Ao Amanhecer

 por Crica Snap

Sinopse: Uma excursão nem sempre sai da forma que imaginamos, porém pode sair bem melhor do que o esperado.

Agradecimentos: Hum, ah, é claro, a minha amiga Aline Snape, a dona da idéia desta fic. Brigadão mesmo, tá?!

 

-Senhores, andem em fila. – gritava McGonagall desesperada. –Grifinória e Sonserina, andem em fila.

Fazia uma bela tarde, embora o calor insistisse em lhe tirar todo o brilho. O sol reinava charmoso no horizonte, poucas nuvens e tempo úmido. As gargantas secavam rápido e era quase impossível continuar a caminhar com aqueles uniformes quentes e sob o sol que lhes queimava o cérebro.

As capas e gravatas haviam sido abandonadas e a própria McGonagall já não carregava mais a capa verde de sempre. Severo, ao contrário de todos, caminhava majestoso pela trilha de terra, arrastando suas asas de morcego e coberto por panos e mais panos, negros e quentes. Como se não bastasse, seus cabelos oleosos e lisos caiam sobre a face, roçando-lhe a pele, e parecia não se incomodar com o calor infernal.

Há frente de todos, pouco depois de alguns coqueiros e gramados, estava um belo castelo, onde a sua arquitetura lembrava os tempos medievais. Uma bela porta de madeira, onde desenhos estranhos foram esculpidos, abriu-se e de lá saiu um homem, encapuzado e coberto por um longo pano.
Seu rosto parecia apagado com a sombra do capuz que cobria-lhe a testa. As mãos não se viam e muito menos o corpo, que parecia não existir por de trás do manto verde.

Não era simplesmente um castelo com uma simples arquitetura medieval, era um museu, como  poucos espalhados pelo mundo bruxo.

Um museu fascinante, pouco conhecido e visitado, embora fabuloso quando visto por dentro.

McGonagall tentava ao máximo aglomerar os grifinórios em filas, mas a curiosidade dos jovens ultrapassavam barreiras. E Severo parecia não se importar com seus alunos, os sonserinos, que caminhavam alegremente pelo hall de entrada, onde as paredes a sua volta mantinham-se cobertas por inúmeros retratos.

O Museu era fabuloso, havia muito que se ver lá, porém o passeio não parecia nem um pouco agradável para Hermione, que do grupo era a que mais não parava de reclamar.

Enquanto muitos bisbilhotavam cada canto misterioso do castelo, Harry, Rony e Hermione afastavam-se aos poucos dos outros.

Durante toda aquela excursão (onde somente a Grifinória, dotada de bons comportamentos e a Sonserina, privilegiada nas notas, puderam aproveitar o belo passeio), Severo não gastou suor e salivas, tentava ao máximo possível estragar a tarde do trio.

As cinco da tarde, após muito andarem pelo castelo e de muito bisbilhotarem as magníficas obras contidas no museu e, sobretudo, após o trio muito ter sofrido nas mãos do terrível prof. Snape, a excursão estava encerrada.

Muitos, desanimados, seguiram de cabeça baixa durante a volta para Hogwarts pela estrada, onde seguiam num exuberante ônibus trouxa.

O clima estava adorável e as nuvens que antes pareciam transparentes, agora pairavam sobre a estrada e ameaçavam chover.

“Era só o que me faltava, chuva no meio da estrada.”, resmungava a vice-diretora, Minerva, que parecia preocupada.

“Pare de andar. Está me deixando tonto.”

“Perdão, prof. Snape, mas não pode chover, nosso ônibus não irá agüentar.”

Severo, que após tal frase, seguiu até a janela mais próxima do ‘busão’ e encarou atrevidamente o céu, onde as nuvens quase lhe davam a língua.

“É, e que bela tempestade vem aí.”

Não demorou muito e logo as primeiras gotas d’água começaram a jorrar do céu. Uma euforia tomou conta do ônibus, todos muito alegres, contentes por o calor já partir. 

Com o passar de alguns poucos minutos, os pingos leves e inofensivos pareciam aterrorizantes conforme batiam com força no teto do automóvel. Foram obrigados a parar, na beira da estrada e longe da escola.

“Eu disse que esse passeio não seria nem um pouco divertido.”, resmungava Hermione mais uma vez, com razão, agora.

A chuva engrossava cada vez mais e esperaram longas horas até que aquela tempestade desse trégua.

