-Nesse momento o navio de Hogwarts já deve ter partido, sem nós.
-Não
podemos sair daqui com esta tempestade. E aposto que já sentiram a nossa falta,
professor.
-Não
senhorita Granger, encare a realidade, fomos deixados para trás. Entende agora?
Fomos esquecidos.
-Não
podem ter nos esquecido, em breve estarão nos procurando, eu tenho certeza,
professor.
-Então fique com suas certezas e me deixe em paz. –e o mestre retirou-se, arrastando sua capa negra pelo chão de madeira da velha casa abandonada.
Chovia
forte do lado de fora da singela casinha de dois cômodos, construída entre árvores
e de difícil localização.
Foi uma idéia realmente idiota a de participar dessa excursão, pensava
Hermione ao observar, das janelas de vidro da sala, a chuva cair apressada
naquela pequena e simples casa de madeira, onde parecia cada vez mais
assustadora com o bater das grandes gotas d’água que caiam nas telhas velhas
sobre o teto.
Dumbledore
sempre gostou de surpresas, e como faltava apenas um mês para que as aulas se
encerrassem, promoveu uma grande e aventureira excursão, onde toda Hogwarts
participou. Porém as coisas seguiram rumos diferentes.
Há
anos que Hogwarts não partia para excursões como aquela que havia sido
encerrada há algumas horas atrás. E Dumbledore tinha certeza de que tudo daria
certo.
A
excursão seria como uma despedida, já que muitos se formariam naquele ano, mas
serviria, também, para ajudar os alunos do castelo a conseguirem os pontos
necessários para passarem.
Hermione,
ainda em Hogwarts, ficou excitada ao saber que teria a chance de conhecer espécies
diferentes de animais e, principalmente, que teria a oportunidade de explorar
plantas raras. Era a sua chance de adquirir cada vez mais sabedoria em
determinados assuntos. Mas ela mal imaginava que a excursão terminaria da forma
como parecia ter acabado.
-Se
ao menos estivéssemos com nossas varinhas. –queixou-se o professor no cômodo
ao lado, sentado em uma grande cama de casal, antiga e de aparência grotesca.
-Iremos
ficar aqui, nessa ilha? –perguntou a jovem, com a voz fraca e uma expressão
cansada.
-O
que acha? –respondeu o mestre com ignorância.
-Desculpe
professor, mas poderia tentar encarar essa situação de forma mais compreensível.
Não é o fim do mundo o fato de que perdemos a hora e fomos deixados para trás.
-Diz
isso porque não quer confessar que é a culpada, não é mesmo?
-Culpada, eu?
-Sim!
Se a senhorita não tivesse me entretido de mais com aquela história que
contou-me quando estávamos prestes a voltar para o acampamento quem sabe não
tivéssemos sido pegos pela tempestade.
-
O senhor está me culpando por termos sido pegos por esta tempestade, é isso?
-Não,
estou simplesmente dizendo a verdade.
-Se
o senhor estivesse tão preocupado em voltar a tempo para o acampamento teria
dito-me que não tínhamos tempo para perder discutindo sobre aquelas plantas
raras que encontramos.
-Ah
sim, mas se a senhorita não tivesse ido atrás de mim eu teria terminado minhas
pesquisas bem antes do que eu havia planejado. Mas a senhorita tinha que querer
bisbilhotar um pouco mais, não é? Maldita a hora que deixei que se afastasse.
-E
por que o senhor não me deixou sozinha? Eu teria me virado perfeitamente bem. E
aí o senhor não teria sido pego pela tempestade e talvez não estivesse aqui,
queixando-se de nossa desgraça.
Hermione
parecia ofendida com as acusações que o professor acabara de lhe fazer. Foi até
uma pequena janela de vidro ao lado da cama e observou a água escorrer, embaçando
sua visão, enquanto abraçava-se a si mesma, tentando afugentar o frio.
Severo levantou-se da cama e, impaciente, fitou tudo a sua volta: o quarto; o
segundo cômodo a sua frente; uma pequena mesinha de madeira, velha e
empoeirada; um criado-mudo ao lado da cama; e a cama, velha, aparentemente
confortável, uma grande cama de casal.
Hermione
parecia deprimida ao observar o horizonte fora da pequena janela de vidro,
embora quase não fosse possível enxergar nada.
-Precisa
trocar de roupa, está molhada. –disse o professor observando-a tremendo de
frio.
Ela
não era a única a ter ficado encharcada com a tempestade. Severo retirou de
suas costas a capa negra e a estendeu sobre uma cadeira de madeira um pouco
empoeirada.
-Teremos de passar a noite aqui,
nesta casa?
-Se
quiser passar a noite na chuva, fique a vontade, Srtª.
Hermione
fechou-lhe a cara e quando preparava-se para deitar-se na cama, Severo foi mais
rápido e apossou-se dela antes da aluna.
-O
que pensa que está fazendo? –gritou furiosa.
-Deitando-me,
algum problema?
-Não,
nenhum. Só por curiosidade, acha que vamos dividir a mesma cama?
-Não,
claro que não. Ali na sala tem um banco, velho e um pouco desconfortável, mas
serve. Pode dormir lá, eu não me importo de ficar com a cama. Juro!
-Nunca!!
– e puxou-o pela camisa, tirando-o da cama com violência. Ela era
estupidamente forte, constatou Severo ao quase ser jogado no chão.
