Fazia
uma bela tarde, embora o calor insistisse em lhe tirar todo o brilho. O sol
reinava charmoso no horizonte, poucas nuvens e tempo úmido. As gargantas
secavam rápido e era quase impossível continuar a caminhar com aqueles
uniformes quentes e sob o sol que lhes queimava o cérebro.
As
capas e gravatas haviam sido abandonadas e a própria McGonagall já não
carregava mais a capa verde de sempre. Severo, ao contrário de todos, caminhava
majestoso pela trilha de terra, arrastando suas asas de morcego e coberto por
panos e mais panos, negros e quentes. Como se não bastasse, seus cabelos
oleosos e lisos caiam sobre a face, roçando-lhe a pele, e parecia não se
incomodar com o calor infernal.
Há
frente de todos, pouco depois de alguns coqueiros e gramados, estava um belo
castelo, onde a sua arquitetura lembrava os tempos medievais. Uma bela porta de
madeira, onde desenhos estranhos foram esculpidos, abriu-se e de lá saiu um
homem, encapuzado e coberto por um longo pano.
Seu rosto parecia apagado com a sombra do capuz que cobria-lhe a testa. As mãos
não se viam e muito menos o corpo, que parecia não existir por de trás do
manto verde.
Não
era simplesmente um castelo com uma simples arquitetura medieval, era um museu,
como poucos espalhados pelo mundo bruxo.
Um
museu fascinante, pouco conhecido e visitado, embora fabuloso quando visto por
dentro.
McGonagall
tentava ao máximo aglomerar os grifinórios em filas, mas a curiosidade dos
jovens ultrapassavam barreiras. E Severo parecia não se importar com seus
alunos, os sonserinos, que caminhavam alegremente pelo hall de entrada, onde as
paredes a sua volta mantinham-se cobertas por inúmeros retratos.
O
Museu era fabuloso, havia muito que se ver lá, porém o passeio não parecia
nem um pouco agradável para Hermione, que do grupo era a que mais não parava
de reclamar.
Enquanto
muitos bisbilhotavam cada canto misterioso do castelo, Harry, Rony e Hermione
afastavam-se aos poucos dos outros.
Durante
toda aquela excursão (onde somente a Grifinória, dotada de bons comportamentos
e a Sonserina, privilegiada nas notas, puderam aproveitar o belo passeio),
Severo não gastou suor e salivas, tentava ao máximo possível estragar a tarde
do trio.
As
cinco da tarde, após muito andarem pelo castelo e de muito bisbilhotarem as
magníficas obras contidas no museu e, sobretudo, após o trio muito ter sofrido
nas mãos do terrível prof. Snape, a excursão estava encerrada.
Muitos,
desanimados, seguiram de cabeça baixa durante a volta para Hogwarts pela
estrada, onde seguiam num exuberante ônibus trouxa.
O
clima estava adorável e as nuvens que antes pareciam transparentes, agora
pairavam sobre a estrada e ameaçavam chover.
“Era
só o que me faltava, chuva no meio da estrada.”, resmungava a vice-diretora,
Minerva, que parecia preocupada.
“Pare
de andar. Está me deixando tonto.”
“Perdão,
prof. Snape, mas não pode chover, nosso ônibus não irá agüentar.”
Severo,
que após tal frase, seguiu até a janela mais próxima do ‘busão’ e
encarou atrevidamente o céu, onde as nuvens quase lhe davam a língua.
“É,
e que bela tempestade vem aí.”
Não
demorou muito e logo as primeiras gotas d’água começaram a jorrar do céu.
Uma euforia tomou conta do ônibus, todos muito alegres, contentes por o calor já
partir.
Com o passar de alguns poucos minutos, os pingos leves e inofensivos pareciam aterrorizantes conforme batiam com força no teto do automóvel. Foram obrigados a parar, na beira da estrada e longe da escola.
“Eu
disse que esse passeio não seria nem um pouco divertido.”, resmungava
Hermione mais uma vez, com razão, agora.
A
chuva engrossava cada vez mais e esperaram longas horas até que aquela
tempestade desse trégua.
Enquanto
tudo parecia desmoronar do lado de fora do ônibus, estacionado na beira da
estrada e encharcado, do lado de dentro muitos divertiam-se enquanto o tempo
custava a passar.
Namoricos
às escondidas atrás dos bancos, partidas de xadrez improvisadas no chão,
gritos e vozes que soavam como uma orquestra desafinada. Era quase impossível
suportar aquela situação.
