More
Than a Woman
Hermione
acordou e olhou para o relógio. Quase 11h. E era sexta-feira. Ela e Severo
deveriam estar comemorando três anos de casamento, se não fosse o maldito ciúme
dele. Onde já se viu ter ciúmes de Rony, seu melhor amigo desde os onze anos
de idade? Está certo que ele sempre disse que a amava, mas ela não o amava
dessa forma. Severo não tinha motivos para sentir ciúmes.
Sem
vontade de levantar, virou de lado e começou a chorar.
...
-
Não seja tão cruel consigo mesmo, Severo. É tão fácil pedir perdão. Você
sabe muito bem que estava errado. Eles são amigos há anos.
-
Eu sei, Narcisa, eu sei.
-
Se ela sentisse o mesmo ciúme que você, a essa hora já teria me matado, pois
eu não largo de você principalmente depois que Lúcio faleceu.
-
Mas é diferente. Eu sou padrinho do seu filho.
-
Isso não quer dizer nada. Agora faça o favor de lhe mandar flores e um bilhete
pedindo perdão, dizendo que vai à noite jantar com ela na casa de vocês. E dê
um presente especial para ela. Não é justo passar essa data em branco, Severo,
por uma briga à toa. Se você fosse ter ciúmes de todos os homens que são
apaixonados por ela, você teria de acertas as contas com seu afilhado. Sabe
muito bem o quanto Draco gostava dela…
-
Não precisa ficar me lembrando. E Ciça… Você poderia fazer isso por mim?
Mandar o bilhete, as flores… você entende disso melhor que eu. Meu horário
de almoço acabou.
-
Mando sim, se você me prometer que você e ela vão à reunião lá em casa,
amanhã.
-
Você sabe que eu prefiro não ir, Narcisa…
-
Por favor! – ela pediu, lançando um olhar pidão para o amigo.
-
Está bem, está bem! Se Hermione aceitar, vamos.
-
Ótimo! Agora vá para a sua aula. Os universitários estão sedentos por
conhecimento – ela disse, dando uma risada e se levantando.
…
Hermione
olhou para o espelho, sorrindo, feliz com o resultado. Passara uma boa meia hora
para escolher uma roupa, e mais meia hora para arrumar seus cabelos. Virou-se
rapidamente para o amigo.
-
Estou bem, Rony? Quero que Severo goste de mim, hoje. Ele me pediu perdão e
quero mostrar como estou disposta a perdoar. Afinal, casais brigam.
- Brigam… - ele disse, meio desanimado. Mas ergueu a cabeça e sorriu
para ela. – Ficou linda, Mione!
- Tem certeza? Acha mesmo que ele vai gostar?
- Só um completo louco não gostaria. Você está perfeita – ele
disse, com um ar de sonhador.
- Ah, pára com isso, Rony… você só fala isso porque quer me deixar
com remorso por não ter casado com você.
- Até hoje não me conformo com o fato de que você me trocou por aquele
Ranhoso… O cara é completamente estúpido e encheu nosso saco a vida inteira!
Ele deve ser muito bom de cama pra você querer ficar com ele ao invés de ficar
comigo, que sou carinhoso com você.
- Rony! – Hermione corou furiosamente. – Isso é coisa que se diga? E
eu te adoro, você sabe. Mas… Severo pode ter seus defeitos, mas é ele que eu
amo. A inocência dele foi provada há três anos, Rony. E ele arriscou a vida
dele para me salvar.
- É, mas Harry está morto agora! – Rony gritou, dando um soco na
parede e ficando de costas para a amiga.
- Mas não foi culpa dele! Ronald, pelo amor de Merlim, o que você
queria que Severo fizesse? A culpa é muito mais minha do que dele! Ele tentou,
mas só pode salvar a mim. Harry já não tinha mais chance. Ele morreu fazendo
o que precisava fazer, como um herói. Se você quer mesmo culpar alguém, culpe
a mim.
- Não, Hermione, a culpa não é sua. Ele deveria ter dado a vida dele
por vocês dois, que são muito mais jovens.
