Aqueles Olhos Negros
por Srta. Moony
Sabe, foi muito estranho.
De um dia para outro, o mundo à minha volta desabou. Um dia estava no consultório
dos meus pais, ajudando-os com os pacientes, e no dia seguinte estava em uma rua
estranha, cheia de gente estranha, comprando os materiais escolares mais
estranhos que eu já havia visto, para estudar em uma escola que eu nunca havia
ouvido falar.
Hogwarts não era tão
diferente das escolas que eu conhecia. Tinha alunos, matérias para se estudar,
avaliações e professores... Aliás foi um desses professores que me encantou.
Era um homem misterioso,
alto, cabelos pretos e compridos, olhos negros, o que mais me encantava nele
eram aqueles olhos. Não era exatamente bonito, na verdade, nem sei porque
gostava dele, ele não era gentil comigo, me maltratava. Mesmo meus acertos em
suas aulas valiam comentários maldosos.
Por muito tempo, fiquei a
observá-lo, a defendê-lo (com cuidado para que ninguém percebesse) dos comentários
dos meus amigos. Por muitas vezes sofri pensando que ele não estava do lado do
bem. Demorou muito para eu ter certeza de que ele era realmente bom, que ele não
era um dos temidos Comensais da Morte.
Durante sete anos, evitei
olhar no fundo daqueles olhos escuros, profundos com medo de me perder neles
revelar meus sentimentos. Só então que percebi, não adiantava esconder o que
eu sentia. Eu o amava, não adiantava negar isso. Mas percebi isso tarde demais.
Eu terminei os estudos, me formei, fui embora de Hogwarts.
Muito tempo se passou, eu
procurava esquecer aqueles olhos, mas era impossível. A única solução que
encontrei foi me casar, com outro homem, curar as feridas com um amor que não
existia. Ele era um grande amigo, ele gostava de mim. Até hoje me arrependo de
ter, de certa forma, brincado com seus sentimentos.
Como poderia ter um
casamento feliz? Não era ele quem eu amava. Eu amava aquele homem, alto, de
olhos negros e profundos. Não era assim que esqueceria aqueles olhos, o divórcio
foi inevitável.
Estava novamente sozinha,
agora sem amigos, sem ninguém. Aluguei um pequeno apartamento em Londres. Foi lá
que eu reencontrei aqueles olhos. Consegui convencê-lo a tomar um café em um
bar. Não conversamos muito, mas ele não foi frio, nem irônico.
Ele me contou que
Hogwarts precisava de um novo professor de feitiços. Agora estava decidida,
iria dar aulas em Hogwarts.
Alvo Dumbledore estava
mais velho e cansado do que nunca, mas me recebeu com muita boa vontade. Eu
sabia que tinha poucas chances de ser aceita naquele cargo. Mas por sorte, tive
poucos concorrentes e alguns dias depois estava contratada.
Aos poucos comecei a me
aproximar do homem que eu tanto amava. Agora não era mais uma criança
apaixonada. Ele não me desprezava mais, me tratava como qualquer outra colega
de trabalho. Eu tinha muito interesse pela matéria que ele ensinava. Ele me
ajudava, com uma certa relutância, a entender os segredos daquela matéria tão
complicada.
Viramos amigos, percebi o
quanto ele era sozinho, percebi que era sua única amiga. Aqueles olhos negros já
não me olhavam com ódio, nem com desprezo. Ele me via como uma amiga, uma
amiga de verdade.
Já não valia mais a
pena esconder meus sentimentos, poderia colocar tudo a perder. Ele poderia
esquecer nossa amizade, voltar a me tratar com desprezo. Mas estava se tornando
impossível esconder o que eu sentia.
Para minha surpresa, foi
ele quem me chamou para conversar. Relembramos os tempos em que eu era sua
aluna. Era agora ou nunca. Ele me olhou. Respirei fundo. Pela primeira vez,
encarei aqueles olhos, eram com túneis sem fim, me perdi naquela escuridão. Eu
falei, falei tudo, desabafei, quando terminei, ele ainda me olhava com aqueles
olhos negros.
Ele sorriu, de uma
maneira diferente, não era um sorriso malicioso, tinha um carinho naquele
sorriso, algo que eu nunca tinha visto antes. Ele disse algo que eu nunca
imaginaria, disse que também me amava, que nunca havia me dito nada, pois era
sua aluna.
Aquela foi a melhor noite
da minha vida. Estava junto ao homem que eu amava. Nos amamos. Somente de manhã
é que saí do quarto. Explodindo de felicidade.
Logo estávamos
namorando, era muito estranho, aquele homem tão misterioso com uma namorada!
Uma namorada que tinha idade para ser sua filha! Éramos alvo da curiosidade de
toda a escola. Foi o período mais feliz da minha vida.
Mas as coisas começaram
a fugir do controle. Dumbledore faleceu. Os Comensais da Morte que haviam
escapado do Ministério da Magia queriam vingança pela morte de seu mestre.
Queriam dominar a escola. Professores e alunos se preparavam para a batalha.
Mas quem se importava com
o que acontecia lá fora? Estávamos juntos, isso era a única coisa eu me
interessava. Toda vez que pensava nos problemas que haviam, ele me olhava com
aqueles olhos negros, profundos, sedutores, me perdia naquela escuridão, não
conseguia enxergar os problemas. Esquecia tudo.
Os membros restantes da
Ordem da Fênix se uniram, precisávamos defender a escola. Encontrei meu
ex-marido. Foi uma grande decepção para ele ver com quem eu estava. Os
Comensais atacaram a vila vizinha à escola. Era a hora de lutar.
Ele me olhava com seus
olhos negros como se estivesse se despedindo. Não, iríamos vencê-los, tudo
acabaria bem. Prometeu-me, se conseguíssemos sobreviver, iríamos nos casar.
Precisávamos sobreviver.
Estávamos no meio da
rua, só ele e eu. Havíamos nos distanciado do resto do grupo. Três Comensais
nos cercaram. Ele lutou bravamente, logo chegou ajuda. Agora os Comensais
estavam em desvantagem.
Mas eles eram fortes,
mataram um, dois, três dos nossos aliados. Agora só restava um Comensal. Não
iria se dar por derrotado. Levaria pelo menos um de nós junto. Escolheu
justamente ele.
Uma luz verde. A maldição
impossível de se rebater o acertou em cheio. Assisti seu corpo cair no chão.
Estava morto. Não, não era possível, ele não podia ter morrido. Seu corpo
estava caído no chão, pernas e braços abertos, a varinha ainda apertada na mão,
seus olhos negros e profundos não traziam carinho, calor, nem desprezo ou ódio.
Estavam frios, vazios, arregalados de surpresa.
O último Comensal caiu
morto no chão. Mas quem se importava? Ele estava morto. Ele havia morrido, não
voltaria mais. Nunca mais. Nunca mais veria aqueles olhos negros, profundos,
sedutores. Nunca mais.
Escrita por: Natalie Anne White (Srta. Moony) em 18 de maio de 2004
N/A: B-jus p/ minhas best friends: Lara Sidney Snape Croft, q me apresentou
às FanFics; Pansy Almofadinhas, q me deu um impulso enorme p/ q começasse à
escrevê-las; e Ciça Rabicha, minha amigona do peito.