Parte 2
— Então, você se lembra, Severo?
— Nunca mais me chame de Severo! É prof. Snape! - O professor grita com uma expressão tão raivosa que Hermione chega a recuar, assustada. Ele toma fôlego e volta a falar, em um tom rápido e sem pausas – E sim, eu me lembro! Ou acha que é fácil para um adolescente finalmente encontrar o seu primeiro amor, e não achá-la mais no dia seguinte? Dar o seu primeiro beijo, e depois não encontrar nada além daquela mecha ridícula? Procurei em toda Hogwarts e ninguém nunca havia ouvido falar de nenhuma Hermione! Disseram que eu era maluco, que nenhuma garota em sã consciência teria me beijado, que eu devia ter sonhado tudo aquilo! Imagine o meu susto quando te vi como minha aluna, exatamente como era há vinte anos? Só então pude perceber o que estava acontecendo!
Lágrimas escorrem dos olhos de Hermione. Ela não imaginava que havia machucado tanto aquele rapaz. Praticamente pôde sentir a angústia pela qual ele passou, procurando por uma garota que não existia.
— Me desculpe, Prof. Snape. Eu não sabia que havia sido tão importante para você.
— É claro que não sabia! Estava apenas querendo se divertir, para falar para o Potter e o Weasley como fez o Snape de bobo! Pois agora, finalmente, chegou a hora de você pagar!
— Não, professor! Eu não queria isso! Só fiquei com o senhor porque realmente me senti atraída! Eu me apaixonei pelo jovem Severo!
— Cale-se! Detenção!
Hermione passa a tarde limpando os troféus e recusa-se a jantar com os outros. Vai direto para o quarto da Grifinória, mas não consegue dormir. Deita-se em sua cama, relembrando cada bom momento que passou ao lado do jovem Severo, e a recepção nada amistosa que o atual Snape lhe proporcionou.
O dia seguinte não é nem um pouco melhor. O professor a humilha em sala, tirando pontos até por sua respiração, e revelando inúmeros erros em sua poção, erros que nem existiam na verdade. Draco e os demais sonserinos morriam de rir pela humilhação pública da sangue ruim. Porém, Hermione agüenta firme e forte, aguardando até o final da aula, para falar a sós com o professor.
— Prof. Snape, porque está me punindo tanto? Eu entendo que tenha ficado magoado, que eu te fiz sofrer, mas já passou muito tempo.
— Passou muito tempo sim. Vinte longos anos. Mas o tempo só passou para mim. Você, srta. Granger, cometeu esse ato ontem! Está completamente em tempo de pagar.
— O que eu disse ontem é verdade. Eu me apaixonei. E continuo apaixonada. Só consegui pensar no Severo que eu conheci, a noite toda. Está doendo muito ver você me tratar dessa forma.
— Aquele Severo que você conheceu também se apaixonou, e também sentiu muita dor. E ele não existe mais. Apresse-se, você tem aula agora, não é? Após a aula, você irá limpar os caldeirões.
— Outra detenção? Mas eu já cumpri uma ontem!
— Estamos apenas começando sua série de detenções, senhorita Granger... – Snape sai das masmorras com um sorriso sarcástico nos lábios.
As semanas passam da mesma forma. Apenas 18 dias após o ocorrido, Hermione cria coragem de contar tudo a Harry e Rony. Ela tinha medo de contar, e o professor achar que ela realmente só queria se exibir para eles. Mas dói muito sofrer tudo o que ela está sofrendo sozinha, e eles estão realmente preocupados, fazendo todo o possível para ajudá-la. Merecem uma explicação. Ela conta tudo em riqueza de detalhes, escondendo apenas o uso do vira-tempo. Disse que utilizou um feitiço que aprendeu em um livro, mas que não funcionou muito bem.
— Você é louca? – Rony grita – Como teve coragem de beijar o Snape?
— É revoltante! – Harry olha com cara de nojo – Não posso imaginar como uma pessoa teria coragem para tanto!
— Calem-se vocês dois! – Hermione grita – Eu já disse que o Snape adolescente era bonito e simpático.
— Mas veja só no que deu. – Rony continua – Agora, tem que agüentar as punições do atual Snape, o insuportável!
— Não o chame assim!
— Não me referi ao Snape por quem você se apaixonou, e sim a esse crápula que está te maltratando!
— Eles são a mesma pessoa. E eu o amo...
O queixo dos garotos cai com a afirmação. Harry insiste, tentando entender melhor.
— Você ama o Snape? O prof. Snape? O odioso prof. Snape que está te humilhando diariamente?
— Sim. Eu fui culpada por ele me tratar assim. É estranho. Hoje, eu olho para ele, e vejo um pouco daquele menino. Sua doçura acabou, mas deve estar escondida em algum lugar lá dentro. E eu quero resgatá-lo.
— Você é louca, Hermione? Vinte anos se passaram! Hoje ele é muito mais velho do que você, e nunca irá te perdoar! E todos nós sabemos como ele pode ser perigoso!
— Eu sei disso! Mas eu o amo, e quero voltar a ficar com ele! – Hermione sai correndo.
Tem início a época de provas. No dia da prova de poções, Hermione sabe o que fazer. Ignorando completamente às questões, escreve no papel uma carta.
Querido
Prof. Snape,
Sei que hoje você me odeia, mas peço que, por favor, lembre-se um pouco daquele momento sob o Salgueiro Lutador. Lembre-se dos nossos beijos, e das juras de amor. Foi tudo muito sincero de minha parte. Eu sabia que iria partir, e quis te dizer que não iríamos mais nos encontrar. Mas você saiu tão rápido... mesmo assim, mesmo tendo se passado vinte anos, mesmo sabendo que aquele Snape não existe mais, eu te amo. Do jeito como você é hoje. Me perdoe, Severo, por favor! Preciso voltar a ter o seu amor.
Hermione é a primeira aluna a entregar a prova, e o professor corrige imediatamente. Ela aguarda, de pé ao seu lado, prestando atenção à sua expressão, que não se modifica em nenhum momento durante a leitura. Quando finalmente termina, Snape levanta-se e rasga a prova, falando em voz alta, para que todos os alunos possam ouvi-lo:
— Provas foram feitas para serem respondidas, e não para serem usadas para palhaçadas como esta! Menos 20 pontos para a Grifinória, e detenção, srta. Granger!
Enfurecida, Hermione deixa as masmorras.
Uma semana depois, Hermione, que deixara de freqüentar às aulas de poções, invade o escritório de Severo Snape.
— Granger! Como atreve-se a entrar assim? Menos...
— Pare você, prof. Snape! Já vai tirar mais pontos da grifinória? Eu sei que agi de forma errada, mas isso já está parecendo briga de criança! Não pára de tirar pontos e de me dar detenções, para punir algo que fiz. Você se apaixonou, mas eu também, só que não pude encontrá-lo na mesma hora! Mas estou aqui, vinte anos depois, e te amo! Eu te amo, Severo! Pode entender isso?
Hermione tenta segurar as lágrimas que teimam em escorrer de seus olhos. Snape permanece irredutível.
— Não seja ridícula, Granger! Você não sabe o que é o amor.
— Não, eu não sei o que é o amor! Só você sabe! Só você sofreu por esta nossa história de amor! Chega! Eu já tentei de tudo, mas você é cabeça dura demais! Pra mim chega! Desisto de tentar resgatar aquele Severo do fundo do seu coração! Parece que ele morreu mesmo!
Hermione tenta sair da sala, mas Snape agarra sua mão bruscamente.
Continua...