Ponche
por Marianah
“ De quem foi a maldita idéia de fazer ponche?” Pensava Severo Snape enquanto caminhava em direção à uma aluna encostada numa parede da Ala Norte.
Era noite de Hallowen, e como o professor não gostava nem um pouco de festas ele se encarregava de vigiar os corredores tratando de dar detenções para aqueles casais mais apressadinhos...
Mas dessa vez os pensamentos do professor
foram interrompidos pela cantoria de uma aluna bêbada... Outra coisa que também
era comum.
-120 garrafas de cerveja no muro, 120
garrafas no muro. Se uma garrafa cair no chão, quantas ficarão?
-Meu Deus! O que colocaram
naquilo?Tequila?- Ele disse um pouco alto demais, chamando atenção da aluna.
-
Quem esta aí? – A moça pergunta enquanto tentava, inutilmente se
levantar.
-É o professor Snape! –Ele disse
pronto para começar o sermão – Oh! Senhorita Granger???
Ele ficou surpreso quando viu a aluna que a
tempos o perseguia em seus sonhos,
quer dizer... “perseguir não é
bem o que ela não faz nos meus sonhos...” mas ele tentou afastar esse
pensamento enquanto a ajudava a se levantar.
-Granger...Hermione
Granger... Esse é o meu nome – ela disse como se fosse uma grande
descoberta.
-
É esse é o seu nome. Agora venha, se apóie em mim... Vou te levar a
enfermaria.
Ele passou um braço em torno da
cintura da garota e 17 anos, tentando fazer ela se mover.
-Eu te conheço de algum lugar –
Ela disse aproximando perigosamente seu
rosto no do professor.
-Tenho certeza que sim, srta
Granger- ele disse afastando seu rosto do dela se concentrando em um único
pensamento: “Ela esta bêbada, seu babaca, ela esta bêbada!”
Eles andaram , ao que pereceu, por meia hora. Ta, a enfermaria não era tão longe assim, mas Hermione estava tendo dificuldades para andar e Snape estava tentando se controlar, coisa que se tornava cada vez mais difícil cada vez que ele olhava para ela.
Eles
finalmente chegaram a Ala Hospitalar. Mas...
-FECHADA!! – gritou Snape
assustando Hermione que estava quase dormindo
no ombro do professor.
-Quê? Quando? Onde? Como?
- A enfermaria esta fechada Srta.
Granger. Vou leva-la à minha sala , e te dar algo para acabar com essa
bebedeira.
-Uh, professor Snape, isso não é
proposta que se faça para uma aluna- ela disse com um sorriso safado no rosto.
-Vou desconsiderar isso...
Quando chegou a sua sala Snape
colocou Hermione em sua cadeira enquanto procurava
os ingredientes para a poção.
-
Obaaaaaaa – ela exclamou
Snape se virou para ver o que estava acontecendo, e por mais bizarra que fosse a cena à sua frente, ele tinha que admitir, era engraçado. Hermione Granger, 7° de Hogwarts, monitora – chefe, melhor aluna se seu ano, possivelmente também da escola, uma das mais brilhantes que Hogwarts já teve. Bom, ela parecia uma criança de 7 anos rodando na cadeira do professor, cada vez mais rápido.
Ele se virou novamente para o armário
com um sorriso no rosto, e comentou sarcástico:
-Cuidado Srta. Granger, ou vai acabar...
Tarde demais! “Que não tenha
sido na minha mesa, que não tenha sido na minha mesa “ ele pensou
-...vomitando. Venha, venha lavar
o rosto..
-Tudo bem... obrigada- Ela disse mais sóbria.
Depois de levá-la ao banheiro
ele se virou e foi em direção a porta, mas a voz hesitante da garota o
fez parar.
-Onde o senhor vai?
-Não se preocupe,
vou ao meu quarto, tenho que pegar um ingrediente no meu estoque.
-Não! Por favor... Não vá!- ela
disse com uma voz amedrontada.
-Mas...-ele ficará atordoado pelo
tom de voz da garota.
Ela rapidamente se levantou e foi para o lado do professor.
-
Posso... posso ir com o senhor?
-Bem... venha, vamos logo...
Assim que chegou a seus aposentos ele fez Hermione se sentar em um sofá perto da lareira.
Os minutos seguintes, que mais pareciam horas, foram silenciosos. Hermione estava sentada no sofá encolhida, abraçando suas pernas, ainda sofrendo as conseqüências da bebedeira. E Severo estava num canto afastado, de costa para ela, preparando uma poção que, além de “sumir” com o álcool no sangue, evitava a ressaca no dia seguinte além dos outros efeitos indesejáveis da bebida.
Algum tempo depois ele terminou a
poção, mas pareceu hesitar um pouco antes de ir para a lareira e pegar um dos
cálices que se encontrava sobre a
mesma. Ele se virou, e andou em direção a uma Hermione meio assustada,
sentando à seu lado lhe entregando o cálice cheio com uma poção
que mais parecia chocolate quente.
-Obrigada- ela disse trêmula,
sentando mais perto do professor para pegar o cálice.
Mas Snape não agüentou ta proximidade daquela mulher, sim mulher, que conseguia, mesmo não sabendo, quebrar cada vez mais a barreira criada em volta de seu coração durante seus anos de espionagem, e solidão. Então ele rapidamente foi para frente da lareira tentando arrumar qualquer coisa que ocupasse sua mente.
Hermione vendo
o professor em frente
à lareira, as chamas brincando com seu rosto pálido,
que tanto atraia sua atenção tomou coragem e se levantou.
-Professor - ela disse parando um
pouco atrás dele, a voz insegura.
-Diga Srta Granger- ele respondeu
sem se virar
-Eu tenho algo para lhe dizer. Sei que vai parecer uma completa loucura, principalmente vinda de mim, mas eu tenho que falar, ou vou acabar enlouquecendo. Eu gosto muito do senhor... gosto mesmo! Não sou louca de pensar que sou respondida. Mas, eu precisava... precisava falar
Snape ficou sem reação... uma pequena parte de seu cérebro absorveu o significado daquelas palavras... “Não... não pode ser... ela.. ela deve estar bêbada....”
-A senhorita deve estar bêbada. Tome a logo a poção para que a leve logo para seu dormitório... Lhe garanto que não irá lembrar-se disso amanhã. –ele disse com a voz meio trêmula.
Mas a raiva de Hermione era tanta que ela não percebeu esse último detalhe. Ela jogou o frasco no chão à frente do professor. Estava vazio.
-Nós dois sabemos que a poção faz efeito instantaneamente – ela disse seca, se virando para sair da sala
“SEU IDIOTA! FAÇA ALGUMA COISA! ELA ESTA INDO EMBORA!!” gritava , não uma vozinha mas um alto falante em sua cabeça.
E ele, felizmente, a escutou. E se levantou rapidamente, conseguindo segura-la pelo braço impedindo-a de sair.
Nesse momento ambos sentiram um estranho calor em seus corpos apesar da neve que não parava de cair.
Ela virou-se e lentamente seus rostos começaram a se aproximar.
Mágica. Pura e simples. Aquele foi, com certeza, o melhor beijo de ambos. Foi carinhoso, intenso, apaixonado, delicado, e cheio de promessas.
***FIM***