Uma descoberta nas Masmorras

Por Natalia GAG

 

Acordou assustada quando uma coruja pousou em seu colo. Olhou para o relógio: quatro da manhã. Quem raios teria mandado aquela carta? Notou a caligrafia fina. Reconheceu-a no ato: era uma carta de Dumbledore.

Querida Hermione,

Sinto pelo adiantado da hora, mas o assunto pede urgência. A srta. poderia comparecer à sala das masmorras o mais rapidamente que conseguir? Receberá instruções assim que chegar.

Grato, Alvo Dumbledore.

O que seria tão urgente para o diretor que o fizesse acordar sua monitora-chefe àquela hora da madrugada? Era esse o pensamento de Hermione enquanto vestia sua capa por cima da camisola que estava usando.

Quando chegou às masmorras, percebeu a movimentação anormal. Quase todos os professores estavam presentes.

- Por fim, Minerva, espero que possa acompanhar Hagrid ao interior da floresta proibida para procurarem algum resquício de magia negra. Estão todos dispensados, menos você, Severo. - disse o diretor - Anh! Vejo que sua ajudante já chegou também! Bom dia, Hermione.

- Bom dia, Professores. - ao que Snape respondeu apenas com um contrair de lábios. - gostaria de saber porque fui chamada, cheguei o mais rápido que pude.

- Claro, claro. Bom, minha cara, sendo você a aluna mais avançada em poções que está presente em Hogwarts, hoje irá ajudar o Prof. Snape em uma missão.

- Ficarei honrada, professor! Mas não posso ser a melhor aluna, afinal eu ainda estou no sexto ano... Os alunos do sétimo devem ser melhores preparadores de poções do que eu... - disse Hermione corando.

- Mas não é o que diz seu professor, minha cara... - Hermione lançou um olhar interrogativo para Snape, desde quando ele a elogiaria? - Você está disposta?

- Claro - disse ela recuperando-se do choque.

- Severo explicará a você o que terá de fazer. Todos os outros professores estão em missão externa no momento para a Ordem de Fênix, inclusive eu... - disse ele, piscando um olho e saindo apressado pela porta.

- Professor...? - disse Hermione, virando-se para Snape.

- Quieta, srta. Granger. Preciso de toda a sua atenção. Vamos preparar uma poção de proteção natural. Como você deve saber - disse ele, vendo o olhar de censura da menina - essa poção serve para que quem a tome use as forças da natureza como uma barreira de proteção e, antes que a srta. pergunte, eu não acredito nela, mas Dumbledore acredita, então...

Hermione apenas sorriu quando Snape fez uma cara de que “não há como discutir quando esse homem enfia uma idéia na cabeça...”

- Para isso, temos que utilizar os quatro elementos mágicos da natureza: o fogo, a terra, o ar e a água. Além deles, é necessário a força masculina e feminina, e é aqui que mora uma das suas contribuições, Granger. Você precisará doar sete gotas de sangue para a poção.

- Certo, professor. Pela Ordem de Fênix eu estou disposta a ceder um pouco da minha energia.

- Não, Srta. Granger... Como eu achei que saberia - Snape disse fazendo uma cara de desapontamento irônica - quando você doa sete gotas de sangue, faz uma doação não só de energia, mas também de lucidez e determinação para aquele que beber a poção. Por tanto, durante algumas horas, você agirá normalmente, porém não consiguirá impedir certas ações que a sua determinação a impediam de realizar.

Ela aquiesceu com um movimento da cabeça.

O líquido verde do caldeirão já estava borbulhando quando ambos furaram os dedos e depositaram nele, juntos, as sete gotas de sangue. A determinação e a lucidez de ambos agora protegeriam quem bebesse daquele líquido que tornou-se momentaneamente vermelho antes de assumir uma transparência cristalina. Já eram duas da tarde quando isso aconteceu.

- Professor Snape? Eu poderia subir ao salão principal para almoçar? Acordei muito cedo e ainda não tive oportunidade de comer nada...

- O horário de almoço já passou, srta... - disse Snape consultando o relógio - mas eu posso pedir ao elfo doméstico que traga algo para comermos aqui mesmo nas masmorras, ou você não tem curiosidade em saber se a nossa poção realmente funciona?

- Posso mesmo ficar? - disse Hermione, mal contendo um sorriso.

- Claro, mas não pergunte novamente antes que eu mude de idéia, Granger.

Estavam sentados em duas poltronas que o professor fizera aparecer ao lado da mesinha de vidro. Incrível como os elfos de Hogwarts não entendiam o que seria um “lanchinho leve”, pensou Hermione, rindo.

Quando levantou seu braço para se servir de mais um pouco de suco de abóbora, sua capa escorregou para o lado, deixando à mostra sua camisola (longa, de seda preta, presente de sua prima no último natal. “Você irá precisar disso quando aquele garoto finalmente perceber que estão apaixonados!”).

- Não sabia que grifinórias usavam camisolas assim. - Snape disse com uma expressão curiosa.

- Nem todas usam, professor...

Hermione sempre sentiu uma leve atração por Snape. Aqueles cabelos pretos, os olhos profundos e negros que demonstravam conhecimentos tão almejados pela aluna. Mas ela nunca demonstraria esse desejo se não estivesse com sua determinação afetada pela perda de energia que a preparação daquela poção causara. Afinal, era errado interessar-se por um professor. Ele tinha idade para ser seu pai! Bom, mas não era, ela pensou, maliciosamente... Já que não estava em seu juízo perfeito, aproveitou a situação para brincar um pouco. Levantou-se, tirou a capa e deu uma voltinha.

- Bonita, não? Foi presente da minha prima. Não tive tempo de trocar, já que Dumbledore pediu que eu viesse o mais rápido possível.