- Mas que droga, Ronald! Você estava lá! Você viu! Não há nada que
podia ser feito! Agora Voldemort está morto graças ao trabalho de equipe entre
nós três e Severo!
Os dois ficaram em silêncio por um tempo. Rony suspirou, foi até sua
amiga e depositou um beijo em sua testa.
- Perdoe-me, Mione… eu sei que a culpa não foi dele. A culpa foi toda
de Riddle. Eu sinto muito a falta de Harry.
- Eu sei, Rony, eu também sinto…
Os dois se abraçaram. E logo se afastaram.
- Então vá, Mione. Tenho certeza que ele vai adorar.
Rony foi embora da casa que Hermione dividia com seu marido, então ela
foi até a janela apreciar o movimento fraco da rua… Era quase 22h. Severo
disse que chegaria nessa hora. Provavelmente ele estava por perto. Ela foi para
a sala dar uma última revistada na mesa. Estava tudo perfeito. Uma toalha
branca, pratos de porcelana verde-água, os talheres de prata colocados
precisamente ao lado do prato, as taças de cristal para o vinho brilhavam à
meia-luz que Hermione programara para o loca. O castiçal prateado em modelo
antigo suportava três velas verdes combinando com os pratos, esperando para
serem acesas. E por fim, a caixa de som previamente preparada para tocar as músicas
que ela já selecionou, a um movimento da varinha.
Meia hora depois, Hermione ouviu o som do pequeno portão sendo aberto e
passos subindo pela escada da entrada. A porta foi aberta.
- Sev, finalmente você chegou!
Severo olhou para a sua esposa, deslumbrado. Por incessantes segundos, não
pode desviar o olhar daquela maravilhosa cena: Hermione num vestido preto, básico,
a falta de um decote em uma inocência provocante e com sapatos pretos de salto
alto. Um anel prateado com um pequeno diamante, que ele lhe dera quando a pediu
em casamento, brilhava em seu dedo na mão delicada. Os cabelos soltos e
rebeldes davam um ar provocante ao rosto sorridente de Hermione. Ela nunca
esteve tão bela.
- O que foi, Severo? Por que está me olhando assim? Não gostou?
E como não gostar de uma mulher que podia transformar simplicidade em
perfeição? Impossível.
Inevitavelmente, cenas do início do namoro dos dois apareceram em sua
mente.
…
- SEVERO, NÃO! Por favor, professor, não morra! Não agora! Eu… eu
preciso de você aqui, vivo!
- Senhoria Granger… não há nada que possa fazer por mim. Deixe-me
morrer em paz. Eu falhei com Dumbledore, falhei com Potter e falhei com você…
Sou um fracasso…
- Não, não… - ela repetia sem parar.
- Eu deveria ter dito antes… Eu sei que nunca lhe tratei bem, como
merecia, mas… - ele gemeu de dor – eu queria dizer que eu a amei no primeiro
dia que a vi, mas você era só uma garotinha de onze anos… Só que você
cresceu, Hermione, e tornou-se uma linda mulher. – Mais um gemido, e Hermione
soluçou. – Com certeza achará alguém que a ame como você merece, como eu
gostaria de ter a chance de amar…
- Mas você tem, Severo, você tem! É só agüentar mais um pouco! Eu
vou tirá-lo daqui!
Quase duas semanas depois Severo teve alta do hospital St. Mungus. Foi
para Hogwarts, decidido a juntar suas coisas e ir embora. Esfriar a cabeça e
tentar esquecer essa guerra maldita, que finalmente havia acabado.
Uma batida na porta.
- Ah… Srta. Granger, é você.
- Sou eu… posso entrar?
Ele não respondeu, apenas abriu espaço para ela.
- Me disseram que você teve alta e veio direto para cá… Pretende
viajar?
- Sim, quero descansar dessa guerra.
- Entendo…
Os dois permaneceram em silêncio. Na cabeça de Severo havia mil coisas
que ele gostaria de dizer para ela, mas a única que conseguiu foi:
- E a senhorita?
- Eu… eu pretendo começar minha faculdade.
- Ótimo. Mas afinal, para que veio?
Ela olhou triste para ele e se aproximou.
