Dirty Babe
por
Natália GAG
Ela parecia um anjo demoníaco aos seus olhos. Como era bela quando estava assim, emanando poder de cada poro daquele corpo pequeno porém perigoso...
Não cansava de se admirar com ela. Como alguém tão novo, tão inexperiente poderia ser tão seguro de si? Ela poderia ter o mundo nas mãos se quisesse. A ele, ela já possuía.
– Tire a roupa, Severus. – ela disse, medindo-o com olhos analíticos – E deite-se na cama.
Ele fez o que ela mandara. Não porque receava a dor de um possível punimento, mas porque o agradava imensamente mais simplesmente obedecer a ela.
Pernas cobertas por uma calça de vinil montaram em seu colo. Ela usava suas unhas para arranhar seu peito enquanto ele praticamente ronronava de contentamento. Anh, como ele adorava aquelas grandes unhas vermelhas que machucavam somente o suficiente para ser prazeiroso.
– Severus, você tem sido um garoto tão obediente esses dias... Eu estava pensando, acho que você merece um prêmio, não acha? – ela sorriu maliciosa.
Ele não ousou responder, sabia que a pergunta era apenas retórica e que ela ainda não lhe havia dado permissão para falar. Não iria arriscar seu prêmio assim tão imbecilmente.
As unhas continuaram a percorrer seu corpo enquanto ele pensava.
Sempre fora submisso, era parte de sua natureza. Durante anos, seu mestre fora Lucius. Muitos poderiam pensar que Severus se sujeitara a isso pois invejava o amigo, mas estavam errados. Ele não dependia de Lucius apesar de ser seu escravo; era o aristocrata que necessitava de Severus – ele precisava reafirmar sua dominância a todo instante.
Lucius
era um mestre violento – não que isso o incomodasse, era acostumado à dor
desde muito pequeno. Durante o tempo que a relação deles durou, Severus fora
feliz; eles somente se separaram quando ele se tornara um espião... Era muito
perigoso ter um comensal da morte fiel como amante. Como Lucius era casado, não
poderia reclamá-lo sem causar um escândalo público. Então o Contrato entre
eles foi esquecido, mas nunca desfeito.
Passara
anos sem se voltar para essa faceta de sua personalidade – havia uma guerra em
curso e ele realmente não tinha tempo para esse tipo de prazer inconseqüente.
Até
que um dia – anh... Os lábios dela se fecharam sobre a cabeça de seu pênis,
obrigando-o a morder os lábios para evitar que um gemido saísse de sua boca
– até que um dia, voltando de uma tarde estressante de aulas e planejando
tomar um longo banho quente, encontrou-a sozinha nos seus aposentos.
– Não ouse, Severus. Você não pode gozar até que eu permita. E nem um som. – ela disse quando um tremor mais forte perpassou o corpo dele.
Hermione estava vestida dos pés à cabeça em couro preto – sua boca salivava somente de lembrar – botas que cobriam até seus joelhos, uma saia curta e um corselet aberto nas laterais, preso por ínfimas tiras do mesmo material. Ela segurava uma coleira nas mãos.
“Estava
esperando você, Severus”, ele até tentara chamar sua atenção por usar seu
primeiro nome. Ela poderia ser monitora-chefe e uma garota brilhante, mas ainda
era uma de suas estudantes. Mas não conseguira, estava tão surpreso que nenhum
som saíra de sua boca.
“Ajoelhe-se,
Severus. Se isso não é o que deseja, diga agora. Caso você não proteste, eu
irei realizar o Contrato e você será meu”. Ele olhou dentro dos olhos dela,
tentou avisá-la de que já tinha um dono, que o Contrato nunca iria dar certo
com ele... E fora que isso era errado. Tão errado... Por Merlim, uma estudante!
Mas
ela parecia tão segura do que estava falando... A simples vontade de obedecer
se apoderara dele. Quando olhou para os seios dela, lutando para sair de seu
confinamento, sua parca resistência esvaiu-se. Ajoelhando-se, ele abaixou a
cabeça, submisso.
Ela
colocou a mão em seu queixo, levantando-lhe o rosto. “Severus Snape, é de
livre e espontânea vontade que você se entrega a mim. Para me servir como eu
bem desejar? Promete se entregar aos meus cuidados e me reconhecer como sua
dona?” A única coisa que conseguira responder fora um balbuciado “Sim”.
Hermione sorrira e colocara a coleira em seu pescoço.
