Por Manu Black
Mais
um ano passava e nenhuma mudança significativa ocorria na vida do mestre de Poções.
A guerra contra Voldemort terminara, perdas como a de Dumbledore e a de outros
membros da Ordem da Fênix foram muito sentidas, ele enfim conseguira provar de
que lado realmente estava, mas aquilo não fez muita diferença. Pensou que
depois disso ela (e só o que interessava era “ela”) ia vê-lo de uma
maneira diferente, mas foi um tolo em pensar isso.
Era
dia 31 de dezembro e os alunos que não tinham voltado para casa (devido as
festas de fim de ano) deviam estar com os professores no Salão Principal,
fazendo uma grande ceia, mas ele não tinha vontade de se juntar aos outros para
comemorar, afinal não tinha o que comemorar. A única opção que tinha era
beber, assim podia esquecer os problemas.
Foi
até o armário onde guardava as bebidas, abriu-o e tirou uma garrafa de
champagne que guardava há sete anos, para comemorações especiais...e como
sabia que essas “comemorações” nunca chegariam, resolveu beber tudo. Pegou
uma taça e em poucos minutos acabou com o conteúdo da garrafa. Olhou com raiva
para o objeto e abriu de novo o armário, tirou uma outra garrafa de champagne e
assim como fez com a anterior, a bebeu em poucos minutos. Deixou a taça seca,
em cima da mesa e saiu da sua sala, resolveu passear pelos corredores. Andou (um
pouco cambaleante) por vários corredores, até perceber que estava indo em direção
ao Salão Principal, quando quis voltar ouviu um choro abafado, resolveu ir ver
quem era e seguiu o som do choro, até que parou na porta de uma sala, onde o
som se tornava mais forte, abriu a porta e então a viu.
Ela
estava sentada na mesa com as mãos cobrindo o rosto. Sentiu seu coração
apertar quando a viu naquele estado. Sabia porquê chorava, Ronald Weasley, seu
namorado morrera na batalha contra Voldemort. Mesmo odiando o garoto, se
pudesse, voltaria no tempo, só para não vê-la naquele estado.
Aproximou-se
mais da garota e disse:
“Srta.
Granger?”- disse estendendo a mão
“Ai!”-
falou levando uma mão ao peito-“Desculpe, professor. Eu já vou para o meu
dormitório.”- disse saindo.
“Srta.
Granger, eu nem falei nada. Pode ficar aqui.”- disse segurando o braço da
garota.
“Certo...”-
falou Hermione olhando para todos os cantos, menos para o professor.
“Mas
por que estava chorando?”- disse, mesmo sabendo a resposta.
“Professor,
prefiro não falar nisso..”- falou Hermione, sem graça.
“Eu
entendo...ele era seu namorado, não é?”- disse sem acreditar no que estava
falando, com certeza aquelas perguntas eram fruto do álcool.
“Quem?”
- perguntou Hermione o olhando pela primmmeira vez.
“O
Weasley...o Ronald...”
“Ah...não,
professor...ele era só meu amigo...”
“Era?
Mas mesmo assim entendo que depois de seis meses ainda está muito abalada, não
é?”- disse com raiva.
“Sim,
professor, mas não estava chorando por isso...”
Snape
a olhou melhor. A menina parecia enojada somente por estar perto dele. Teve ímpeto
de forçá-la a dizer o porquê das lágrimas, mas desistiu. Soltou o braço da
garota e disse:
“Certo...desculpe-me
interrompê-la...tenho que ir...”- disse saindo sem dar tempo de Hermione
falar nada.
Voltou,
um pouco cambaleante, para sua masmorra, preferia nunca ter saído dali. Merlim!
Como foi se apaixonar por uma garota mil vezes mais nova do que ele? E o pior de
tudo uma aluna? Sabia que não era paixão, se fosse já
teria passado com um tempo, infelizmente era amor e se sentia um ridículo, como
deixara isso acontecer?
Foi
para a parte de trás da sala, onde estava o armário de bebidas. Abriu-o e as
bebidas que tinham ali eram muito fracas para a dor que ele estava sentindo.
Voltou para a sala de aula e levou um susto quando a viu ali, parada em sua
frente.
“O
que faz aqui, Srta. Granger?”
“Professor...o
Sr. me perguntou o motivo das minhas lágrimas...”
“Sim,
mas já entendi que não é da minha conta. Aliás, o que seria da minha conta a
não ser dúvidas sobre poções?”- disse, amargurado.
“Professor...eu...”
“Srta.
Granger, eu acho que a Srta. deveria estar com os outros no jardim...afinal só
falta um pouco mais de uma hora para os fogos de artifício.”
“Mas
eu não quero estar lá...”
“Então
vá para outro lugar, seu dormitório, a floresta proibida, o que for, apenas
saia da minha frente.”
“Não,
professor...eu vou ficar aqui...”
“Como
ousa?”- disse se levantando e indo até Hermione.
“Eu
não quero estar em outro lugar a não ser aqui...com você.”
Snape
a olhou, confuso. Devia ser efeito do álcool. Ou alguma alucinação, já
tivera muitos sonhos iguais a esse, talvez fosse apenas uma visão da sua mente
perturbada.
“O
que disse?”
“Professor...
eu não me importo se o sr. é meu professor e vai tirar mil pontos da minha
casa, que tire se achar necessário, mas tenho que falar... Esses sete
anos....eu guardei esse sentimento, mas agora sinto que se eu não disser tudo
vou morrer...”- disse começando a chorar- “Eu o amo e não agüento mais!
Esse sentimento está me sufocando, está me enlouquecendo.”
Snape
a olhou sério e aproximou-se mais, tocou o rosto da garota, percorrendo, com a
ponta dos dedos, o caminho que as lágrimas fizeram. Acariciou o rosto da garota
até que as lágrimas cessassem.
“Professor...eu...”-
disse virando-se para a porta.
“Não,
Hermione... eu não vou deixa-la ir.”- disse puxando-a para si e colando seus
lábios nos dela.
Sentiu
a resposta urgente dos lábios dela e teve a certeza de que ela também ansiava
por aquele toque há muito tempo. Se tinha dúvidas do sentimento que nutria por
ela, com aquele simples contato teve toda a certeza que precisava. Separaram-se
minutos depois, Olharam-se por um longo tempo até juntarem novamente os lábios.
Snape
queria sentir todas as sensações que aquele momento podia oferecer e sabia que
a garota também queria, por isso, lentamente começou a andar em direção ao
fundo da sala, onde ficava seu quarto. Quando estavam em frente à porta que
dava acesso ao cômodo, Snape se separou de Hermione e disse:
“Você
sabe que isso é um erro, não sabe?”
“Sei...mas,
pelo menos uma vez na vida, eu quero fazer o que é errado.”- disse o beijando
logo em seguida.
Entraram
no quarto e sem se
separarem um só minuto, andaram até a cama. Hermione deitou-se e sem querer
quebrar o contato com o homem, o puxou. O calor aumentava a cada segundo que
passava. Amaram-se loucamente como desejavam há muito tempo. Naquela noite não
existiu nada que os separassem, porque agora eles eram uma só alma.
Adormeceram realizados, completos, plenos com o novo rumo que suas vidas
iam tomar. E junto com o ano que acabara de nascer, uma chama de esperança
nascia no peito de cada um, de que daquele dia em diante tudo seria melhor.
Nota
da Autora:
Bem, essa foi uma tentativa de NC-17, mas não consegui, depois de dias
queimando neurônios... :/ Mesmo assim espero que leiam, gostem e mandem comentários!
Beijos,
Manu
Black.