Sinopse:
Às vezes, pequenos erros comprometem vidas. E essa foi a maior lição que
Hermione poderia ter aprendido após o fim de uma vida que mal havia se
iniciado.
ERROS
E ACERTOS
“Não, eu realmente não
entendo, Hermione.”
Hermione, apressada,
despejava com violência roupas, sapatos e objetos dentro do grande malão de
Hogwarts, enquanto Harry buscava um motivo para que ela, a que sempre sonhou em
se formar e seguir uma boa profissão, estivesse partindo.
“Entenda, Harry, tenho
meus motivos.”
Era complicado, para
ele, assim como seria par Rony e todos os outros, receber a má notícia de que
Hermione estaria deixando a escola, por motivos desconhecidos.
Faltavam poucas horas
para que o almoço fosse servido, e muitos já esperavam por isso no salão
principal, entre conversas e paqueras, parecendo não se importarem com o frio
que tomava conta do castelo e tornava os dias cada vez mais gelados e insuportáveis.
Harry, mesmo depois de
muito tentar compreender, não pôde entender o principal motivo que estava
levando sua amiga para longe de si e da escola, onde estudaram desde muito
pequenos e onde passaram bons momentos juntos, momentos que ainda podia recordar
com facilidade: como o primeiro beijo que deram ao luar de uma bela sexta-feira,
nos jardins da escola e longe de todos, ainda no segundo ano.
Passado o almoço,
Hermione tentou, desesperadamente, convencer o diretor de que sua decisão era
certa e para o seu próprio bem, mesmo que não parecesse.
Depois de muita
conversa, de uma longa tarde de acordos e decisões, Hermione conseguiu a
permissão que queria...iria embora de Hogwarts, com a permissão do diretor e
por sua própria vontade.
Antes mesmo que seus
pais fossem avisados da volta da filha, alguns bons amigos da jovem já sabiam
da partida da amiga e se despediam como podiam.
Rony, o que mais não
suportou a situação, fez o possível para que Hermione desistisse e
continuasse até o dia da formatura, onde muitos sairiam vitoriosos.
Hermione, porém, não
desistiu da decisão.
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Eram cinco da manhã, o
sol mal havia acordado e Hermione já estava de pé, pronta para uma longa
viajem, onde reencontraria seus pais e onde se libertaria de uma vez por todas
do peso que lhe atormentava noite e dia.
Harry, que mal havia
pregado o olho durante toda a noite daquela segunda-feira, também já estava de
pé, pronto para despedir-se da amiga quando Dumbledore surgisse avisando que
era hora de partir.
“Vamos continuar sendo
amigos, acredite Harry. Só vou me ausentar da escola, apenas isso.”, tais
palavras soavam tristemente nos ouvidos do jovem amigo.
Não demorou muito e lá
estava o velho diretor, pronto para levá-la até a charrete que, por sua vez, a
levaria até o expresso que seguiria trilhos acima, até que pudesse chegar aos
braços de seus pais que, mesmo ainda confusos, esperavam ansiosos por um motivo
claro que justificasse o ato desesperador da filha.
“Espero que saiba o
que está fazendo, senhorita Granger.”, Dumbledore mostrava-se triste com a
partida da aluna. “Fugir dos problemas não é o melhor a se fazer,
acredite.”
Hermione, assustada com
o último comentário, partiu ao lado do diretor até a saída da escola, onde
Hagrid a levaria até a charrete.
Foi uma despedida
triste, embora ninguém tenha chorado, mas para Harry aquele era o momento mais
triste de sua vida, como se nunca mais fosse a ver novamente, o que não era
verdade.
Os jardins estavam
gelados, as folhas das árvores balançavam com fúria quando a ventania forte
lhes tocava. O clima gélido causava cada vez mais desanimo nos amigos que viam,
das janelas do castelo, a amiga partir, desistindo do futuro que sempre viu se
formar em Hogwarts. Era triste, estava desperdiçando a sorte que tinha e nada
podia ser feito para impedi-la.
Nada?
“Hermione.”, o grito
de longe pôde ser ouvido, e era ele...
“Prof. Snapee?!” ,
uma bela interrogação pairava na face de Dumbledore, que por trás sabia
exatamente o que se passava naqueles olhares que ambos trocavam.
“O que significa
isso?” , Severo aproxima-se dos dois, mas Hermione não lhe dá ouvidos,
seguindo para frente como se nada estivesse acontecendo.
Snape, sem entender,
corre atrás dela, que com passos longos tenta desvencilhar-se de tudo. Enquanto
isso, das janelas altas do castelo, Harry, Rony e outros viam a cena se
desenrolar no gramado do jardim.
“Espere.”
“Não tenho nada para
dizer.”, Hermione desvencilha-se dos braços do professor que a puxava para trás
com violência, embora com delicadeza.