“Eu
não deveria ter vindo para essa maldita excursão.”
“Então,
por que veio, Hermione?”, Rony já não suportava mais os bla, bla, bla’s da
amiga.
Hermione,
sem resposta e sem ação, permaneceu calada observando o horizonte por de trás
dos vidros embaçados. Mas que horizonte? Tudo já parecia um deserto e a
escuridão havia tomado conta da estrada que parecia bem mais sinistra agora.
“De
quem foi a idéia de vir para essa maldita excursão em um ônibus trouxa?”,
resmungava Severo, ao lado de McGonagall.
“Dumbledore,
professor”
“O
que ele quer? Nos transformar em trouxas?”
“Algo
contra os trouxas, professor Snape?”, Hermione, sentada próxima dali,
interrompe a conversa entre ambos os professores.
Harry
e Rony tentaram cala-la, mas sua língua era bem maior do que muitos imaginavam
e suas opiniões bem mais poderosas que a força de suas palavras.
“Isso
é da sua conta, senhorita Granger?”
“Não,
mas por educação poderia responder-me, já que é um belo ‘cavalheiro’, não?!”
Severo,
antes de soltar uma bela irritante e irônica resposta, é interrompido por
McGonagall, que pede para que Hermione voltasse ao seu lugar de antes,
deixando-os a sós.
Severo,
por mais adulto, experiente e ciente de sua posição, nunca poupou salivas para
dar belas lições em alunos desaforados, que se achavam sempre no direito de
desafia-lo, mesmo que na hora e momento certo.
Passaram
duas longas horas dentro do ônibus, lutando contra o sono e contra o tédio que
lhes tomavam a vontade de viver.
Eram
quase 10h e ainda não haviam saído de onde estavam.
Pouco
antes de a chuva dar trégua, ouve-se um estardalhaço fora do ônibus e um
balançar de seu teto.
Curiosos
e sem saber o que era, McGonagall, com a proteção de Snape, sai do ônibus,
mergulhando na chuva que caia sem piedade sobre seu corpo, encharcado em questões
de segundos.
“O
motor. Entrou água dentro do motor.”
“O
quê?”, Severo esperneia.
Não
havia mais nada para se fazer. Estavam presos na estrada, o ônibus
impossibilitado de seguir caminho e nenhuma forma de avisar a Dumbledore do
acontecido. Edwiges, a coruja de Harry e o único animal a bordo do ônibus (com
exceção de Perebas, o rato de Rony) encontrava-se um tanto indisposta para uma
longa viagem até o castelo, e que bela viajem
daria.
Teriam
de passar aquela noite na estrada, fora do castelo e longe de qualquer meio de
pedir ajuda.
Havia duas soluções: dormir dentro do ônibus, no aperto dos bancos de apenas
dois acentos; ou montar barracas no acostamento da estrada, sujeitos a qualquer
perigo, já que em lugar algum estariam salvos.
“Por
sorte há algumas barracas aqui. Infláveis, é claro.”
“Eu
não acredito que vou ter que fazer isso.”, resmungava Severo a McGonagall,
que já até se animava com a idéia de acampar na beira da estrada.
11h
em ponto e todas as barracas já estavam armadas no acostamento da estrada. Tudo
muito escuro e apenas as luzes das varinhas iluminavam o caminho.
Meninas com meninas, meninos com meninos. Dois para cada barraca.
Revirando-se
a noite inteira, Hermione, que não havia concordado desde o começo com essa idéia
maluca de excursão, mal deixava Gina, sua parceira de barraca, repousar em paz.
Por
pura coincidência, Severo, em sua barraca, parecia sem sono.
Mas
em muitas outras barracas muitos sofriam com os mesmos problemas, já que o som
dos pássaros, o barulho das folhas das árvores balançando e os insetos não
davam trégua.
Cansados
de não conseguirem dormir, retiraram-se de suas barracas e caminharam distraídos
pelo acostamento, ambos resmungando da vida.
“Insetos
idiotas.”, coçava-se sem parar.
“Corujas
impertinentes.”, resmungava Severo, caminhando distraído.
Sem
perceberem, caminhavam na mesma direção e foi inevitável uma esbarrada.
“Desculpe,
eu...”, mal terminou ela de desculpar-se e logo, ao notar de quem se tratava,
fechou a cara e caminhou sem dizer mais nada.