Era
irritante vê-la apossar-se daquela cama grande e macia, mas sabia que fazê-la
dormir em um banco duro e velho não seria nada agradável, e muito menos
dividir a mesma cama, o que Snape não admitiria.
Eram
quase nove horas da noite e já estava tudo muito escuro fora da cabana, e o
frio parecia aumentar cada vez mais.
Severo
parecia inquieto, deitado no banco de madeira no cômodo a frente do quarto.
Pensava, ele, em quantas aranhas e cobras não existiam naquela ilha.
Revirava-se
sem parar, enquanto Hermione, por de trás dos ombros, o observava com pena,
sentia-se de consciência pesada, e chegou a pensar, por questões de minutos,
em dividir a grande cama de casal com o mestre de Poções, mas não poderia
humilhar-se dessa forma, a ponto de voltar atrás de sua decisão. Estava tão
cansada que logo adormeceu.
Era
quase manhã quando Snape levantou-se, torto e com dor nas costas, procurando
amenizar as dores insuportáveis que sentia.
-A
idade não nos dá trégua mesmo! – resmungou sussurrando. Mas ele não
parecia tão velho quanto achava estar. Era ainda um verdadeiro garanhão.
O
frio parecia já diminuir, porém a brisa gelada que entrava por baixo da porta
de madeira e pelos pequenos buracos na vidraça da janela atormentava-os
bastante. Além do frio, a chuva continuava a cair veloz sobre o teto e em
alguns pontos podia-se ver algumas pequenas goteiras.
O som do vento era assustador, lembrava gemidos de dor e gritos de terror.
Enquanto o farfalhar das folhas nas árvores lembrava passos sobre folhagens
secas.
Em
pé, na frente da cama, era inevitável não observá-la. Era estranho, para o
mestre, vê-la, pois parecia mais do que a sua simples aluna do sétimo ano, ele
parecia vê-la, agora, como uma mulher.
Hermione trajava uma roupa simples, assim como quase todos os outros jovens de
Hogwarts trajaram quando ainda exploravam a ilha. Apenas Severo trajava roupas
quentes e longas, o que agora parecia estar lhe ajudando muito, já que o frio
era espantado pelas grossas vestes do mestre.
Deitada
de bruços, com uma das pernas levemente dobrada, era impossível não observar
as pernas grosas e delicadas da jovem que a saia parecia não cobrir. Uma
simples blusa de alça deixava seus ombros a mostra, porém os cabelos castanhos
claros e encaracolados cobria-lhe a face e as costas. Mesmo à vontade e
relaxada, parecia encolhida em meio àquela cama tão grande.
Por
questões de segundos, Severo imaginou-se deitado ao lado dela, aquecendo-a com
seus abraços quentes e aconchegantes.
Ao
virar-se lembrou de sua capa, estendida na cadeira próxima a cama. Apanhou-a
com cuidado e cautelosamente a estendeu sobre a aluna, tentando amenizar o frio
que ela parecia sentir.
Era triste lembrar-se de que um banco duro e desconfortável o esperava na sala,
mas era a realidade.
Quando já preparava-se para enfrentar seu duro destino, parou e a observou mais
uma vez, e decidido a passar ao menos uma noite confortável de sono,
aproximou-se do leito devagar, deitando-se com cuidado para não acordá-la, mas
a cama era muito antiga e com o peso dele provocou um rangido estridente. Por
sorte Hermione estava exausta e não foi acordada com o som.
Ajeitou-se
da forma mais confortável e pôs-se a observa-la novamente, o que parecia não
querer mais parar de fazer.
Hermione
parecia anestesiada, sua respiração era leve e dormia como uma pedra encravada
o mais fortemente no solo.
Foi,
aos poucos, observando-a mais cautelosamente: sua face coberta pela escuridão
que tomava a cabana; seus cabelos cacheados sobre metade de seu rosto; sua pele,
macia e delicada; seu corpo, coberto por sua capa preta e quente; seus traços
faciais e, irresistivelmente, seus lábios, tão pequenos e delicados que talvez
qualquer gesto pudesse destruí-lo.
Ela
era linda, confessou a si mesmo. Mas logo caiu em si das barbaridades que estava
a pensar, e aquietou-se novamente.
Era impossível dormir ao lado dela, tê-la ao seu lado e não poder tocá-la.
Era algo perturbador.
Virou-se
devagar na sua direção, enquanto aproximava-se cada vez mais de sua face,
apagada por um sono profundo. Era estranho para ele, mas sentia um desejo forte,
que já não podia mais conter. Sem pensar ou mesmo sem querer, encostou seus lábios
nos dela, selando com um beijo o sentimento que parecia brotar de seu coração.
Hermione descansava tão profundamente que mal sentiu o doce tocar dos lábios
do mestre nos seus, pequenos e avermelhados. Mas logo despertou-se, sentindo o
gosto daqueles lábios quentes e envolventes.
Ainda
um pouco confusa, retribuiu o beijo, que parecia vir com tanto amor e com tanto
sentimento. E enquanto trocavam salivas, Severo acariciava seus cabelos,
enquanto ela parecia perdida diante de tal situação.
Ambos
pareciam distantes com o beijo que trocavam, era como se houvessem esquecido que
entre eles haviam uma relação de aluno e professor, algo que parecia mudar
conforme o beijo ganhava cada vez mais força e sentimento.
Bem
mais do que um beijo, não pouparam forças e deixaram que o desejo os
conduzissem.
