Na festa de noivado
(titulo provisório)
por Andygbw
Sinopse da fanfic: Resposta
ao desafio de 3 anos do site SnapeMione, onde SS/HG têm relacionamento que dura
3 anos; estão festejando o noivado durante a virada do ano, mas estão de mal
um com o outro por causa de um antigo namoro de Snape... contudo, muita coisa
está por acontecer.
Nota do autor: Gostaria que este pequeno texto se tornasse uma grande fic... mas não sei se consigo encarar tanto desafio! He, he, he!
Na festa de noivado
(titulo provisório)
Três
anos poderiam ser uma eternidade para um condenado à morte se lhe fosse dada a
liberdade até a data de sua execução; seria um longo e penoso período para
um pai e marido que estivesse enfrentando a solidão de lutar em alguma guerra!
Contudo, aqueles últimos três anos tinham passado muito rápido agora que
Hermione relembrava tudo o que vivera. Uma notícia inesperada misturada às más
lembranças sobre seu relacionamento com o homem que estava prestes a declarar,
em alto e bom tom, seu noivado a preenchiam de raiva e ciúme bloqueando
todos os bons momentos e sentimentos vividos e levando–a a pender para o
desencanto. Tamanha era a confusão em sua mente que Hermione esquecia o quanto
fora feliz até poucas semanas atrás; esquecia o quanto se surpreendera com
tudo o que lhe acontecera.
“Senhorita Granger, quer ajudar a
melhorar minha vida daqui para frente?” Quanta idiotice ter pensado que aquela
frase fora dita com o coração! Em contrapartida, a frase que se seguiu ainda
teimava em lhe lembrar através de seus olhos brilhando e seu coração batendo
em descompasso que amava aquele homem: “Amo você, Hermione?”.
Era cedo da manhã, véspera de feriado.
Londres estava mais agitada do que de costume, todos se apressavam o máximo
possível para chegarem a seus destinos. Aquela seria a mais comemorada virada
de ano de todos os tempos e os preparativos ainda não tinham terminado para
Hermione, que dava os últimos retoques de organização em sua festa de
noivado, marcada há meses atrás – e que coincidiria com o revellion. Na
verdade, ela apenas checava os tópicos, pois o único item que estava faltando
para aquela grande noite era a lingerie que usaria, e por mais furiosa que
estivesse, por mais decepcionada, ainda assim não conseguira deixar de comprar
a desejada peça de roupa.
A
pequena casa terracota cingida por prédios em uma rua estreita completamente
iluminada chamava a atenção tantos dos bruxos que nela entravam quanto dos
trouxas que inocentemente passavam por sua calçada. O clima dentro da casa era
festivo; convidados riam e conversavam em alto tom, um tentando se sobressair
mais que o outro, estavam sendo fúteis, queriam se mostrar fúteis e felizes
naquela noite – era a única noite do ano em que podiam não pensar em nada
mais a não ser em se divertir –, e muitos conseguiam, exceto Hermione. Ela
observava a sala de lado a lado esperando ver o homem denominado seu futuro
noivo, porém, havia muitas pessoas e sua preocupação maior era o temor de não
possuir copos e taças suficientes para todos os convidados. Dirigiu–se à
cozinha sem demora para verificar como andava tudo por lá.
– E onde está a futura noiva? – era
a voz inconfundível de Lúcio Malfoy.
– Entretida com...
– Afazeres trouxas? Ora, Snape, –
disse Lúcio cortando–o – uma bruxa não se preocupa com essas coisas!
– Humfr! – foi o que respondeu
apenas, fazendo Lúcio pensar que estava certo. E mesmo não querendo admitir, o
que Lúcio dissera era o que Snape desejava: a noiva colocada no papel de noiva
e permanecendo ao seu lado durante a festa. E o que menos tinha, naquele
momento, era ânimo para discutir as birras e excentricidades de Hermione.
Desejar aquilo era um sonho distante e não uma realidade porque Hermione e ele
haviam se desentendido há pouco mais de uma semana por, o que ele considerava,
um absurdo, porém, Hermione ficara tão furiosa que o ofendera e, como se bem
conhecia, Snape não era a pessoa mais paciente do mundo.
A cozinha estava apinhada: elfos, serviçais,
garçons, muita comida, bebida... uma imensa bagunça.