Enquanto tudo parecia desmoronar do lado de fora do ônibus, estacionado na beira da estrada e encharcado, do lado de dentro muitos divertiam-se enquanto o tempo custava a passar.

Namoricos às escondidas atrás dos bancos, partidas de xadrez improvisadas no chão, gritos e vozes que soavam como uma orquestra desafinada. Era quase impossível suportar aquela situação.

“Eu não deveria ter vindo para essa maldita excursão.”

“Então, por que veio, Hermione?”, Rony já não suportava mais os bla, bla, bla’s da amiga.

Hermione, sem resposta e sem ação, permaneceu calada observando o horizonte por de trás dos vidros embaçados. Mas que horizonte? Tudo já parecia um deserto e a escuridão havia tomado conta da estrada que parecia bem mais sinistra agora.

“De quem foi a idéia de vir para essa maldita excursão em um ônibus trouxa?”, resmungava Severo, ao lado de McGonagall.

“Dumbledore, professor”

“O que ele quer? Nos transformar em trouxas?”

“Algo contra os trouxas, professor Snape?”, Hermione, sentada próxima dali, interrompe a conversa entre ambos os professores.

Harry e Rony tentaram cala-la, mas sua língua era bem maior do que muitos imaginavam e suas opiniões bem mais poderosas que a força de suas palavras.

“Isso é da sua conta, senhorita Granger?”

“Não, mas por educação poderia responder-me, já que é um belo ‘cavalheiro’, não?!”

Severo, antes de soltar uma bela irritante e irônica resposta, é interrompido por McGonagall, que pede para que Hermione voltasse ao seu lugar de antes, deixando-os a sós.

Severo, por mais adulto, experiente e ciente de sua posição, nunca poupou salivas para dar belas lições em alunos desaforados, que se achavam sempre no direito de desafia-lo, mesmo que na hora e momento certo.

Passaram duas longas horas dentro do ônibus, lutando contra o sono e contra o tédio que lhes tomavam a vontade de viver.

Eram quase 10h e ainda não haviam saído de onde estavam.

Pouco antes de a chuva dar trégua, ouve-se um estardalhaço fora do ônibus e um balançar de seu teto.

Curiosos e sem saber o que era, McGonagall, com a proteção de Snape, sai do ônibus, mergulhando na chuva que caia sem piedade sobre seu corpo, encharcado em questões de segundos.

“O motor. Entrou água dentro do motor.”

“O quê?”, Severo esperneia.

Não havia mais nada para se fazer. Estavam presos na estrada, o ônibus impossibilitado de seguir caminho e nenhuma forma de avisar a Dumbledore do acontecido. Edwiges, a coruja de Harry e o único animal a bordo do ônibus (com exceção de Perebas, o rato de Rony) encontrava-se um tanto indisposta para uma longa viagem até o castelo, e que bela viajem  daria.

Teriam de passar aquela noite na estrada, fora do castelo e longe de qualquer meio de pedir ajuda.
Havia duas soluções: dormir dentro do ônibus, no aperto dos bancos de apenas dois acentos; ou montar barracas no acostamento da estrada, sujeitos a qualquer perigo, já que em lugar algum estariam salvos.

“Por sorte há algumas barracas aqui. Infláveis, é claro.”

“Eu não acredito que vou ter que fazer isso.”, resmungava Severo a McGonagall, que já até se animava com a idéia de acampar na beira da estrada.

11h em ponto e todas as barracas já estavam armadas no acostamento da estrada. Tudo muito escuro e apenas as luzes das varinhas iluminavam o caminho.

Meninas com meninas, meninos com meninos. Dois para cada barraca.

Revirando-se a noite inteira, Hermione, que não havia concordado desde o começo com essa idéia maluca de excursão, mal deixava Gina, sua parceira de barraca, repousar em paz.

Por pura coincidência, Severo, em sua barraca, parecia sem sono.

Mas em muitas outras barracas muitos sofriam com os mesmos problemas, já que o som dos pássaros, o barulho das folhas das árvores balançando e os insetos não davam trégua.

Cansados de não conseguirem dormir, retiraram-se de suas barracas e caminharam distraídos pelo acostamento, ambos resmungando da vida.

“Insetos idiotas.”, coçava-se sem parar.

“Corujas impertinentes.”, resmungava Severo, caminhando distraído.

