Novo ano... novo amor
Reviews, please!
Resumo: Pode o ano que começa ser melhor do que o
anterior? Ou tudo pode piorar? A resposta está na escolha.
PS: A divisão é em capítulos apenas para facilitar a
leitura, mas eles são pequenos que é para não ter desculpa para não ler. Ah! E
claro, é NC-17. Um detalhe: a fic se passa no 7º ano de Hogwarts, mas com
poucas e sutis referências ao livro.
Capítulo 1
Harry
Potter, Rony Weasley e Hermione Granger mal tinham acabado de abrir seus
presentes de Natal quando viram que já era hora de arrumar as malas. Harry e
Rony iriam para a Toca e não entendiam o motivo de Hermione não querer ir.
Aquela desculpa idiota de "Preciso aproveitar que a Biblioteca está
vazia." não os convenceu nem um pouco, mas eles decidiram dar um tempo
para a amiga.
- Vamos lá, Mione... uma semana sem estudar não vai
interferir no resultado dos seus NIEM's... - insistiu Rony.
- Rony, eu devia ter começado a revisar a matéria
do trimestre 10 dias atrás. Não posso perder mais um segundo sequer.
- Mas você vai para o Ano Novo? - perguntou
esperançosamente Harry.
Hermione
hesitou em responder. Não queria ir para a Toca nem no Natal e nem no Ano Novo.
Não que ela não gostasse da família Weasley, muito pelo contrário. Só que não
estava com vontade de ver ninguém.
- Bem, Harry... - ela pensou em como responder da
forma educada - ... eu... eu realmente não vou poder... convenci a Profª
McGonagall de me ensinar a transfigurar líquidos de todos os tipos em
objetos... e... e... ela só tem tempo no dia 31... sabe, não daria tempo de ver
tudo se eu tivesse que viajar...
- Já que você não pode aparatar, vá de pó de flu.
Chegará na Toca em um minuto. - Disse Rony.
- Olha, é q realmente não vai dar... desculpem... a
gente se vê dia 02 de janeiro, certo? - retrucou Hermione.
Harry
e Rony olharam demoradamente para a amiga e desistiram de tentar convencê-la.
Devia ter um motivo muito forte para ela querer estar em Hogwarts, sozinha, no
ano novo. "Depois", pensou Harry, "eu tento descobrir o que
é."
Duas
horas depois, tudo pronto para a partida. Hermione acompanhou Harry e Rony até
a porta da Escola, onde o zelador Argo Filch e sua gata, Madame Nor-r-ra,
inspecionavam minuciosamente os alunos na tentativa de impedi-los de fazer
alguma "gracinha de despedida". Os olhos da gata acompanhavam
intermitentemente os Gêmeos Weasley, o que não os impediu de lançar uma Bomba
de Bosta no hall. Enquanto Filch gritava, Harry, Rony e Hermione, sem ligar
para a confusão, se despediam.
- Dê um beijo em sua mãe por min, Rony. E, por
favor, não se metam em confusões, ok?
- Claro, Hermione. Juramos solenemente não fazer
nada de bom! - disseram Rony e Harry, entre risos, e Hermione acabou rindo também.
- Mas, agora sério, Mione. O que você vai ficar
fazendo aqui? Pegue os livros e vá com a gente. - insistiu Harry.
- Além da aula extra com a McGonagall, Dumbledore
disse que os alunos que ficarem poderão participar de uma Oficina de Ano Novo,
onde os professores vão ensinar magias próprias para essa data. E isso é,
literalmente, só uma vez no ano, Harry. - respondeu Hermione.
Não
mais convencidos do que já estavam sobre os segredos de Hermione, Harry e Rony
embarcaram na carruagem que os levaria até a Estação de Hogsmeade. Hermione
ficou observando a carruagem se afastar e nem notou quando alguém parou
ao seu lado.
- Seus amiguinhos a abandonaram, Srta. Granger? -
era a voz de Severo Snape - Ou será que finalmente eles se cansaram de ouvir
você recitar "Hogwarts: Uma História"? - o tom de desdenho na voz de
Snape era claro.
Hermione
não se deu ao trabalho de responder. Olhou friamente o professor e saiu, sem
dizer uma palavra, caminhado de volta à Torre da Grifinória. "Por que ele
tem que me tratar sempre assim? Por que?" pensava enquanto caminhava.
Enquanto
isso, o riso que estava nos lábios de Severo Snape foi diminuindo, quando ele
finalmente parou para pensar: "Por que ele fazia isso com ela? Por que
tinha que tratá-la tão mal?". E exclamou: "Ela é uma sabe-tudo
sangue-ruim. E é assim que deve ser tratada."
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Capítulo 2
O
Salão Principal de Hogwarts estava ricamente decorado para o Natal. Alvo
Dumbledore, porém, deixou apenas uma mesa, visto que poucos alunos haviam
permanecido na escola. E após todos os alunos se sentarem, com uma certa
distância para os de outra casa, começou a falar:
- Não é porque somos poucos que vamos deixar de
festejar! Eu e os professores lhes desejamos um Feliz Natal e lembramos que a
partir de amanhã até a véspera do ano novo realizaremos a "Oficina de Ano
Novo", para todos os alunos, para vocês aprenderem magias próprias para
essa data. Agora comam e aproveitem para experimentar o Manjar de Todos os
Sabores, uma variação dos Feijõezinhos de Todos os Sabores. Mas cuidado com o
Manjar amarelo-pálido... é maionese estragada. Então... Atacar!
Ao
estalar de dedos de Dumbledore, a mesa se encheu de comida e todos puseram a se
aproveitar disso imediatamente. Poucos os alunos ficaram na escola. No canto da
mesa, os representantes da Grifinória, Hermione Granger e Neville Longbotton.
Da Corvinal, Luna Lovegood e Teo Boot. Apenas Ernie Macmillan, da Lufa-Lufa,
ficara. Sem surpresas, o trio Draco Malfoy, Gregory Goyle e Pansy Parkison, da
Soncerina, resolveram ficar na escola também, "o que", pensou
Hermione, "não pode ser um bom sinal". Dos professores, além do Diretor Alvo Dumbledore, ficaram Minerva
McGonagall, Severo Snape, Sybila Trelawney, Flitwick e Rúbeo Hagrid. O zelador
Filch e sua gata continuavam a patrulhar os corredores, mesmo que quase não
tivessem alunos para vigiar.
Após o
jantar, Hermione e Neville foram para a Torre de Grifinória, com Hermione
ligeiramente entediada por estar procurando Trevo, o sapo de Neville, em pleno
natal. Ela teve certeza de ouvir Pansy Parkinson e Draco Malfoy fazendo algum
comentário do tipo "Olha a dupla de fracassados" quando ela e Neville
passaram, mas não deu importância.
Neville
comeu demais e resolveu se deitar mais cedo, deixando Hermione sozinha na sala
comunal. Hermione, sem sono, decidiu descer até a Biblioteca. Com sorte, ela
ainda estaria aberta e poderia ler um pouco.
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Capítulo 3
Severo
Snape se encontrava em sua sala, lendo um velho livro intitulado "Poções
Para Todas As Datas", procurando a poção que ensinaria aos alunos. Só
mesmo Dumbledore para obrigá-lo a ensinar uma idiotice dessas. Com poções tão
mais importantes, ter que ensinar a ridícula "Annus Mirabillis"
era quase uma ofensa. Uma poção boba, baseada em crenças trouxas... era só o
que faltava para encerrar pessimamente o já péssimo ano do Mestre de Poções.
Fechou
o livro com um baque surdo, antes marcando as páginas da poção com um leve
acenar da varinha. Ficou olhando ao seu redor. Nenhuma cor, quase nenhuma
luz... se ele próprio não estivesse respirando, sequer haveria sinal de vida.
