QUEM DE NÓS DOIS
Disclaimer: Isso é uma obra de ficção. Algumas personagens e lugares citados
pertencem à J.K. Rowling e foram usados sem permissão. Essa história foi
escrita sem fins lucrativos. Qualquer transgressão a marcas registradas não é
intencional. Outras citações serão feitas quando necessário.
N/A: esta é uma songfic que dá continuidade as minhas anteriores, "Eu Só
Sei Amar Assim" e "Mais do Que Eu Posso Ter", mas não é obrigatória
a leitura delas para o entendimento desta. Ela é baseada na música "Quem
de Nós Dois", uma adaptação da Ana Carolina para a música "La mia
storia tra le dita". Envolve o shipper Severo Snape & Hermione Granger,
portanto se você tem algo contra o casal, não continue. A quem ler, por favor
mande reviews...
Spoilers: TODOS os livros, incluindo "Harry Potter e a Ordem de Fênix".
Eu e você
Não é assim tão complicado
Não é difícil perceber
Quem de nós dois
Vai dizer que é impossível
O amor acontecer
Se eu disser que já nem sinto
nada
Que a estrada sem você é mais
segura
Eu sei você vai rir da minha
cara
Eu já conheço o teu sorriso,
leio teu olhar
Teu sorriso é só disfarce
E eu já nem preciso
Depois daquele fim de semana insone, eles iriam se encontrar novamente. Na
segunda-feira a tarde seria a primeira aula de poções do sexto ano da Grifinória
e com certeza ambos estariam lá. Aquela aula seria um duplo tempo e, pela
primeira vez, o agente-duplo de Dumbledore acreditava ter uma missão que não
seria capaz de cumprir: evitar que o seu olhar caia sobre ela. Em certo ponto
ele a invejava. Invejava sua juventude não desperdiçada, seus amigos e seu
rosto alegre quando conversavam. Ele tinha quase certeza que era o sorriso dela
que o havia fisgado. Era quase como ele tivesse medo dele, de que a felicidade
dela o envolvesse como uma rede da qual ele não teria como escapar. Mas agora
que ele se deu conta disso, ele sabia que era tarde demais para tomar qualquer
providência.
Muito a contra-gosto, o professor de poções reconhecia estar apaixonado. Ele
ainda não havia se decidido o quão ruim (ou bom?) a situação podia ser.
Durante as aulas e nos momentos em que se encontravam (como no salão comunal),
ele se sentia preenchido pela visão dela, como se mesmo estando longe, ela
pudesse aquece-lo. Claro que não aquece-lo fisicamente, como num bom abraço,
mas aquecer seu coração, como se de repente a vida batesse a sua porta,
mandando, ordenando que ele se sinta feliz e completo. A cada dia tornava-se
mais difícil para Snape esconder seus sentimentos. Provavelmente todos notavam
a sua cara de bobo quando a Srt. Granger respondia alguma coisa na aula. No início
ele disfarçava estar apenas defendendo a Sonserina e se mostrava raivoso, mas
estava cada dia mais difícil não perceber os reais sentimentos dele.
Sinto dizer
Que amo mesmo, tá ruim pra
disfarçar
Entre nós dois
Não cabe mais nenhum segredo
Além do que já combinamos
No vão das coisas que a gente
disse
Não cabe mais sermos somente
amigos
E quando eu falo que eu já nem
quero
A frase fica pelo avesso
Meio na contra-mão
E quando finjo que esqueço
Eu não esqueci nada
Hermione estava anormalmente ansiosa aquela manhã. Vários de seus amigos já
haviam comentado isso, mas ela sempre desviava do assunto. Ela sabia a causa de
seu comportamento estranho. Não podia contar para ninguém, claro, mas ele
tinha um nome bem específico e bem conhecido em Hogwarts: Severo Snape. Agora
ela tinha certeza do que sentia, pois não era possível passar tanto tempo com
ele em mente se não fosse nada de importante. Ela o amava. E estava ficando
realmente difícil para ela agora, afinal o seu amado professor era o odiado
mestre de todos os outros. Como não concordar quando Harry dizia que ele estava
sendo extremante injusto? Como não defender demais Snape e se entregar quando
Rony o chamava de "cobra sebosa"? E como, por Merlin, como concordar
completamente com Neville, sem esitar, quando o garoto reclamava que o professor
era cruel e desumano???
Ao chegar na masmorra onde teriam a aula, ela dirigiu-se rapidamente para a última
carteira e nem notou que o professor virou-se de costas no exato momento que ela
passou pela porta. Quando ele começou a aula, com aquele usual tom de voz frio
e calculista, Hermione concentrara-se no seu trabalho, na poção a ser feita,
com todas as suas forças. "Não podia ser mais irônico", pensou ela
em certo momento da aula, "a aula de hoje ser justamente sobre a poção do
amor. Isso é ridículo!". E logo toda a sua concentração tinha fugido do
seu ser. Ela continuava a preparar a poção corretamente, mas era um trabalho
automático, afinal ela era excelente aluna em poções. Sua cabeça
preocupava-se em achar alguma relação com aquele ser aparentemente insensível
e a poção da aula, tratando justamente do sentimento mais nobre, o amor.