-O
que está fazendo? – perguntou ela ainda muito sonolenta, após o suave
contato de seus lábios.
-Fazendo
o que há anos não fazia. –e beijo-a, mas foi interrompido por ela.
-Beijando?
-Não,
isso... – e deitou-se sobre ela, continuando a fazer o que fazia: beijando-a
ardentemente, enquanto suas mãos tratavam de despi-la aos poucos.
Hermione
parecia anestesiada com tantos beijos, parecia dominada pelo mestre de Poções.
E entregou-se por completo às caricias que aos poucos ganhavam forma.
Era quase manhã e amaram-se perdidamente, como se entre eles não houvessem
obstáculos ou mesmo que aquilo fosse certo, quando poderia ser errado.
A
ilha estava tomada por uma imensa escuridão que só diminuía quando os raios
iluminavam as copas das árvores, enquanto os relâmpagos e trovões davam ao
momento uma certa mágica. Era como um filme que estivesse a ser produzido
diante de uma cama velha, sobre lençóis antigos e em uma casa deserta,
desabitada e perdida em uma ilha solitária, em algum lugar do mapa.
-Pelo
menos para alguma coisa serviu o fato de termos sido esquecidos, não acha?
–perguntou o mestre entre beijos, enquanto suas mãos roçavam o corpo da
jovem.
Hermione
não respondeu, parecia confusa com tudo, porém divertia-se ao lado do mestre.
Tentava dizer algo mas nada saia de sua boca, era como se houvesse perdido a
fala.
Aquela
noite marcaria definitivamente o futuro de ambos.
****
Finalmente
o dia amanheceu, a chuva já havia dado trégua e tudo estava muito molhado do
lado de fora da velha casa de madeira.
As conseqüências da tempestade podiam ser vistas no chão da sala, onde uma
enorme possa de água barrava a saída, formada com as minúsculas, porém
poderosas, gotas d’água que na noite passada despencavam do teto.
Aos
poucos Hermione foi despertando-se do profundo sono, e, ao abrir os olhos,
lentamente observou-o parado a sua frente, fitando-a com uma cara fechada e
rabugenta, como a de sempre.
-Levante-se
e vista-se! –disse com uma voz fria.
-Já...
já é de manhã? –perguntou confusa, limpando os olhos e apertando a capa
negra do mestre sobre seu corpo nu.
-O
que acha? Não está vendo o sol? –e apontou para a janela de vidro ao lado da
cama, onde os raios de sol se atreviam a iluminar o cômodo.
Hermione
ficou calada, observando-o e estranhando o comportamento do mestre, agora frio e
ignorante, o que não podia ser comparado de nenhuma forma ao seu comportamento
na noite passada: um comportamento delicado, afetuoso e sensível.
-Vamos,
vista-se logo! –bradou feroz ao vê-la ainda sentada na cama.
-Que
horas são?
-Por
acaso sou relógio?! –vociferou
Hermione
permaneceu calada, encarando-o, enquanto ele dobrava um pedaço de pergaminho e
o enfiava no bolso da calça.
-Estou
confusa. O que aconteceu ontem foi... real?
Severo
encarou-a, parecendo escolher as palavras idéias para responder a pergunta.
-Senhorita
Granger, eu...
-“senhorita
Granger”? Isso significa que...
-O
que aconteceu ontem não era para ter acontecido. Sinto dizer-lhe isso, mas
talvez esta seja a hora de esquecer tudo e fingir que não aconteceu nada entre
nós. –E calou-se, com seus olhares vidrados nos dela.
-“Esquecer”?
Acha que eu posso esquecer o que aconteceu entre nós? Acha que eu posso fingir
que não houve nada entre nós? –e o observou, Severo parecia sem palavras, ou
talvez confuso de mais para pronuncia-las.- Eu... eu fiz amor com o meu
professor de Poções. Isso não é estranho? Como... como explica isso?
-Eu
não explico, porque não há explicação alguma. Tudo aconteceu de forma muito
inesperada, e além do mais tudo aquilo não teve muita importância e...
-“Não
teve importância”? Do que pensa que estamos falando? - e gritou irritada,
ainda sentada na cama e enrolada na capa negra. –Nós... ontem a noite nós
fizemos amor. Isso não é nada? Quer dizer que o que fizemos não teve importância?
É isso que o senhor está querendo dizer?
-Senhorita,
tudo aquilo aconteceu de forma repentina, eu não queria que aquilo tivesse
acontecido.
-Mas
aconteceu. –e lágrimas escorreram por sua face, limpando-a dos beijos que na
noite passada Severo havia lhe dado com tanto fervor.
-Escute
uma coisa, Granger. –e aproximou-se dela –Eu nunca dormi ao lado de uma
mulher. Eu sou homem, entende? Estávamos a sós aqui, dentro dessa casa
abandonada que escolhemos de refugio para a tempestade passada. Eu não pude
conter os meus instintos.
-Você
é mesmo um idiota. Não acredito que teve coragem de usar-me dessa forma. O
senhor sabe o que fez comigo? - e ele sorriu maliciosamente, encarando as
paredes -O senhor deu asas a um sentimento antigo e quase esquecido, deu-me
esperanças, algo que eu já estava a perder. Agora acabou... a esperança que
eu tinha de um dia realizar o meu maior desejo esgotou-se.
-“Esperança”?
Do que está falando? –parecia confuso, agora.
