Namoradinha de
um amigo meu
Por Sarah Snape
Fic betada por Andy GB.
N/a :Faz um bom tempo que tenho essa idéia na cabeça. É um triângulo inusitado, mas quem sabe vocês gostem: SS+ HG + Igor Karkaroff. A fic é inteiramente narrada pelo Karkaroff.
Era
noite escura. Eu acabara de fechar a porta e os últimos convidados partiam.
Parecia ter sido uma festa animada para todos, menos para mim, o grande e
excepcional anfitrião. Era estranho estar rodeado de pessoas e ao mesmo tempo
se sentir vazio e sozinho. E fora o que acontecera naquela noite. Narcisa fizera
uma decoração estupenda, tenho que reconhecer, embora minhas finanças tenham
sentido um bocado na hora do cheque. Bem, certamente o erro fora meu: pedir a
mulher mais rica do mundo mágico para planejar, decorar e executar uma festa.
Era certo que as finanças sofreriam um baque surdo. De qualquer modo tudo
estava formidável, digno de alguém como eu. E mesmo a festa era para celebrar
minha ressurreição... Não! Por Merlin! Eu não sou Jesus Cristo, nem profeta,
nem nada do gênero. Na verdade, acho que estou mais para Judas Iscariot mesmo.
Até parece que sou cristão ou praticante de alguma religião trouxa, o que não
é nem de longe verdade, mas mostra um aspecto complicado de minha vida: meus avós
maternos são trouxas. É óbvio dizer que meu pai desconhecia este fato e que
foi uma vergonha mortal para os Karkaroff saber que existiam trouxas em sua
arvore genealógica.
De
qualquer forma, o que importa é que ressuscitei. Quando, supostamente Voldemort
teria me matado com um Avada Kedavra bem lançado, na realidade ele apenas me
enfeitiçara. Por sorte, Severo percebera o lance e conseguira roubar o
“pretenso cadáver”. No final da guerra a “luz” venceu, fui tirado do
feitiço e fim... Ressuscitei. A festa era para isso, além de me colocar as
portas da falência, claro.
Estou
amando loucamente
A
namoradinha de um amigo meu
Sei que
estou errado
Pois
é, voltei à vida segundo as palavras de Dumbledore, outro que falsificara sua
própria morte por assim dizer. Severo parecia muito satisfeito com a vitória,
e claro, embora ele seja meu melhor ainda, nunca consegui descobrir direito para
quem ele realmente trabalhava. É complicado admitir, mas talvez ele estivesse
esperando para aparecer em qualquer que fosse o lado vitorioso após esta ter
acontecido. Lembro-me bem como o
Lord o considerava seu melhor seguidor, em detrimento de Lúcio, por exemplo, o
que era uma traição por parte do Lord, afinal Lúcio lhe fora fiel até o fim.
Meu pretenso cadáver foi escondido em Hogwarts, pois o feitiço somente seria
desfeito, caso Voldemort morresse. Desculpe, my Lord, mas azar de alguns, sorte
de outros, he-he.
Acordei
em Hogwarts, recebendo um olhar de censura de Severo. Sinceramente, se estava
ressuscitando do feitiço o que mais ele queria do que eu acordasse aos poucos?
Mas não era somente o rosto taciturno e fechado de Severo que me observava.
Estava junto a ele uma moça, jovem e linda, ao menos na visão deste
semi-moribundo! Lindíssima, parecendo ter saído de um conto de fadas. Seu
rosto parecia familiar, e logo lembrei que aquela era a moça que acompanhara
Vitor no baile há anos atrás em Hogwarts.
Sempre a achei bela, de uma beleza intelectual, diferente, inexplicável. E logo
a pergunta me ocorreu: o que ela fazia com Severo naquela masmorra gelada,
observando minha recuperação? Que eu soubesse ela não tinha nenhum interesse
especial por mim. E infelizmente ela era uma sangue-ruim.
Um dia sem
querer olhei em seu olhar
E disfarcei
até pra ninguém notar.
Não sei
mais o que faço
Lucio
costumava comentar que as pessoas são iguais, mas algumas são mais iguais que
as outras. Talvez ocorra isso com a moça. E o nome surgiu, de repente em minha
mente: Hermione Granger. Era este o nome da moça, e naquele instante, deitado
no chão gelado daquela masmorra eu percebi dois lindos olhos cor de mel me
observando e um sorriso pairar levemente naqueles lábios perfeitos. Tive a
sensação de estar bêbado. Talvez, estivesse despertando num reino mágico
destinado aos traidores. Não seria má idéia, uma vez que alguns suicidas se
matam na expectativa de encontrarem diversas virgens lhes esperando no além. Eu
não fazia questão da virgindade em absoluto, mas não nego que seria
interessante ter alguém me esperando, em algum lugar.