"Que
caminhos você tomou, não, Severo Snape?" divagou. "De Comensal da
Morte à agente duplo... não poderia simplesmente ter escolhido o caminho mais
simples? Não poderia ter escolhido... Lílian?". E com esse pensamento, uma
triste lembrança, Snape resolveu sair um pouco, passear pela escola, antes que
enlouquecesse dentro daquela masmorra sufocante.
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Capítulo 4
Madame
Pince não hesitou em emprestar para Hermione, a usuária modelo da Biblioteca de
Hogwarts, um exemplar de "Hogwarts: uma História". Provavelmente, ela
havia sido a única aluna a ler aquele livro várias vezes. Hermione saiu feliz
da biblioteca, fazendo o caminho de volta à sua sala comunal. Porém, o corredor
não estava tão vazio quanto ela gostaria que estivesse.
Draco,
Pansy e Goyle a olhavam ameaçadoramente, com sorrisos presunçosos em seus
rostos e Hermione podia quase adivinhar o que eles queriam fazer.
"Olha, gente, a Sangue-Ruim sozinha... o que
aconteceu com o cordão umbilical que te ligava ao pobretão do Weasley e ao
metido do Potter? Eles cortaram?" - o sarcasmo na voz de Draco era o
suficiente para irritar qualquer um.
"Ou então, vai ver eles finalmente perceberam
que você é uma chata!" - emendou Pansy.
Hermione,
calada, apenas fitou brevemente o trio e tentou passar por eles para continuar
seu caminho. Draco a bloqueou.
"Por que a pressa, Granger? Seus amiguinhos
não estão te esperando... acho seriamente que nós podemos nos divertir
juntos..." e com isso foi se aproximando dela.
Hermione
olhava chocada para Draco, sem conseguir se desvencilhar dele, escutando ao
longe Pansy exclamar interjeições que demonstravam o quão chocada e enciumada
ela estava. Goyle sequer se moveu. Draco esta a milímetros do rosto de
Hermione, seus lábios quase se tocando, quando ela escutou uma voz firme
comandando:
- Solte-a, Malfoy!
Relutantemente,
Draco a soltou e encarrou o Profº Snape com o mesmo sorriso presunçoso de
minutos atrás. Os três passaram por Snape, que apenas disse: "Menos 5
pontos para minha própria casa, Malfoy, por você não conseguir controlar seus
hormônios." O sorriso de Draco desapareceu e eles foram embora.
Snape
e Hermione se olharam longamente, ela completamente sem entender o motivo de
Snape defendê-la. Ele, parecendo (e provavelmente o fez) que leu sua mente,
respondeu:
- Ainda que a contra-gosto, sou seu professor,
Srta. Granger. Não permitiria que outro aluno, ainda mais de minha casa, lhe
fazer mal.
Hermione
hesitou e pensou em ser educada... mas Snape não merecia sua educação.
- O Sr. não deve estar acostumado com essa palavra
mas... obrigada! Embora eu pudesse me livrar dele sozinha. - e pontuou com tons
de raiva essa frase.
- Ah, claro. Eu me esqueci. A Srta. Sabe-tudo
Granger provavelmente seria capaz de estuporar o Sr. Malfoy e seu amigos, ou
até petrificá-los. Quem sabe até fazer uso das Maldições Imperdoáveis? -
cinismo exalava de Snape.
- Você as conhece muito bem, não? - ironizou
Hermione.
- Sem dúvida conheço. Quer que eu lhe descreva
exatamente o que sinto quando uso uma delas? Ou será que o coração da Sabe-tudo
é muito fraco para ouvir como é fascinante, inebriante, a sensação do poder
sobre a vida e morte?
- Uma vez comensal... sempre comensal, não é assim?
Vo-Voldermort arrancou seu coração quando você se tornou um servo dele ou você
nunca teve um? - quase gritou.
- Parece muito corajosa ao mencionar o Lord das
Trevas, Srta. Granger. Creio que não teria essa coragem se o visse. Mas em resposta a sua pergunta, eu tenho um
coração. Mas não preciso usá-lo em relação a você. Meu sentimento por você é
apenas desprezo.
Os
olhos de Hermione piscaram, para impedir as lágrimas que tinha se formado de
caírem. Ela correu e tentou passar por Snape, que a impediu, agarrando com
força seu braço. Ela olhou com fúria nos olhos dele.
- Se usasse mais o seu coração, talvez aprendesse o
que é o amor e soubesse como é fascinante, inebriante, a sensação de ser amado.
- ela despejou nele as mesmas palavras que usou para ela.
Snape
a soltou, ambos ainda se fitando com fúria. Hermione voltou para a Torre de
Grifinória e Severo Snape permaneceu no mesmo lugar, por quanto tempo ele não
sabe, ouvindo as batidas do seu coração, quase como para se certificar que
realmente possuía um.
Em sua
cama, completamente só no dormitório das meninas, Hermione chorou. Não entendia
o que sentia por Snape... era ódio... ao mesmo tempo com uma vontade de
mudá-lo, de fazê-lo se tornar bom... talvez... de amá-lo. Não, Severo Snape não
conhecia o que era o amor, mas ela esperava ensiná-lo.
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Capítulo 5
Após o
café no Salão Principal, Dumbledore reorganizou tudo a um aceno de sua varinha
e surgiu na parede um enorme faixa onde se lia "Oficina do Ano Novo".
Com um aceno da varinha da Profª Minerva, pergaminhos com a programação da
oficina voaram para as mãos dos alunos. Hermione leu o seu:
Dia 26: 10 Horas - Profº Flitwick: "Explodium,
o feitiço dos fogos de artifício"
Dia 27: 10 Horas - Profº Binns: "As Guerras da
Passagem"
Dia 28: 10 Horas - Profª McGonagall:
"Transfigurando rosas brancas em Pombos da Paz"
Dia 29: 10 Horas - Profº Snape: "Annus
Mirabillis, a poção do ano novo"
"Aula com o Profº
Binns... se o Harry e o Rony estivessem aqui..." Hermione sorriu e não se
surpreendeu pelo professor fantasma estar na escola... afinal, a rotina dele
não se alterou nem com a morte, porquê se alteraria com o ano novo?
Horas
depois, todos os alunos estavam um pouco mais descontraídos, depois de praticar
muitas variações do Explodium, o feitiço dos fogos de artifício.
Hermione conseguiu fazer uma fênix e um dragão duelarem no ar e ganhou 10
pontos para Grifinória por isso. Neville, no entanto, conseguiu que sua varinha
soltasse apenas algumas fagulhas de cores diferentes. O trio da Soncerina
estava mais preocupado em fazer seus fogos atingirem alguém do que propriamente
fazê-los bem. Luna Lovegood fez Dumbledore rir quando seus fogos simularam uma
partida de quadribol entre Grifinória e Soncerina, que acabava com um Harry
extremamente brilhante apanhando o pomo e um Draco caindo da vassoura. Snape
não esboçou sequer um olhar de desaprovação: simplesmente ignorou o feitiço de
Luna.
O
resto do dia transcorreu tranqüilo. Hermione pode enfim reler as passagens de
"Hogwarts: Uma HIstória" que falavam de acontecimentos marcantes da
escola que ocorreram no ano novo. Leu que o melhor lugar para avistar os fogos
de Hogsmeade era das janelas da Torre Oeste, a Torre da Corvinal, de onde o
último povoado bruxo da Inglaterra podia ser visto integralmente. Leu também
que em 1813 um grupo de Duendes, administradores de Gringotes, o banco bruxo,
já naquela época, se revoltaram contra a chegada do novo ano e fecharam o banco
por uma semana, causando a primeira inflação da história bruxa. O diretor de
Hogwarts nessa época foi o responsável por acabar com a revolta.