E cada vez que eu fujo, eu me
aproximo mais
E te perder de vista assim é
ruim demais
E é por isso que atravesso o
teu futuro
E faço das lembranças um lugar
seguro
Não é que eu queira reviver
nenhum passado
Nem revirar um sentimento
revirado
Mas toda vez que eu procuro uma
saída
Acabo entrando sem querer na tua
vida
Severo estava particularmente contrariado com a aula que estava dando.
Simplesmente não entendia porque Dumbledore havia pedido que ele incluísse a
Poção do Amor no currículo do sexto ano. Era completamente sem propósito,
mas ele não poderia negar um pedido do diretor, e providenciou rapidamente a
aula para livrar-se desse encargo. Ele lembrou-se perfeitamente das instruções
que devia dar aos alunos, de não brincar com algo daquele tipo, pois poderiam
ver resultados desastrosos. Ele usaria apenas uma contra- poção para verificar
se o trabalho dos alunos estava correto e então ia desprezar todo o material da
aula. Mas depois de passar as instruções e anotar os ingredientes no
quadro-negro, ele teria que passar de caldeirão em caldeirão verificando se os
alunos estavam preparando corretamente a poção. Passar pela Sonserina foi fácil,
mas ao começar a fileira de bancadas da Grifinória, pôde sentir um sentimento
de ansiedade crescer em seu peito.
Ele sabia o que, ou melhor, quem encontraria na última bancada, ao lado de
Potter e Weasley. Snape tentava todos os dias afasta-la de sua mente, de seu
coração, mas era algo impossível, ele sabia agora. Ela estava tão próximo a
ele, tão perto, que não havia como se afastar dela e das emoções que ela lhe
causava. E ela estava sempre ali. E ele finalmente chegara ao último caldeirão,
o de Hermione. "Perfeito como sempre" foi o que pensou enquanto
procurava evitar o olhar dela. Mas não foi o que disse. Queria falar a ela
tantas coisas, que acabou apenas dando um resmungo, e virando- se de costas para
ela, seguiu para a frente da classe e sentou-se à mesa.
Eu procurei qualquer desculpa
pra não te encarar
Pra não dizer de novo e sempre
a mesma coisa
Falar só por falar
Que eu já não tô nem aí pra
essa conversa
Que a história de nós dois não
me interessa
Se eu tento esconder meias
verdades
Você conhece o meu sorriso
Leu no meu olhar
Meu sorriso é só disfarce
Por que eu já nem preciso
O final da aula se aproximava, e com ele, Snape também chegava a sua bancada.
Mais uma vez ele examinara sua mesa de trabalho, seu caldeirão e por fim sua poção.
Mesmo desconcentrada do trabalho ela sabia que tudo estava perfeito. Mas
obviamente que ele não disse isso. Virou-se e saiu resmungando algo, apenas.
Mas ela notou que antes, quando ele estava ali, que ele evitava olhar
diretamente para ela enquanto fazia sua inspeção. Ele nunca havia feito isso,
mas o que lhe incomodou de verdade foi instante em que ele, sem querer,
encontrou os olhos dela. Ela viu nele algo diferente do normal, o que exatamente
ela não saberia dizer. Talvez, apenas talvez, fosse o que ela queria que fosse.
E talvez então seu amor fosse correspondido. Mas não, aquilo não era possível,
ela sabia. Professor e aluna? Não mesmo. Por mais que Snape gostasse dela, ele
jamais se entregaria.
A aula acabou como transcorreu, normal para os outros, diferente apenas para
ela. Mas agora ela estava com um pensamento em mente. Algo que era antes incogitável,
mas que depois de um olhar, ela poderia tentar. Quem sabe, se falasse com ele...
Mas como? Teria que ter algo em mente, um plano bem elaborado para entrar no
toca da serpente. Mas como calcular friamente os sentimentos? Os dele e os dela
própria? Mas ainda era algo a se pensar, pois ela não conseguiria continuar
assim. E ao deitar naquela noite, mais uma vez não dormiu. Desta vez porque
atravessaria um futuro, de alguma maneira entraria na vida de Severo.
E cada vez que eu fujo, eu me
aproximo mais
E te perder de vista assim é
ruim demais
E é por isso que atravesso o
teu futuro
E faço das lembranças um lugar
seguro
Não é que eu queira reviver
nenhum passado
Nem revirar um sentimento
revirado
Mas toda vez que eu procuro uma
saída
Acabo entrando sem querer na tua
vida
Agradecimentos: quero mandar um beijo especial pelo apoio dado à: Sarah Snape,
Noctivague, Lillith1, Carol, Magalud e Clio3. Obrigada meninas, é o review de
vocês que não me deixa parar de escrever!!!