Uma Carta de Perdão
por Mari G. Snape
“Severo,
Eu sei que é tarde para escrever, mas somente agora eu tive coragem
suficiente pra finalmente enviar uma carta. Quem diria, uma grifinória sem
coragem. Pois é, pura ironia.
Peço apenas que você me
perdoe pelo que te fiz. Mas nessa carta vou explicar o por que de tudo, e a única
coisa que espero de você, é o seu perdão.
Lembro-me quase que exatamente
a vez que você disse que me amava e nunca deixaria de me amar. Isso foi numa
noite de natal quando eu estava no sétimo ano. Foi o melhor presente de natal
que já recebi na vida. E eu poço dizer, eu nunca te esqueci, Severo Snape.
Nesses onze anos que passaram, em nenhum momento deixei de pensar em você.
O que aconteceu para eu te
deixar, é que no último mês de aula eu descobri que estava grávida. Sim,
Severo, você tem uma filha, e uma filha linda. Ela tem seus olhos. Olhos negros
e profundos. Os mesmos olhos pelos quais me entreguei no passado. Ela fala e age
como você, mesmo sem te conhecer. O nome que eu coloquei nela foi um nome que
você sempre adorou, Anita.
E foi por causa dela que eu te
deixei. Imagine como ficaria sua reputação entre os outros professores ao
saberem que você havia engravidado uma aluna. Não seria bom pra você, Severo.
E eu fiz tudo isso pensando em você. Sem contar, também que na época você
ainda servia de espião para Dumbledore entre os comensais da morte. E eu tinha
medo que Voldemort descobrisse algo, principalmente por eu ser uma nascida
trouxa. Eu quis poupar você e quis poupar nossa filha.
Quando descobri a gravidez eu
fiquei desesperada, não sabia o que fazer. Então contei ao Rony e ao Harry.
Eles entenderam e compreenderam meu lado, apesar de não aceitarem o fato de ser
um filho seu. Foi então que Rony me fez uma proposta. Não sei se você sabe,
mas ele me amava. Ele havia tentado varias vezes namorar comigo e eu sempre
irredutível por sua causa. A proposta que ele e fez foi difícil de aceitar.
Ele me propôs que eu me casasse com ele e assim ele assumiria minha filha,
dizendo a todos que ele era o pai da criança. Ele me deu um certo tempo pra
pensar, e por fim conclui que seria melhor aceitar. Seria melhor pra nós dois.
Nos casamos no dia seguinte a nossa saída de Hogwarts. Nos
casamos em uma pequena capela no centro de Londres, em uma cerimônia simples.
Com poucos convidados, apenas os Weasley, Harry, meus pais, Dumbledore e
Minerva. Nenhum deles, exceto Harry, entendera, o porque de um casamento tão rápido.
Alguns meses depois disso,
nossa filha nasceu. Todos queriam saber como o bebe tinha olhos tão negros. Eu
e Rony dizíamos que era por causa de meu avô que tinha olhos assim. Os
padrinhos dela são Harry e Gina.
Ela cresceu sem saber nada.
Ela nem imagina que Rony não é o pai verdadeiro dela. Ele sempre a tratou como
uma filha verdadeira. Deu amor, carinho, brigou quando necessário, e nunca
jogou na minha cara que ele não tinha a obrigação de fazer algo por ela.
Eu não posso dizer, Severo,
que não fui feliz ao lado de Ronald Weasley. Ele me fez feliz sim. Nosso
casamento sempre foi maravilhoso, mas faltou amor de minha parte. Eu nunca o
amei, pois nunca te esqueci.
Eu tive um filho de Rony também,
um lindo menino, que se chama Arthur em homenagem ao meu sogro. Ele só tem
cinco aninhos, e é muito inteligente.<br>
Eu tentei escrever durante
todos esses anos, Severo. Escrevi centenas de cartas, mas nunca as enviei, pois
sempre parecia que eu estava traindo Rony. Mas agora ele está morto, e de
alguma forma me sinto livre pra escrever e finalmente enviar essa carta.
Eu sei que você deve estar me odiando agora, e eu sei que o
perdão que eu estou pedindo é difícil de dar, mas, por favor, me perdoe. Eu não
vou conseguir viver sabendo que o homem que eu amei e ainda amo não me perdoou.
Estou também, enviando uma foto de sua filha, para que você
a reconheça, agora que ela esta indo para Hogwarts. Peço que não conte nada a
ela sobre você ser o verdadeiro pai. Pois espero te encontrar algum dia desses
e te contar toda a história cara-a-cara com você, pra depois conversarmos com
ela. Pra isso não será necessário me perdoar, mas apenas pra ela saber a
verdade.
Espero seu perdão,
Hermione G. Weasley”.
Severo Snape leu a carta mais três vezes antes de olhar a fotografia e ver uma menininha que tinha sim seus olhos, mas apenas os olhos, ela era muito parecida com Hermione. A menina, sua filha, Anita, estava séria e com um olhar frio trajando preto na foto e de mãos dadas com um garotinho de seu cinco anos com cabelos ruivos e sardas, extremamente parecido com Ronald Weasley. Ao lado dos dois, uma bela jovem, ainda com o mesmo rostinho da adolescente que um dia fora sua aluna, mas com um certo ar de mulher. A mulher com quem sonhara todos esses anos durante todas as noites. E que sim, ele perdoaria por tudo, pois ainda a amava.
FIM.