UM REENCONTRAR DE ALMAS

por Graza

 

Longa foi a espera, por vezes curta a esperança, mas Hermione enfim reconhecera seu grande amor. Por algum motivo somente agora ela se deparara com o fato de que por 7 anos havia convivido com sua alma gêmea, sem ao menos se permitir senti-lo assim.

Severus Snape é um professor exemplar, bruxo de grande sabedoria e muito respeitado, às vezes até temido; Hermione sempre o admirara mesmo em momentos que ele se mostrava rude e seco, recriminando-a por ser uma aluna “sabe-tudo”. As aulas de poções eram um martírio aos alunos não sonserinos, mas havia uma grifinoriana que se sentia profundamente encantada pelas aulas de Snape.

E antes que o final do ano letivo findasse por vez, Hermione decidiu dividir com Snape os sentimentos que descobrira em seu coração. E ainda que a resposta dele fosse negativa, ainda assim ela tentaria porque não poderia deixar Hogwarts sem obter uma resposta dele.

Antevéspera de Natal, e no castelo de Hogwarts os alunos eram poucos. Data quando a maioria dos jovens bruxos retorna a seus lares para em família comemorar. Mas sem motivo aparente, alguns deles preferiam passar a noite de Natal na escola, talvez por não possuírem boas relações familiares, ou quem sabe pelo simples fato de amar a magia Natalina que se forma em Hogwarts, com todos aqueles enfeites mágicos: velas suspensas, bolas cintilantes, pinheiros imensos com magníficas estrelas douradas no topo, mas principalmente o espírito de Natal que faz do castelo um lugar ainda mais amável.

Este ano Hermione decidira como pretexto ficar em Hogwarts, compartilhar com Ronny e Harry as festas de fim de ano. No café da manhã, surpresos, os amigos observavam Hermione adentrar o Salão Principal, enquanto mastigavam deliciosos donuts de chocolate com suco de abóbora.

- Mione? Disse Rony, deixando com que migalhas pulassem de sua boca ao falar.

- Eu mesma Rony. Qual o espanto?

- É que você sabe Mione! Você nunca passa o Natal em Hogwarts então pensamos... Dizia Harry antes de ser interrompido pela entrada triunfal do professor Snape.

Os olhos da jovem Hermione, de súbito, acompanharam todo o trajeto do professor de poções, enquanto sua voz lhe faltava para que pudesse conversar com seus dois amigos. Ao conseguir emitir um som, a jovem disse:

- Bem meninos por isso estou aqui. Quero dizer, vou ficar com vocês este ano e fazer algo...diferente. Eo “diferente” ela falou enquanto olhava seu amado professor, agora sentado à mesa dos professores engolindo seu café da manhã.

Hermione pensou com seus botões grifinórios nunca ter visto Snape tão ancioso daquela forma. E logo, para sua tristeza, o viu secar os lábios com o guardanapo de insígnia sonserina e rapidamente se levantar em direção à saída, sem ao menos olhar para trás, ou pior, sem ao menos olha-la.

Se sentiu mal a jovem e não mais conseguiu se alimentar. Saiu rapidamente largando mais da metade de seu desjejum no prato. Harry e Ronny se entreolharam com aquela expressão sempre referente aos rompantes de Hermione, a expressão “O que aconteceu com ela?”.

Subindo as escadarias em direção ao Salão Comunal da Grifinória, Hermione sentiu que a escada se movia, e a levala a um lado do castelo aonde ela jamais frequentara por sempre ter sido aluna exemplar. Hermione susurrou consigo mesma:

- As masmorras!  

Neste momento só uma coisa se passava por sua cabecinha de jovem bruxa. Ela sabia que ali se encontrava a masmorra de Severus Snape, e era o único pensamento que lhe habitava naquele instante.

Por longos minutos ficou ali parada, diante do que poderia ser sua felicidade ou fracasso no amor. Infinitos pensamentos iam e vinham quando ela percebeu que uma porta se abrira dentro daquela penumbra do corredor.

- Quem está aí? A voz ranhosa de Snape soou alto no corredor vazio e frio.

Hermione congelara na hora, como que um misto de medo e desejo por seu amado. Suas pernas não conseguiam se mover e ali, como uma mandrágora chorona, ela ficou plantada. Sentiu um calor que lhe subia as entranhas e explodia ao chegar ao coração. Que sensação era aquela. Mione nunca sentira nada igual.

Uma imensa e esvoaçante sombra se aproximava dela e suas pupilas dilatavam na esperança de encontrar, identificar o que se aproximava tão rapidamente. Quando em seu ouvido esquerdo sentiu o hálito morno e arrepiante de Snape lhe sussurrando:

- Srta. Granger...o que faz nas masmorras? Não sabe que é proibido alunos por aqui? Ou será que anda bisbilhotando onde não deve?

O rosto de Mione estaria vermelho se a escuridão não estivesse entre eles. Ela temia Snape de certo, mas estar ali a sós com elelhe mostrara uma perfeita oportunidade para tomar certas atitudes. Então disse:

- Não professor Snape, eu apenas me perdi quando as escadas mudaram de rumo.