-De
um sentimento. Provavelmente o senhor não sabe o que isso, mas eu sei, sei
porque eu tenho um sentimento dentro de mim, que agora me perturba. Eu o amo,
será que não vê? –e debulhou-se em lágrimas, era como se um sonho tivesse
tornado-se em um pesadelo.
Hermione
parecia deprimida, encolhendo-se dentro de si mesma e ocultando-se na capa que
lhe cobria por inteira.
-No
início era só um sentimento bobo, daqueles que muitas adolescentes têm por
seus professores. Mas foi ficando cada vez maior e... depois do que fizemos,
parece estar ficando fora do meu controle. Eu não posso esquecer o que fizemos,
pois foi... a melhor coisa que eu já fiz na minha vida. Foi... uma noite como
nenhuma outra que eu já passei. O senhor entende porque eu choro? O senhor vê
porque eu não posso esquece-lo e esquecer o que houve entre nós?!
Severo
parecia paralisado diante de tantas revelações. Sabia, ele, que tudo que ela
dizia era sincero, pois via em seus olhares a verdade sendo revelada através de
lágrimas e palavras que chegaram a comovê-lo. Mas sabia ele, também, que
aquilo tudo era estranho, era uma loucura. Uma aluna apaixonada por um
professor. Um professor estranhamente perdido em seus pensamentos. Era tudo
muito confuso, e ele não sabia o que fazer diante daquela situação.
-Eu
só queria que dissesse que o que fizemos foi por amor. Pois eu nunca imaginei
que um dia poderia ter feito aquilo com você. Eu me sinto uma idiota sabendo
que fui usada pela pessoa que mais admiro, não só porque essa pessoa é um
excelente professor, mas sim porque eu simplesmente o amo.
Severo
não sabia o que dizer, suas palavras não chegavam a altura das revelações
feitas por ela. A confusão que tomava conta de sua mente fez com que ele se
perdesse por completo em seus pensamentos.
-A
senhorita não sabe do que está falando. –e foi aos poucos recuando para trás,
como se pretendesse fugir a qualquer momento. –Arrume-se. Eu a espero lá
fora. – e saiu, apressado, parecia atormentado com tudo.
Hermione
não podia impedi-lo, e deixou que suas lágrimas de tristeza lavassem o leito,
onde pela primeira vez amou um homem.
*****
Ainda perturbada com tudo, saiu da cabana, o refugio perfeito da tempestade
passada, vestida com suas roupas de antes: a saia suja e a blusa ainda molhada
da tempestade. Carregava nos braços a capa negra do mestre, dobrada de forma
delicada e ainda com o cheiro de seu perfume.
Severo
a esperava de braços cruzados, virado para o mar a sua frente, escorado em um
grande coqueiro recheado de cocos.
Hermione
aproximou-se de leve, mas ao pisar sobre um galho seco despertou a atenção do
mestre.
-A
sua capa. – e entregou-a ao professor, que não disse nada.
Caminharam em silêncio por um longo tempo.
-Como
vamos sair daqui? –perguntou ela.
-Hoje
cedo uma coruja estava parada a frente da casa abandonada, trazia uma mensagem
de Dumbledore. Disse que lamentava o acontecido e informou que hoje pela manhã
mandaria um navio de Hogwarts para nos resgatar. Precisamos voltar para o local
dos acampamentos.
Hermione
o observava atenta, enquanto este falava. Severo trazia na face uma espécie de
arrogância, era como se quisesse fazer com que ela não notasse que estava
confuso com toda a situação. Ele não a fitou por momento algum, mas ela sabia
que os seus pensamentos andavam colados nos dela.
Quando já pareciam ter chegado ao local em que, na tarde passada, os alunos de Hogwarts acamparam, Severo observou o horizonte a procura de um navio grande e luxuoso. Mas nada. Talvez fosse cedo de mais.
Hermione o observou atenta, um pouco distante do mestre. Não suportou o silêncio.
-O
assunto ainda não está encerrado, eu imagino.
-Arg...
lá vem você de novo com suas lorotas. Será que não vê que está se passando
por infantil?
-E
o senhor, será que não vê que está se passando por um ignorante? –Severo não
lhe retribuiu a ofensa. –O que será que Dumbledore irá achar quando eu
contar-lhe que seu professor querido de Poções abusou de uma de suas melhores
alunas?
Severo virou-se irritado, fitando-a com aquele seu olhar misterioso e mau, que costumava jogar sempre que esbarrava com Harry pelos corredores do castelo.
-Está
me acusando de...
-...
ter abusado de uma menor de idade, afinal, eu só tenho 17 anos. –Hermione
parecia confiante e orgulhosa por ter despertado medo no mestre de poções.
-Sabe
que isso não é verdade. E por outro lado, a senhorita não teria coragem de
fazer isso, afinal, você me ama. –um sorriso sarcástico estampou-se em sua
face.
-Então
fique comigo e não o acuso de tal “crime”.
-Não
acredito que a sabe-tudo está humilhando-se a ponto de ter algo de uma forma tão
suja. Agora entendo porque nunca teve namorados.
-E
o senhor, com quantas mulheres já ficou?
-Nenhuma, pois elas são umas verdadeiras idiotas.
-Mas
quando trata-se de fazer amor com elas o senhor não as acha idiotas, acha?
–Hermione tinha razão, e ele já estava a convencer-se disso.
