A magia do amor

por Aline Snape

Pares: SS/HG

Censura:  Livre 

Gênero:  Romance.

Spoilers: Até o 6°livro.

Avisos : Contém açúcar

Desafio: Aniversário de três anos

Resumo: Durante os três anos de casada, Hermione insistia para que seu marido reaparecesse para o mundo bruxo, saísse de seu esconderijo e que voltasse a viver como um bruxo digno. As brigas do casal se agravam com uma visita inesperada e somente a magia do amor seria capaz de reconcilia-los.

Agradecimentos: À Sarah Snape que criou o desafio, agradeço as amigas Elecktra e Sheyla que não querem que eu me aposente das fics; a Tia JKR que criou este mundo mágico e, ao gostoso mestre de poções que nos faz sair de órbita!

Disclaimer: Todos os personagens presentes na fic fazem parte do mundo de Harry Potter, criados por JKR.

 

A magia do amor

 

      Seis anos se passaram desde a morte do diretor. Neste tempo tantas coisas aconteceram que Hermione jamais imaginaria que sua vida seguiria este rumo. Agora estava em seu quarto, com o atestado médico em cima da mesinha. Repouso era uma palavra que ela desconhecia o verdadeiro significado. Enquanto olhava pela janela pensava se devia mesmo ficar em casa ou se ignorava o mal estar e voltava para seu trabalho. Aquela manhã fria, chuvosa, com raios e trovões, ajudou na decisão e resolveu passar o dia em casa. Afinal os funcionários dariam conta da clientela, pois certamente o tempo não iria colaborar para que tantas pessoas assim circulassem pela cidade. O seu boticário fazia grande sucesso naquele bairro de Londres; alguns clientes vinham de longe para comprar as mais diversas poções. Saiam satisfeitos e recomendavam para outras pessoas,  por isso Hermione estava decidida a ampliar as instalações.

      Precisava pensar em seu futuro, esquecer o fantasma do passado e viver melhor o presente, pois agora existia um motivo a mais para isso, mas sabia o quanto difícil seria. Seu marido insistia em viver escondido da sociedade, acordava bem cedo e mal tomava o café da manhã, já aparatava em seu laboratório de poções, de onde retornava somente ao anoitecer. Este era um dos motivos das brigas freqüentes.

     Faltava muito pouco para sentir-se realmente feliz. Queria que ele participasse mais do boticário, não só do laboratório, queria que ele participasse mais de sua vida, passear de mãos dadas, conhecer lugares novos, mas sabia que o mundo trouxa nunca o atraiu e Severo Snape jurou que não voltaria mais para o mundo mágico,  não depois de tudo que aconteceu.

  Quando se casou com o mestre de poções, Hermione já conhecia muito bem o gênio difícil do marido, pois durante seis anos foi sua aluna.   Casou-se por amor, por mais paradoxo que fosse aquela união. Sempre o admirou como professor e tinha certeza absoluta que ele era um homem bom. Quando estava no quinto ano, viu-se perdidamente apaixonada por ele. Sentia seu coração acelerar todas as vezes que se dirigia a masmorra. Procurava não responder as perguntas e não questionar nada para não irritá-lo, mas parecia que sua simples presença em sala de aula era o suficiente para ele descarregar tanto mau humor. Seus gritos e sarcasmos deixavam-na profundamente magoada. Esforçava-se para não chorar na frente dele e durante a noite sentia-se tão abalada emocionalmente que era comum sufocar as lágrimas no travesseiro.

      Sentou-se na cama e enquanto olhava sua foto vestida de noiva, no porta retrato,  lembrou daquele dia que o diretor de Hogwart foi assassinado. Sua vida também parecia ter terminado naquele momento quando soube quem foi o autor do crime.  Tudo em sua volta começou a girar e se Harry não tivesse amparado-a em seus braços,  cairia desmaiada no chão. Como era difícil tentar esconder aquele choque, seus amigos jamais compreenderiam seus sentimentos por um ex comensal da morte. Seu subconsciente dizia que ele era inocente, que a história que Harry contou não podia ser verdade; afinal Alvo Dumbledore sempre confiou nele, confiou os alunos, confiou a escola. E ela... ela o amava! Ele não poderia mais ser espião de Valdemort, não era mais comensal, nem senhor das trevas... Ele fazia parte da ordem da fênix, era leal com o diretor... Era um professor exigente sim, mas um excelente mestre de poções.  Não, não queria e não podia aceitar.

