Simplesmente te odeio

Por Galilea, Tradução de Sarah Snape

 

Esta fic contém spoilers do livro seis. Não leia se não quiseres saber nada do livro, embora duvide que alguém ainda não o tenha lido.

A idéia desta fic surgiu ao ler outras fis e como sempre não sei de quem foi a idéia. Se for de outra pessoa, peço desculpas. Tenho lido tantas fics que não sei mais se a idéia é minha ou de outra pessoa. Creio que exista outra parecida, em francês, porém é slash e eu a procurei e não encontrei. Espero que gostem.

 

“Quem ela pensava que era? Quem Alvo Dumbledore achava que era? Sempre se metiam onde não eram chamados. O fato de Minerva ter assumido a diretoria da escola, e Dumbledore ter se alojado em seu quadro, haviam se tornando o seu pior pesadelo. Ele já se ocupara com isso! Maldito velho.

Como se atrevia a dizer que ele, Severo Snape era um menino mimado? Mimado, ele?! Como isso poderia acontecer se seus pais jamais conversavam com ele? Como poderia ser uma pessoa mimada? E ainda por cima, se atrevia a dizer que ele a amava. Que amava a Sabe-tudo! Odiava-a! Odiava ela e seus amigos, sobretudo Potter. Estava ali por culpa deles, encarcerado num mundo que não gostava, sem poder descansar, sem poder deixar que seu corpo caísse para sempre na mais profunda obscuridade.

E essa maldita moça, se atrevia a dizer que não o odiava. Aquela maldita idiota, estúpida e cretina garota, que agora por azar era sua colega de trabalho. Odiava-a com todo o seu coração. Odiava seu sorriso, sua voz, sua pele, seus lábios, seu rosto, seu corpo, sua mente, sua inteligência, sua preocupação... Odiava-a! Odiava- a. E ela também o odiava.

- Professor?... Professor? – Snape virou-se e olhou para a mulher alta e magra que o observava com preocupação- Está tudo bem?

Snape olhou-a enfadado e com ódio mortal.

- Odeio- te, Granger. Como pode supor que eu esteja bem se a pessoa que mais odeio neste mundo não para de querer se meter na minha vida? Odeio-te.

Snape levantou-se rapidamente e saiu das salas dos Professores, deixando Hermione Granger pensativa ante suas palavras.

Entrou em seu escritório e sentou-se para corrigir alguns exercícios. Odiava-a! A porta se abriu e fechou-se com força. Uma mulher alta, morena, com olhos cor de mel e uma pele branca como porcelana olhava-o enfadada. Odiava-a!

-  SERÁ QUE ALGUMA VEZ EM SUA VIDA, VAIS DEIXAR DE SER TÃO INSUPORTÁVEL?

Snape levantou-se e aproximou-se dela como um raio, observando-a com raiva. Como ela se atrevia a xinga-lo?

- Saia agora mesmo do meu escritório, sabe-tudo insuportável!

Os olhos deles se encontraram, ambas contendo ódio e raiva. Pouco a pouco, os olhos da moça foram se suavizando.

- Porque me odeia?

Snape ficou chocado com a inesperada pergunta e limitou-se a olha-la desconcertado.

- Odeio-te por ser quem é. Odeio-te porque não me deixa em paz, não para de se meter em minha vida. Odeio-te porque não me deixou viver em paz desde que colocastes os pés nesta escola pela primeira vez.  Odeio-te porque acredita ser inteligente e no entendo é a pessoa mais idiota que conheCi. Odeio-te por existir. Odeio-te! Odeioi-te! ... Da mesma maneira que você me odeia. – Snape apertava as mãos com força. O rosto da moça estava chocado, fazendo com que ela o odiasse ainda mais, por existir a possibilidade de que ele pudesse a vir machuca-la. – SAIA AGORA MESMO DO MEU ESCRITÓRIO!

A mulher continuou em pe, olhando-o, pálida e assustada, sem poder mover-se. E não negou odiá-lo. Se não fizera isso, era porque realmente o odiava?

Finalmente, ela saiu do escritório, Sem encontrar palavras nem dizer nada. Fechou a porta atrás de si e deixou-o sozinho com seu ódio.

