Uma Boa Cura
por
Sumário:
Snape fica com soluços e não consegue se livrar deles. Será que Hermione
pode ajudar? One-shot.
A.N.:
Achei esta fic divertidíssima e muito bonitinha. Espero que vocês gostem tanto
quanto eu. Divirtam-se:)
Foi
um longo dia.
Quando
chegou o horário da ultima aula do dia, os nervos de Severus Snape estavam em
frangalhos. Seus alunos do sétimo ano pareciam estar mais desajeitados do que
de costume, com muito poucos sucessos, e foi bem naquele instante que seu
experimento com comida tailandesa no almoço decidiu fazer uma aparição.
O soluço
embaraçoso e alto pareceu ecoar pela sala. Todos desviaram a atenção de suas
poções e começaram a olhar ao redor, com sobrancelhas franzidas, tentando
encontrar a fonte. Ouviram-se alguns risinhos. Dois segundos mais tarde isto
aconteceu de novo, e cada um dos estudantes olharam para Snape, tentando
esconder o riso e segurando as gargalhadas. Involuntariamente, sua face se
tornou vermelho-beterraba.
Ele soluçou
de novo, e então a classe explodiu em gargalhadas.
Neste
exato momento, Snape estava se preparando para dar a cada um dos estudantes na
sala uma detenção, mas, pelo que parece, alguém decidiu tomar este fardo só
para si.
A mão da
Srta. Granger perfurou o ar.
“Srta.
Gra–” Ele abafou outro soluço com a manga de suas vestes, mas isso não
impediu os estudantes, com exceção da certinha, disposta-a-ser-ouvida Hermione
Granger, de se esconderem debaixo de suas mesas dando risadinhas. Granger, por
outro lado, se agitava na ponta de sua cadeira, balançando a mão no ar de uma
maneira que ela não fazia desde o fim do segundo ano.
“Granger.
O que foi?”
“Eu
tenho várias sugestões para você se livrar desses soluços, senhor. Posso
sugerir beber um copo d’água? Um bom susto pode resolver também. Ah, e...”
“Detenção,
Srta. Granger. Eu lhe asseguro que posso res-hic-olver este pequeno
problema sozinho. Venha falar comigo depois da aula.” Os outros estudantes
ficaram encarando-o, com olhos arregalados e assustados. Depois disso, eles
permaneceram quietos.
Snape,
sentou em sua mesa, aparentemente aborrecido e tentando esquecer os soluços se
enterrando em uma pilha de dissertações do segundo ano, o que apenas fez ele
piorar. Ele tentou achar curas para sua condição, inclusive uma ou duas poções
e quaisquer sugestões da Srta. Granger que ele pôde. Após um tempo que não
poderia ser mais curto que a eternidade, a aula acabou e os estudantes saíram o
mais rápido possível, para se dobrarem em grandes gargalhadas logo que
escapassem dos confins daquela sala de aula.
Uma
pequena tosse o distraiu de sua concentração dispersa em correções, e ele
olhou com expectativa. A Srta. Granger parou em frente de sua mesa, os cabelos
lanzudos emoldurando seu rosto, os livros abraçados em frente ao estômago, e
olhando para ele de forma gentil.
“Gostaria
de falar comigo, senhor?”
“Sim,
Granger. Creio que lhe coloquei em det-hic-enção.”
Ela
franziu as sobrancelhas, com desapontamento forçando os cantos de seus lábios
para baixo. “Sim, senhor, você me colocou. O que gostaria que eu fizesse?”
“Bem...
“ ele se recostou na cadeira, tentando disfarçar outro soluço em um suspiro.
“Como você pode ver, estou tendo problemas em me livrar destes soluços.”
“Sim,
senhor, percebi.”
Ele se
afundou na cadeira, enquanto sua voz ia ficando mais baixa. “Eu gostaria de
sua ajuda para me livrar de-hic-les. Eu vou lhe dar crédito extra se você
conseguir.”
Subitamente,
Hermione parecia ter sido nomeada Monitora-Chefe novamente. Todos os livros dela
caíram no chão, mas ela nem fez menção de pegá-los, e ela juntou as mãos
em um gesto que só poderia ser descrito como alegria.
“Já
tentou alguma poção?” ela perguntou, seus olhos brilhando com determinação.
Snape
virou os olhos. “Não. Como Mestre de Po-hic-ções desta escola,
acredito não ter a habilidade nem o bom senso de preparar uma poção para mim
quando eu realmente preciso.” Hermione ficou encarando-o, um tanto confusa, e
ele continuou, ocasionalmente pontuando suas palavras com soluços. “Sim,
Srta. Granger. Eu tentei uma poção. Mas por razões que desconheço, não f-hic-uncionou.”
Hermione
conjurou uma cadeira e se sentou em frente à mesa do professor, começando a
mastigar uma unha pensativamente. “Água?”
“Também.”
“Hummm...
e que tal o susto?”
Ele se
inclinou na direção dela, seus dedos longos entrelaçados enquanto ele
considerava com interesse. “Você está sugerindo que eu, um espião de renome
e ex-Comensal hic da Morte, possa ser surpreendido?”
De forma
desafiadora, apertando os olhos cor de chocolate, o olhar dela se encontrou com
o dele. Os lábios dela se curvaram em um sorriso secreto, e ela disse,
“Acredito que qualquer um pode levar um susto de vez em quando.”