- Hã, sempre as escadas como motivo..nem criatividade vocês alunos possuem para justificar as traquinagens que cometem.  Snape desdenhara da inteligência de Hermione sabendo que a provocaria à lhe dar uma resposta.

Hermione é uma bruxinha muito orgulhosa, e ainda que Voldemort lhe faltasse o respeito ela o responderia à altura.

- Escute professor Snape. Eu sempre lhe respeitei muito, não é verdade?!

Snape a olhou invesado.

- Então não admito que me desrespeitem e falem comigo neste tom. Quer saber? Estou cheia de suas grosserias comigo. Há tanta gente idiota nesta escola e o Sr. decidiu odiar a mim, A MIM!!!  Hermione aumentara seu tom de voz fazendo com que Snape tocasse com as mãos em seus lábios na tentativa de cala-la.

- O que foi Srta Granger? Não possui limites? Porque está gritando desta forma? O que vão pensar se nos virem discutindo no corredor das masmorras em meio à escuridão?

Hermione sentiu o aroma de ervas que exalavam das mãos fortes de seu professor, e seus olhos até se fecharam de tamanha satisfação que sentiu em ter a pele dele junto aos seus lábios.

Snape retirou sua mão dos lábios de Hermione desejando que ela não gritasse, mas desejou também não ser aquela a última vez de estar tão próximo dela. O calor que ele sentia ao se aproximar de Hermione vinha aumentando à alguns meses. Snape sempre tentava abafar seus doces sentimentos e se escondia atrás da “máscara” de um professor rude e grosseiro, quando muitas vezes sentia extrema vontade de estar com ela, elogia-la e lhe dizer palavras bonitas que habitavam seu íntimo mais profundo.

- Venha Srta. Granger, vamos à minha sala onde a Srta. poderá me explicar melhor o que está havendo com aqui.

Snape sugeriu uma atitude inesperada para Hermione, que agora tinha seu coração como que “cavalgando em seu pescoço”.

Ela ainda tentou olhar para Snape como quem busca uma confirmação do que ouvira, mas ele a adiantou à sua frente, tocando levemente a mão em seu ombro e a fazendo adentrar sua masmorra.

O professor fechou a porta com a preocupação de não fazer mais nenhum barulho; Hermione estava indignada com a mudança de personalidade de Snape, e agora sentia que seu amor aumentava ainda mais por ele. Estava boquiaberta com o semblante que ele mostrava. Já não havia marcas expressivas de ódio, pelo contrário, ela podia ver que seu rosto estava mais jovem do que parecia ter sido por 7 longos anos que conviveram em Hogwarts.

- Quer falar agora Srta.? Snape perguntou delicadamente enquanto lhe indicava um  confortável sofá à beira da lareira crepitante.

Hermione tinha lágrimas nos olhos e quebrando o silêncio balbuciou:

- Porque o Sr. mentiu por tanto tempo?

- Como Srta.Granger?

E deixando uma lágrima lhe correr até o queixo a jovem respondeu:

- Professor Snape, o que eu vejo hoje é a confirmação que sempre quis obter. O Sr. ...o Sr. não é um homem malvado ou sequer rude como faz questão de parecer. Porque isso? Porque tantas vezes foi rude comigo se no fundo o Sr. não é assim?

Snape olhava diretamente nas chamas do fogo que se mantinha aceso na lareira, mas sentia o fogo em seu coração, que parecia arder ainda mais.

- Há muitas coisas nesta vida Srta. Granger, que endurecem o coração de um homem, muitas coisas...

- Mas se o Sr. me permite, eu gostaria de saber o porquê. Quem sabe eu possa lhe ajudar.  Hermione sentia imenso amor e queria tocá-lo naquele momento, queria lhe afagar a alma.

- Você ainda é tão jovem Hermione, entretanto tão sábia e doce, mas jamais entenderia as dores que sinto. São dores da alma, sentimentos que nos fecham para o mundo.

Ao ouvir aquelas palavras o coração de Hermione apertou e ela sabia do que ele estava falando.

- Amor, não é mesmo professor Snape? É amor que te faz sofrer tanto,...ou talvez a falta dele.   Hermione respondeu pensando em seus próprios sentimentos por ele, que agora diante dela sofria pelo amor de alguma maldita bruxa. Mione sentiu-se enciumada por alguém te-lo feito sofrer assim, e te-lo feito desistir da alegria de viver.

Ao olhar para Snape ela viu um brilho, seguido por muitos outros, que lhe cortavam a face. Snape estava CHORANDO!

Hermione teve ódio de quem o maltratou ao ponto de vê-lo ali, tão machucado, chorando diante dela. Com amor Hermione levantou-se e tomou o lugar entre os olhos de Snape e a lareira. Fitou-o com doçura e enxugando suas lágrimas disse:

- Que bruxa teve a honra de seu amor professor? Que tristezas lhe causou para que ficasse assim?   E a jovem enxugou as próprias lágrimas que teimavam em cair sobre suas rosadas bochechas. Mas sua mão, que antes enxugara as lágrimas de seu amado agora estavam acariciando o rosto dele, que com tamanho carinho se rendeu ao toque de Mione, fechando os olhos.