Sem perceberem, caminhavam na mesma direção e foi inevitável uma esbarrada.

“Desculpe, eu...”, mal terminou ela de desculpar-se e logo, ao notar de quem se tratava, fechou a cara e caminhou sem dizer mais nada.

Severo, impressionado com a arrogância da aluna, fica calado e segue na sua direção, porém a ultrapassando sem dizer nada.

Havia um velho tronco de árvore caído no chão, próximo ao asfalto e perfeito para quem quisesse sentar nele e esperar que o sono chegasse.

“O que está fazendo?”, pergunta Hermione com ignorância.

“Sentando em um tronco, algum problema?” , responde ele com bem mais ignorância na voz.

“Eu ia me sentar aí, se não percebeu.”

“Meus pêsames, mas querer sentar não é o mesmo que sentar.”, Severo, em forma de ironia, senta-se majestosamente.

Eram quase duas horas da manhã, a escuridão da noite passada já havia desaparecido e o dia já clareava aos poucos.

Porém os ruídos irritantes dos grilos continuavam a perturbar os ouvidos de ambos.

“Vai me deixar em pé?”

“Senhorita Granger, passei uma péssima noite, estou com sono porém as corujas e os grilos não me deixam em paz. Gostaria de ao menos alguns poucos minutos de silêncio e a senhorita não está me ajudando.”

“Em primeiro lugar, não é o único a não ter tido uma boa noite. Eu realmente odeio os insetos, e descobri isso hoje. Me faça um favor, professor Snape, deixe-me quieta.”, e sentou-se ao seu lado, já que o tronco era grande o bastante para dois.

Em fim, parecia tudo tranqüilo. Um não irritava o outro e nenhum dos dois saiam irritados.

Ficaram meia hora em silêncio, ambos encarando o asfalto, enquanto Hermione coçava-se sem parar.

“O que é isso?”

“Isso o quê?”, pergunta ela assustada.

“Isso no seu braço.”

“Picadas de insetos, nunca viu?”, resmunga ela com arrogância.

“Onde está a sua educação?”

“Devo tê-la esquecido em Hogwarts.”

 Ficaram alguns poucos minutos em silêncio: Severo, pensando consigo mesmo, havia descoberto o quanto sua autoridade falhava diante dela; e ela, coçando-se sem parar.

“Conheço uma boa poção para isso.”

“Picadas de insetos? Não preciso.”

“É por isso que a odeio tanto, senhorita Granger, sabia? Essa ignorância como trata os outros.”, diz ele em seguida, encarando-a ainda sentado.

“E é por isso que o amo tanto.”, sussurra ela, baixinho.

“O que disse?”

“Hã?”, Hermione estremece.

“Disse alguma coisa, não disse?”

“N-não. Está ficando louco?”

“Eu escutei, algo como...”, e ela o interrompe.

“Eu não disse nada, ora, o calor de ontem deve ter-lhe afetado os neurônios.”, tenta contornar a história.

Snape, pouco convencido, faz silêncio, enquanto Hermione respirava fundo de alivio.

O céu, antes majestoso e coberto por finas e quase transparentes nuvens, parecia agora fechar-se aos poucos, anunciando uma nova tempestade. 

Um vento gélido tomava conta do acostamento e levava embora tudo que via pela frente.

As cabanas balançavam com a força do vento e as folhas nas árvores desmoronavam aos poucos, formando um belo tapete verde no chão.

“Eu ainda acho que disse alguma coisa.”, retorna ele ao assunto.

“Gostaria de estar em Hogwarts, agora.”, suspira ela ao ver o céu negro.

“Será que só sabe reclamar?”, resmunga ele ao seu lado.

“Será que pode me deixar em paz com meus pensamentos?”

“Certo.”, e cala-se.

Não demorou muito e algumas pequenas e insignificantes gotas de água caíram sobre eles, anunciando que a tempestade se aproximava cada vez mais.

Uma nova ventania se formava e o clima mudava de forma extraordinária.

Vestida em trajes simples, apenas a farda de Hogwarts, parecia incomodada com o friozinho que começava a fazer.

Snape, muito bem agasalhado nas suas vestes pretas e na capa de morcego que não largava nunca, a observava abraçar-se a si mesmo, tentando aquecer-se.