Severo,
impressionado com a arrogância da aluna, fica calado e segue na sua direção,
porém a ultrapassando sem dizer nada.
Havia
um velho tronco de árvore caído no chão, próximo ao asfalto e perfeito para
quem quisesse sentar nele e esperar que o sono chegasse.
“O
que está fazendo?”, pergunta Hermione com ignorância.
“Sentando
em um tronco, algum problema?” , responde ele com bem mais ignorância na voz.
“Eu
ia me sentar aí, se não percebeu.”
“Meus
pêsames, mas querer sentar não é o mesmo que sentar.”, Severo, em forma de
ironia, senta-se majestosamente.
Eram
quase duas horas da manhã, a escuridão da noite passada já havia desaparecido
e o dia já clareava aos poucos.
Porém
os ruídos irritantes dos grilos continuavam a perturbar os ouvidos de ambos.
“Vai
me deixar em pé?”
“Senhorita
Granger, passei uma péssima noite, estou com sono porém as corujas e os grilos
não me deixam em paz. Gostaria de ao menos alguns poucos minutos de silêncio e
a senhorita não está me ajudando.”
“Em
primeiro lugar, não é o único a não ter tido uma boa noite. Eu realmente
odeio os insetos, e descobri isso hoje. Me faça um favor, professor Snape,
deixe-me quieta.”, e sentou-se ao seu lado, já que o tronco era grande o
bastante para dois.
Em
fim, parecia tudo tranqüilo. Um não irritava o outro e nenhum dos dois saiam
irritados.
Ficaram
meia hora em silêncio, ambos encarando o asfalto, enquanto Hermione coçava-se
sem parar.
“O
que é isso?”
“Isso
o quê?”, pergunta ela assustada.
“Isso
no seu braço.”
“Picadas
de insetos, nunca viu?”, resmunga ela com arrogância.
“Onde
está a sua educação?”
“Devo
tê-la esquecido em Hogwarts.”
Ficaram alguns poucos minutos em silêncio: Severo, pensando
consigo mesmo, havia descoberto o quanto sua autoridade falhava diante dela; e
ela, coçando-se sem parar.
“Conheço
uma boa poção para isso.”
“Picadas
de insetos? Não preciso.”
“É por isso que a odeio tanto, senhorita Granger, sabia? Essa ignorância como trata os outros.”, diz ele em seguida, encarando-a ainda sentado.
“E
é por isso que o amo tanto.”,
sussurra ela, baixinho.
“O
que disse?”
“Hã?”,
Hermione estremece.
“Disse
alguma coisa, não disse?”
“N-não.
Está ficando louco?”
“Eu
escutei, algo como...”, e ela o interrompe.
“Eu
não disse nada, ora, o calor de ontem deve ter-lhe afetado os neurônios.”,
tenta contornar a história.
Snape,
pouco convencido, faz silêncio, enquanto Hermione respirava fundo de alivio.
O
céu, antes majestoso e coberto por finas e quase transparentes nuvens, parecia
agora fechar-se aos poucos, anunciando uma nova tempestade.
Um
vento gélido tomava conta do acostamento e levava embora tudo que via pela
frente.
As
cabanas balançavam com a força do vento e as folhas nas árvores desmoronavam
aos poucos, formando um belo tapete verde no chão.
“Eu
ainda acho que disse alguma coisa.”, retorna ele ao assunto.
“Gostaria
de estar em Hogwarts, agora.”, suspira ela ao ver o céu negro.
“Será
que só sabe reclamar?”, resmunga ele ao seu lado.
“Será
que pode me deixar em paz com meus pensamentos?”
“Certo.”,
e cala-se.
Não
demorou muito e algumas pequenas e insignificantes gotas de água caíram sobre
eles, anunciando que a tempestade se aproximava cada vez mais.
Uma
nova ventania se formava e o clima mudava de forma extraordinária.
Vestida
em trajes simples, apenas a farda de Hogwarts, parecia incomodada com o
friozinho que começava a fazer.
Snape,
muito bem agasalhado nas suas vestes pretas e na capa de morcego que não
largava nunca, a observava abraçar-se a si mesmo, tentando aquecer-se.
Por
questões de segundos sentiu pena da moça que parecia infeliz ao seu lado, mas
não abriria mão de sua majestosa postura, entregando-se como um cavalheiro
para mais tarde não passar de um “nada”.