Fechei os olhos tentando absorver, sorver, capturar ao máximo, aquela
imagem, aquele instante... E quando os abri me deparei com uma cena grotesca:
minha deusa estava aos beijos com o Severo - seboso-bastardo-meu melhor-amigo -
Snape. Como aquilo poderia ser verdade? O que uma deusa maravilhosa daquelas,
com aquele olhar, aquele sorriso e alguns atributos bastante visíveis, mas que
só descobri depois, poderia querer com o Snape?
O
mundo mágico estava perdido mesmo. Como ele sempre foi meu amigo (“na saúde,
na doença”; “na alegria e na tristeza”; “na riqueza e na pobreza”), não
perderei tempo em elencar seus defeitos, mas eram numerosos e grandiosos. Minha
pobre Deusa!!!!
Assim se os
dois souberem
Nem mesmo
sei o que eles vão pensar de mim
Eu sei que
vou sofrer, mas tenho que esquecer;
O que é
dos outros não se deve ter
O
que dizer... Parece que um homem como eu acabou caindo na armadilha do amor à
primeira vista! Apaixonei-me perdidamente por ela. Talvez esta fora a
possibilidade de viver uma segunda morte em pouco tempo. Se Severo descobrisse
que eu sentia algo mais por Hermione sim, eu estaria morto, cabeça a prêmio,
duelo e tudo o que desencadearia dali. E minha Deusa sempre se mostrara muito
atenciosa, muito preocupada comigo. Parecia nutrir sentimentos por mim,
obviamente não aqueles que eu queria. Era complicado admitir, mas minha deusa
estava totalmente fora do alcance das minhas mãos e de todo o resto também. O
amor e a razão nem sempre colaboram, e então preferi não sofrer uma sanção
por parte de Severo. Covardia? Talvez, afinal sempre fui conhecido como notório
covarde, àquele que nem para morrer teve coragem. Todos os dias Hermione vinha
me visitar na casa de meus pais, em geral com Severo, às vezes com Vitor (e
soube depois que Vitor não desistira de todo... não era tolo aquele garoto ou
talvez fosse tolo demais!) e pouquíssimas, raríssimas vezes, sozinha. Talvez
ela, de alguma maneira, ela soubesse meus sentimentos e não quisesse complicações.
Minha deusa podia amar Severo, mas certamente não ignorava o caráter, digamos
implacável dele. Alguns dias depois, ela disse que eu estava totalmente
recuperado e por isso não eram mais necessários todos aqueles cuidados. E
mais, sugeriu que eu fizesse uma festa para comemorar a renascença.
–
Quem sabe você convide
solteiras e viúvas para festa, Igor - era a voz gélida de Severo –
Desencalhar seria uma boa pedida!!
Hermione
riu e eu tive que rir também, afinal rir não é o melhor remédio?
Vou
procurar alguém que não tenha ninguém
Pois comigo
aconteceu
Gostar da
namorada de um amigo meu.
Pedi a Narcisa que fizesse a gentileza de organizar a citada festa, afinal, depois da morte de Lúcio ela estava trabalhando com essas coisas. Mas me esqueci de dar-lhe limitações financeira... Pena! A festa estava como naqueles clichês de coluna social: cheia de gente bonita! Comida farta, vinho e música. O que mais poderiam querer? Com o consentimento de Severo (é?), convidei minha Deusa para dançar. Nos mantivemos em silêncio (durante) toda canção. Eu sentia seu perfume, doce e deliciado, tinha consciência de minha mão em suas costas, seus cabelos roçavam levemente meu rosto... Ah, minha Deusa! Minha Deusa Hermione!
Porém no final da música ela apenas falou três palavras. Três palavras que me deixaram desesperado:
–
Eu sou oculmente.
Ela iria contar tudo para Severo. E como fora tão idiota em não imaginar isso. Tinha meus dias contados, caso ela falasse algo. Este era meu pensamento desesperado, enquanto fechava a porta da mansão eliminando o último conviva. Mas talvez ela não falasse nada se eu arranjasse outra pessoa. Severo era meu amigo, e não haveria de acreditar que eu tinha interesses na Deusa se eu aparecesse com outra pessoa... Bem, ele cofiou o cavanhaque: Narcisa era uma bela pedida.
E de qualquer forma, porque não? No mundo dos possíveis, talvez este fosse o melhor dos finais.
***FIM***