Estava
quase terminando de ler o último parágrafo desse capítulo quando ouviu Neville
Longbotton gritar de pavor, quando Draco Malfoy lançou nele o Feitiço das
Pernas Presas e ele tentava se manter de pé pulando. Pansy e Goyle se dobravam
de tanto rir e Malfoy estava se divertindo mais do que eles. Hermione interferiu.
- Finite Incantatem! - disse e liberou
Neville. - Francamente, Malfoy. Será que não pode ver ninguém em paz?
- O que foi, Granger? Tá de mal humor por que o
Snape impediu que eu te beijasse quando o que você mais queria era um beijo
meu? - Draco disse e Pansy fechou a cara na hora.
- Eu beijaria um trasgo antes de te beijar, Malfoy!
- É mesmo? Prove então... - e veio caminhando
ameaçadoramente para ela.
Neville,
enojado pelas palavras de Draco, pegou sua varinha e lançou um
"Estupefaça" que mandou Malfoy diretamente em cima de Goyle e Pansy.
Neville sequer acreditava que tinha conseguido fazer aquilo, Hermione tampouco.
Quando Malfoy ia revidar, a Profª McGonagall e o Profº Snape apareceram para
acabar com a confusão.
- Longbotton! Sua avó não vai ficar feliz em saber
que você está estuporando colegas. Talvez fique por você ter feito um feitiço
poderoso, mas certamente não lhe agradará saber as circunstâncias. E você,
Srta. Granger, por que não impediu isso? - McGonagall parecia realmente
decepcionada com os dois.
- Minerva... - interrompeu Severo -... creio que a
culpa seja, muito infelizmente, da minha própria casa. Malfoy já importunou a
Srta. Granger em outra ocasião, creio que aconteceu o mesmo agora.
O trio
de Soncerinos olhou boquiaberto para Snape. O diretor da casa de Soncerina, a
casa dos sangue-puro, defendendo uma sangue-ruim! E o pior: uma Grifinória
sangue-ruim!
- Bem, Severo... então vou lhes deixar decidir qual
será a punição deles. Quanto ao Sr. Longbotton, creio que o berrador que
receberá de sua avó será o suficiente para ele aprender que não se deve
estuporar os colegas. Já a Srta. Granger, 2 dias sem Biblioteca, começando já
(e retirou das mãos de Hermione o livro "Hogwarts: Uma História"),
será mais eficaz que uma detenção. - Hermione quase chorou ao ouvir isso.
- Malfoy, Parkinson e Goyle. Vocês vão limpar a
Sala Comunal da Soncerina. SEM MAGIA! Agora, vão. - Snape disse rispidamente.
Draco murmurou dezenas de azarações enquanto se digiria a masmorra.
- Ótimo, então. Longbotton, me acompanhe enquanto
escrevo para sua avó. Obrigada, Severo. - e dizendo isso se retirou com
Neville. Hermione e Snape ficaram sós e ela resolveu perguntar:
- É a segunda vez em menos de 24 horas que me
defende... sem dúvida esse é o seu recorde mundial. Mas por que me defendeu?
- Reitero o que disse ontem, Srta. Não permitiria
lhe fazerem mal.
- Obrigada.
- O que disse? - perguntou Snape
- Eu disse o-b-r-i-g-a-d-a. - Hermione e Snape se
olharam profundamente e Snape quebrou o silêncio.
- Bem.. Srta. Granger, já que está impedida de ler
e não tem ninguém menos desastrado nessa escola... - hesitou - ... será que poderia me acompanhar em um
trabalho? Tenho algumas poções complexas a fazer, encomendadas pelo St. Mungus
para tratar doenças raras, o estoque deles está baixo nesta época... pensei se
a Srta. poderia, bem, me ajudar?
- Claro! - a resposta de Hermione saiu mais rápido
pela sua boca do que foi processada em seu cérebro.
- Bem... então... - Snape parecia levemente
constrangido -... eu aguardo a Srta. em minha sala após o Jantar. - e dizendo
isso saiu sem mesmo dar tempo para Hermione consentir.
Hermione
considerou a proposta por um momento, mesmo que já houvesse aceitado. Bem...
Snape parecia consideravelmente mais agradável nesses dois últimos dias... não
poderia ser tão ruim assim ajudá-lo... "Será?" pensou Hermione
"Será que bem lá no fundo, inconscientemente, ele goste de mim". E
com um sorriso no rosto voltou ao castelo.
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Capítulo 6
Depois do jantar, Hermione se despediu de Neville,
ainda triste pela severidade de McGonagall e disse que tinha uma importante
tarefa a cumprir. Ele nem perguntou aonde ela ia. Hermione desceu para as
masmorras mais alegre do que de costume. Chegou a porta da sala do Mestre de
Poções e bateu. Snape abriu a porta rapidamente. Hermione se surpreendeu com o
que viu. Snape estava sem a longa capa negra, vestia apenas calças pretas (que
Hermione acharam bem justas para o padrão dele) e uma blusa de linho branca,
leve, cujas mangas ele dobrou, expondo seu braço. Hermione olhou brevemente
para o braço dele em busca da marca dos Comensais da Morte, mas não viu nada. E
o que veio a seguir quase a matou. Snape sorriu! Sim, sorriu para ela e a
convidou a entrar. Hermione estava desconhecendo Severo Snape. Ou finalmente
estava conhecendo-o, quem sabe?
- Srta. Granger, o St. Mungus pediu 5 caldeirões de
"Leuccimia Miellinus", uma poção para curar uma doença rara
entre os bruxos e comum entre os trouxas, a Leucemia. É uma deficiência na
produção de células sanguíneas normais que acarreta uma série de outros problemas.
Tanto a medicina trouxa como a bruxa são pouco evoluídas em relação à essa
doença. A poção cura somente 30% dos casos, os mais leves, mas é melhor do que
nada.
- A medicina trouxa utiliza quimioterapia para
tratar essa doença. - disse Hermione.
- Quimioterapia? - perguntou curiosamente Snape
- Sim, um coquetel de remédios fortes, que matam as
células malígnas mas também as saudáveis. Os trouxas que possuem essa doença
sofrem muito e o índice de cura certamente não é muito maior que o da sua poção.
Snape
começava a ver a utilidade de ter uma sabe tudo do lado dele... se Hermione
possuia conhecimentos da medicina trouxa, poderia ser de grande ajuda no
aperfeiçoamento das poções que o St. Mungus lhe encomendava.
- Interessante, Herm... Srta. Granger. Podemos
começar picando os ingredientes... são cerca de 30... creio que só faremos isso
hoje.
- Pode me chamar de Hermione.
- Como disse? - Snape perguntou assustado
- Eu disse que pode me chamar de Hermione, não tem
problema. Pra falar a verdade, prefiro Hermione do que Srta. Granger.
- Ok, então, Hermione - e Snape parou um minuto
para apreciar o som do nome dela saído de seus lábios - vamos trabalhar.
Por 4
horas seguidas, ininterruptamente, eles picaram os ingredientes das poções. E,
por incrível que pareça, conversaram civilizadamente. Hermione contou a ele
sobre os livros de Ciências Biológicas dos pais, dentistas, que ela leu e de
onde vinha boa parte do seu conhecimento de medicina trouxa. Severo contou a
ela algumas das doenças trouxas que também acometiam os bruxos e as diferenças
em cada caso. Conversaram até que Snape percebeu o que a hora tinha passado.
- Srta. Gra... Hermione, já passa das onze horas,
você devia estar na cama há muito tempo.
- Não se preocupe, o único problema é passar pelo
Filch... ele não deixa os alunos transitarem nos corredores depois de 9 horas.
- Bem, nesse caso, lhe acompanharei até a Torre da
Grifinória.