O
tempo ia fechando cada vez mais e cada vez mais Hermione aquecia-se do vento
gelado que pairava ao seu redor.
“Com
frio, senhorita Granger?”, pergunta ele quase oferecendo-se para aquece-la.
“Isso
não é da sua conta.”
“Só
queria ser gentil. Perdoe-me se me odeia tanto a ponto de não ser capaz de
entender as boas intenções dos outros.”
“Não
sabe do que está falando.”, diz quase sussurrando, abrindo um leve sorriso no
canto dos lábios.
“O
que quer dizer com isso?”
“Nada.”,
Mais
uma vez ficaram em silêncio.
Todos
pareciam cansados e dormiam como pedras em suas cabanas armadas próximas do
tronco onde Snape e Mione passavam o tempo.
O
céu enchia-se, agora, com nuvens grossas e carregadas, que escureciam o tempo e
cobriam o sol.
O
vento gelado continuava a incomoda-la, mas parecia ser forte o bastante para agüentar.
Enquanto
observava as folhas das árvores balançando e desaparecendo no horizonte,
Severo retirava de suas costas a capa negra que trazia sobre si.
Cuidadosamente
e disfarçando o máximo possível, ia pousando-a aos poucos nos ombros da
jovem, que distraída não havia notado de inicio.
Se
não será por bem, será por mal, pensava ele.
Era
humilhante demais, para ele, dar-se ao trabalho de querer seu bem, já que dela
só receberia ódio. Mas seria bem mais humilhante vê-la sofrendo ao seu lado,
poder ajuda-la e não fazer por motivos que o humilharia pro resto da vida.
Assustada
com o tocar da capa em seus ombros quase desnudos, encarou-o assustada.
“O
que está fazendo?”, pergunta com um tom leve e ainda calmo.
Não
respondeu, apenas continuou a fazer o que antes vinha fazendo.
A
capa era grande o bastante para cobrir-lhe o corpo inteiro.
Já
aconchegada no quentinho da capa de seu professor de Poções,
Hermione pôs-se a observa-lo com olhares pouco fáceis de entender.
O
que se passava em sua cabeça?
Como
era de acontecer, as primeiras gotas d’água começaram a jorrar do céu.
Finas
e pequenas, quase não molhavam, porém agora grossas e grandes, ensopando tudo
e todos.
Hermione
levantou-se depressa do tronco, jogando a capa sobre o chão de terra e quando já
preparava-se para correr, Snape a puxou de volta.
“O
que está fazendo?”
“Têm
medo de água, senhorita Granger?”
“Não
quero adoecer por sua culpa.”, diz ela tentando desvencilhar-se das garras do
mestre.
Ficaram
em silêncio e misteriosamente seus olhares pareciam colados e nada fizeram
diante da chuva que os encharcavam por inteiro.
Enquanto
a tempestade caia sem dó nem piedade, num ato sem explicação e num ‘de
repente’ bem mais que ligeiro, foram aos poucos aproximando seus corpos um do
outro e inevitavelmente beijaram-se. Um beijo molhado, lento porém audacioso.
Abraçados
uns no outro e ambos diante do beijo que trocavam, parecia que nada mais
importava, nem mesmo a tempestade que caia.
Enquanto
a abraçava com força e sufocava-lhe com seu beijo molhado, tudo desmoronava a
sua volta.
Hermione,
confusa e assustada, não teve outra alternativa a não ser retribui-lo, porém
era o que realmente queria.
“Isso é certo?” , perguntou ele entre o beijo que
trocavam.
“Não
sei.”
Confusos
com o que acabaram de fazer, encararam-se por alguns poucos segundos e voltaram
a encostarem-se um no outro.
Certo ou errado, era bom. Que se dane o resto.
Beijavam-se
ardentemente e em curtos intervalos trocavam palavras.
-Pretendia
fazer isso a muito tempo atrás, sabia?
-E
porque nunca fez?
-Ora,
senhorita Granger, já se olhou no espelho?
-O
que quer dizer com isso? – Hermione afasta-se, nervosa.
-Hey,
acalme-se, só queria dizer que isso não é... certo.
Deprimida
com a verdade dita em sua cara, abaixou a cabeça e sentou-se novamente no
tronco atrás de si.
Observando-a
quase a derramar lágrimas, puxou-a com violência do tronco e carregou-a
consigo para onde não sabia aonde.
“Espere.
Para onde está me levando?”