-Escute
uma coisa. –E aproximou-se dela, trazendo seu olhar de ódio. –O que
aconteceu ontem não interessa a Dumbledore nem a ninguém. Trate de esquecer
tudo aquilo, ou vai perder seu tempo. Entendeu?
-Não!
– e beijou-o, quase tão ardentemente quanto os beijos que trocaram na noite
passada.
Severo
não se atreveu a interromper o beijo, afinal, era bom e não podia desperdiçar
o momento, que poderia ser único.
Logo
escutaram o navio aproximar-se da beira da praia e separaram-se rapidamente, se
os vissem juntos estariam perdidos.
Não
disseram maia nada, calaram-se e não dirigiram uma única palavra. Hagrid, que
os recepcionou assim que o navio ancorou, parecia desconfiado ao ver o silêncio
entre eles.
Ao
embarcarem no navio, depois de muito Hagrid enrolar, cada um seguiu para sua
respectiva cabine. Não trocaram uma única palavra, porém os olhares diziam
quase tudo. Hagrid fez companhia a Hermione, que parecia exausta, enquanto
Severo trancou-se em uma cabine qualquer, infeliz com seus pensamentos.
Não
demorou muito e logo chegaram a Hogwarts. Desceram e seguiram para o castelo,
onde Dumbledore os recepcionou carinhosamente.
-Eu
juro aos senhores que pedi para que todos os professores se certificassem, na
volta da excursão, de que todos os alunos e professores estavam a bordo. Mas
acho que todos se empolgaram tanto com a excursão ou estavam cansados de mais
e... não notaram a falta dos senhores. Perdão, prof., por tê-lo feito passar
por tudo isso.
-Não...
não precisa pedir desculpas, Alvo. Essas coisas acontecem. Pensando melhor, não
foi tão ruim a noite que tivemos que passar na ilha, não é mesmo senhorita
Granger? – e encarou-a de leve, despertando uma curiosidade oculta em
Dumbledore.
-O
senhor está dispensado de dar aulas hoje e amanhã, da mesma forma que a
senhorita está dispensada das aulas. Assim terão tempo suficiente para
renovarem as forças. E mais uma vez, perdão por tudo.
Hermione
sorriu e retirou-se, seguindo para a grande escada que dava acesso aos andares
de cima, assim como Severo, que seguiu para a sua Masmorra.
Estava
quase na hora do almoço e quase Hogwarts inteira já sabia da chegada do
professor e da aluna, que foram esquecidos na ilha que no dia anterior
exploraram de forma divertida.
Hermione foi pega por uma multidão de garotas e garotos que lhe faziam milhões
de perguntas. Estava cansada, abalada e a ferida em seu coração sangrava de
forma que parecia perder a vontade de viver.
Dedicou
aquele finalzinho de manhã a Gina, sua melhor amiga, que educadamente a chamou
para uma conversa no dormitório feminino, onde muitas garotas se recusavam a
entrar, simplesmente porque mais uma vez o sapo de Neville se infiltrara no
dormitório.
Hermione
fazia o possível para não mostrar o quando estava triste. Contava com fervor
sobre as maravilhosas plantas que pesquisou ao lado do mestre, porém ao citar o
seu nome, entristeceu de forma que Gina já podia perceber que o melhor que
podia fazer era retirar-se e deixar que a amiga repousasse em paz.
***
Após o almoço, já descansados, Hermione retirou-se de fininho da torre da
Grifinória e como estava dispensada das aulas e sabia que o professor também
estava dispensado, seguiu direto para a Masmorra, pretendia ter uma séria
conversa.
Ao chegar, encontrou a porta trancada e não conseguiu destranca-la com nenhum
feitiço, o que a deixou irada. Gritou baixinho pelo nome do professor, mas este
parecia surdo trancado em sua Masmorra sombria.
Lembrou-se, então, das barbaridades que o mestre dissera a ela na ilha, quando
pediu para que ela esquecesse tudo que fizeram juntos. Se ele não a amava e se
ele a havia feito sofrer, a usando da forma como usou, ele não merecia
sentimento algum de ninguém. A partir daquele dia, jurou que não olharia mais
para a cara dele. E por mais que fosse difícil esquece-lo, depois de tudo,
Hermione fazia o possível para cumprir com o juramento que fez naquela tarde à
frente da Masmorra.
Passaram-se
dias e com ele só teve um único encontro, onde discutiram o tempo todo.
****
Depois de duas semanas sem trocarem palavras, Hermione voltou a perturba-lo em
sua Masmorra.
Era
uma quente quinta-feira, fazia muito calor e o sol raiava no horizonte fora do
castelo.
Depois de quatro batidas na porta, ele abriu, desconfiado com a visita e
tratando de maltrata-la com suas ironias de sempre.
-O
que está fazendo aqui? Pelo que sei, deveria estar em aula com McGonagall.
–continuava um verdadeiro arrogante. –Hey, o que está fazendo? Eu não a
convidei para entrar, acha que pode apossar-se de minha Masmorra também, da
mesma forma como fez com a cama da velha cabana?
-Cale...
a... boca! –parecia irritada, tentando não sair da linha.
-O
que quer? Diga logo.
-Tenho...
–e respirou fundo, engoliu muita saliva e ajeitou a postura. –Tenho algo
muito importante para lhe dizer.
-Então
diga. –Severo deu-lhe as costas, como fez na ilha. Seguiu para sua
escrivaninha com seus passos majestosos e com seus cabelos movendo-se no ar.