“Muito
bem, se é o que você acha.” Ele se recostou novamente na cadeira, cruzando
os braços. “Se você conseguir curar meus soluços, me surpreendendo, não
apenas lhe darei os créditos extras, mas também darei à sua casa cinqüenta
pontos.”
Ela
estendeu a mão, e ele ficou olhando com espanto antes de pegá-la e envolver os
dedos suaves e quentes da mão da garota em seus próprios dedos. “Fechado.”
“Não,
Srta. Granger,” ele respondeu. “Eu lhe asseguro, isto é uma detenção.”
Hermione
sentou atrás de sua mesa perplexa, observando o mestre de poções com muita
intensidade. Uma forma de assustá-lo... isso pode ser difícil, mas não impossível.
Vários frascos de vidro vazios estavam alinhados nas prateleiras do lado da
sala de aula, e então ela teve uma idéia bastante atrativa.
Ela
poderia quebrar um frasco.
Da forma
mais suave que pôde, para não fazer barulho enquanto Snape corrigia as lições,
ela se moveu lentamente pelo labirinto de mesas e cadeiras, e alcançou a
prateleira desejada. Com um sentimento poderoso, uma mistura de determinação e
arrependimento, ela pegou um dos pequenos frascos de vidro e o atirou no chão,
onde ele se quebrou em milhares de pedaços.
“Srta.
Granger...” Snape nem ao menos levantou os olhos do que estava fazendo, e
Hermione segurou um xingamento bem feio. “Não creio que quebrar minhas coisas
faça parte do aco-hic-rdo. Se você tentar destruir meus objetos
novamente, você descobrirá não apenas que terá detenção durante toda a próxima
semana, mas também que suas no-hic-tas nesta aula também estarão
correndo risco, em vez de serem aumentadas. Agora, tenha a bondade de limpar
essa bagunça que você hic fez e encontre um outro meio mais efetivo de
acabar com meus soluços.”
Hermione
suspirou e levitou os cacos e poeira até a lixeira mais próxima enquanto
mordia os lábios em concentração. O que ela poderia fazer? Ele estava muito
acostumado para que o som de vidro se quebrando pudesse incomodá-lo, talvez um
som diferente pudesse assustá-lo?
Após uma
tentativa frustrada de explodir um saco de papel que continha seus doces da
Dedos de Mel atrás da cabeça dele, ela estava começando a ficar desesperada,
e Snape parecia estar ficando cada vez mais aborrecido, sem mencionar que não
estava nem perto de se livrar dos soluços.
“Tem
certeza que não cometeu nenhum engano ao preparar a poção, professor?”
Ele
levantou os olhos de seu trabalho, com um brilho nos olhos que dizia que ela
havia acabado de dizer alguma coisa que realmente não deveria ter dito.
“Esqueça.”
Hermione
começou a andar pela sala, murmurando para si mesma. Ele tinha que deixar ela
sair dali uma hora. Era ilegal mantê-la ali pelo resto da vida. E ela poderia
sobreviver sem o crédito extra... embora suas notas mal tenham atingido 96, e
pareciam estar crescendo a cada dia. Ela limpou o suor da palma das mãos em
suas vestes, ponderando as possibilidades e os resultados em sua mente. Com
muito pensamento, ela chegou à conclusão que cada ação poderia trazer
resultados positivos, enquanto que, se ela decidisse não agir, Snape poderia
odiá-la ainda mais do que já odiava e suas notas poderiam sofrer
miseravelmente.
Mas o
homem é impossível de assustar.
Uma terrível,
maravilhosa idéia surgiu em sua mente.
Ela
caminhou até a mesa dele, parando em frente e pacientemente esperando que ele
notasse que ela estava lá. Finalmente, ele olhou para ela, com uma expressão
de tédio, engolindo outro soluço intruso. “O que é agora, Srta. Granger?”
“Professor,
pode ficar de pé um minuto?”
Com um
suspiro irritado, ele jogou sua pena na mesa e fez o que ela pediu. Ela caminhou
até o lado dele da mesa e ele a observou com uma sobrancelha levantada,
tentando imaginar o que ela ia pretendia fazer. Ela colocou as mãos nos ombros
dele e puxou seu corpo na direção do dela, e ele notou que ela já não era
muito mais baixa que ele.
“Certo,”
Hermione disse “Aqui vai.”
De
repente, os lábios dela foram de encontro aos dele, olhos fechados com força
enquanto os de Severus se arregalaram quase saltando das órbitas. A mão
esquerda se moveu atrás do pescoço dele e se emaranhou nos cabelos enquanto
ela pressionava sua boca cada vez com mais força de encontro aos lábios dele.
Ofegando,
ela se afastou dele como se tivesse recebido um choque. Ela parecia bastante
amedrontada e ao mesmo tempo muito satisfeita, e seus braços estavam cruzados,
em sinal de triunfo.
Nesta
hora, Severus reparou que seus soluços sumiram.
“Srta.
Granger,” ele disse, um pouco ofegante enquanto tocava o canto de seus lábios
com o dedo e o olhava como se estivesse esperando ver sangue nele. “Acho que
você falhou. Vamos tentar novamente.” Ele fingiu um soluço. “Creio que vá
funcionar na segunda vez.”
Severus tentou esconder seu sorriso, enquanto Hermione Granger se aproximava para outro beijo.