- Para te pedir…
- Pedir o quê?
- Que não vá…
A garota abaixou a cabeça para não ter de encará-lo nos olhos quando
ele lhe dissesse algo desagradável em resposta. Afinal, duvidada que houvesse
alguma lucidez naquilo que disse para ela no dia em que foi salva por ele.
- Escute aqui – ele começou, usando sua mão para obrigá-la a olhar
para ele. – Eu não me arrependo do que eu disse que sinto, naquele dia, mas
me arrependo de ter dito… Não há cabimento. Eu sou um velho, enquanto você
tem toda a sua vida pela frente. Teria sido mais fácil se me deixasse morrer.
Por que não deixou?
- Por que eu o amo… Desde o dia em você me tirou 5 pontos pela
primeira vez por eu ter respondido sua pergunta sem ter sido solicitada.
Ele parou. Não esperava que ela lhe dissesse isso. Esperava que ela
tivesse apenas encantada com o que ele disse ou apenas ido tirar satisfação.
Pensava que ela o salvara apenas por ser uma pessoa boa. Mas não disse nada.
Apenas tomou-lhe o rosto entre suas mãos e beijou-a apaixonadamente. Um ano
mais tarde, casaram-se.
…
- Severo, estou falando com você!
- Ah, desculpe, Hermione. É que eu vi você aí, sorrindo para mim, tão…
maravilhosa! Eu comecei a lembrar de quando começamos a namorar. Eu detestaria
passar o dia de hoje longe de você.
Ela voltou a sorrir.
- Eu também estava me lembrando, um pouco antes de você chegar… Nos
meus braços, quase morrendo, declarando-se para mim… foi o pior e o melhor
dia da minha vida.
Severo fechou a porta e foi até a esposa, beijando-a demorada e
calorosamente.
- Estava com saudades… três dias sem nem ao menos ouvir sua voz quase
me mataram – ela suspirou.
- Como foi seu dia? – Severo perguntou, afastando-a de si.
- Foi normal… fiquei na cama até a hora que seu bilhete chegou.
Hermione achou melhor ocultar a informação de que Rony apareceu para
tentar lhe consolar, e no fim a ajudou a escolher uma boa roupa para o marido.
- E o seu?
- Extenso. – Ele também achou melhor não mencionar que fora Narcisa
quem cuidara de tudo. – Nunca pensei que dar aulas para adultos em uma
universidade fosse mais cansativo que dar para as crianças em Hogwarts. Eu
gostaria de tomar um banho antes do jantar… Volto em dez minutos.
Enquanto o marido tomava banho, Hermione ligou a música e foi até a
cozinha esquentar a janta.
Severo ficou parado na porta da sala, admirando Hermione colocar a comida
na mesa.
- Está com um cheiro maravilhoso, querida.
- Realmente… Estou louca para comer. Foi difícil te esperar. Você
sabe o quanto eu amo a comida do restaurante ali da quadra de baixo.
- Eu sei. Perdoe-me por não poder ter feito nosso jantar. Nisso que dá
fazer aniversário numa sexta-feira de trabalho. Mas você arrumou muito bem a
mesa.
- É mesmo, eu arrumei. Agora vamos comer!
- Espero um minuto.
Severo pegou Hermione pela mão e a levou até o centro da sala,
segurando-a perto, de forma como quem vai dançar.
- Se não percebeu, está tocando a música que serviu de tema para a
nossa primeira noite de amor…
- É mesmo, está – ela respondeu sorrindo, acompanhando os movimentos
da dança do marido. – Simplesmente perfeita!
- Perfeita para dizer o que eu sinto por você.
“Oh,
girl I've known you very well
I've
seen you growing everyday
I
never really looked before
But
now you take my breath away
Suddenly
you're in my life
Part
of everything I do
You
got me working day and night
Just
trying to keep a hold on you”
Um beijo apaixonado se seguiu, em meio aos movimentos da dança, enquanto
a voz aguda do vocalista inglês invadia a sala.
“Here
in your arms I found my paradise
My
only chance for happiness”
-
Perdoe-me, Hermione. Eu a amo muito. – Severo sussurrou ao ouvido dela.
