até
arqueou as sobrancelhas, não esperando por uma pergunta desse tipo.
- O que eu
deveria achar? – perguntou com ironia – Boa, eu suponho.
- Só boa?
– perguntou chorosa, lágrimas surgindo em seus olhos.
- Sim, boa.
Muito boa, se preferir.
- Mas saiba
que para mim foi a melhor noite da minha vida, simplesmente por eu ter passado
com o homem que eu descobri amar!
Esse sim foi
um golpe para o Mestre de Poções. No momento em que ouviu esta frase,
estancou, ficou parado apenas encarando Hermione. Então ela o amava? Seria isso
mesmo verdade, sentir algo tão profundo por um ser insensível e vil como ele?
Ou seria apenas uma brincadeira? Não, a srta. Granger não era uma pessoa de
brincadeiras, sempre gostava de ser o mais profissional possível. Mas vê-la
ali, com lágrimas nos olhos, revelando tais coisas, era mais do que poderia
suportar.
- Srta.
Hermione, eu... – começou sem graça, escolhendo as palavras cautelosamente
– Eu tenho um sentimento muito forte pela senhorita.
- O que quer
dizer com isso? – perguntou bruscamente, virando para olhá-lo.
Snape virou
os olhos, exasperado. Depois, tentou explicar melhor, gesticulando levemente com
as mãos.
- É o meu
jeito de dizer ‘eu te amo’.
Hermione começou
a chorar, emocionada. Então era verdade, ele a amava também, ele não brincara
com seus sentimentos. Sem pensar duas vezes, pulou nos braços do professor de
Poções, o beijando apaixonadamente.
Severo
aproveitou para segurá-la no colo, a beijando com todas as forças que tinha.
Entre um beijo e outro, começou a caminhar até a mesma passagem da noite
anterior, que já estava aberta. Apareceram no mesmo quarto em que passaram a
noite anterior, e Hermione sorriuu marotamente para ele.
Com um golpe
de seu pé, fechou a porta rapidamente; a seguir, deitou Hermione Granger
cautelosamente em sua cama, a beijando calorosamente, descendo agora para o
pescoço, ao mesmo tempo em que desmanchava sua gravata...
É
tão certo quanto o calor do fogo
É
tão certo quanto o calor do fogo
Eu
já não tenho escolha
E
participo do seu jogo
Eu
participo do seu jogo
Do
seu jogo