Não Sou Sua Primeira

(Ya Tvoya Ne Pervaya)

Por Designer J

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Disclaimer

(#1) Todos os personagens contidos nesta fanfic são de propriedade de J.K.Rowling e parceiros comerciais; não há qualquer lucro financeiro por parte do ficwriter^^ (#2) A música utilizada nesta fanfic é executada pelo grupo russo t.A.T.u, tendo “Show Me Love” como versão ocidental, música já utilizada por mim em outra songfic HG/SS.

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Vzyat' i uspokoit'sya,
Zoloto molchanie,
Radio bessonnitsa,
Stantsiya proshchanie.
Kto komu dostanetsya,
Vipadet monetkami?
Kto komu ostanetsya
Nervami, tabletkami?
              

Envolva a si mesma e relaxe

Silencio é dourado

Insônia do rádio

A estação da despedida

Quem ganhará quem

As moedas provarão?

Quem será levado por quem

Nervos, drogas?

O rádio mal sintonizado o lembrava a todo instante de que aquele não era seu mundo. Era o mundo trouxa. O chiado do rádio e a espera por alguma mensagem. Dumbledore parecia achar ser mais fácil passar as mensagens por rádio, afinal, quando bruxos das trevas, ditos puros-sangues, se renderiam à utilização de um meio de comunicação trouxa?

Seria insônia ou estaria atormentado?

Silêncio lhe parecia algo distante e precioso e os carros nas ruas buzinavam, mesmo que já fossem altas horas. Poderia ter ido dormir, então por que não fora? Expectativa...? Havia uma guerra e ele era parte dela, quando poderia dar um fim? Quando poderia não mais se preocupar? Quando poderia não fazer mais diferença?

Ela apareceu na porta, coçava os olhos. As vestes amarrotadas contornavam seu corpo e transmitiam lascividade não-proposital. Ela o olhava e recostada à porta murmurou.

“Por que não dorme? Preocupado? Algo que eu possa fazer, Severo?”

“Não, Hermione. Nada.” Disse o homem, ele tocava o botão do rádio, esperava escutar algo que não um zumbido.

“Ele não nos chamará mais hoje. Sei que a guerra está lá fora e precisarão de nós. Precisarão que estejamos descansados. Vá dormir, ou pelo menos tentar. Deve ser melhor que entrar em uma crise de nervos por causa desse rádio.”

“Como sempre, falando mais do que deve. Da mesma forma de quando ainda estudava em Hogwarts, não? Deixe-me em paz, Hermione!”

“Como sempre, grosseiro.” Dissera ela ao abandonar a porta, rumando para a pequena cozinha do minúsculo apartamento em que esperavam ser convocados. No balcão da cozinha, a jovem mulher colocara água para ferver e mexia em ervas. Ele a observava prender os cabelos em uma trança e continuar em sua tarefa. Ele ergueu-se, esquecendo enfim o rádio insone.

“O que faz?” dissera em um tom mais calmo com a voz grave que tanto atemorizava seus alunos, observando-a em seu traje noturno de tom pastel.

“Chá. Para dormir. Quer?” falara ao retirar uma xícara de um armário e pegar uma colher em uma gaveta. Perscrutava a expressão do homem e admirava-se da angústia em seu olhar.

“Seria para mim, ou também não consegue dormir?” ele sentara em um banco à beira do balcão.

“Os dois. Quer?”

“Obrigado. – Agradecera ao ser servido – é um bom chá, sabia?”

“Obrigada. Se não dormir, pelo menos ficará calmo. Isso já é suficiente a nós dois.”

De seu pijama ele retirara uma foto. Sorvia o líquido e analisava a expressão do ser fotografado.

“Sente falta dela?”

“Como?” questionara ao ter sua atenção desviada.

“Sente falta de Sibila?”

“Um pouco.” Respondeu seco, incomodado com a intromissão.

“Lembro de quando se casaram em meu sétimo ano de Hogwarts. Não conseguia acreditar que aquilo pudesse ser verdade. Principalmente, porque ao olhá-lo durante a cerimônia, eu não o via feliz... Pelo menos, a amava?”