Por questões de segundos sentiu pena da moça que parecia infeliz ao seu lado, mas não abriria mão de sua majestosa postura, entregando-se como um cavalheiro para mais tarde não passar de um “nada”.

O tempo ia fechando cada vez mais e cada vez mais Hermione aquecia-se do vento gelado que pairava ao seu redor.

“Com frio, senhorita Granger?”, pergunta ele quase oferecendo-se para aquece-la.

“Isso não é da sua conta.”

“Só queria ser gentil. Perdoe-me se me odeia tanto a ponto de não ser capaz de entender as boas intenções dos outros.”

“Não sabe do que está falando.”, diz quase sussurrando, abrindo um leve sorriso no canto dos lábios.

“O que quer dizer com isso?”

“Nada.”,

Mais uma vez ficaram em silêncio.

Todos pareciam cansados e dormiam como pedras em suas cabanas armadas próximas do tronco onde Snape e Mione passavam o tempo.

O céu enchia-se, agora, com nuvens grossas e carregadas, que escureciam o tempo e cobriam o sol.

O vento gelado continuava a incomoda-la, mas parecia ser forte o bastante para agüentar.

Enquanto observava as folhas das árvores balançando e desaparecendo no horizonte, Severo retirava de suas costas a capa negra que trazia sobre si.

Cuidadosamente e disfarçando o máximo possível, ia pousando-a aos poucos nos ombros da jovem, que distraída não havia notado de inicio.

Se não será por bem, será por mal, pensava ele.

Era humilhante demais, para ele, dar-se ao trabalho de querer seu bem, já que dela só receberia ódio. Mas seria bem mais humilhante vê-la sofrendo ao seu lado, poder ajuda-la e não fazer por motivos que o humilharia pro resto da vida.

Assustada com o tocar da capa em seus ombros quase desnudos, encarou-o assustada.

“O que está fazendo?”, pergunta com um tom leve e ainda calmo. 

Não respondeu, apenas continuou a fazer o que antes vinha fazendo.

A capa era grande o bastante para cobrir-lhe o corpo inteiro.

Já aconchegada no quentinho da capa de seu professor de Poções,  Hermione pôs-se a observa-lo com olhares pouco fáceis de entender.

O que se passava em sua cabeça?

Como era de acontecer, as primeiras gotas d’água começaram a jorrar do céu.

Finas e pequenas, quase não molhavam, porém agora grossas e grandes, ensopando tudo e todos.

Hermione levantou-se depressa do tronco, jogando a capa sobre o chão de terra e quando já preparava-se para correr, Snape a puxou de volta.

“O que está fazendo?”

“Têm medo de água, senhorita Granger?”

“Não quero adoecer por sua culpa.”, diz ela tentando desvencilhar-se das garras do mestre.

Ficaram em silêncio e misteriosamente seus olhares pareciam colados e nada fizeram diante da chuva que os encharcavam por inteiro.

Enquanto a tempestade caia sem dó nem piedade, num ato sem explicação e num ‘de repente’ bem mais que ligeiro, foram aos poucos aproximando seus corpos um do outro e inevitavelmente beijaram-se. Um beijo molhado, lento porém audacioso.

Abraçados uns no outro e ambos diante do beijo que trocavam, parecia que nada mais importava, nem mesmo a tempestade que caia.

Enquanto a abraçava com força e sufocava-lhe com seu beijo molhado, tudo desmoronava a sua volta.

Hermione, confusa e assustada, não teve outra alternativa a não ser retribui-lo, porém era o que realmente queria.

 “Isso é certo?” , perguntou ele entre o beijo que trocavam.

“Não sei.”

Confusos com o que acabaram de fazer, encararam-se por alguns poucos segundos e voltaram a encostarem-se um no outro.
Certo ou errado, era bom. Que se dane o resto.

Beijavam-se ardentemente e em curtos intervalos trocavam palavras.

-Pretendia fazer isso a muito tempo atrás, sabia?

-E porque nunca fez?

-Ora, senhorita Granger, já se olhou no espelho?

-O que quer dizer com isso? – Hermione afasta-se, nervosa.

-Hey, acalme-se, só queria dizer que isso não é... certo.

Deprimida com a verdade dita em sua cara, abaixou a cabeça e sentou-se novamente no tronco atrás de si.

Observando-a quase a derramar lágrimas, puxou-a com violência do tronco e carregou-a consigo para onde não sabia aonde. 

“Espere. Para onde está me levando?”