– Vamos, pessoal! Tem uma porção de
convidados de mãos vazias! – alertava Hermione
ajeitando os aperitivos nas bandejas.
– Senhora, vá para a festa. Dobby
cuida de tudo aqui – gaguejou o elfo. Hermione parou o que estava fazendo
quando percebeu que todos na cozinha a observavam com espanto e receio. Baixou
os olhos e saiu pela porta dos fundos, que levava ao lavabo e a varanda dos
fundos.
– Achei que a festa fosse lá dentro
– disse uma voz grossa.
Hermione não se moveu, continuou olhando
para o nada, para a escuridão, sabia que ali adiante havia um lindo bosque.
– Não vai dar o ar da graça na
“sua” festa? – insinuou a voz. Houve silêncio. Então um latido, um miado
alto – Vou ter que arrumar outra noiva essa noite?
Hermione saiu batendo os pés seguindo na
direção da sala. “Cínico!” era o que ela pensava enquanto soltava um
falso, mas bem convincente sorriso ao cumprimentar os convidados. Todos eram
conhecidos, principalmente de Hogwarts, que lhe traziam alegres lembranças, mas
estas rapidamente lhe eram apagadas pela presença de outros conhecidos, muito
menos queridos, ou melhor, nada queridos e sim indesejados: os convidados que
faziam parte da lista do noivo. E a detestável família Malfoy, que Hermione
pensara ser a pior presença na festa, subira para a posição de “quase
queridos” em frente a quem aparecera na casa naquele momento: o motivo de toda
discussão do casal, Elydorea B. Rosier. Hermione quase perdeu as estribeiras
porque tinha a certeza de que o nome daquela mulher jamais fora cogitado a ser
escrito na lista de convidados, no entanto, Rufo Scrimgeour era um convidado de
valor e quem quer que fosse sua acompanhante – aqui, no caso, Elydorea –,
seria bem–vinda. Enlouquecidos, os olhos de Hermione procuraram Snape, logo
que Elydorea a cumprimentara. “O que essa... mulher está fazendo aqui?”
perguntava–se Hermione tremendo, ainda olhando em volta à procura do futuro
noivo, mas seguindo de perto os passos da intrusa, certificando–se de que ela
não encontrasse Snape antes. Assim que perdeu a mulher de vista, um temor
incontrolável arrebatou seu coração, entretanto, da tormenta devastadora se
fez calmaria: ali ao seu lado, com a mão em seu ombro, estava Snape indicando a
lareira, que era o local combinado onde ele faria o pequeno discurso antes da
meia–noite chegar.
Caminharam de braços dados por entre os
presentes, mas nada conversaram até chegarem perto o ponto marcado. Ninguém
prestava atenção neles, ainda faltavam trinta e cinco minutos para a virada de
ano, todos se entretiam. Hermione olhou para cima, para o rosto de Snape e
encarou negros olhos mirando–a. A mente dela não parava de trabalhar, pensava
em Elydorea, a perfeição em vida, uma verdadeira bruxa: alta, cabelos longos,
negros e escorridos, a pela branquíssima, tinha um ar imponente, o olhar ameaçador,
mas um sorriso que poderia arrebatar a muitos. E Elydorea tinha uma vantagem,
uma grande vantagem: conhecera Snape antes de todo o mal ocorrido a ele, haviam
sido grandes amigos e, imaginava, muito mais, mas dali para diante Hermione só
poderia supor, já que seu futuro noivo não lhe contara nada além do que ela
havia visto no dia em que Elydorea aparecera para falar com Snape, com um jovem
homem a tiracolo.
– Preparada? – perguntou Snape
pedindo a mão de Hermione.
– Eu estou, mas... e você está? –
alfinetou ela.
Ele ergueu uma das sobrancelhas e
pigarreou. Hermione, porém, não deixou que ele respondesse.
– Seu desejo se tornou realidade.
– É. Está se tornando – respondeu
ele sabendo que Hermione iria tocar no assunto de Elydorea.
Ela deu uma risada breve cheia de ironia.
– A mulher dos seus sonhos está nesta
festa, na hora certa... no momento em que você vai se comprometer... comigo!
Você não maquinou isso, maquinou? Desprezar a sangue–ruim em frente a
todos...
– Cale–se, Hermione – repreendeu-a.
– Ela é uma noiva a sua altura.