“Você realmente fala muito, não? Mas, respondendo-lhe à pergunta, acho que não tive tempo para ‘aprender’ a amá-la. Afinal, deve-se lembrar bem o que aconteceu um ano depois...”

“Ela morreu. Eu sei.” O silêncio dourado parecera nascer e o zumbido do rádio se afastava. Não falavam e não existia mais chá na xícara. Os nervos haviam sido domados, assim como o sono.

 

Za nochimi oknami
Zakrichit, slomaetsya,
Ehto ne schitaetsya,
Ehto ne schitaetsya.
Vernaya, nevernaya,
Tihaya, pechal'naya.
Ya tvoya ne pervaya,
Tih moya sluchainaya

 

Entre a noite na janela

Ela gritará e quebrará

Não contará

Não contará

Com crença, sem crença

Silêncio, tristeza

Não sou sua primeira

Sou sua outra

 

Uma emboscada havia sido armada e vários membros da Ordem da Fênix haviam sido pegos. Entretanto, a providência parecia apóia-los, e assim, novos comensais estavam presos e mais uma vez retornavam ao apartamento. Ela jogara-se no sofá, com a perna machucada. Ele ligara o rádio, à espera de mais instruções, e fora à cozinha pegar uma bacia de água.

“Coloque sua perna aqui – ele colocara um banquinho à frente da mulher e ela apoiara a perna – vamos lavar isso para que eu possa ministrar algo para você.”

Ele corria o pano branco pela ferida e murmurava palavras para acalmá-la quanto à dor. Ela o observava pelos olhos semicerrados, em uma expressão compenetrada, cuidadosa. Sentimentos confusos e contraditórios.

Permitiu-se correr a mão pelos cabelos negros dele. Um tanto confuso, ele olhou-a e não compreendia a expressão. Há seis meses dividiam uma rotina, uma vida. Parceiros de combates, desafetos da época de escola, professor e aluna.

As íris em uníssono vislumbre e respirações desritmadas. A mão não tocava mais os fios de cabelo; acariciava o rosto e delineava os lábios. Desejo e admiração, incompreensão.

“O que pensa que está fazendo?” a voz grave indagava como se fosse uma ameaça, tentava desvanecer em seu interior a confusão e parecia torna-la ainda mais nítida.

“Não sei. Isso o incomoda?” dissera ela desenhando o contorno do queixo.

“Não exatamente. Por que o faz?” questionara espremendo o pano para tornar a limpar o ferimento ainda sentindo o toque quente em sua face.

“Também não sei. Por que aceita meu toque?” ela o mirava inquisidoramente e então as duas mãos tocavam a face do outro.

“Não poderia repelir alguém machucado.” Concedera em tom que tencionara ser mal humorado, não logrando resultado.

“Obrigada.” Olhou-o gentil e puxou-lhe a face depositando um leve toque de lábios na testa.

“Hermione?” ele chamara ao vê-la levantar mancando para seguir ao próprio quarto.

“Sim?”

“Acredita que pode dar certo?”

“O que?”

“Tem alguma crença que algo entre nós pode dar certo?”

 

Silêncio.

 

Ela mirava o criado-mudo do quarto dele e a foto que lá estava a incomodava.

“Acredita?”

 

Silêncio, tristeza.

 

Sentimentos confusos e contraditórios. Incerteza e esperança. Tanto faz.

“Acredito.”

 

Calor e conforto. As capas de auror jogadas no chão e as persianas caídas sobre as janelas, impedindo o sol de penetrar no ambiente. Os cabelos dela espalhados, mesclando-se aos dele. Ela tinha a cabeça apoiada no ombro dele e as respirações eram calmas. Ao acordar, ela vê o criado-mudo e a foto de Sibila ainda está lá, mesmo ao amanhecer de uma noite juntos.

“Com crença, sem crença, não sou sua primeira, sou sua outra.”


 Pokazhi, pokazhi mne lyubov'.
 Pochemu, pochemu ya s toboi.
 Pokazhi, pokazhi mne lyubov'.
 Pochemu, pochemu ya s toboi.

Mostre, mostre-me o amor

Porque, porque eu estou com você

Mostre, mostre-me o amor

Porque, porque eu estou com você

 

Designer J

4 de Dezembro de 2003



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