Snape pegou a mão de Hermione, beijou-a e disse:

- Queria eu, em minha juventude, ter encontrado alguém tão doce e boa como você, Srta. Granger. Uma pena eu ter desperdiçado meu amor mais puro com quem jamais me amou de verdade.

- Mas quem foi ela professor?  Hermione queria saber, e talvez ajuda-lo a esquecer tudo, mas precisava saber de sua rival, mesmo que ela estivesse no passado dele.

- Se ela souber que contei a alguém é capaz de acabar comigo. Ela me fez jurar nunca contar,.mas já estou farto de tudo isso, não me importa mais o que ela vá pensar ou fazer.

- Sim professor, me conte, vai!

De olhos fechados, como quando se teme algo, Snape respondeu:

- Narcisa....Narcisa Malfoy!

Hermione que estiver este tempo todo agachada diante de Snape caíra para trás, sendo forçada a se sentar no chão. E bestificada gaguejou:

- A m...mãe de Draco?!

- Sim Srta. Granger, exatamente ela. Aquela bruxa maldita que me enfeitiçou e nenhuma chance me deu indo direto aos braços de ... Lucius.

Hermione franziu a testa ao perguntar:

- O que uma mulherzinha daquela tem para lhe atrair professor? Nem linda ela é!  Enciumada e abismada Mione murmurou.

Snape finalmente sorrira ao ouvir aquelas palavras.

- Nem eu sei ao certo, porque o coração não tem comando. Não escolhemos quem será nosso amor. As coisas acontecem...  Snape suspirou com lamento.

- Eu sei bem o que o Sr. quer dizer. Realmente sei.   Mione disse abaixando a cabeça.

- Sabe é? Pensei que fosse jovem demais para ter decepções amorosas...mas vejo que me precipitei. Quem é o rapaz? Me diga, pois se for algum aluno de Hogwarts que te faz sofrer eu o farei pagar detenções até o fim da vida escolar. Hahaha.  Snape sorriu com vontade.

Hermione corou e seus olhos brilharam. Ele a havia defendido! Ela se sentiu confiante, achava que era hora de dizer algo.

- Professor, eu....

(Bláin, Bláin...Soava o sino de Hogwarts anunciando a noite de Natal!

Snape e Hermione se entreolharam, sorriram com carinho, e muito sem jeito Hermione se aproximou dele oferecendo seu corpo para um abraço, um abraço de quem ama. Snape sentiu-se feliz e a abraçou com ternura. Há anos não se sentia tão querido e confortavelmente aconchegado nos braços de uma mulher tão doce, meiga, linda, inteligente....desejou ficar abraçado à ela para sempre. Naquele momento ele esqueceu de toda a dor que havia guardado todos estes anos em seu peito, ali ele sentia-se em paz. Sorriu como a tempos não fazia, talvez desde sua juventude.  Ao desenlaçarem-se se olharam sorrindo, ela com os olhos molhados, mas encantadoramente feliz, radiante.

Naquela noite mágica seus desejos foram escutados, e este foi o primeiro olhar entre dois amantes. Haviam desejado um verdadeiro amor e ali estavam, abraçados, corações como um só, no mesmo ritmo. Eram tão parecidos, tão inteligentes, amáveis, amigos...eram perfeitos um para o outro.

Snape sorrindo disse:

- Eu seria muito feliz!

- Seria? Como assim?  Hermione não entendia.

- Sim. Seria feliz se tivesse sua idade e pudesse amar você.

Hermione sentiu-se explodir por dentro. Ele finalmente me ama! Pensou ela. E decidiu apostar tudo que sentia.

- E porque não pode me amar agora?

Snape não acreditou nas palavras que a jovem proferira. Será que a bela Granger o desejava também? A noite de Natal lhe trouxera tanta tranqüilidade e paz nos braços dela que resolveu acreditar naquela magia que lhe tomava.

- Eu posso? Perguntou Snape como que amando pela primeira vez.

- É tudo que eu mais desejo, em 7 longos anos!

- Então...é a mim que você ama Hermione?  Snape feliz e triste por nunca ter tido o coração livre para olha-la antes.

- Sempre...sempre foi o Sr. o meu amor impossível!

- Não mais minha doce Hermione...não mais sofrerá.

Snape beijou as mãos de Hermione e disse em seu ouvido:

- Eu escolho você minha Luz, você que me traz paz de espírito, que me alegra o coração, você que completa minha alma.

Lentamente Snape toca seus lábios finos nos lábios de Mione, agora molhados por lágrimas e desejo do beijo de seu amado.

Um beijo de amor correspondido, tudo que um coração precisa. Um beijo além de corpos, além da magia. Beijo com paixão, vontade de fusão, de se tornar um com o ser amado. Beijo de matar a vontade da longa espera e no momento do beijo,  a vontade de o tempo parar. Beijo de amantes em potencial, beijo de amor no Natal.

FIM

 

Esta fanfic foi feita com meu coração preenchido. Ela é dedicada à minha metade, meu complemento, meu senhor de Amor e Luz. Meu amado Drigo.

 





VOLTAR

Hosted by www.Geocities.ws

1 1