**

Snape passeava pelos corredores, concentrado em algo, sem imaginar que alguém o observava. Uma pessoa que o conhecia melhor do que qualquer outra.

- Severo, meu caro. Esta acontecendo alguma coisa?

Snape se deu conta e virou-se. Era Dumbledore que tinha a mania de visitar todos os quadros e desta forma passear pelo colégio, e uma das suas diversões favoritas era Snape, era se meter na vida de Snape. Uma vez, quando Snape perguntou-lhe porque fazia isso recebeu a seguinte resposta: “Você se sacrificou muito e foi somente por sorte que seu sacrifício não foi ainda maior. E eu não lhe dei nada, nem felicidade, nem conforto... nada. Quero que sejas feliz, quero que não te sintas sozinho.” A resposta de Snape foi apenas um rosnado.

- Hoje falei com Hermione. Ela gosta muito de dar aula de Poções.

Snape não contestou, somente lembrou-se de que a odiava. Por Merlin! Como era possível odiar tanto uma pessoa?

- Me fale sobre a conversa que vocês tiveram essa tarde.

Snape olhou-o com o cenho franzido, sabia que mais cedo ou mais tarde o Velho ou a diretora lhe perguntaria sobre o que ocorrera.

- Odeio-a .

Uma risada saiu do quadro e Snape olhou-o com frieza pois Dumbledore ria abertamente.

- Você não a odeia. Na verdade tem muita estima e se preocupa com ela.

- O pintor mágico deve ter esquecido de pintar uma parte de ti, Velho! Dizes mais sandices agora do que quando estavas vivo.

- Não penso isso, menino, na verdade acredito que me retratou muito bem- Snape voltou a olha-lo, Dumbledore sorria e em poucas palavras dissera que era mais sábio que o “grandioso” Snape.

“Velho” era assim que o chamava quando estavam sozinhos e ele não gostava do que ouvia.

“Menino” era assim que lhe respondia Dumbledore.

- Bem, Severo vamos pensar nas razões pelas quais você a odeia: porque ela, junto com os amigos descobriu que você apenas cumpria minhas ordens e que na verdade me restavam apenas poucos meses de vida. Porque ela lhe salvou da morte. Porque ela compartilha de uma das tuas paixões: as poções. Porque ela é inteligente. Porque gostaria que ela te odiasse, mas sabes que ela não pensa assim. Odeia-a porque...- Dumbledore começou apensar profundamente, o que fez com que Snape franzisse as sobrancelhas, implorando que o mago se calasse- porque... porque simplesmente a odeia.

- Deixe de dizer bobagens, Velho.

Snape voltou a caminhar pelo corredor, deixando Dumbledore olha-lo divertido, porém antes de sumir escutou:

- Nunca digo bobagens, menino.

**

 

Escutou que a porta de seu escritório se abria e ele ficou observando de sua poltrona ao lado do fogo, quando uma bela mulher entrou no escritório com um olhar estranho.

 

- Queria falar com o senhor, professor Snape. – Snape olhou-a duramente enquanto a mulher umideceu os lábios com a língua- Eu...Alvo me deu a senha.

 

A mulher aproximou-se dele lentamente sem desviar os olhos.

- Minerva e Alvo me disseram que deveria conversar com você. Que se vamos ser colegas de trabalho...

-Te odeio.- essas eram as únicas palavras que Snape conseguia articular na presença dela.

- Eu sei.

- Te odeio mais do que tudo neste mundo.

- Eu sei.- A moça aproximava-se cada vez mais dele- Porém eu não te odeio, Severo.

“Uma coisa a mais para odiar! A forma dela pronunciar seu primeiro nome. Odiava-a!”

- Alvo disse que do ódio para o amor à distância é somente um passo.

- TE ODEIO... ODEIO-TE! – Snape levantou-se rapidamente da poltrona e agarrou os braços dela com força.- ODEIO-TE POR TERES ENTRADO NO MEU ESCRITÓRIO, TE ODEIO POR SERES QUEM É. TE ODEIO... ODEIO-TE... ODEIO-TE.