-Estou
grávida.
-Muito
engraçado. Daqui a alguns minutos meus alunos da Sonserina estarão aqui para
as suas aulas de final de tarde, por isso, trate de apressar-se.
-Eu
falo sério, eu estou grávida. –Hermione o encarava com algumas lágrimas já
prontas para despencarem de seus olhos, o que ela tentava impedir. Carregava nos
braços os seus livros e no ombro a sua mochila.
-Claro
que não está grávida, pare de brincadeiras, diga logo o que quer.
-Não,
estou sim. Eu já estava desconfiada. Andei tendo tonturas e dores de cabeça,
mas só fui ter certeza hoje no inicio das aulas quando desmaiei durante uma
explicação da McGonagall. –ele prestava atenção, horrorizado.
–Levaram-me para a enfermaria, mas eu não queria que Madame Pomfrey
descobrisse, eu estaria perdida. Sai correndo da ala hospitalar e achei que
devia saber disto, afinal, é o pai desta criança.
-Não,
não é possível. É mentira, isso não pode ser verdade. –apavorado com tudo
que ela lhe disse, Severo entrelaçava seus dedos em seus cabelos negros, que
caiam em sua face conforme suas mãos os soltava.
-Desculpe,
eu não queria que isso tivesse acontecido. –e desmanchou-se em lágrimas. -Eu
tenho certeza de que estou esperando uma criança... o nosso filho. –estava
feliz pois tinha um ser dentro de si, porém triste porque sofreria as conseqüências
de um erro que poderia ter sido evitado.
-NUNCA!!
–seu gritou podia ser ouvido de longe. Estendeu a mão com grosseria e apontou
para a grande porta de madeira. –Saia daqui. Saia daqui agora. SAIA!!!
-Severo...
-SAIA!!!!
Hermione
perdia-se desesperadamente em lágrimas, enquanto segurava com força seus
livros.
-O
que está havendo, Severo?
-Alvo?!
–e recuou tremulo, observando o diretor se aproximando dos dois.
Hermione
estava nervosa, limpava as lágrimas do rosto com grosseria e segurava-se firme
a seus materiais, como se eles fossem sua segurança.
-Estava
passando e escutei gritos, entrei e o vi tratar com grosseria a senhorita
Granger. O que está havendo aqui? O que aconteceu com a senhorita Granger para
que esteja tão irritado com ela?
-Não
houve nada, diretor. –Severo tenta contornar a história, enganando a si
mesmo.
-Irei
contar. –disse com uma voz tremula, ela ainda parecia nervosa.
-Não!
Não vai fazer isso.
-Dumbledore,
eu... eu...
-Pare!
–Severo a interrompe. –Ela está nervosa de mais, não dê ouvidos ao que
ela diz, diretor.
-Estou
grávida. –gritou com coragem. –Grávida de um filho do professor Snape.
Chorava
desesperadamente, enquanto aos poucos os seus livros escorregavam de seus braços.
Severo encolhia-se com medo, enquanto Dumbledore, assustado, arregalava os olhos
por de trás dos óculos meia-lua.
Fazia
um belo fim de tarde e Hogwarts inteira estava em aulas.
Era
aterrorizante escutar tal afirmação da boca da melhor aluna da escola, logo
sendo ela uma perfeita estudante e alguém tão madura e centrada nos estudos.
Dumbledore passava distraído pelos corredores da Masmorra, quando escutou
gritos graves vindo de lá. Como as portas estavam destrancadas, resolveu entrar
de supetão, e parecia ter pego a melhor parte daquela discussão.
Estava
confuso com tudo, não sabia se poderia acreditar, mas pela expressão
amedrontada de Severo, estava na cara que haviam cometido mesmo aquele erro.
-Eu
sabia que um dia aconteceria. –sussurrou o diretor, observando o piso.
-Sabia?
–Hermione assusta-se com o comentário rápido do diretor.
-Não...
quer dizer, eu sempre soube que havia um sentimento verdadeiro entre vocês,
sempre tive esta certeza, e sabia que um dia descobririam isso. –Alvo parecia
triste, uma expressão morta em seu rosto, enquanto Severo e Hermione prestavam
atenção em silêncio.
-Ora,
acham que podem me enganar? Estão errados. Eu sempre notei a forma diferente
com que se olhavam, e muitas outras pessoas já tiveram a mesma desconfiança
que eu, porém ninguém tinha a certeza que eu tinha: a certeza de que havia um
sentimento verdadeiro em seus corações. O que achava Severo, que não era
capaz de amar? Que não podia amar?
-Eu
nunca achei nada, e não sou obrigado a discutir sobre minha pessoal com o
senhor nem com ninguém. –Severo parecia bravo, nervoso.
-Sei
disso, Severo, e também não pretendo discutir sobre sua vida pessoal, pelo
menos não aqui. –o diretor deixa claro -Foi uma grande irresponsabilidade da
parte de ambos ter deixado que isto acontecesse. Foi um erro fatal, um erro que
poderia ter sido prevenido.
Hermione chorava desesperada, não tinha a mínima idéia do que viria pela
frente, imaginava, ela, que sua vida estaria arruinada.
-Principalmente
da sua parte, Severo. É um homem adulto, experiente, ciente de seus atos. Como
pôde deixar que isto acontecesse?!
-Não
era a minha intenção. Foi tudo repentino de mais. –o mestre tentava
explicar-se.