O
objeto magicamente incorporou-se à sua pele, sendo absorvido por ela. Sentira
um leve desconforto enquanto a mágica dela brigava com a antiga de Lucius, mas
a da garota à sua frente acabara vencendo. Estava finalmente livre de Malfoy.
No lugar onde antes repousava a linha dourada do Contrato com ele, agora estava
uma fina linha prateada.
Ele
a olhara questionador, pedindo permissão.
“Pode
falar agora, Severus”, ela concedeu. “Como você sabia que eu iria aceitar
um Contrato, Srta. Granger?”
“Em
primeiro lugar, Severus, quando estivermos sozinhos, você irá utilizar meu
nome. Dentro do seu quarto ou do meu, eu sou sua dona e você deverá fazer
sempre o que eu lhe ordenar. Fora deles, seremos amigos e o que mais nos
convier. E quanto à ter certeza, bem, eu não tinha”
– ela corou ao dizer isso, lembrando-o de como ela era nova – “Mas
eu já havia notado a linha dourada com a insígnia dos Malfoy em seu pescoço.
Você quer ver qual é o meu símbolo, Severus?” Ele acenou com a cabeça. “
Tire a roupa e se olhe no espelho, então.”
Ele
fez conforme ordenado. A insígnia dela era uma rosa, com inúmeros espinhos.
“Apropriado, não? E agora, Severus... Vamos ver o que irei fazer com você...”
Ele quase fez a besteira de protestar quando a boca dela deixou seu pênis. Talvez fosse melhor assim... Estava tão perto de perder o controle...
– Severus, levante-se. Tire a minha roupa. – ela disse firme, mas gentilmente.
Ele a amava. E não somente a forma como ela o possuía. Ao longo desses meses em que estavam juntos, ele passou a apreciar sua companhia. Mesmo quando somente sentavam perto da lareira para ler ou quando discutiam teorias mirabolantes sobre aritimancia. Quando estava com ela, ele conseguia esquecer a maldita guerra. Ela curava não apenas suas feridas físicas. Quando estava com ela, nada mais importava...
Nunca fora bom com as palavras quando queria expressar seus sentimentos, por isso, tentava demonstrá-los a cada deliberado gesto que fazia. Foi com adoração brilhando em seus olhos que ele abriu lentamente o zíper que prendia o bustiê dela, fazendo aqueles maravilhosos seios surgirem. Ele fixou seus olhos nos dela. Era impressionante como ela sempre conseguia ler seus desejos.
– Está bem, Severus. Agrade-me. – ela disse, dando-lhe um meio sorriso condescendente.
Mal ela terminara a frase e os lábios dele já estavam nos seios dela, fazendo seus mamilos enrijecerem. Mordendo-os até quase machucar, fazendo com que ela gemesse alto. Ele aprendera o corpo dela com a mesma dedicação que sempre mostrara para seus estudos: sabia exatamente o que a fazia tremer.
Ela não precisava pedir – aliás, ela nunca pedira. Ele realmente amava aquela mulher.
♪ Dirty babe, you see these shackles;
Baby I’m your slave.
I’ll let you whip me if I misbehave;
It’s just that no one makes me feel this way.
♫
*
* *
Gemeu
quando ele mordeu seu mamilo. Ajoelhado assim à sua frente, nu e submisso, ele
era a visão mais bela que poderia ter.
Não
cansava de se admirar com ele. Tão paradoxal... Autoritário e ríspido na sala
de aula e no convívio com os outros professores, mas submisso e dedicado quando
estavam sozinhos. Pensando bem, até fazia sentido: essa era a forma com que ele
aliviava suas tensões. Para alguém que sempre tinha tudo sobre controle,
simplesmente abaixar a cabeça e obedecer deveria ser uma benção.
Hoje
completavam oito meses que estavam juntos. Ainda lembrava da expressão de
espanto que ele fizera quando a encontrara – com a sua roupa mais sugestiva
– esperando-o, sozinha, nas Masmorras.
–
Severus, eu quero que você abra
esse zíper com os dentes. – ordenou, apontando para o fecho lateral de sua
calça.
Assim
que ele conseguira livrar-lhe de todo o vinil, voltou a beijar seu corpo,
reverenciando cada pequena parte dela, fazendo com que Hermione reprimisse um
arrepio.
Deitou-se
na cama, chamando-o para perto de si.
–
Venha, Severus. Eu quero essa sua
boca em mim até que eu goze. Então, se você for um bom garoto, ganhará a
recompensa que desejar. – disse estendendo os braços na direção dele.