Hermione
ainda não conseguia acreditar em como a noite conseguiu passar tão bem. Como
podia haver esse paradoxo? Severo Snape, o cruel e temido professor de poções,
mostrar-se tão gentil a ponto de acompanhá-la até a Torre? Quando chegaram à
frente do retrato da Mulher Gorda, se despediram com um cordial aceno de
cabeças e Hermione disse-lhe que voltaria a ajudá-lo na noite seguinte. Severo
Snape voltou para as masmorras tentado se lembrar qual foi a última vez que se
sentiu tão leve.
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Capítulo 7
Na
manhã seguinte, após o café, o Salão Principal foi novamente preparado para a
"Oficina de Ano Novo". A aula do Profº Binns demorou longas e
intermináveis duas horas, nas quais ele falou sobre todas as Guerras da
Passagem, as guerras entre os povos bruxos do Norte que duraram 1000 anos, pois
só se realizavam no dia do ano novo. Neville dormiu na narração da 112ª guerra.
O trio soncerino se divertia fazendo o material de Ernie Mcmillan mudar de
lugar sempre que ele tentava pegar alguma coisa. Luna e Teo estavam
descaradamente lendo "O Pasquim" e Hermione, mesmo se esforçando,
cochilou algum tempo entre a 763ª e a 924ª guerras. Quando o Profº Binns
finalmente narrou a 1000ª guerra, um suspiro de alívio foi ouvido. Hermione
podia jurar que ouviu a Profª McGonagall, que estava participando da oficina,
fazer o mesmo.
Hermione
se levantou e esticou o corpo. Quanto ela estava voltando para a Sala Comunal
da Grifinória, Severo Snape a interceptou.
- Hermione... você deve estar cansada, eu sei...
mas, se você não se importar, eu realmente gostaria da sua ajuda logo depois do
almoço. Gostaria de adiantar a preparação da poção... ela tem que cozinhar 24
horas e tem alguns ingredientes que devem ser acrescentados de 2 em 2 horas...
e ficaria mais fácil de começássemos mais cedo... e... se você puder ir... -
terminou Snape com um ar esperançoso
- Tudo bem, Profº Snape. Eu irei. - Hermione
respondeu com um suave sorriso.
- Severo. - disse Snape.
- Como, senhor? - Hermione não queria acreditar no
que ele disse
- Me chame de Severo. Se eu posso te chamar pelo
seu primeiro nome, você também pode me chamar pelo meu. - e quase, quase mesmo,
sorriu. - Então... eu te espero em minha sala depois do almoço, Hermione.
- Até lá... Severo. - E Hermione realmente gostou
de como isso soou.
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Capítulo 8
Hermione engoliu a comida, não mastigou. Não ver o
Profº Snape junto dos outros só aumentou sua ansiedade. Por que ele não foi
almoçar? Desceu correndo, quase tropeçando, até a masmorra. Bateu na porta e
esperou um pouco até Snape abri-la. Isso lhe deu um tempo para se recompor.
- Entre, por favor, Hermione. - pediu gentilmente
Snape.
- O senhor não foi almoçar... aconteceu algo? -
arriscou Hermione.
- Não, nada. É porque, para adiantar, eu já
coloquei alguns ingredientes para cozinhar e pedi que trouxessem o meu almoço
aqui. Venha ver - e a indicou a fila de 5 caldeirões - estes são os primeiros
10 ingredientes, as raízes suberosas que picamos por último ontem. Daqui a 1
hora já podemos acrescentar a seiva das viúvas-negras. Aliás, ontem estávamos
discutindo sobre as propriedades trombolíticas da teia-da-aranha e achei um
capítulo interessante em um livro. Diz que a medicina trouxa da idade média
utilizava teias para estancar sangramentos e cicatrizar feridas mais
rapidamente. Pode levá-lo para ler.
- Mas Profº Sn... Severo, a Profª McGonagall me
impediu de pegar livros por 2 dias e meu castigo só acaba amanhã. - lamentou
profundamente Hermione.
- Se bem me lembro, Hermione, ela lhe proibiu de ir
a Biblioteca, não falou nada sobre livros emprestados por mim.
Hermione
pensou por um breve instante e resolveu aceitar. Eles continuaram o trabalho
por toda a tarde, terminando de acrescentar os ingredientes e mexendo regularmente
as poções. Conversaram pouco, o trabalho exigia muita concentração. Quando as
poções tinham que sofrer uma infusão por 1 hora, eles pediram o jantar na
masmorra e discutiram os resultados obtidos até o momento enquanto jantavam. O
pH de uma das poções estava relativamente diferente dos das demais e Severo
disse a Hermione que precisariam tentar estabilizar a poção, senão a perderiam.
Trabalham mais 3 horas depois do jantar e Severo novamente acompanhou Hermione
até a Torre da Grifinória.
- Hum... amanhã vou deixar as poções descansarem
por 12 horas e se você puder me ajudar a testá-las e engarrafá-las depois do
jantar, seria muito bom. Isso se você não tiver nada pra fazer, claro.
- Mesmo que tivesse, está sendo ótimo ajudá-lo,
Severo.
- Bom, então, Boa Noite, Hermione... até amanhã...
Hermione
teve a clara impressão que Severo gostaria de dizer mais alguma coisa. Se
despediram e ela entrou pela passagem atrás do retrato da Mulher Gorda,
encontrando um Neville muito acordado e feliz na Sala Comunal...
-Mione, você não vai acreditar!
- O que foi, Neville?
- Minha avó. Em vez de me mandar um berrador ela me
mandou uma carta de parabéns por eu ter conseguido estuporar o Malfoy... no fim
ela nem lamentou que eu estuporei um colega... a McGonagall só não pode saber
disso. - Neville ria de orelha a orelha.
- Eu também achei fantástico, Neville. Sério. - e
riu junto com ele
- Mas, Mione, onde você estava até agora?
- Ah, eu... eu... estava com o Profº Flitwick
revisando alguns feitiços dos N.O.M's.
Neville
pareceu aceitar essa resposta e Hermione subiu para o seu dormitório. Passou a
noite pensando em Severo... acabou adormecendo e sonhando um sonho doce... onde
Severo a amava... onde eles passeavam de mãos dadas por Hogsmeade... onde se
amavam ardentemente em seu quarto nas masmorras. Acordou tão exultante na manhã
seguinte que torceu, sinceramente, para que acordasse assim todos os dias do
próximo ano e todos os dias da sua vida.
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Capítulo 9
Hermione já estava cansada de fazer pombas voarem
pelo Salão Principal. A oficina de transfiguração estava monótona, ou talvez
Hermione é que estivesse ansiosa demais para esperar o tempo passar. A Profª
McGonagall discorreu longamente sobre o costume, trouxa e bruxo, de soltar
pombas brancas no ano novo em sinal de paz. Depois, lhes ensinou o feitiço para
transfigurar rosas brancas em pombas e Hermione não demorou nem 3 tentativas
para conseguir. Passada uma hora, Neville só tinha conseguido fazer sua rosa
soltar algumas penas. Hermione suspirou aliviada quando a Profª McGonagall os
liberou.
A hora
do almoço também não passou mais rapidamente, embora tenha sido definitivamente
mais prazerosa. Hermione e Snape trocaram olhares discretos e um leve acenar
com a cabeça durante a refeição, fato que ninguém notou. Uma troca de olhares
decididamente mais longa foi interrompida pela chegada desajeitada de uma
coruja, definitivamente atrasada e completamente desajeitada, que Hermione não
tardou a reconhecer como sendo Errol, a coruja de Rony.
A ave
se jogou em cima da mesa junto com um embrulho amassado, derrubando o suco de
abóbora de Neville. Hermione retirou Errol da mesa e pegou o embrulho. Abriu e
sorriu. Dentro, uma foto de Rony e Harry com os novos suéteres Wesley que
ganharam no Natal, acenando para ela e tentando empurrar uma Gina muito raivosa
da foto. Junto, um bilhete.