“And
if I lose you now, I think I would die
Oh,
say you'll always be my baby, we can make it shine
We
can take forever, just a minute at a time”
- Está perdoado, meu amor – ela respondeu.
“More
than a woman, more than a woman to me
More
than a woman, more than a woman to me”
Eles continuavam dançando; Hermione descansava a cabeça no ombro de
Severo, de olhos fechados, curtindo a música e a lembrança de primeira noite
deles, sentindo a mão do marido acariciar suas costas.
“This
is the only way that we should fly
This
is the only way to go
And
if I lose your love, I know, I would die”
A sensualidade daquele contato, os movimentos e a lembrança
atingiram-nos em cheio, despertando um desejo tremendo. Severo beijou Hermione
ardentemente, levando-a até o sofá. Ela correspondia com igual desejo, levando
suas mãos para os botões da camisa preta dele.
- Hermione, espere – ele pediu, interrompendo. – Antes de tudo o
queria lhe dar algo…
- Dar o quê?
- Um presente.
- Oba, presente! – ela disse, parecendo uma garotinha ao bater palmas
enquanto se sentava no sofá.
- É… aqui está. – Severo tirou do bolso da calça uma caixinha e
estendeu para Hermione.
Sorridente, a mulher abriu a pequena caixa. O brilho que saiu de dentro
dela ofuscou sua visão. Demorou alguns segundos para que seus olhos pudessem se
acostumar com a luz. Então ela viu…
- Oh… Sev… Puxa! Estou sem palavras! É simplesmente maravilhoso!
Ao som de uma linda música ao fundo, Severo tirou da caixinha o
presente. Era uma corrente fina, de ouro branco, brilhante. O pingente era um
pequeno pote de cristal, amarrado à corrente por um fio da crina de um unicórnio,
tendo como conteúdo duas gotas de sangue, uma dele e uma dela. No mundo bruxo,
isso era a maior prova de amor que alguém podia dar a outra pessoa. A mistura
do sangue deles dentro daquele pingente de cristal formava uma magia onde nem a
própria morte poderia separá-los.
Uma lágrima escorreu pelo rosto de Hermione.
- Por Merlim, Severo… assim você me mata! Como conseguiu?
- Há anos que preparo essa magia, Hermione… precisamente desde os seus
13 anos de idade. Merlim me concedeu a corrente. O pingente eu consegui terminar
faz poucas semanas. E o fio de prata… bem, eu menti quando disse que precisava
ir à Irlanda a trabalho. Fui porque é lá onde o último unicórnio vivo se
encontra. Tive que mover céus e brigar com muita gente para conseguir esse
fio… Já o sangue eu colhi no dia do nosso casamento. Depois da noite de núpcias,
enquanto você dormia, usei magia para poder arrancar uma gota de sangue direto
do seu coração e do meu também…
Agora Hermione chorava abertamente ao mesmo tempo em que sorria.
- Oh, Sev, você fez tudo isso por mim!
- Para provar o quanto eu te amo… Você é mais do que uma mulher para
mim, Hermione. Agora nada poderá nos separar. Nada. Nem mesmo o ciúme que eu
sinto vai me fazer ficar longe de você… Espero que agora você me perdoe de
verdade por ter sido tão idiota.
- Eu nem cheguei a ficar com raiva de verdade, apenas um pouco chateada.
Mas já passou. Esse é o melhor aniversário de casamento que uma mulher
poderia ter! Nem acredito que você fez tudo isso. Seu louco!
- Louco por você. Agora… dê-me cá, deixe que eu coloco em seu pescoço.
Hermione virou de costas, afastando os cabelos para que Severo colocasse
a corrente.
Quando prendeu o fecho, ele beijou o pescoço da esposa, arrancando um
leve gemido de prazer dela.
- Agora seja minha… - ele sussurrou no ouvido dela, enquanto descia
suas mãos até os seios dela.
- Mas e a comida? – ela mal conseguiu perguntar, sentindo ondas de
prazer percorrerem sua espinha.
- Deixa para mais tarde…
Dizendo isso, os dois foram ao chão e lá se amaram a noite inteira.