Dumbledore, assustado,
observa tudo, sem nada dizer, pois sabia ele que aquele momento era para se
observar, e qualquer coisa que dissesse poderia atrapalhar.
“Diretor, peço
permissão para conversar com a senhorita Granger por...alguns minutos, antes
que ela...parta.”,
“Qual o assunto,
professor?” , Dumbledore desconfia.
“Não temos nada para
conversar.”, grita Hermione sendo puxada por ele.
“Ora, senhorita
Granger, não se lembra, esqueceu alguns livros e pergaminhos em minha sala. Não
posso ficar com eles, são seus.”
“Não irei precisar
deles. Fique e me largue.”, Hermione trata-o com frieza.
“Permissão dada.”,
Dumbledore sorri, fazendo sinal
para Hagrid, próximo deles. “Peça ao cocheiro para que espere alguns longos
minutos até que possa levá-la.”
Snape, contente, solta
um minúsculo sorriso e segue com ela para a entrada do castelo, onde Harry e os
outros observavam atenciosamente, entre cochichos malvados.
Hermione, querendo ou não,
foi obrigada a segui-lo até a Masmorra, já que Dumbledore poderia desconfiar.
Mas, desconfiar do quê?
***********************************************************************************””Me
deixe ir, por favor.”
“Ir para onde? Para
onde estava indo com aquelas malas?”, Severo parecia ofegante e tinha na voz
um tom de desespero, além da curiosidade na face.
“Estou indo embora de
Hogwarts e nunca mais piso os pés aqui.”
“Não pode fazer isso.
Não pode ir embora.”, Severo, agora desesperado, aumenta o tom de voz,
deixando Hermione encolhida em si mesma.
“Não quero mais ter
que olha-lo, não quero vê-lo nunca mais.”
“Por quê? Depois de
tudo que passamos aqui, na Masmorra. Depois das noites que passamos juntos,
depois...”, Severo é interrompido, enquanto os olhos de Hermione enchiam-se
de lágrimas.
“As noites...essas eu
nunca vou me esquecer, pois delas eu estou levando um pouco...dentro de mim.”
“Do que está
falando?”
Hermione, aos poucos,
foi pousando as mãos sobre o abdome, coberto por uma grossa capa, que lhe
aquecia do frio.
Snape, em momento algum,
entendeu, mas quando as lágrimas começaram a escorrer pela face da jovem pode
notar que se tratava de...um filho...a barriga...as noites...ela estava grávida...de
um filho dele...do professor Snape.
Severo, confuso, não
disse nada, talvez por medo de estar errado ou talvez por não saber o que
dizer.
“Adeus!”, Hermione
segue, chorando e sem dizer nada, corredor a fora.
Ainda confuso, Snape não
soube o que fazer...sentou-se em uma poltrona e entregou-se a seus pensamentos.
Não sabia ao certo o
que estava se passando mas, num ato desesperador, levantou-se da poltrona e
seguiu jardim a fora...era um filho seu que estava dentro da barriga da jovem
que partiria para sempre.
Alguns poucos que a viam
partir observaram curiosos os passos apressados do professor de Poções que
seguia na sua direção, em silêncio e arrastando sua capa negra pela grama que
pisava com força.
“Hermione.”, gritou
de longe, mas a moça não deu-lhe ouvidos, seguiu em direção a charrete, onde
de longe ele a tentava alcançar.
Dumbledore, confuso com
tudo, parou diante da cena e observou-o puxa-la com grosseria para trás.
“Me largue.”
“Não pode ir
embora.”
Hermione não disse
nada, e mesmo que quisesse as lágrimas lhe engoliam o fôlego. Era segurada com
força pelo braço, grosseria que já conhecia e que era usada nas noites em que
passaram juntos na gélida e escura Masmorra.
“Severo, não seja tão
grosseiro, não quer machucar a mãe do seu filho, quer?”
Hermione, assustada com
o comentário do diretor, fica quieta e Snape a larga, sem entender e com as idéias
pouco nítidas.
“Hagrid, despache o
cocheiro, pois eu, o professor Snape e a senhorita Granger iremos jogar uma
partida de xadrez em minha sala.”
“Xadrez?”, repete
Hagrid confuso, que em seguida é deixado com sua interrogação.
Harry, intrigado com
aquilo, busca saber porque Hermione não fora despachada, mas Dumbledore, num
ato de silêncio, não diz nada.
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Já na sala do diretor,
trancados e longe de qualquer bisbilhoteiro, a conversa se iniciou:
“Achava que
conseguiria esconder algo de mim, senhorita Granger? Enganou-se. Sei mais do que
vocês dois podem saber.”
“Perdão diretor, eu não
queria...juro que não foi minha intenção, perdão.”
“Severo, gostaria de
ser pai?”, pergunta Dumbledore a Snape, que assustado com a pergunta, enrola a
resposta num gaguejo só.