Mione,
Esperamos
que esse seja o último Natal que passamos separados. Agradeceríamos muito se
você estivesse aqui em casa... para controlar a Gina! Ela anda descontando sua
raiva em nós por não ter com quem conversar! Venha pro ano novo se der, não
vamos agüentar a Gina até meia-noite.
Beijos
Harry e Rony
Hermione
sorriu novamente. E esse sorriso foi observado por Severo Snape, que esqueceu
da comida e se pos a pensar no que poderia fazer Hermione sorrir tão
lindamente...
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Capítulo 10
A
noite finalmente chegou. Hermione se apressou até as masmorras, com o livro que
Snape lhe emprestara embaixo do braço. Ele sorriu amplamente quando abriu a
porta e ela retribuiu muito timidamente. Hermione deixou o livro em cima de uma
mesa e começou a trabalhar. As garrafas eram realmente largas e não foi difícil
engarrafar toda a poção. Ainda faltavam umas 2 ou 3 garrafas para Snape
terminar, mas com certeza no dia seguinte tudo poderia ser enviado para o St.
Mungus.
- Severo, obrigada pelo livro. Achei muitas coisas
fascinantes. Depois vou lhe emprestar os livros dos meus pais... creio que
poderemos unir os dois conhecimentos para preparar algumas outras variações de
poção, principalmente nas doenças comuns para os trouxas. Não sabia que uma
gripe poderia matar um bruxo.
- É realmente um material para muito estudo,
Hermione. Por favor, guarde o livro na minha escrivaninha. Madame Pomfrey pode
achar que quero o lugar dela se ver esse livro solto por aí.
Hermione
chegou a escrivaninha e optou por guardar o livro na última gaveta, depois de
um breve momento de incerteza sobre onde guardá-lo. Antes de colocar o livro,
uma foto lhe chamou a atenção. No fundo da gaveta, sob alguns pergaminhos
velhos, uma jovem de olhos incrivelmente verdes sorria recostada em uma árvore.
Seus cabelos ruivos lhe caiam abaixo dos ombros e o emblema de Grifinória era
visível em seu peito. Hermione não agüentou a curiosidade, virou a foto para
ver se havia alguma dedicatória, mas só havia um nome: Lílian Evans.
- Oh... é a mão do Harry! - Hermione exclamou.
Snape
já havia terminado e estava voltando a sua sala para falar com Hermione quando
a visão dela segurando uma foto o congelou no lugar em que estava. Hermione
percebeu a presença de Snape e ficou completamente atordoada.
- Severo, me desculpe... eu.. quer dizer... eu não
sabia onde guardar o livro... e vi a foto... e... desculpa mesmo... eu juro que
não mexo em mais nada... quer dizer, eu não mexi... a foto estava... estava...
Snape
se dirigiu violentamente até Hermione e arrancou a foto de sua mão. Hermione
ainda tentou se desculpar, mas Snape disse friamente:
- Saia, Granger!
- Mas, Severo...
- SAIA! - ele repetiu ferozmente
Hermione
já estava com a mão na maçaneta da porta quando decidiu que não sairia assim
sem explicação. Virou-se e encarrou o professor.
- Por isso você o odeia, não? - perguntou. - Odeia
Harry porque amava a mãe dele e não pode tê-la. Então, você desconta sua
frustração em alguém que não tem a menor culpa se ela preferiu Tiago Potter em
vez de um Comensal da Morte!
- Eu jamais amaria uma sangue-ruim, Granger! -
repeliu Snape - E odeio Harry porque ele é presunçoso, irônico e metido, tal
quanto o seu pai. E você, Srta. Granger, não tem nada a ver com a minha vida.
SAIA, eu já lhe disse!
- Não, eu não saio! - Hermione gritava agora. - Eu
não vou sair até você admitir que amava a mãe do Harry! Talvez eu entenda
porque você é tão frio hoje.
- Então, terei de retirá-la a força de minha sala.
Snape
segurou firmemente o pulso de Hermione, quase ao ponto de quebrá-lo e começou a
arrastá-la em direção a porta. Hermione se contorcia de dor, mas não desistiu
de arrancar a verdade de dentro do coração de Severo Snape.
- Admita! Ou você se acha menos Comensal da Morte
por ter amado alguém! O seu "Lorde da Trevas" só aceitava servos sem
coração?
Snape
jogou Hermione rudemente de encontro a porta, e antes que ela cambaleasse e
caísse, ele a prendeu usando seu corpo. Seus rostos ficaram a centímetros de
distância. Hermione ainda arriscou.
- Sabe o que eu acho? Acho que foi melhor pro Harry
ser filho de Tiago e Lílian. Antes ter o desgosto de perder os pais do que
correr o risco de ser seu filho, Severo! - A raiva escoava de Hermione a cada
palavra.
- É Profº Snape pra você, Srta. Granger! - Snape
rosnou.
Eles
se olharam com fúria durante poucos segundos. Ainda segurando o pulso dolorido
de Hermione, Snape abriu a porta. Depois, a jogou com força pra fora da
masmorra e ela se desequilibrou e caiu, tentando impedir que as lágrimas que
estavam em seus olhos caíssem. Snape olhou-a friamente e disse:
- Vá correndo para perto dos seus amiguinhos
imundos! Você é idêntica a eles, Granger! - e bate a porta.
Hermione
deixa as lágrimas caírem, seu rosto vermelho e sua respiração curta, ainda
caída no chão. Uma revolta de sentimentos em seu interior. Snape amava Lílian,
isso era óbvio. Mas por que ele se enfureceu daquela maneira? Não poderia
simplesmente ter admito que era capaz de amar. "Ele não poderia admitir
que me ama?" - pensou Hermione esperançosamente. Sim, pois ela o amava.
Desde quando, ela nunca soube. A inteligência e o mistério do Mestre de Poções
a encantavam desde sempre, talvez desde que chegou a Hogwarts e percebeu que
por trás do temido professor havia um coração marcado pelas feridas das artes
das trevas, da falta de carinho e da solidão.
Hermione
se lembrou das vezes que inconscientemente o olhou por cima de seu caldeirão,
contemplando sua a face séria, das vezes que arrepiou ao ouvir seu tom de voz
sempre imperativo, das vezes que questionou sua lealdade. Se lembrou de como
nasceu esse sentimento louco, impróprio e certamente não recíproco por aquele
que ela jamais poderia dizer pessoalmente que ama: Severo Snape.
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Capítulo 11
Na
manhã seguinte, após uma noite longa em que foi atormentada por pesadelos
(Snape sendo torturado por Voldemort, Snape presenciando a morte dos pais,
Snape morrendo... ela chorando), Hermione considerou seriamente a hipótese de
não ir à Oficina de Ano Novo naquele dia... era a oficina de Poções. Mas,
pensando bem, não daria a Severo Snape o crédito por ter arrasando-a. Se trocou
e foi para o Salão Principal.
Encontrou
Neville à mesa e sentou-se, não sem antes olhar de relance para a mesa dos
professores e confirmar que o responsável por sua destruição estava sentado à
mesa, completamente indiferente aos acontecimentos da noite anterior. Hermione
resolveu provocá-lo. Dobrou as mangas de sua veste e expôs seu pulso machucado,
vermelho e até mesmo inchado, bem à mostra para Snape ver o que tinha causado a
ela, isso só pra falar do nível físico. Ela riu interiormente quando percebeu
que ele olhava para o seu pulso. O que ela não percebeu foi que Dumbledore
também vira seu pulso. Neville a interrompeu.
- Hermione! Você se machucou! O que aconteceu?
- Hum... nada, Neville. É só que... Bichento me
arranhou e eu cocei e... acho q não devia ter feito isso... mas não se
preocupe. Depois eu procuro Madame Pomfrey e ela receita alguma coisa pra
passar aqui.