      No dia seguinte, depois do funeral, sentia-se mais desnorteada que os demais alunos subindo no trem rumo a seus lares. Hogwart ficaria fechada até o próximo ano, mesmo assim seus amigos não voltariam mais. Ela também não voltaria, estava decidida a ajudar Harry a encontrar os horcruxes, por mais perigoso que fosse; estava decidida a lutar contra Valdemort, mesmo que lhe custasse a vida. Não se importaria se morresse na luta, pois sua vida não tinha mais sentido. Uma lágrima caiu de seu rosto quando pensou em seus pais. Era filha única, não saberia mais viver ao lado deles, não depois de  ter vivido em Hogwart, depois de ter conhecido o mestre de poções e se apaixonado por ele, um assassino.

     Durante a viagem Harry e Rony faziam seus planos. Primeiro iriam ao casamento de Gui e depois viajariam em busca de outras horcruxes. Hermione pediu que lhe enviassem uma coruja avisando quando partiriam para esta aventura, pois queria muito ir junto para ajudar.

   Sentia seu castelo de sonhos desabando; no fundo do seu ser, alimentava uma fantasia de algum dia se casar com seu amado professor. Agora, depois de tudo que aconteceu, sua última esperança foi enterrada junto com o diretor. Despediram-se na estação de trem. Rony e Harry seguiram com senhor Artur para a toca. Hermione caminhou apressada para atravessar a rua e pegar um táxi. Mas a sinaleira abriu e os últimos táxis do ponto já partiam com passageiros. Não chegou a colocar suas malas no chão quando sentiu alguém enlaçando-a pela cintura, ao mesmo tempo que um lenço foi apertado contra seu nariz, entorpecendo-a. Sentiu seu corpo amolecer e a visão embaralhar. Em seguida seu corpo foi aparatado junto com a pessoa que lhe segurava forte. 

 

PARTE II

 

      Ao passar o efeito da droga, abriu os olhos e não viu nada. Estava deitada num sofá antigo, num local totalmente escuro. Custou a ver o contorno dos móveis e a porta. Apalpou sua capa, mas não encontrou sua varinha. Levantou-se e foi até a porta. Nenhum feitiço que conhecia a fez abrir. Neste momento ele se aproximou por trás dela e com um sorriso sarcástico lhe disse que seria impossível tentar fugir. Ela o reconheceu logo, suas pernas tremeram.

- Mate-me logo, não quero ser torturada... Por favor, professor...

Sua frase não pôde ser concluída pois Severo Snape a fez calar tapando sua boca com as mãos.

- Calada! Sou eu que decido as coisas... Raptei você porque sei que  seus amiguinhos desmiolados precisam de muito mais tempo para ser convencidos... Tempo é algo que não temos. Venha, sente-se aqui pois temos muito que conversar.

      Hermione lembrava perfeitamente das palavras que ele usou. Sempre a fitando nos olhos, parecia que conseguia ver seus mais íntimos segredos.

      Quando Severo Snape contou a sua versão, o porquê de ter assassinado o diretor,  uma luz de esperança começou a brilhar no coração de Hermione. Mesmo assim continuava trêmula ao lado dele. Sabia perfeitamente que não era de medo. Severo Snape era mestre também em oclumência e a idéia dele ler seus pensamentos a deixava frágil. Odiava aquela sensação de fraqueza, mas tinha que admitir que diante dele, ela era uma presa fácil.

     Alvo Dumbledore havia tomado um líquido esverdeado para conseguir pegar a horcrux, que lamentavelmente era falsa e que lhe custou a vida. Severo lhe revelou que a horcrux verdadeira estava com ele, e que foi ele mesmo que colocou a falsa no lugar, assim como o veneno na água. Aquele líquido ingerido pelo diretor o levaria a morte em poucas horas. Aproveitou a ocasião para matá-lo por dois motivos: primeiro porque não existe antídoto para o veneno que utilizou; as dores que Alvo sentiria seriam cruéis e ele lhe poupou o sofrimento. Segundo porque agindo desta forma, ele continuaria sendo “fiel” ao Lord Valdemort. Este ato lhe rendeu respeito e admiração pelo lado das trevas, mas na verdade ele continuava fiel a Dumbledore.

      Severo fugiu de Hogwart e foi se esconder naquele casebre. Sabia que depois do funeral todos os alunos iriam para suas casas. Não foi difícil concluir que Hermione passaria naquela rua próxima a estação.

      De todas as revelações, a que deixou Hermione mais impressionada foi que Severo estava disposto a ajudar Harry a matar o Lord valdemort, uma vez que as outras horcruxes  já estavam seguramente guardadas com ele.

-         Professor... por que não contou ao diretor que as horcruxes já estavam com o senhor?

-         Porque ainda faltava uma, a que estava escondida no castelo. Só consegui achá-la ontem. Severo fez uma longa pausa e continuou.

