Não
Sou Sua Primeira
(Ya
Tvoya Ne Pervaya)
Por
Designer J
***
Disclaimer
(#1)
Todos os personagens contidos nesta fanfic são de propriedade de J.K.Rowling
e parceiros comerciais; não há qualquer lucro financeiro por parte do
ficwriter^^ (#2) A música utilizada nesta fanfic é executada pelo grupo
russo t.A.T.u, tendo “Show Me Love” como versão ocidental, música já
utilizada por mim em outra songfic HG/SS.
***
Vzyat'
i uspokoit'sya,
Zoloto molchanie,
Radio bessonnitsa,
Stantsiya proshchanie.
Kto komu dostanetsya,
Vipadet monetkami?
Kto komu ostanetsya
Nervami, tabletkami?
Envolva
a si mesma e relaxe
Silencio
é dourado
Insônia
do rádio
A
estação da despedida
Quem
ganhará quem
As
moedas provarão?
Quem
será levado por quem
Nervos,
drogas?
O rádio mal sintonizado o lembrava a todo instante de que aquele não era seu mundo. Era o mundo trouxa. O chiado do rádio e a espera por alguma mensagem. Dumbledore parecia achar ser mais fácil passar as mensagens por rádio, afinal, quando bruxos das trevas, ditos puros-sangues, se renderiam à utilização de um meio de comunicação trouxa?
Seria
insônia ou estaria atormentado?
Silêncio
lhe parecia algo distante e precioso e os carros nas ruas buzinavam, mesmo que já
fossem altas horas. Poderia ter ido dormir, então por que não fora?
Expectativa...? Havia uma guerra e ele era parte dela, quando poderia dar um
fim? Quando poderia não mais se preocupar? Quando poderia não fazer mais
diferença?
Ela
apareceu na porta, coçava os olhos. As vestes amarrotadas contornavam seu corpo
e transmitiam lascividade não-proposital. Ela o olhava e recostada à porta
murmurou.
“Por
que não dorme? Preocupado? Algo que eu possa fazer, Severo?”
“Não,
Hermione. Nada.” Disse o homem, ele tocava o botão do rádio, esperava
escutar algo que não um zumbido.
“Ele
não nos chamará mais hoje. Sei que a guerra está lá fora e precisarão de nós.
Precisarão que estejamos descansados. Vá dormir, ou pelo menos tentar. Deve
ser melhor que entrar em uma crise de nervos por causa desse rádio.”
“Como
sempre, falando mais do que deve. Da mesma forma de quando ainda estudava em
Hogwarts, não? Deixe-me em paz, Hermione!”
“Como
sempre, grosseiro.” Dissera ela ao abandonar a porta, rumando para a pequena
cozinha do minúsculo apartamento em que esperavam ser convocados. No balcão da
cozinha, a jovem mulher colocara água para ferver e mexia em ervas. Ele a
observava prender os cabelos em uma trança e continuar em sua tarefa. Ele
ergueu-se, esquecendo enfim o rádio insone.
“O
que faz?” dissera em um tom mais calmo com a voz grave que tanto atemorizava
seus alunos, observando-a em seu traje noturno de tom pastel.
“Chá.
Para dormir. Quer?” falara ao retirar uma xícara de um armário e pegar uma
colher em uma gaveta. Perscrutava a expressão do homem e admirava-se da angústia
em seu olhar.
“Seria
para mim, ou também não consegue dormir?” ele sentara em um banco à beira
do balcão.
“Os
dois. Quer?”
“Obrigado.
– Agradecera ao ser servido – é um bom chá, sabia?”
“Obrigada.
Se não dormir, pelo menos ficará calmo. Isso já é suficiente a nós dois.”
De
seu pijama ele retirara uma foto. Sorvia o líquido e analisava a expressão do
ser fotografado.
“Sente falta dela?”
“Como?” questionara ao ter sua atenção desviada.
“Sente
falta de Sibila?”
“Um
pouco.” Respondeu seco, incomodado com a intromissão.
“Lembro
de quando se casaram em meu sétimo ano de Hogwarts. Não conseguia acreditar
que aquilo pudesse ser verdade. Principalmente, porque ao olhá-lo durante a
cerimônia, eu não o via feliz... Pelo menos, a amava?”