– Por que está fazendo isso? –
perguntou ele sorrindo ao olhar em volta – Aonde quer chegar?
– Não é exatamente o que você quer?
Uma noiva a sua altura? – rebateu ela quase à velocidade da luz, não
esperando que o arrependimento viesse a galope.
– Não seria nada difícil, apesar dela
estar com Scrimgeour, que com toda certeza é um partido muito melhor.
Hermione sentiu o ciúme a dominar por
completo. Mas que resposta esperava? Ele era capaz de repetir carinhosamente o
quando a amava inúmeras vezes, porém, aquela insegurança o tinha deixado
irritado, e ele jamais suplicaria se descobrisse que Hermione o estava testando.
– Está pronta?
– Pare com isso! – respondeu ela
baixinho – Eu... eu...
– Você está indecisa? Não quer dar
esse passo? – perguntou ele num tom de voz áspero.
– Isso é você que não quer! –
rosnou ela – Por que não vai logo lá falar com essa... zinha?
– Hermione, isso é passado, não vou
repetir outra vez!
Hermione emudeceu. Uma explosão de
sentimentos a invadiram. Estava confusa, queria noivar com Snape, mas ao mesmo
tempo não, sentia que ele tramara aquilo tudo para fazer ciúme à Elydorea,
por outro lado, ele não a via por décadas... “É a palavra dele.” pensou
Hermione “Mas nunca vou saber o que ele sabe, o que ele pensa...” Tinha
vontade de acabar com tudo: a festa, o namoro... queria estrangular a mulher e
mais, afogar Snape em todo o uísque que havia na festa. Ainda respirando forte,
mas mentalmente contando até dez, foi se acalmando. Não queria pensar, mas a
sensação de que Snape estava alfinetando–a de propósito, provocando–a,
como que tentando ver até onde ela chegaria... até onde ela teria coragem de
ir não passava, até que começou a relembrar mais uma vez dos últimos três
anos. Então, chacoalhou os pensamentos e o encarou.
– Se você estiver pronto, também
estarei.
Ele sorriu maravilhosamente. As pernas de
Hermione bambearam.
– Atenção! – chamou Snape dando
batidinhas com um garfo na taça de cristal, em seguida pigarreou e voltou–se
para Hermione – Bem, hoje é um dia especial, primeiro porque estamos à beira
de um novo ano e com novas esperanças. E em segundo porque os convidei aqui
para comunicar oficialmente meu noivado com a senhorita Hermione Granger.
Palmas e urras invadiram a sala.
– Mas há outro motivo também que me
fez organizar essa festa – disse baixando os olhos. Hermione franziu a testa,
gelou – Estou cansado de viver sozinho e agora que encontrei alguém com quem
posso compartilhar tudo... apesar de que, às vezes isso não a deixa muito
feliz... – brincou Snape fazendo os convidados rirem – quero que ela fique
comigo para sempre!
Hermione arregalou os olhos.
– Hermione, – disse Snape sorrindo e
estendendo na direção dela uma caixinha vermelha aveludada – quer casar
comigo?
– É claro que eu quero. – respondeu
sem demora tirando o anel de diamante da caixinha e colocando em seu dedo.
Não se beijaram. Ela sabia que Snape não
era chegado em mostras de carinho em frente às pessoas. Ele apenas tocou o
rosto dela levemente e a viu sorrir como nunca.
– Tenho apenas mais uma coisa a dizer,
– continuou ele ainda olhando para Hermione – tenho uma lembrança que quero
dar a você, Hermione.
Ele bateu palmas e duas grandes cortinas
caíram no chão. Aonde os convidados pensaram existir uma janela, havia uma
grande tapeçaria marrom, onde se viam pequenos bordados dourados na parte
superior. Era uma árvore genealógica que começava a partir dos pais de
Hermione e de Snape, contendo apenas seis nomes. Hermione abraçou o noivo,
agora futuro marido, e depois se afastou puxando sua varinha. Ergueu–a no ar e
apontou na direção da tapeçaria.
– Severo, agora eu vou lhe dar o
presente de noivado – disse Hermione depois de balbuciar algumas palavras e
balançar a varinha.
Na tapeçaria, logo abaixo dos nomes de
Severo Snape e Hermione Granger ligado por três linha unidas, surgiu outro
nome: Severo Snape II.