 

-         Hermione, eu lamento a morte de Alvo tanto quanto você. Ele mais do que ninguém queria paz no mundo mágico e estou disposto a morrer para acabar de vez com o Valdemort.

 

      Hermione suspirou baixinho ao ouvir este comentário. Apesar da escuridão do ambiente, ela percebia um brilho diferente nos olhos do professor. Percebia a dor estampada em seu rosto e as palavras eram proferidas com certo pesar. Hermione não se conteve e levantou-se da poltrona. Foi sentar-se junto ao mestre e o abraçou. Ele a princípio quis recusar aquela manifestação de afeto, mas percebendo o quanto era bom sentir aquele carinho, aceitou e retribuiu o abraço. 

      Juntos fizeram alguns planos. Ficariam escondidos naquele casebre por algum tempo, até que lentamente o mundo mágico esquecesse o ocorrido. Até que Harry e Rony se convencessem que Severo estava disposto a ajudar a derrotar Valdemort.

     À medida que os dias passavam, Hermione e Severo demonstravam menos hostilidade na convivência.  Severo ocupava seu tempo com alguns experimentos de plantas trouxas. Hermione aproveitava para ler a coleção de livros dele.

      Certa noite, Hermione já cansada de tomar a sopa de ervas, resolveu preparar o jantar. Pediu permissão para comprar alguns ingredientes num mercado próximo. Ele relutou um pouco e acabou concordando. Ela prometeu que voltaria, afinal conviver com ele era extremamente gratificante. Nunca aprendera tanto sobre plantas trouxas como naqueles últimos dias. Hermione estava fascinada com os conhecimentos dele.

      Severo interrompeu suas anotações para vê-la preparar o jantar. Minutos depois ele já estava envolvido nas tarefas de lavar e cortar as verduras e legumes. O aroma era fabuloso e Severo foi até o porão da casa escolher o melhor vinho tinto que guardava. Hermione lhe alcançou um saca rolhas e Severo ficou olhando. Ela foi mostrar como se usava, mas ele continuava segurando a garrafa. A mão dela envolveu-se na dele e aquele constrangimento fez ambos corarem. Jantaram em silêncio. De vez em quando seus olhares se encontravam e ela sorriu timidamente. Estar a sós com ele durante aqueles dias lhe deu absoluta certeza de que alguma coisa acontecia no coração petrificado do professor.

     Ao terminar o jantar, ambos foram sentar-se no sofá com suas taças de vinho. Conversavam sobre suas vidas em Hogwart. Depois de terminarem a segunda garrafa, Severo a abraçou e a beijou. Mesmo que fosse somente o efeito da bebida, Hermione estava disposta a aproveitar aquele momento mágico. Correspondeu aquele beijo longo e terno. O segundo beijo foi mais audacioso e aos poucos as carícias tornavam-se mais ousadas. Severo percebendo que estava perdendo a razão, afastou-a delicadamente. Era sua aluna, ainda muito jovem, tinha que se controlar. Severo resmungou algo tipo “não passo de um assassino” e retirou-se para seu quarto.  

 

      Na semana seguinte, Hermione recebeu uma coruja de Harry convidando-a a ajudar na busca das horcruxes. Hermione respondeu dizendo que as horcruxes estavam com ela e que era para eles se encontrarem no casebre o mais rápido possível.

     Severo ficou no quarto enquanto Hermione recebia seus amigos na sala. Durante toda aquela tarde ela procurou convencê-los da inocência de Severo. Eles só foram acreditar  quando o professor entrou na sala carregando uma imensa caixa de madeira. Ao abrir, eles viram que todas horcruxes estavam ali. Passaram a noite acordados revendo os planos para derrotar o Lord das Trevas.

      Alguns meses depois travou-se a batalha e infelizmente Rony foi atingido para proteger Hermione.

      Severo lutou bravamente contra os comensais da morte,  mesmo ensangüentado ao chão e contorcendo-se de dor, conseguiu atingir Valdemort com o feitiço “petricullus totalis” para permitir que Harry o matasse e assim a profecia se concretizasse.  Valdemort e Rony jaziam para sempre no salão da mansão Malfoy. Os comensais fugiram na escuridão da noite.

      Harry desorientado, sem o amigo, decidiu ir para a escola de magia e bruxaria de Durmstrang. Voltaria a estudar e estava determinado a tornar-se um auror. Hermione voltou para o casebre com o professor Snape. Ele necessitou de cuidados intensos, pois os ferimentos eram gravíssimos. Aqueles dias foram um verdadeiro pesadelo para ela. Obrigou-se a usar a poção “sono sem sonho” para que ele ficasse em repouso. Testou diversas poções até conseguir baixar a febre. Numa noite, quando Severo delirava de febre, ela ouviu perfeitamente ele a chamando pelo seu primeiro nome. Aquela manifestação de carinho foi o suficiente para aproximar ainda mais os dois.