“Você
realmente fala muito, não? Mas, respondendo-lhe à pergunta, acho que não tive
tempo para ‘aprender’ a amá-la. Afinal, deve-se lembrar bem o que aconteceu
um ano depois...”
“Ela
morreu. Eu sei.” O silêncio dourado parecera nascer e o zumbido do rádio se
afastava. Não falavam e não existia mais chá na xícara. Os nervos haviam
sido domados, assim como o sono.
Za
nochimi oknami
Zakrichit, slomaetsya,
Ehto ne schitaetsya,
Ehto ne schitaetsya.
Vernaya, nevernaya,
Tihaya, pechal'naya.
Ya tvoya ne pervaya,
Tih moya sluchainaya
Entre
a noite na janela
Ela
gritará e quebrará
Não
contará
Não
contará
Com
crença, sem crença
Silêncio,
tristeza
Não
sou sua primeira
Sou
sua outra
Uma emboscada havia sido armada e vários membros da Ordem da Fênix haviam sido pegos. Entretanto, a providência parecia apóia-los, e assim, novos comensais estavam presos e mais uma vez retornavam ao apartamento. Ela jogara-se no sofá, com a perna machucada. Ele ligara o rádio, à espera de mais instruções, e fora à cozinha pegar uma bacia de água.
“Coloque
sua perna aqui – ele colocara um banquinho à frente da mulher e ela apoiara a
perna – vamos lavar isso para que eu possa ministrar algo para você.”
Ele
corria o pano branco pela ferida e murmurava palavras para acalmá-la quanto à
dor. Ela o observava pelos olhos semicerrados, em uma expressão compenetrada,
cuidadosa. Sentimentos confusos e contraditórios.
Permitiu-se
correr a mão pelos cabelos negros dele. Um tanto confuso, ele olhou-a e não
compreendia a expressão. Há seis meses dividiam uma rotina, uma vida.
Parceiros de combates, desafetos da época de escola, professor e aluna.
As
íris em uníssono vislumbre e respirações desritmadas. A mão não tocava
mais os fios de cabelo; acariciava o rosto e delineava os lábios. Desejo e
admiração, incompreensão.
“O
que pensa que está fazendo?” a voz grave indagava como se fosse uma ameaça,
tentava desvanecer em seu interior a confusão e parecia torna-la ainda mais nítida.
“Não
sei. Isso o incomoda?” dissera ela desenhando o contorno do queixo.
“Não
exatamente. Por que o faz?” questionara espremendo o pano para tornar a limpar
o ferimento ainda sentindo o toque quente em sua face.
“Também
não sei. Por que aceita meu toque?” ela o mirava inquisidoramente e então as
duas mãos tocavam a face do outro.
“Não
poderia repelir alguém machucado.” Concedera em tom que tencionara ser mal
humorado, não logrando resultado.
“Obrigada.”
Olhou-o gentil e puxou-lhe a face depositando um leve toque de lábios na testa.
“Hermione?”
ele chamara ao vê-la levantar mancando para seguir ao próprio quarto.
“Sim?”
“Acredita
que pode dar certo?”
“O
que?”
“Tem
alguma crença que algo entre nós pode dar certo?”
Silêncio.
Ela
mirava o criado-mudo do quarto dele e a foto que lá estava a incomodava.
“Acredita?”
Silêncio,
tristeza.
Sentimentos
confusos e contraditórios. Incerteza e esperança. Tanto faz.
“Acredito.”
Calor
e conforto. As capas de auror jogadas no chão e as persianas caídas sobre as
janelas, impedindo o sol de penetrar no ambiente. Os cabelos dela espalhados,
mesclando-se aos dele. Ela tinha a cabeça apoiada no ombro dele e as respirações
eram calmas. Ao acordar, ela vê o criado-mudo e a foto de Sibila ainda está lá,
mesmo ao amanhecer de uma noite juntos.
“Com
crença, sem crença, não sou sua primeira, sou sua outra.”
Pokazhi, pokazhi mne lyubov'.
Pochemu, pochemu ya s toboi.
Pokazhi, pokazhi mne lyubov'.
Pochemu, pochemu ya s toboi.
Mostre,
mostre-me o amor
Porque,
porque eu estou com você
Mostre,
mostre-me o amor
Porque,
porque eu estou com você
Designer
J
4
de Dezembro de 2003