Caixa de areia
por Magalud
Categoria: AU pré-escolar
Gênero: Fluffy drabble (cerca de 1000 palavras)
Classificação: G. Livre. K.
Personagens ou Casais: pré-HG/SS
Resumo: Num dia de sol, mamães levam seus bebês no parquinho.
Spoilers:.Nah, sem spoiler.
Disclaimer: Reconheceu alguém? Não é meu. Mas se está vendo alguém novo, é
meu.
Alertas: Diabéticos, preparem suas doses de insulina.
Avisos: Essa fic é uma resposta ao desafio flashfic Dia das Crianças do grupo
Snapefest.
Notas: Eu tenho plena consciência de que as idades não batem. Mas a idéia
realmente me pegou de jeito e a musa achou bonitinho os dois terem idades
semelhantes. Desculpem se alguém não gosta da idéia de Hogwarts babies. E sem
esquecer, claro, no beijão para a Cris, que betou e falou sobre bebês.
A
menina de cabelinhos ondulados e castanhos se concentrava na sua brincadeira de
empilhar blocos dentro da caixinha de areia do parque. Era um dia de sol bonito, com temperatura agradável, e muitas mães
estavam com seus pimpolhos no parquinho no meio da cidade.
A
menina estava com um conjuntinho rosa de lã, um casaquinho também rosa, mas
com detalhes em branco e fraldas reforçadas para a sua aventura ao ar livre.
Ela parecia feliz pelo passeio. Hermione Granger às vezes chorava porque seus
dentinhos estavam crescendo. Mas seus pais eram dentistas, então Hermione nunca
tinha posto uma chupeta na boca. Naquele momento, porém, ela estava concentrada
em seus blocos de madeira emborrachados. Certamente ela era a criança mais
brilhante de sua idade, e seus pais tinham orgulho dela.
Era
grande a atividade por ali,. Tudo era tão colorido, tão diferente, que as
crianças em geral só ficavam olhando, absorvendo tantas novidades antes de
cederem ao impulso de correrem e gritarem. Mas Hermione Granger sabia prestar
atenção numa tarefa, e lá estava ela, as mãozinhas rechonchudas pegando um
bloquinho e colocando em cima do outro.
Ela
mal notou quando uma mãe veio colocar seu pimpolho na mesma caixinha de areia
onde brincava. A menininha, claro, não viu que a mulher recém-chegada tinha
uma cara fechada e traços rudes, nem que ela depositou seu garoto na caixinha
de areia, um caldeirãozinho de brinquedo diante do menino. Quando o menino
muito magro e de cabelos bem pretinhos estava acomodado diante de seu caldeirãozinho,
a mulher simplesmente foi embora.
Absorvido
no seu adorado caldeirãozinho, Severus Snape não percebeu de imediato que a mãe
fora embora. Ele parecia ter a idade de Hermione, uns sete ou oito meses de
idade, e era muito magro e muito pálido, como se jamais tivesse tomado sol
antes. Estava vestidinho todo de preto, como se estivesse de luto, e via-se que
também tinha fraldinhas por baixo das roupinhas. Fosse como fosse, ele estava
muito absorto em seu caldeirão de brinquedo, um que magicamente borbulhava, mas
que não molhava ou respingava o bebê.
O
barulho da borbulha chamou a atenção de Hermione, que por um minuto ficou
dividida entre o seu brinquedo e o do companheiro na caixinha de areia. Mas
depois, decidida como era, botou os bloquinhos de lado e engatinhou para o lado
do menino. O pequeno Severus, por sua vez, não prestou atenção nela: o
caldeirão agora mudava de cores, fascinando o pequeno. Hermione também se
maravilhou e bateu palminhas.
–
A-Da!
O
barulho assustou o pequeno Severus, que arregalou os olhos para ela. Hermione
apontou o dedinho rechonchudo para o caldeirão e ele franziu o pequeno cenho, o
narizinho comprido se curvando. Ele claramente não gostara de ver alguém se
interessando por seu caldeirãozinho.
–
Nah! – ele tentou dar um safanão nela com a mãozinha, mas estava longe.
Foi
a vez da pequena Hermione arregalar os olhinhos para o companheiro de brinquedo.
Ela se aproximou ainda mais do caldeirãozinho, e Severus gritou de novo,
claramente irritado.
–
Nah-nah!
Mais
uma vez Hermione ignorou os gritos dele, e desta vez ele olhou em volta, como se
procurasse a mãe para afastar aquela pessoinha irritante que tentava chegar
perto de seu precioso caldeirão. Olhando em volta, ele não a viu. Ele até
parou de ficar bravo, procurando, procurando por ela.
Não
havia mamãe.
Ele
era pequeno demais para andar sozinho, mas virou o corpinho para os lados,
procurando desesperadamente.
–
Ma-má?
Sem
resposta. Silenciosamente, as lágrimas foram tomando conta dos miúdos olhos
pretos, e ele se esqueceu totalmente de Hermione, soluçando em silêncio,
sentindo-se sozinho, abandonado. Havia uma dor grande no seu peito, uma sensação
de aperto que só parecia aumentar, que de repente parecia tomar conta dele, que
parecia não ter fim.
Mamãe
foi embora....
O
bebê Severus abriu o berreiro de repente, soluçando profundamente. Hermione
olhou aquilo com apreensão, sem saber o que fazer. Ela era pequena demais para
saber com certeza o que estava sentindo, mas ela sabia que aquele bebê era seu
amiguinho da caixa de areia e ele precisava de um carinho. Num impulso, ela
engatinhou até o pequeno Severus e deu-lhe um beijo na bochecha.
O
choque foi tamanho que Severus parou de chorar, olhinhos arregalados para aquela
pessoa que parecia tão irritante, mas que num gesto simples trouxe tanto
carinho para ele. Hermione arriscou um sorriso e deu outro beijinho na bochecha
muito pálida. Severus continuou olhando para ela, ainda muito espantado. Ele
era pequeno demais para saber o que estava sentindo, mas seu coraçãozinho
registrou o conforto e a gratidão pelo carinho daquela coleguinha de caixinha
de areia. Ele não estava muito acostumado àquelas sensações, então ele não
sabia direito como reagir.
–
Mimi, você arrumou um amiguinho?– Severus olhou para o adulto que os
encarava, uma mulher sorridente de cabelos cor de mel e olhos calorosos. – Olá,
rapazinho. Você se perdeu de sua mamãe? Vamos logo dar um jeito nisso.
Duas
mãos fortes o pegaram e Severus foi erguido no colo, olhando para aquele adulto
estranho que não era sua mamãe. Eram mãos fortes, mas diferente do que ele
estava acostumado, não eram mãos ásperas ou mãos agressivas. Eram mãos
firmes, que o apoiavam, que o seguravam e que lhe davam segurança. Severus
podia se acostumar com mãos assim.
Hermione
ficou olhando a cena e naquele momento não sentiu ciúmes daquele menininho
franzino a quem sua mamãe dava atenção. Ele parecia muito sozinho. Hermione
achou, na sua inocência, que eles poderiam ser amiguinhos.
Com o tempo, quem sabe, mais do que amiguinhos.
The
End