Ela
conhecera o bondage quando estava namorando com Bill. Ele adorava experimentar
coisas novas e ficara impressionado com aquele universo. No começo, ela aceitou
ser sua escrava. Demorou algum tempo para que ela admitisse que gostava daquele
‘ jogo’, mas que havia algo errado na forma com que eles estavam fazendo
aquilo.
Hermione
não era considerada a bruxa mais brilhante dos últimos tempos por nada e fez
como quando tinha alguma dúvida em uma poção mais difícil ou em uma
transfiguração mais avançada: pesquisou tudo o que havia sobre o assunto.
Bill
dissera-lhe que somente os homens poderiam ser os mestres, mas Hermione
descobriu que ou ele estava errado, ou mentira para ela. Existiam dominatrix
muito famosas no Mundo Mágico.
Descobriu
também sobre o Contrato, um vínculo mágico, uma espécie de casamento dentro
do universo bondage.Era necessária uma confiança imensa entre os parceiros
para que ele fosse feito, já que não era reversível, apesar de existirem
alguns bruxos que afirmavam que um Contrato poderia ser desfeito através de
outro mais forte.
Como
tudo não passava de uma mera brincadeira para Bill, ele se negara a fazer o
Contrato quando ela apenas mencionara o assunto. Não que ela desejasse fazer o
Contrato com ele. Através de suas pesquisas, ela descobrira um feitiço que
determina a verdade do seu espírito dentro do bondage. Ela se descobriu
dominadora e uma muito poderosa, por sinal.
Ela
e Bill acabaram se separando. Hermione havia se apaixonado pelo bondage depois
de tudo... Vários grandes bruxos pertenciam a esse universo. O Contrato não
era mera formalidade, ele aumentava o poder mágico de cada um... Ela queria ir
a fundo naquela nova experiência e estava claro que não era o que o ruivo
tinha em mente...
Durante
as férias de verão antes de seu último ano em Hogwarts, ela começou a freqüentar
sites de sadomasoquismo trouxa. Apesar de diferente do bondage bruxo, os
conceitos eram parecidos. Fora através da internet que conhecera algumas
pessoas e, durante aqueles meses, aprendera a dominar como desejava: firme, mas
com uma ternura que era intrínseca ao seu jeito de ser.
Fora
quando voltara para as aulas que tivera uma agradável surpresa: um dia,
enquanto estava ajudando Professor Snape a preparar uma poção, ela notou a
linha dourada com a insígnia dos Malfoy em seu pescoço. Ela sabia o que era
aquilo: era a marca do Contrato, a coleira do submisso. Mas a cor estava tão
fraca que parecia que a relação dele com seu mestre estava há muito
esquecida. Foi então que ela decidiu tentar sua sorte e conquistar Severus.
Sempre
tivera uma estranha ‘queda’ pelo misterioso professor, mas quando descobriu
que ele era do universo pelo qual estava apaixonada e ainda era submisso, ela não
conseguiu resistir.
Ela
estava tão perto de chegar ao orgasmo agora que não conseguia mais manter a
linha de raciocínio. A língua dele fazia maravilhas em seu sexo.
– Severus!
– ela gemeu enquanto sentia seu orgasmo tomar-lhe o corpo. Viu-o sorrir,
satisfeito.
Recuperando
o fôlego, disse:
– E
agora, Severus? O que você quer como prêmio? Pode falar.
– O
seu prazer é o meu desejo, Hermione. – esperto, muito esperto... Ele
realmente sabia ser sutil para conseguir o que queria.
– Então
eu quero você dentro de mim, agora.
Enquanto
ele a penetrava, notou que ele mordia seus lábios. Sabia que ele estava se
contendo para se manter em silêncio, afinal ela ainda não lhe dera permissão
para falar livremente. Ela adorava o jeito como ele se esforçava para obedecer.
– Severus,
eu quero te ouvir. – disse, apiedando-se dele.
Imediatamente,
o homem, antes mudo, passou a gemer e sussurrar em seu ouvido.
Ela
o amava, esperava que ele soubesse disso. Cada ordem sua era dada com o intuito
de fazê-lo esquecer do restante do mundo. Das amarguras de um passado distante
no qual não estavam juntos.
Quando
estavam juntos, ela o libertava. Enquanto ele fosse seu escravo, estaria livre
de seus fantasmas.
♪
“Come let me make up for the things you lack,
´Cause
you´re burning up, I´ve got to get it fast.”
♫