O café
acabou e novamente a sala foi transformada para a oficina. Snape se levantou
imponentemente da mesa e começou a explicar antes mesmo dos outros professores
deixarem a sala. Dumbledore hesitou, mas resolveu se retirar também. Snape
falava:
- Hoje vocês farão a poção Annus Mirabillis,
a Poção do Ano Novo. É uma poção que lhe ajuda a conquistar o que deseja no
próximo ano. Porém, é uma das poucas poções que possui uma clara interferência
da crença dos trouxas sobre cores que significam desejos. Cada um deve
acrescentar à poção um líquido, chamado Annus incantatem, com a essência
do que desejam obter no próximo ano. Para dinheiro, Fortune infinite, o
líquido amarelo. Para, argh, paz, Serenissimus Serenae, o líquido
branco. Para amor, Amore aeterno, o líquido vermelho e assim por diante.
Todos estão identificados por etiquetas. As instruções estão no quadro.
Pessoalmente, não acredito nessa poção pois não acredito em crenças trouxas.
Mas Dumbledore quer que vocês aprendam e diz que se acreditarem ela funcionará.
Para quem quiser, experimentar, devo avisar que ela deve ser consumida à
meia-noite do dia 31. Podem começar.
Hermione
olhou as instruções e começou a preparar sua poção. Depois de 1 hora, só
faltava acrescentar a essência daquilo que queria para o próximo ano. Antes de
escolher a essência, escutou uma voz muito conhecida ao seu lado.
- O que a
Srta. sabe-tudo Granger poderia querer? Eu sugiro que, "Memorabillis
aeterno", a memória eterna, seja o ideal para a Srta. Quem sabe assim
pode terminar de decorar toda a Biblioteca de Hogwarts? - um riso cínico
escapava de seus lábios. - E você, Longbotton, use "Talentus".
Quem sabe tem sucesso em minha matéria? Embora, no seu caso, creio que só um
milagre o ajude. - E saiu de perto deles com um riso de satisfação presumida no
rosto.
Neville
baixou os olhos para o seu caldeirão, quase chorando. Hermione o observou
colocando Serenissimus Serenae em sua poção, com uma cor ligeiramente
diferente da que deveria. Hermione sentiu pena e compaixão de seu colega. Ao
mesmo tempo lembrou das palavras de Snape... não, ela não podia amar alguém tão
arrogante e insensível. Ela precisava de alguém que a amasse de verdade, que a
merecesse, que a respeitasse a admirasse. Discretamente, ela acrescentou "Amore
aeterno", a essência do amor, em sua poção. Do canto do olho, enquanto
observava a poção de Malfoy, Snape viu quando ela derramou o líquido vermelho
em sua poção.
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Capítulo 12
No dia seguinte Hermione se sentia ainda mais
indisposta e triste do que no dia anterior. Não desceu para o café. Ficou na
Sala Comunal acariciando Bichento e olhando cegamente para a janela da Torre.
Neville lhe trouxe suco de abóbora e alguns biscoitos e ela agradeceu sinceramente.
Porém, não queria ver nem conversar com ninguém. Neville percebeu e saiu,
dizendo que ia até o corujal despachar um cartão de ano novo para sua avó.
Bichento
saltou do colo de Hermione e ela resolveu voltar para o dormitório. Ficou
deitada olhando para o teto, por quanto tempo ela não sabia, até que saltou da
cama com um pulo quando alguém falou:
- Suco de Abóbora e biscoitos somente não sustentam
ninguém, Hermione. - Era Alvo Dumbledore sentado serenamente na cama ao lado da
dela.
- Senhor! Como entrou aqui? Eu digo, o feitiço para
não subir no dormitório das meninas... o que o senhor faz aqui? - Hermione
estava assustada.
- Ah, o feitiço da rampa... engenhoso, eu devo
dizer, mas é apenas para garotos, Hermione. E eu não tenho mais 15 anos... - e
a olhou ternamente com um sorriso nos lábios, observando a por cima dos óculos
de meia-lua. - Mas eu vim aqui conversar com você. Penso qual motivo é tão
forte a ponto de separar o trio mais inseparável de Hogwarts.
- Bem, Profº Dumbledore, eu... eu queria muito
participar da oficina. E está sendo muito proveitoso. - Hermione não era boa em
mentiras.
- Hum, a oficina... a oficina atende pelo nome de
Severo Snape? - o tom de Dumbledore era divertido.
- Não! Profº Dumbledore... imagina, o que teria o
Profº Snape a ver com isso?
- Eu sei que vocês têm trabalhado juntos e eu sei
que algo aconteceu ontem a noite que quebrou o que estava acontecendo entre
vocês. E quase quebrou o seu pulso, também.
Hermione
esfregou inconscientemente o pulso e fitou longamente Dumbledore. Não
adiantaria mentir. Dumbledore poderia ler sua mente se quisesse, mas ela
duvidava que ele fizesse isso. Todavia, ela estava cansada de esconder aquele
sentimento. Resolveu ser franca com Dumbledore.
- Ele ficou irritado pois achei sem querer uma foto
da mãe do Harry na gaveta dele. Acabamos trocando insultos. Posso ter me
excedido, eu assumo, mas Severo não foi gentil comigo.
- Ah, lembro-me do início desta história. Tiago, o
pai de Harry, e Severo, um garoto órfão de hábitos um pouco estranhos para a
sua idade, se detestavam pelo simples fato do outro existir. Lílian chegou a
impedir que algo mais sério acontecesse entre os dois. Confesso que sempre
desconfiei que Severo nutria por ela algum sentimento mais forte, mas ele era
demasiadamente retraído para deixar transparecer algo mais.
- Ele disse que jamais amaria uma sangue-ruim. -
interrompeu Hermione.
- Severo sofreu provações, Hermione, que eu
gostaria de ter podido evitar. Ele quase morreu diversas vezes para nos ajudar.
Sei que Harry questiona muito a lealdade de Severo, mas me atrevo a dizer que
foi por causa de Severo que ele já escapou da morte umas 2 vezes. Ele sofreu
desde pequeno, não conheceu o amor. E quando pensou que ia conhecer, isso lhe
escapou das mãos. Ele se fechou e colocou em volta de si uma barreira, quase
uma máscara. O Profº Snape não é o Severo que eu conheço. É só a armadura de um
homem calejado pela morte e pela vida. Você pode conhecer Severo, o homem,
Hermione. Você pode tirá-lo de sua armadura e lhe ensinar o que ele nunca
aprendeu.
- Mas, Profº Dumbledore... - Hermione tentou falar
enquanto Dumbledore se levantava e saia.
- Pense, Hermione. Deixe um pouco de lado a razão.
O amor não se encontra em livros. - e tendo dito isso, Alvo Dumbledore saiu,
deixando só uma Hermione muito pensativa.
Deitou-se
novamente e tentou entender tudo que Dumbledore lhe dissera. Se ela amava
Snape, tão cruel e frio quanto era, certamente amaria Severo e tentaria lhe
curar todas as feridas. "Mas", pensou ela, "ele jamais faria o
que fez comigo se me amasse. Ele ainda ama a memória de Lílian. Ou pior, não
ama nem a sí próprio". Remoendo estes pensamentos, adormeceu e acordou
poucos minutos antes do jantar.
Snape
não estava no Salão Principal quando ela desceu e nem apareceu durante todo o
jantar. Ela pensou se Dumbledore teria ido conversar com ele também. Ou se ele
tinha ido pessoalmente ao St. Mungus entregar-lhes as poções. Ou se
simplesmente se acovardou em sua masmorra com medo de encará-la nos olhos.
