Saudade
(Intérpretes
Christian e Ralf)
Por
Sarah Snape
NA:
O ideal é que esta fic seja lida após “Confidências”, mas ambas podem ser
lidas separadamente. Dedico esta fic em especial à Andy GB (que assim como eu
é fã do Karkaroff), à Mel ao Sol (que gostaria que a Hermione tirasse umas
“lascas” do Igor, mas no final ficasse com o Snape), à
Hermione_Jane_Granger (Fã do triunvirato SS/HG/IK) e a todo o pessoal da
comunidade Igor Karkaroff do Orkut.
Era
noite. Mais uma noite gelada. Severo Snape caminhava solitário pelo Beco
Diagonal. As lojas em sua grande maioria estavam fechadas enquanto outras ainda
mantinham as fachadas iluminadas. O objetivo dele era apenas caminhar, passar o
tempo. Transitava sem rumo definido, buscando apenas esticar as pernas e de
preferência não encontrar nenhuma pessoa conhecida. Era sabido que o Beco
Diagonal não era o melhor lugar para se ocultar do mundo, mas no momento era
onde Snape estava. Depois de muitas crises, muitos atritos com Minerva
Mcgonagall acabara por decidir sair de Hogwarts. Ao mesmo tempo em que fizera
isso, sua vida pessoal sofrera uma guinada de 180º.
Você
sempre fez os meus sonhos
Sempre
soube do meu segredo
Isso
já faz muito tempo
Eu
nem me lembro quanto tempo faz
Lembrava-se
dela quando menina, quando entrara em Hogwarts. Lembrava-se dela maiorizinha,
mocinha, mulher. Era uma imagem que sempre povoara sua cabeça, a da bela e
sorridente estudante. Era mesmo linda, lindíssima. Apaixonara-se por ela sem se
dar conta e talvez até hoje estivesse na ignorância se não fosse, num momento
de fraqueza o Lord das Trevas ter conseguido penetrar nos recantos mais
profundos de sua alma e descobrir que ele a amava de uma forma intensa e
verdadeira. Algo profundamente inconcebível. Até Voldemort se surpreendera com
a constatação de que Snape ainda tinha sentimentos benéficos em seu ser. E
esse fato era complexo de ser administrado por um Comensal da Morte.Sim, ela
soubera antes que a maior parte das pessoas de seu passado negro. Mas as pessoas
que erram devem ter a oportunidade da redenção, ao menos ela e Dumbledore
pensavam dessa forma, e por ironia do destino, mesmo de maneiras diferentes ele
acabara matando os dois.
O
meu coração não sabe contar os dias
A minha cabeça já está tão vazia
Mas a primeira vez
Ainda me lembro bem
Até
agora não entendia porque resolvera começar a tratar mal a única pessoa que
lhe restava no mundo, a única pessoa que confiava nele, a única que algum dia
já o amara. A única pessoa para quem importava se ele pudesse ver o dia
seguinte. Ela o amava com todas as forças, ela lhe dava a base sólida para uma
vida feliz, a base para uma vida de amor. Hermione era seu presente e seu
futuro, mas talvez toda aquela calidez, aquela sensibilidade, aquele
sentimentalismo com o tempo acabou passando, acabou cansando-o, acabou fazendo
com que ele percebesse que fora daquele casamento tido como feliz havia uma vida
que ele, nem menino, nem jovem, nem homem feito jamais experimentara. Uma vida
de aventuras, uma vida de risos e graça que ele não conhecia. Saíra das
trevas, embora fosse ponto pacifico que elas jamais o abandonariam inteiramente
e nem ele desejava isso. As artes negras lhes transmitiam uma força enorme, uma
força inigualável. E agora até essa força “má” o estava abandonando.