“Mas não será.”,
diz Hermione sussurrando.
“O que disse?”,
Dumbledore a interrompe.
“Eu não quero essa
criança, nunca quis criança alguma e não será agora que irei ter uma. Eu não
pedi para ter essa criança e não irei tê-la, só me trará problemas, como
está sendo um agora.”
“Não diga isso do meu
filho.”, Severo levanta-se da poltrona em que estava e mostra a autoridade que
tinha.
“’seu filho’? Como
pode ter tanta certeza de que é ‘seu’ filho?”
“O que quer dizer com
isso, senhorita Granger?”, Dumbledore a interrompe.
“Não sou o pai dessa
criança?”
“Infelizmente é.”,
diz ela num sussurro quase mudo, que foi um alívio para Snape.
Ficaram em silêncio, até
que Dumbledore, depois de segundos calado, deu continuidade a conversa que tinha
tudo para ser uma discussão.
“Tivesse pensado
antes, não, senhorita Granger?! Uma criança é assunto sério, e tem uma
dentro de si. Não pode simplesmente dizer que não pediu para ter essa criança,
porque se tivesse tido responsabilidade teria evitado. Isso cabe ao senhor também,
Severo.”
“Sei que erramos, mas
não sou obrigada a conviver com esse erro. Vou tirar essa criança. Em minha
cidade, há lugares em que isso é legal e eu...vou me livrar desse encosto de
uma vez por todas. É o melhor para mim, e ninguém vai me fazer mudar de idéia.”,
Hermione parecia uma criança ingênua, como nunca aparentava ser.
“Essa criança não é
somente sua filha, somos os pais dela e eu nunca deixaria que acabasse com a
vida de uma pessoa inocente, como ela é.”
“Já acabou com tantas
vidas inocentes quando reinava junto com Você-Sabe-Quem, deixe-me acabar com
uma vida inocente agora, é minha vez. Deve ser muito divertido, não?”,
Hermione não mede as conseqüências do que havia dito, e é pega por um
estralado tapa que faz sua face arder.
Severo não pôde
controlar-se, sentia ódio do que ela dizia e ela estava errada, mas não
percebia o quanto estava transformando-se em um monstro.
Foi uma dura manhã de
conversas e poucos acordos. Hermione, destinada a não ter o filho que havia
gerado, lutava para que Dumbledore e Snape entendessem que sua decisão era
certa, mas Snape não permitia que ela destruísse a vida da criança que ajudou
a gerar. Dumbledore, por sua vez, tentava abrir-lhe os olhos da maluquice que
estava preste a cometer.
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“Foi melhor assim.”
“Me desculpe...eu não
queria...fui uma idiota.”, chorava enquanto puxava-o para perto de si, deitada
na cama ainda encharcada de sangue.
“Não teve culpa.”,
Severo tentava acalma-la, mas ela chorava sem parar.
Há duas horas atrás,
na mansão em que havia mudado-se após ter completado os dois meses restantes
para que se formasse, e após os nove meses de gestação, seu filho que
nasceria naquele dia, não teve a chance de vir a luz. Hermione sofreu complicações
no parto e foi inevitável a morte da criança, que chamaria-se Michael...o
filho que ela, um dia, quis matar antes mesmo de um mês de existência.
Ninguém em Hogwarts
soube da verdade, da gravidez da jovem e do romance entre ela e o professor de
Poções. Harry nunca soube de nada, embora tenha desconfiado quando, em
Hogwarts, Hermione largava os livros com desespero e trancava-se no banheiro,
enjoada.
Seguiu o resto de sua
vida com um enorme peso na consciência. Em pensar que um dia chegou a dizer que
a criança que carregava no ventre era “um encosto em sua vida”, em pensar
que pretendia tirá-la de dentro de si e impedi-la de, ao menos, tentar viver.
Ao completar dezoito
anos, após ter-se formado em Hogwarts e após a perda do filho, casou-se com Snapee,
que sentia-se realizado ao seu lado. Nunca, jamais, imaginava um dia amar alguém,
mas amava.
Harry jamais soube do
filho do casal que havia falecido, mas sentiu-se trocado quando Hermione
anunciou ter casado-se com Snape, às escondidas.
Hermione, depois de tudo
que já passou, aprendeu grandes e importantes lições como:
“Se quer fazer certo,
não faça errado.”
“E você fez certo em
ter casado comigo?”, pergunta Severo após um ardente beijo.
“Hum...claro que sim.
Mas fizemos errado em não termos prevenido a minha gravidez, assim, talvez,
nosso filho não tivesse sofrido tanto.”, Hermione entristeceu-se ao
lembrar-se da criança que odiou e quis matar e que morreu amando-a.
“Podemos ter outros
filhos, ora, somos ‘jovens’”.
FIM!!!!
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