-Sinto
muito, serei obrigado a convocar os pais da senhorita Granger para uma reunião
ainda esta tarde.
-Não,
por favor, não diretor. Não pode fazer isso. Eles não irão entender, por
favor, prof. Dumbledore, espere mais um pouco.
-Sinto
muito, senhorita Granger, não posso esperar, seus pais precisam saber disto. A
senhorita é uma menor, é minha obrigação manter os pais dos meus alunos
informados sobre o que seus filhos fazem dentro ou mesmo fora da escola.
-Está
sendo cruel, Alvo.- Severo interrompe -Sei que erramos e esse erro eu confesso
ter cometido. Foi uma burrice ter deixado aquilo acontecer, logo naquela ilha.
Mas entenda que este é um assunto delicado. Dê-me tempo para que eu possa
digerir a verdade, dê-nos tempo para que possamos ter idéia do tamanho de
nosso erro. Apenas isso.
-Eu
entendo, Severo, sei por o que estão passando, mas também sei a gravidade
deste assunto. Não quero que sintam ódio de mim por estar sendo rude, mas foi
sim uma grande burrice terem praticado o ato desprevenidos da forma como
estavam. Quero que entendam que o erro que cometeram não pode ser corrigido,
afinal, é de uma criança que estamos falando. Eu não irei prejudica-lo,
Severo, e muito menos a senhorita, Hermione Granger. Mas quero que as
providencias corretas sejam tomadas. - e Dumbledore afasta-se, deixando a
Masmorra com seus passos lentos e sincronizados, enquanto Hermione afogava-se em
suas próprias lágrimas.
Por mais que Dumbledore tentasse ocultar, era possível ver em seus olhos o quanto estava surpreso com a descoberta da tal gravidez. Dumbledore agiu da forma como qualquer outro diretor agiria ao descobrir que uma de suas alunas estaria grávida, mas Dumbledore não era como os outros diretores, ele era diferente.
O
diretor não deu muita atenção ao assunto, era como se aquilo fosse simples,
normal. Severo sabia das regras do castelo e ficou surpreso ao ver que
Dumbledore não as pôs em pratica no momento que mais parecia perfeito para
serem postas, mas Dumbledore não as quis utiliza-las. Talvez estivesse abalado
demais.
Ficaram
a sós: Hermione, tentando conter sua infelicidade e Severo, isolado em seus
pensamentos, atordoado.
Não
demorou muito e Hermione apanhou seus livros caídos no chão e seguiu até a saída,
jogando um último olhar para o mestre, um olhar de ódio e tristeza sobre as lágrimas
que encharcavam sua face.
****
Percorreu os corredores distraída e logo a frente encontrou o diretor
cochichando com McGonagall. Um frio na barriga a fez pensar que talvez o diretor
estivesse mandando McGonagall convocar seus pais para uma reunião, mas
conteve-se em suas desconfianças, esperando que os mestres saíssem de seu
caminho.
Assim
que Minerva desapareceu pelos corredores ao lado, Hermione seguiu em frente, sem
dar atenção ao diretor que chamou-a com delicadeza. Mas logo Hermione parou e
aceitou ter uma longa conversa com o velho diretor:
-Darei
um tempo. Alguns dias para que decidam o que vão fazer com suas vidas. Espero
que estejam cientes de que daqui para frente as coisas serão diferentes.
-Obrigada,
prof. Dumbledore. –Hermione sorri, finalmente a luz no final do túnel parecia
estar brilhando.
“Falta
apenas um mês para que se forme, e aí partirá de Hogwarts. Sendo assim,
continua a estudar aqui na escola mesmo nas condições que está. E escute bem,
senhorita Granger, se quer saber a minha opinião, acho que um filho, um erro a
altura do que cometeram, não são capazes de destruir o sentimento que há
dentro de nossos corações. Espero que vocês não esqueçam que se amam. E
tenho certeza de que esse amor é verdadeiro.”, Dumbledore sorria contente por
ver que a jovem Hermione já aceitava a realidade a sua frente.
-O
que será de nós, diretor? O que meus pais vão dizer, o que eles dirão de
tudo?
-Deixe
que eles digam, mas não esqueça do que sente por ele. E acredite, o arrogante
Severo também a ama, mesmo que ele não demonstre isto quase nunca, mas ele a
ama.
-Como
tem tanta certeza de que nos amamos de verdade, diretor?
-Não
é preciso saber, é possível ver: nos seus olhos, estampado na sua face... e
na dele também.
Hermione
sentia-se mais confortável, mais segura e mais confiante de que tudo daria
certo.
Dumbledore
não parecia desconfortável com tal sentimento que jazia nos corações do
grande mestre de Poções e da grande aluna Hermione Granger, parecia aceitar
tudo com facilidade, embora não fosse comum ver um professor e uma aluna
juntos, principalmente sendo eles quem eram.
****
Aquela foi uma manhã sofrida, além do calor infernal como também pois as
aulas foram bem mais complexas do que o comum.
O almoço já estava a ser servido no salão principal, mas Hermione não
compareceu, o que causou uma grande desconfiança no mestre de Poções.
Severo
continuava perturbado com tudo, não sabia ao certo o que fazer, tinha medo do
futuro, do que poderia acontecer a ele, a ela.
Sabia, ele, que Hermione costumava sempre relaxar e pôr suas idéias em dia
sentada de frente para o grande lago que cercava o castelo, observando o
horizonte e tudo a sua frente.