“Deve ser realmente difícil dividir a mesma barraca com uma garota, não é mesmo?”

“O que quer dizer?”

Passando por todas as barracas montadas pelo acostamento, chegaram na mais distante de todas, a de Severo.

Diante da cabana, Hermione estremece ao imaginar o que viria pela frente. 

Sem nem antes permissão alguma da jovem, o professor a carrega para dentro da singela cabana.

Era pequena e estreita, porém confortável. Os lençóis sobre o chão e a escurinho de dentro era aconchegante.

Ajoelhados, já que em pé era impossível, Snape a beija como antes havia feito, do lado de fora e sentados no tronco a beira da estrada.

Ensopados dos pés a cabeça, enquanto trocavam salivas, Snap tratava de desabotoar os primeiros botões do uniforme da jovem e, parando de beija-la, a encara com sua expressão apagada, quase morta porém radiante.

“E isso, é certo?”

Hermione, assustada com tudo e como tudo aconteceu fica em silêncio, fitando-o com seus olhos negros, assim como os dele.

“Sim, acho que isso é certo.”, e soltou um belo sorriso, ao mesmo momento em que seus olhos criaram um brilho encantador..

Voltaram-se a se beijar e a despirem-se, tudo com muita calma e amor, porque era isso que um sentia pelo outro, amor.

Incontrolavelmente!!

Foi uma bela noite, a primeira da estudante e a que jamais esqueceria.

Ao som da chuva caindo e dos raios e trovões no céu, amaram-se o tempo todo, sem medo do que viria a acontecer quando todos acordassem.

A manhã que parecia noite com a tempestade a cair, era o cenário perfeito para uma bela declaração de amor, e foi isso que ele fez, pois com seus beijos molhados e atraentes dizia muito sobre seus sentimentos ocultos.

                       *********************

“Harry, estou preocupado com a Hermione. E se o demônio matou ela? Ou se um tarado a seqüestrou?”

“Não esquenta, Rony, ela deve ter ido dar uma volta. Cê sabe que ela não queria ter vindo pra essa excursão, não sabe?”

 

                       *********************

Já eram seis da manhã e quase todos já haviam despertado, exceto ‘ela’ e ‘ele’.

Por sorte, além de Harry, Rony e Gina, sua parceira de cabana, mais ninguém havia desconfiado de seu sumiço repentino.

Na cabana onde passaram aquele começo de manhã, Hermione já despertava, enquanto Snape continuava a dormir como uma pedra.

Ao notar sua transparência, corre vestir-se, e meia zonza com tudo, mal acredita que foi capaz de fazer o que a sua frente parecia ser a verdade.

“Severo...prof. Snape...acorde.”, sussurrava baixinho ao seu ouvido.

Aos poucos foi despertando e, como ela, parecia estar com as idéias pouco nítidas, embora soubesse perfeitamente o que haviam feito. 

                        ********************

“Eu saio na frente, certo?”

“Snape...”, interrompe ela, antes que ele saísse da barraca. “Eu não sei o que dizer e o que fazer depois de tudo isso, desculpe, mas eu... não sei.”

“O que você quer, sair dessa barraca e fingir que nada aconteceu ou sair daqui e fazer acontecer?”

“O que acha?”

Ambos ficaram em silêncio e Snape retirou-se em seguida da barraca, como o combinado.

 

                       *********************

Todos seguiam a caminho do ônibus e por sorte ninguém viu nem soube do que houvera se passado entre eles.

A caminho do ônibus, Harry carregava Rony para longe da amiga e do professor, que seguiam por últimos.

Caminhando um ao lado do outro, Hermione o pára no caminho, um pouco longe do ônibus.

Repentinamente, depois de segundos trocando olhares, ela abraça-o e beija-lhe atrevidamente.

“Achei que não fosse querer ficar comigo.”, dialoga ele após o beijo.

“Pois é, eu também achei. Mas eu o amo, e descobri isso agora.” 

Sem se importarem com o momento e com o lugar, entregaram-se um ao outro, em um caloroso beijo, que logo foi interrompido.

“Não quer que eu perca meu emprego, quer?”

“Hum, não, professor Snape.”

         E se foram felizes para sempre ninguém sabe, ninguém viu.

Porém, formaram um belo casal. Eis ai porque o ódio sempre acaba se tornando em amor.

                                                            FIM...




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