“Deve
ser realmente difícil dividir a mesma barraca com uma garota, não é mesmo?”
“O
que quer dizer?”
Passando
por todas as barracas montadas pelo acostamento, chegaram na mais distante de
todas, a de Severo.
Diante
da cabana, Hermione estremece ao imaginar o que viria pela frente.
Sem
nem antes permissão alguma da jovem, o professor a carrega para dentro da
singela cabana.
Era
pequena e estreita, porém confortável. Os lençóis sobre o chão e a
escurinho de dentro era aconchegante.
Ajoelhados,
já que em pé era impossível, Snape a beija como antes havia feito, do lado de
fora e sentados no tronco a beira da estrada.
Ensopados
dos pés a cabeça, enquanto trocavam salivas, Snap tratava de desabotoar os
primeiros botões do uniforme da jovem e, parando de beija-la, a encara com sua
expressão apagada, quase morta porém radiante.
“E
isso, é certo?”
Hermione,
assustada com tudo e como tudo aconteceu fica em silêncio, fitando-o com seus
olhos negros, assim como os dele.
“Sim,
acho que isso é certo.”, e soltou um belo sorriso, ao mesmo momento em que
seus olhos criaram um brilho encantador..
Voltaram-se
a se beijar e a despirem-se, tudo com muita calma e amor, porque era isso que um
sentia pelo outro, amor.
Incontrolavelmente!!
Foi
uma bela noite, a primeira da estudante e a que jamais esqueceria.
Ao
som da chuva caindo e dos raios e trovões no céu, amaram-se o tempo todo, sem
medo do que viria a acontecer quando todos acordassem.
A
manhã que parecia noite com a tempestade a cair, era o cenário perfeito para
uma bela declaração de amor, e foi isso que ele fez, pois com seus beijos
molhados e atraentes dizia muito sobre seus sentimentos ocultos.
*********************
“Harry,
estou preocupado com a Hermione. E se o demônio matou ela? Ou se um tarado a
seqüestrou?”
“Não
esquenta, Rony, ela deve ter ido dar uma volta. Cê sabe que ela não queria ter
vindo pra essa excursão, não sabe?”
*********************
Já
eram seis da manhã e quase todos já haviam despertado, exceto ‘ela’ e
‘ele’.
Por
sorte, além de Harry, Rony e Gina, sua parceira de cabana, mais ninguém havia
desconfiado de seu sumiço repentino.
Na
cabana onde passaram aquele começo de manhã, Hermione já despertava, enquanto
Snape continuava a dormir como uma pedra.
Ao
notar sua transparência, corre vestir-se, e meia zonza com tudo, mal acredita
que foi capaz de fazer o que a sua frente parecia ser a verdade.
“Severo...prof.
Snape...acorde.”, sussurrava baixinho ao seu ouvido.
Aos
poucos foi despertando e, como ela, parecia estar com as idéias pouco nítidas,
embora soubesse perfeitamente o que haviam feito.
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“Eu
saio na frente, certo?”
“Snape...”,
interrompe ela, antes que ele saísse da barraca. “Eu não sei o que dizer e o
que fazer depois de tudo isso, desculpe, mas eu... não sei.”
“O
que você quer, sair dessa barraca e fingir que nada aconteceu ou sair daqui e
fazer acontecer?”
“O
que acha?”
Ambos
ficaram em silêncio e Snape retirou-se em seguida da barraca, como o combinado.
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Todos
seguiam a caminho do ônibus e por sorte ninguém viu nem soube do que houvera
se passado entre eles.
A
caminho do ônibus, Harry carregava Rony para longe da amiga e do professor, que
seguiam por últimos.
Caminhando
um ao lado do outro, Hermione o pára no caminho, um pouco longe do ônibus.
Repentinamente,
depois de segundos trocando olhares, ela abraça-o e beija-lhe atrevidamente.
“Achei
que não fosse querer ficar comigo.”, dialoga ele após o beijo.
“Pois
é, eu também achei. Mas eu o amo, e descobri isso agora.”
Sem
se importarem com o momento e com o lugar, entregaram-se um ao outro, em um
caloroso beijo, que logo foi interrompido.
“Não
quer que eu perca meu emprego, quer?”
“Hum,
não, professor Snape.”
E se foram felizes
para sempre ninguém sabe, ninguém viu.
Porém,
formaram um belo casal. Eis ai porque o ódio sempre acaba se tornando em amor.
FIM...