Retirou-se
do salão principal e ao chegar no jardim, a encontrou sentada em um tronco
velho de frente para o lago, onde lia um livro, simples aparentemente.
Ao
aproximar-se dela, Hermione sentiu sua presença e virou-se assustada.
-O
que faz aqui?
-Acalme-se,
vim apenas conversar.
-Não
temos nada para conversar. Se não quer esta criança, se não me ama, deixe-me
em paz. Eu posso me virar perfeitamente bem, não preciso que tenha pena de mim,
isto não é o fim do mundo. E, principalmente, eu não preciso que... –e foi
tomada pelos braços fortes do mestre, onde trocaram um ardente beijo, parecido
com os que trocaram na ilha: fogoso e delicado.
Confusa
e atordoada, não disse nada após separarem-se.
-Dumbledore
tem razão, eu não posso fugir da realidade, dos meus sentimentos. Eu a amo e
estava tentando esquecer isso, mas eu não posso, porque essa é a verdade e a
verdade jamais pode ser ocultada. Desculpe por tê-la feito sofrer, mas eu nunca
deixei-me levar por sentimento algum, mas agora sei o quanto eu gosto de você e
o quanto esse sentimento me perturba. Desculpe.
Hermione
não conteve-se de felicidade e derramou novas lágrimas, enquanto um brilho
intenso transparecia em seus olhares.
-Não
tem que pedir-me desculpas, eu também o amo, e isso é a melhor coisa que
existe. Criança alguma irá nos separar. –e abraçou-o com felicidade,
beijando-o incontrolavelmente.
Para
a sorte deles, Hogwarts parecia faminta e não trocaria um almoço farto por
nada, assim talvez teriam mais privacidade.
Depois
de muitos beijos e abraços, caíram em si e lembraram-se que nada era um mar de
rosas como parecia estar sendo.
-O
que vamos fazer?
-Aceita?
–e ele apanha uma pequena caixinha do bolso de sua calça, abrindo-a para que
ela pudesse ver. Duas belas alianças brilhavam dentro da pequena caixinha
aveludada.
Hermione
parecia radiante, e agarrou-o pelo pescoço, beijando-o com força, enquanto
este parecia preocupado com o que os outros iriam dizer se os vissem ali,
juntos.
-Isso
foi um “sim”?
-Sim!!!
-Ótimo!!
Vamos entrar?
E
seguiram para o castelo, felizes e com a certeza de que aquele erro já estava a
ser corrigido.
****
Depois de alguns dias, os pais da jovem compareceram no castelo, onde tiveram
uma séria reunião com o diretor da escola e com o mestre de Poções. Foi uma
conversa difícil e quando Severo revelou tudo, teve a impressão de que seria
um homem morto.
Mas
não havia como fugir daquela realidade, e logo os pais da moça aceitaram,
dando força ao casamento que em breve aconteceria.
Hermione
estava contente por ver que tudo parecia ter terminado bem, mas seus sofrimentos
estavam apenas começando.
Finalmente
formou-se e revelou para seus dois melhores amigos, Harry e Rony, tudo que
acontecera entre ela e o professor na ilha. Harry compreendeu, mesmo que
estivesse a sentir nojo de toda a revelação, mas Rony negou-se a compreender a
situação da amiga e rompeu, ali mesmo, a amizade de sete anos que tinham.
Gina
não suportou descobrir que sua melhor amiga casaria-se com um professor de
Hogwarts, e mais, com o arrogante e insensível mestre de Poções, Severo
Snape, e por isso afastou-se da jovem, como se entre elas nunca houvesse
existido amizade alguma.
Era
horrível ver seus melhores amigos romperem amizades de tanto tempo, mas não
podia fazer nada, eles tinham direito de fazer o que bem quisessem. E além do
mais, tinha o Snape, a pessoa que mais amava e o pai de seu filho.
Casaram-se,
moraram juntos na grande mansão dos Snape, onde os pais da jovem os visitava
sempre que podiam. O casamento foi o mais simples possível, sem grandes
comemorações nem muitos convidados... apenas Harry compareceu a cerimônia, o
único amigo que lhe restou.
A criança nasceu saudável, era um menino, um lindo garoto: Peter, foi o nome
que deram-lhe.
Depois
de dois anos separada de seus melhores amigos, Hermione ficou surpresa quando
Rony reatou a amizade de tantos anos, assim como Gina parecia arrependida das
ignorâncias que disse a jovem.
Severo
foi, por longos anos, o homem mais feliz da face da terra, porém quando a
amizade de sua esposa, Hermione Granger, com seu fiel amigo Harry Potter começou
a se mostrar forte até de mais, Severo passou a ser um homem rude e todos os
momentos de pura felicidade que passava ao lado de sua esposa e de seu filho
pareciam ter desaparecido, o que gerou um forte e devastador conflito amoroso
entre eles, que milagrosamente terminou com um final feliz. Descobriu, ele, que
devemos sempre aproveitar grandes amizades e viver intensamente grandes
romances.
E
Dumbledore tinha razão: “Filhos não unem nem separam casais apaixonados.”
###FIM###
NOTA DA AUTORA: Eu sei que essa fic não ficou muito legal, é que eu a escrevi em um momento de pouca inspiração. Mas se quiser comentá-la, é só me mandar um e-mail: [email protected]. Eu ficaria contente.