      No ano seguinte, Hermione então realizou seu sonho, casando-se com o mestre. Foi uma cerimônia simples, onde estavam presentes seus pais, a família weasley, a professora Minerva, Hagrid, Harry  e alguns professores de Hogwart.

      O primeiro ano de casada foi maravilhoso, Severo demonstrou ser muito carinhoso e dedicado aos negócios. Mas aos poucos, Severo foi se fechando em seu mundo e as brigas eram inevitáveis.

      Quando Harry Potter recebeu o título de auror, decidiu se casar com Gina. Fez uma visita surpresa a Hermione, para levar o convite. Desde seu casamento que eles não se viam. Hermione raramente recebia coruja dele, ainda assim seu marido implicava.

       Severo retornou do laboratório depois de um dia cansativo de trabalho, viu sua esposa abraçada ao amigo. Mesmo que ela tentasse explicar, Severo bateu a porta e saiu furioso. Foi a gota d’água para a briga séria do casal.

      Harry ficou muito chateado, pois sentia-se culpado pela briga. Hermione insistiu para que o amigo ficasse, mas Harry partiu minutos depois.

      Nos dias que se passaram, eles mal se falavam. Hermione resolveu então fazer uma festa surpresa para comemorar o terceiro aniversário de casamento e quem sabe assim fazer as pazes.

      Na véspera do aniversário, quando retornava das compras, Hermione desmaiou ao entrar no boticário. O funcionário foi rapidamente chamar um táxi e a levou para o hospital. Assim que ela foi atendida, o funcionário ligou para o laboratório para avisar Severo Snape. Ele porém, sem se adaptar a invenções trouxas, colocou o aparelho no silencioso para não ser incomodado, logo não sabia de nada. Quando chegou em casa, já era tarde da noite. Hermione estava dormindo. De manhã quando ela acordou, ele já tinha saído. Novamente os olhos se fixaram no papel em cima da mesinha. Apesar do temporal, ela se sentia muito feliz. Tanta coisa mudou na sua vida. Nestes três anos de casada, ela aprendeu que seria impossível querer mudá-lo. Mas mudá-lo para quê? Se foi este jeito dele de ser que o fazia tão diferente dos outros bruxos. E exatamente aquele jeito dele, sarcástico, desconfiado e misterioso, que a conquistou desde os primeiros dias de aula em Hogwart. Sorriu ao olhar o retrato dele vestido de noivo.

      A empregada lhe trouxe o café da manhã no quarto. Com muito custo comeu algo. Voltou a dormir e quando acordou, o almoço já estava servido. Novamente se alimentou sem muita vontade.

      A chuva estava mais fraca, mas continuava frio. Ideal para um perfeito repouso depois do almoço. Mas preferiu trocar o pijama e foi para a cozinha preparar uma torta e a sobremesa para a janta. Enfeitou a sala de jantar com balões, fitas coloridas e velas. No final da tarde iniciou o preparo da janta. Depois tomou um banho demorado e colocou seu vestido novo.

     Severo Snape chegou bem tarde da noite. Encontrou a esposa dormindo no sofá da sala. Foi até ela, lhe deu um beijo no rosto e ao levá-la para o quarto, ela acordou.

-         Parabéns pelo nosso dia! Preparei seu prato preferido!

Ele sorriu e a beijou. Abraçados foram para a sala de jantar. Antes de sentar-se ele resmungou:

-         Para que estes enfeites?

E ela sorriu ao lhe entregar o resultado positivo de seu exame:

-         Estamos comemorando nosso aniversário de casamento, e também para darmos Boas Vindas ao nosso filho! Eu estou grávida!

     Severo não se conteve. Uma lágrima teimosa insistia em cair e ele abraçou a esposa. Depois de alguns minutos em silêncio, Severo disse:

- Desculpe, Hermione, eu esqueci completamente  a data e você me dá o melhor presente que eu poderia desejar...

      Ela abraçou mais forte o marido e naquele momento mágico, ambos sabiam que suas vidas seriam mais completas a partir dali.

      Severo abria a garrafa de vinho usando feitiço, brindaram e depois do terceiro gole, ele retirou a taça da mão dela.

-         Agora basta. Nosso filho prefere suco!

Fim

 

OBS: Severo Snape continuará sempre sendo um bruxo sarcástico, gostoso e sexy. Se a Hermione não o quiser mais, haverá sempre uma fila imensa de mulheres apaixonadas e loucas por ele!  Um aviso: eu sou a primeira da fila!!!

 

 

     

 

 

 

 

 

     




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