Snape estava boquiaberto. Como ela poderia pensar que iria seduzi-lo? Não que não estivesse bonita, ela estava. Porém ele era anos mais velho, muito mais experiente e não iria cair assim, num joguinho tão fácil. Poderia ser apenas efeito da poção, lembrou. Mas decidiu que não importava o motivo. Riu-se internamente, iria entrar nessa brincadeira... Faria com que ela experimentasse do mesmo veneno...

- Perfeita, Hermione. - Deixando com que ela ficasse em dúvida sobre o que ele achava perfeito. Ela ou sua camisola.

Ela sorriu, ele chamara-a de Hermione!

Snape segurou-a pela cintura, pressionando as costas delicadas dela contra seu corpo. Tirou seu cabelo para o lado e encostou seus lábios no pescoço alvo da menina. Ela estremeceu.

- Pensou que eu não saberia o que estava fazendo, não é? Agora, minha cara, terá que suportar as conseqüências...

- Professor, desculpe... Não queria ofender... Jamais tive a intenção... - mas ele não a deixou terminar a frase, colocando a mão sobre sua boca, impedindo-a de gritar.

Pela primeira vez naquele dia ela sentiu medo. Porém, sentiu também seu corpo arder pela proximidade daqueles lábios frios. Ele mordeu seu pescoço. No início doeu, mas, depois, a dor foi substituída por uma sensação de desejo tão intensa que ela já não tinha mais como fugir, mesmo se quisesse.

Ele a virou de frente. Hermione viu sua boca levemente suja de sangue, os caninos maiores que o normal. Snape era um vampiro! Como não percebera antes? Ele morava nas masmorras, nunca saia ao sol nos finais de semana... Estava assustada e ele apenas deu uma risadinha debochada.

- Não creio... Minha mais promissora aluna ainda não sabia?

Ela virou e começou a correr em direção à porta.

- Não! - Snape disse, a porta fechando com um leve aceno de sua mão. - Agora, querida Hermione, você já é em parte minha... E, devo admitir... Fazia anos que não experimentava sangue... Dumbledore mantém as rédeas curtas sobre mim... E o seu, hum, é delicioso...

Sem atender às suplicas da menina, ele foi chegando cada vez mais perto. Ela parecia estar presa ao chão, simplesmente não conseguia se mover. Até que a boca dele encostou no ouvido dela:

- Não se preocupe. Eu não irei te machucar... A não ser que você queira.

Não conseguia separar-se da figura do professor. Antes que percebesse, já estava dando uma “aula” sobre vampiros, voltando a falar num tom técnico, quase frio:

- Ao contrário da mordida de um lobisomem, que contamina a vítima logo na primeira vez, a mordida de um vampiro não torna sua vítima um dos seus. O que é muito útil, pois existem muitos poderes envolvidos... - Snape voltou a voz ao tom aveludado que estava usando antes. - Para que se torne uma vampira, cara Hermione, é preciso que beba do meu sangue. E eu não a irei obrigar...

Ela pensou nas possibilidades. Poderia ser imortal. Poderia ter quem quisesse aos seus pés. E aquele homem estava oferecendo a ela tudo isso! Desejou-o mais do que nunca. O sentimento deve ter transparecido no seu olhar, pois, no mesmo instante, ele a abraçou, levando-a a um cômodo que ficava escondido por uma tapeçaria antiga de um homem envolto pela serpente prateada da Sonserina.

O quarto era muito escuro e Hermione queria enxergar tudo o que estava para acontecer, curiosa como sempre fora. Com um aceno de varinha, conjurou dezenas de velas. Ele olhou-a admirado:

- Você sabe conjurar velas sem pronunciar nenhum feitiço? Quantos anos você tem?

- 16. Consigo desde os 14. Feitiços não-verbais nunca foram grande problema... É só concentração. - ela disse com um sorrisinho satisfeito.

- É tão brilhante! Eu achava que era apenas técnica, mas seu poder mágico também é muito forte...

- Não sou tão brilhante quanto você, Snape... Mas se me ajudar, poderei ser. Em tudo...! - ela falou, soltando a capa dele e o admirando com um ar perverso.

- Anh... Sua sonserinazinha... Pode me chamar de Severus.

- O chapéu seletor realmente pensou em me colocar na sua casa, Severus. - tremeu ao pronunciar o nome dele, soava como um gemido: Sssseverussss. - Disse que eu tinha uma ambição enorme de reconhecimento...

- Hum, acho que não há nada errado em querer que reconheçam seu trabalho. - ele disse, ajudando-a a abrir sua camisa e sorrindo.

Os dois estavam deitados nus sobre a cama. Mais duas marcas de caninos insistiam em aparecer no seio direito de Mione.

- Já decidiu?

Olhou-a profundamente, como se conseguisse captar sua alma com seus olhos negros. Ela sorriu. Não aquele sorriso doce que costumava dar para seus amigos. Um mais profundo, que valia por muitas palavras.

Quando voltou à sala comunal da Grifinória, muitas horas mais tarde, Harry e Rony estavam esperando. O ruivo perguntou o que andara fazendo.

- Uma poção com o professor Snape. Um favor pra Ordem de Fênix.

- Passou com Snape todo esse tempo e está assim, tão radiante? - disse Harry, sem entender.

Mas radiante não era bem a palavra, como eles mesmo haviam percebido. Ela estava bela, no sentido mais intrínseco da palavra. Seus cachos estavam arrumados, como se o vento não pudesse despenteá-los. O cabelo parecia estar mais escuro, quase preto. Quando a luz batia em seus olhos, eles refletiam uma certa tonalidade esverdeada. E a camisola negra contrastava radicalmente com sua pele, que parecia mais alva do que nunca.

Ela apenas sorriu. Mas nunca, nunca mais, aquele sorriso inocente.





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