Jantou e voltou a Torre de Grifinória acompanhada de Neville. No caminho ouviu
Filch ralhando com Draco, Pansy e Goyle quando eles tentavam colar um cartaz
escrito "torre dos fracassadonórios", enfeitiçada para mostrar
intermitentemente os nomes dos alunos de Grifinória, na frente do retrato da
Mulher Gorda. Hermione e Neville riram jocosamente para o trio soncerino
enquanto eles recebiam do zelador a tarefa de limpar a sala de troféus e
enxugar o banheiro da Murta-que-geme.
Enquanto
isso, nas masmorras, um homem ajoelhado curvado ao chão, suado e sem camisa,
parecia resistir ferozmente a algum tipo de dor, enquanto uma marca negra
latejava viva em seu braço. Severo Snape estava sendo convocado para uma
reunião com o Lorde das Trevas. Jamais poderia esquecer seu papel de Comensal
da Morte. Enquanto se debatia febrilmente, pensou em sua vida, nos caminhos que
poderia ter tomado. Poderia ter escolhido Lílian... jamais teria se virado para
o lado negro e seu filho jamais teria uma cicatriz em forma de raio na testa.
Ou poderia ter assumido seu erro e pagasse seus pecados em Azkaban, sendo um
beijo de um dementador algo preferível à sua vida dupla atual. E pensou em
Hermione... aquela bela menina insolente que mexia com ele, que ousava
desafiá-lo. Será que a vida estava lhe dando a chance de uma outra escolha?
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Capítulo 13
Com a manhã livre, quase que todos resolveram
esticar a noite e acordaram muito tarde. O café foi servido nas salas comunais,
quase na hora do almoço. Logo depois da refeição, no período da tarde, véspera
de ano novo, pode se notar que algo estranho acontecia em Hogwarts. Em meio ao
Salão Principal enfeitado de branco e prata, com uma faixa com os dizeres
"Ano Novo, Estudos Novos" e um céu encantado com fogos de artifício,
alguns alunos tem reações adversas.
A
varinha de Draco Malfoy parecia cuspir feitiços e ele não conseguia
controlá-la. Seus cabelos já tinham virado grama, uma mesa estava com perna de
trasgo e o chapéu da Profª McGonagall virou um pequeno chapeuzinho, por
pouco não o feitiço não acertara sua cabeça. Goyle vomitava todo o peru, o purê
de batata e cinco ovos que tinha comido. Ernie Mcmillan sorria debilmente,
gargalhava até lhe faltar o ar.
Dumbledore
e McGonagall perceberam que os alunos tinham bebido a poção ensinada por Snape
na hora errada. Beberam meio-dia ao invés de meia-noite. Madame Pomfrey os
recebeu na enfermaria, tendo que dificuldades de cuidar de um Draco
petrificado, pois fora a única maneira de parar com os feitiços que jorravam de
sua varinha. Goyle já devia ter até emagrecido, pelo tanto que vomitou. E Ernie
teve que cheirar cebolas para chorar em vez de rir, embora estivesse fazendo as
duas coisas ao mesmo tempo.
Mais
tarde Hermione soube que Draco colocara "Magicus Extremus", a
essência do poder, em sua poção.Goyle usou "Gula Extremus",
para nunca faltar comida, e decidiu tomar na hora do almoço para comer mais no
almoço e no jantar. Ernie Macmillan, preparou sua poção com a essência Allegreto,
errou na dose e provavelmente só pararia de rir 12 horas depois. Hermione quase
se divertiu com a situação. Pelo menos o trio soncerino não aprontaria nenhuma
gracinha fazer para começar mal o seu ano.
Hermione
procurou por Luna Lovegood e Teo Boot, mas eles desapareceram rapidamente,
gritando algo como "estamos investigando uma conspiração de bruxos que
supostamente quer enfeitiçar o mundo para impedir a chegada do ano novo,
notícia do Pasquim, edição de ano-novo". "Enfeitiçar o mundo",
Hermione repetiu. Nem Alvo Dumbledore poderia... Subiu a Torre da Grifinória e
encontrou Neville jogado em uma poltrona, dormindo profundamente. O cálice em
sua mão confirmou o que Hermione imaginava. Ele também tinha errado na dose de
sua poção da paz e agora dormia o mais tranqüilo dos sonos. Provavelmente só
acordaria quando já fosse ano novo.
Hermione foi se trocar. Logo mais começaria a queima de fogos em
Hogsmeade e ela queria assistir.
Escolheu
um vestido branco de alça, simples, que lhe caia em diagonal logo abaixo dos
joelhos, e uma sandália prata de salto. Com um aceno de varinha prendeu seus
cabelos em cascata, cacheando-os um pouco mais. Ficou satisfeita com a imagem
que o espelho lhe mostrou e saiu. Passou na enfermaria para avisar a Madame
Pomfrey que Neville estava completamente adormecido na Sala Comunal e se
divertiu ao ver Pansy Parkinson na enfermaria, onde não saiu do lado de Draco.
Madame Pomfrey lhe disse que a garota soncerina tomou 2 litros da poção de ano
novo com essência "Amore Aeterno". Acabou apaixonada pelo
retrato de Hamilton Rittore, um famoso médico-bruxo, cujo quadro ficava na
enfermaria.
Praticamente
sozinha em Hogwarts, Hermione decidiu ir para a Torre de Astronomia ver os
fogos. Não teria uma visão tão boa quanto das janelas da Torre de Corvinal,
veria apenas uma parte de Hogsmeade. Mas isso não tinha importância. Ela queria
apenas um pouco de paz e uma dose de solidão. Faltando cerca de 10 minutos para
a virada, um enorme relógio feito de fogos de artifício brilhava sobre Hogsmeade
sinalizando a contagem regressiva. Hermione parou alguns instantes a observar a
lua refletida nas águas do Lago Negro, mas percebeu que alguém se aproximava.
Virou-se e deu de cara com Severo Snape.
- Amor, Srta. Granger. Quem diria... mas se for para
conquistar o Potter ou o Wesley, lhe garanto, não precisa gastar a poção.
Aqueles fracassados se apaixonariam pela Srta. até mesmo se fizesse os deveres
deles. - disse Snape vendo o frasco da poção de Hermione na mão dela.
- O que faz aqui? - Hermione perguntou secamente.
- A Torre é pública, Srta. Venho a hora que quiser.
Eu vinha aqui quando era aluno, quando eu queria me ver livre da azarações de
Tiago Potter. - Snape deixa escapar. - Assim como quando quero me ver livre dos
problemas que o filho dele me causa.
Hermione
ignorou esse comentário e se virou novamente para ver os fogos de Hogsmeade.
Decidiu e perguntou:
- O que o senhor pode ter colocado na sua poção?
Imagino que "Pettrificus" ou "Gelius", para
seu coração de pedra, de gelo. O senhor não sabe o que é amizade. Não sabe o
que é amor. O senhor vinha e vem aqui para fugir dos seus problemas, das
pessoas, da sua consciência. Fugir de você mesmo. Esquecer de tudo!.
A
explosão de Hermione pegou Snape de surpresa, mas ele rapidamente se recompôs.
- E o que a Srta. sabe-tudo sabe sobre o amor? E
sobre amizade? Chama de amigos aqueles que vivem arriscando sua vida? Aqueles
que a deixaram sozinha no Natal e no Ano Novo?
- Ah, esqueci... seus amigos atendem pelo nome de
Comensais da Morte... e vocês têm a estranha mania de marcar a pela à fogo para
se lembrarem uns dos outros. - Hermione ironizou.
- Sim, costumamos nos dar de presente maldições
imperdoáveis, também. E eu estou prestes a usar uma na Srta.! - Snape ameaçou.
- Ah, então pra isso veio aqui? Veio me matar?
Assim como teve culpa na morte de Lílian, agora você vem fazer o trabalho
pessoalmente. Creio que vem sempre aqui quando quer acabar com alguém.