Era estranho! Ao mesmo tempo em que ontem Hermione fora sua força agora ela
mesma era sua fraqueza. A fraqueza de não enfrentar a vida, a fraqueza que lhe
dera a sustentação de um casamento que começara por amor mas que agora era
baseado totalmente no medo do desconhecido. Ao mesmo tempo em que tinha medo da
viver plenamente aquilo que o destino lhe ofertava, começou a culpar Hermione
por isso, a jogar nela a responsabilidade de ter tido uma vida infeliz, a
responsabilidade de viver naquilo que ele chamava de farsa. Tinha uma mulher que
o amava, que se preocupava com ele, para quem ele era tudo e correspondia
plenamente a esses sentimentos, mas estava insatisfeito. Muito insatisfeito.
Talvez eu seja no seu passado mais uma página
Que foi do seu diário arrancada
Hermione
soubera, isso era obvio de seu envolvimento extraconjugal com Rosmerta. Não
sabia quem contara a ela, mas de qualquer modo, Snape pouco fizera para que
Hermione não soubesse. Na verdade, Rosmerta fora apenas uma de uma procissão
de casos que tivera nos últimos tempos. Queria experimentar aventuras loucas,
paixões alucinantes, e tudo o que mais repulsivo tivesse em termos de “traição”.
Traia Hermione fisicamente, mas gostava da sensação de voltar para casa, bêbado
e cheirando a perfume de quinta categoria e encontra-la ressonando placidamente
na cama, nem mais o esperando e na opinião dele, tacitamente conformando-se com
esses novos hábitos do marido. Odiava-se por isso, e aos poucos descobrira que
essas atitudes tinham relação com o fato de querer acabar com o casamento, mas
não saber como fazer isso. Preferia mil vezes que Hermione tomasse essa
iniciativa. E esse fora o inicio de seu relacionamento com Rosmerta. Sabia que a
popularidade da dona do Três Vassouras logo faria com que todos tivessem acesso
ao fato. Mas realmente nunca cogitou o quanto iria magoar Hermione e que esta
seria a gota d’água.
Sonho,
choro e sinto
Que resta alguma esperança
Sabia
que Hermione andara se aconselhando com amigo Igor Karkaroff. Da velha guarda
por assim dizer era a amizade que lhe restara. Freqüentara a casa do amigo por
longas temporadas em companhia de Hermione e lhe era visível, sem qualquer traço
de ciúme nisso que o russo tinha “interesses” em Hermione. Igor tinha um
sistema de valores bastante rígido, e Snape imaginava que ele não iria se
aproveitar da situação. Certamente não fora dele, a sugestão para que
Hermione simplesmente fosse embora de casa levando tudo o que era seu. Igor, por
mais amor que dedicasse a moça tentaria dissuadi-la da idéia, tudo em observação
a seu rígido código de conduta. Hermione mantivera contato com amizades
indesejáveis,que lhe aconselharam a abandona-lo sem qualquer tipo de conversa e
obviamente seu alter ego também informava que ele não havia sido o
melhor marido do mundo, mas também ele, mesmo sendo Severo Snape tinha direito
a um pingo de felicidade. Minerva Mcgonagall fora das pessoas que apoiaram
Hermione. A bem da verdade, todos e com absoluta razão apoiaram-na, e ele havia
sido um calhorda. Sua relação profissional dentro de Hogwarts ficou tão
desgastada que pediu para sair antes que Minerva “saísse!” com ele.
Rosmerta não o quis mais. A beldade não tinha interesse em relacionamentos sérios.
Queria homens casados e diversão e Snape sumariamente virara um problema.
Saudade,
quero arrancar essa página
Da minha vida
Até não
descobrir que rumo tomar em sua vida, Snape decidira ficar no Beco Diagonal
descansando e conseqüentemente remoendo seus erros. Três noites atrás vira
Hermione e Igor Karkaroff saindo sorridentes de um restaurante famoso. Pareciam
felizes e harmoniosos. Snape culpou-se intimamente, por ter abandonado-a,
humilhado-a e feito-a sofrer desnecessariamente. Quem sabe não fosse Igor quem
a faria feliz? E Hermione merecia muito ser feliz...
**FIM**