Hermione olhou-o sem ter medo da frieza dos olhos dele. Snape aproximava-se do rosto dela furiosamente sem deixar de gritar.

-Odeio-te! Odeio-te! Odeio-te!

Hermione olhou a boca dele, apertada pela crueldade pela frieza, demonstrando a dureza dele, que não deixava de gritar cegamente que a odiava. Aproximou-se seus lábios dos dele. Com suavidade, beijou-o tranqüilamente.

Snape separou-se dela, olhando-a pela primeira com um olhar chocado em sus olhos escuros e vazios.

Ela voltou a se aproximar dele, enquanto Snape retrocedia com o rosto cheio de medo, de choque, perdido. Ele bateu na poltrona e caiu em cima dele, sentado e sem poder continuar escapando dos olhos da moça.

Hermione apoiou suas mãos nos braços da poltrona e aproximou seu rosto do dele. Lentamente, voltou a toca-los com suavidade, produzindo um calafrio no homem que continuava sentado.

- Eu também te odeio, Severo.

Foi só um sussurro, porém foi o suficiente para Snape correspondesse aos primeiros beijos da moça, beijando-a com força e apartando-a em seus braços para evitar uma possível fuga. Seus beijos e caricias eram intercaladas por seus sussurros dele, sussurros cujas palavras não concordavam com a suavidade com que eram pronunciadas. Sussurros que diziam : “Te odeio”, “Odeio-te por tua inteligência”, “odeio teus lábios”, “odeio teu cheiro”, “odeio sonhar”.

**

Um suave raio de luz iluminou seu rosto, despertando-o pouco a pouco. Ao abrir os olhos, percebeu que alguém o observava. Um olhar que odiava, um olhar cor de mel cheio de sentimentos que ele não conhecia.

-Te odeio.

Foi tudo o que pode dizer, pois a odiava com seu coração.

- Porque?

Uma pergunta que ela já fizera antes.

- Seja sincero, por favor.

-Te odeio porque me fazes sentir estranho, incômodo. Odeio-te porque admiro tua inteligência, te odeio porque teu cheiro me produz calafrios. Odeio-te porque teus lábios me perturbam. Odeio-te porque não me deixastes descansar, te odeio porque não deixastes que eu dormisse para sempre, que descansasse para sempre. Odeio-te porque quando penso em ti, sorriu como um idiota. Odeio-te porque te odeio com toda a minha alma.

-Eu te amo.

- Te odeio porque me amas.

Hermione sorriu com tristeza.

- Já foste amado alguma vez? Já cuidaram alguma vez de ti? Já acariciaram teu rosto quando estavas triste? Abraçaram-te? Choraram porque você estava chorando?

-Nunca choro.

- Já choraram porque tu não podias chorar? Já sorriam porque você se sentia feliz? Já mostraram a você, alguma vez o que significa amar?

Snape manteve-se em silêncio.

- Agora me diga tudo o que falastes antes, porém ao invés de ódio, utilize a palavra amor.

Snape olhou-a em pânico.Hermione se aproximou dele, beijando-os nos lábios com amor.

- Eu te ajudarei... Amo-te porque me fazes com que eu me sinta estranho, te amo porque...

Hermione parou e olhou nos olhos dele, que se limitou a engolir em seco.

- Te amo porque admirou sua inteligência, te amo porque teu cheiro faz com que eu tenho calafrios de prazer, te amo porque teus lábios me perturbam, me deixam louco, te amo porque não me abandonastes nem nos piores momentos, te amo porque me fazes rir, te amo com toda a minha alma, como todo meu coração.

- Então, porque dizes que me odeia?

- Porque essa é a primeira vez que uso a palavra amor. Porque antes, ninguém se atrevera a se preocupar comigo, a me abraçar, a chorar por mim quando eu mesmo não consigo, a me querer.

Hermione beijou Snape com amor.

- Eu lhe ensinarei o que tudo isso significa.

Um beijo apaixonado foi a resposta para sua nova professora, e no momento em que ele a abraçou, escutou um sussurro:

- Alvo disse que o do ódio para o amor há somente um passo.

**FIM**





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