Snape
se enfureceu, varinha em punho, e agarrou novamente o pulso machucado de Hermione.
Ela gemeu de dor enquanto ele se aproximava ameaçadoramente. Falou a
centímetros do seu rosto:
- Eu venho aqui, Sra. Granger, quando eu quero
esquecer você!
Os
fogos explodiram em Hogsmeade saudando a chegada do novo ano. Hermione Granger
e Severo Snape sequer se viraram para olhar os fogos... seus olhos estavam
colados... se fitavam com tamanha intensidade, fúria, paixão, que sequer
notaram o quanto estavam próximos e foram se aproximando mais, lentamente, até
que seus lábios se tocaram. Uma espécie de corrente elétrica atravessou o corpo
dos dois enquanto o beijo se aprofundava. Não havia delicadeza nesse beijo, só
paixão urgente e reprimida. Hermione abriu instintivamente os lábios enquanto
Severo aprofundava o beijo. Ele sentiu que ela correspondia ao beijo e a
soltou, mas não completamente. Segurou-a fortemente na cintura e a puxou mais
para perto ainda de sim. Hermione o puxou pelo tecido da camisa e o beijo se
tornou ainda mais profundo, quente e urgente. Eles se separam ofegantes, com expressões
chocadas em seus rostos. Após um breve instante de separação, Hermione tomou a
iniciativa e o puxou para mais um beijo, menos urgente que o anterior, mas não
com menos paixão.
- Eu quero você... - sussurrou Severo em seus
lábios.
- E eu sempre quis você... - retribuiu Hermione,
entre beijos.
Se
separaram relutantemente. Severo pegou o fraco da poção de Hermione e atirou da
Torre. "VocÊ não vai precisar disso." - disse entre dentes. Quando
iam descendo a escada da Torre de Astronomia, de mãos dadas, encontraram Alvo
Dumbledore e Minerva McGonagall se beijando entre risadinhas, parecendo
levemente entorpecidos pelo champagne, e ainda havia muita bebida em suas
taças. McGonagall suspendeu a sobrancelha em surpresa ao ver o casal e o gesto
foi imitado por Hermione. Ninguém sabia o que fazer ou falar até que Dumbledore
quebrou o clima:
- Feliz Ano Novo, Severo e Hermione! É um brinde ao
amor! - E bateu sua taça na de Minerva. Severo então conduziu Hermione para
baixo enquanto Dumbledore e Minerva subiam alegres para a torre.
Foi
com enorme dificuldade que chegaram as masmorras. Duas vezes Severo parou no
meio do caminho para beijá-la e foi preciso ela insistir que eles chegassem
logo em seu quarto ou não responderia por si. Quando entraram na sala de Severo
Snape, ele lhe prensou contra a porta como tinha feito duas noites atrás e
pareceu hesitar por um instante. Olhou Hermione delicadamente nos olhos, para
ter certeza que ela também queria aquilo, e o que viu foi paixão recíproca, seu
amor refletido nos olhos dela.
Sem
palavras, só atos. Severo tirou sua capa enquanto a beijava e parou por um
momento enquanto ela contemplava-o com um sorriso inacreditavelmente sensual em
seus lábios. Ele tornou a beijá-la enquanto suas mãos exploravam seu corpo, memorizando
suas curvas. A menina Hermione decididamente tinha virado uma bela mulher. Ela,
em um gesto brusco, arrancou todos os botões de sua camisa e ele ajudou-lhe a
tirá-la completamente. Ela passou a mão possessivamente sobre o torso nu de
Severo, observando o contraste da pele alva no escuro da masmorra, iluminada
apenas por uma réstia da luz da lua.
Severo
a tomou nos braços e a levou gentilmente para o seu quarto. Colocou-a em sua
cama, postou-se ao seu lado e contemplou longamente sua beleza. Suas mãos
tremiam de desejo enquanto ele a acariciava, depositando beijos gentis na curva
do pescoço, mordiscando o lóbulo de sua orelha, enquanto descia vagarosamente
alças de seu vestido. Hermione, as pupilas dilatadas, a respiração arfante, o
desejo tomando conta de todo o seu corpo, ansiava por sentir todo o corpo de
Severo junto ao seu.
Quando
as alças caíram, revelaram os belos seios de Hermione. Severo ofegou a visão de
tamanha beleza e chupou levemente cada um dos mamilos, amamentando suavemente,
enquanto ela murmurava sons de prazer. Ela nunca havia sentido isso. Cada nervo
do seu corpo respondia ao toque desse homem. Seus mamilos intumescidos,
delicadamente rosados, imploravam por mais. Mas ela queria tudo. Ela queria
Severo na plenitude de um homem e uma mulher.
As
roupas foram descartadas com urgência e eles se contemplaram totalmente nus
pela primeira vez. Severo observava as coxas bem torneadas de Hermione e a
acompanhou a curva de seus quadris que levavam ao ápice do prazer. Uma leve
penugem loiro-avermelhado cobria o sexo de Hermione e ela se sentiu um pouco tímida,
tão exposta estava. Severo sorveu sua beleza, fechou os olhos e os abriu depois
de breves momentos, quase se certificando de Hermione era um sonho ou
realidade.
Retomaram
um beijo lento e inebriante, suas mãos explorando os corpos um do outro. O
corpo de ambos inflava de ansiedade, a ereção de Severo batendo insistentemente
em seu quadril mostravam o quão pronto ele estava para ela. Eles interromperam
o beijo e se olharam. Quando Severo acho a permissão que precisava, se colocou
entre as pernas de Hermione e se guiou para penetrá-la.
Ela
era quente, lisa de umidade e Severo fechou os olhos para apreciar melhor a
sensação. O mesmo fez Hermione, o desconforto da entrada inicial tendo se
tornado uma crescente onda de prazer indescritível. Severo sabia
instintivamente que era o primeiro homem dela e lhe deu um tempo para ela se
acostumar a sensação de tê-lo dentro dela.
Lentamente
começou a movimentar-se, a cada nova penetração arrancando uma exclamação mais
forte de Hermione. Ela passou a corresponder e logo ambos fixaram um ritmo, os
quadris dela encontrando o dele a cada movimento. O ritmo foi aumentando e
Severo passou a se dirigir mais vigorosamente nela. Sentiu as paredes internas
dela que abraçavam seu membro se apertarem e ele soube que ela estava vindo.
Mais um movimento e eles gozaram, Hermione ainda sentindo ondas de calor, quase
choques, percorrem o seu corpo e Severo derramando no interior dela os últimos
jatos quentes de seu gozo.
Desfrutaram
por um longo tempo essa sensação. Seus corpos suados, saciados, quentes,
colados um no outro. Severo lhe acariciou a face e lhe deu um beijo leve nos
lábios que traduziu em um gesto todo o amor que ele sentia por ela.
Relutantemente se retirou de dentro dela e rolou de costas na cama, a puxando
por cima de si. Hermione deitou com a cabeça em seu ombro enquanto ele lhe
acariciava os cabelos. Severo puxou um lençol sobre eles e assim, ao som de
suas respirações, eles adormeceram o mais doce dos sonhos.
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Epílogo
Os fogos de Hogsmeade a muito tinham silenciado.
Hogwarts se beneficiava de um silêncio raramente observado na escola. Hermione
acordou suavemente, na mesma posição em que dormiu, se lembrou onde estava e
com quem estava e sorriu. Observou os primeiros raios de sol do novo ano
surgirem na janela e fechou os olhos, adormecendo quase instantaneamente. O
luar da lua no momento da virada do ano e aqueles raios de sol do novo dia,
brindando a chegada do ano, eram as testemunhas do surgimento de um novo amor.
FIM
Nota da autora: Pra quem chegou até aqui, obrigada! Se gostou ou não, por favor, me
escreva. [email protected]