Festa
de Halloween
Resumo:
Hermione é apaixonada por Snape. Snape é apaixonado por Hermione. Mas um não
sabe do sentimento do outro, passando a vida sofrendo por um amor não
correspondido. Quando se reencontram, tudo muda.
Agradecimentos:
Muitos, muitos, muitos a minha querida beta Sheyla que teve a paciência!!! E
outros muitos a minha querida e amada amiga Marie que me ajudou muito
quando empaquei!! hehehehe E outros tantos a Sarah pelo desafio!!!
Festa
de Halloween
Hermione
estava tirando seu avental e dobrando para colocá-lo no armário. O sol ainda
brilhava no céu lá fora, apesar do frio. Ainda era cedo demais para encerrar
expediente. Mas aquele dia era festa de Halloween. Haveria festa em toda
Hogsmead. Os outros funcionários da livraria já estavam todos com suas
fantasias. Só faltava Hermione. Mas caxias, do jeito que era, correu contra o
tempo para não deixar nada pendente para o dia seguinte. Fechou o caixa que a
outra mulher deixou de lado para ir se fantasiar; arrumou os livros na
prateleira que o rapaz também deixou para ir logo para a festa; varreu o chão,
que era serviço de uma garota. Mas não reclamou. Não iria descontar do salário
de seus funcionários por isso. Eles estavam apenas entusiasmados com a festa
que era para eles mesmos. E não lhe custava nada fazer aquilo.
A última pessoa saiu da loja e fechou a porta. Hermione a trancou e
colocou a placa escrito "fechado". Terminou todos os seus afazeres e
saiu pelos fundos, levando os sacos de lixo. Estava feliz por ver os outros
felizes, mas não estava animada para se fantasiar e nem se demorar muito na
festa. Apenas daria um alô para os conhecidos e iria para sua casa. Estava
exausta e um tanto triste por motivos pessoais.
Detestava estar naquele estado. Infeliz por causa de um homem. Sempre
julgou muito mal as mulheres que se humilhavam por causa dos homens que diziam
amar. Mas agora se encontrava num estado que não sabia como ainda não tinha
enlouquecido.
Quase seis anos já haviam se passado desde que deixou Hogwarts como
aluna. Havia feito sua faculdade em Feitiços para ser professora na escola que
estudou, mas acabou descobrindo que não gostaria de dar aulas. Preferia estar
no meio de livros, que eram sua paixão.
E há seis anos se culpava por jamais ter ido procurar o homem que amava,
por ter ficado sofrendo por amor todo esse tempo. Tivera outros homens, se
apaixonara por alguns deles, mas nunca amou nenhum da mesma forma que amou
Severo Snape, seu ex-professor de Poções. Chegou a vê-lo nas raras vezes que
ele ia à Hogsmead. Ele fazia suas compras por encomenda, então só aparecia
por lá quando acompanhava os alunos de Hogwarts, o que dificilmente acontecia.
E o via, também, quando ela ia a festas em Hogwarts, quando era convidada.
E em todos esses "encontros" ela pensara seriamente em
conversar com o bruxo, mas jamais conseguiu juntar a coragem necessária. Jamais
conseguiu nem ao menos chegar perto.
E
você ainda se diz uma grifinória, Hermione!?
Hermione o amava em silêncio. Ninguém jamais soube dessa sua paixão… estranha. Sim, estranha, pois ela sempre o odiara por suas injustiças. Ele a humilhava e a seus amigos também. Sempre fora rude e mal-educado. Jamais se dirigiu a Hermione de algum modo que não fosse ríspido.
Mas mesmo assim ela acabou se apaixonando. Justamente por ele ter tudo de
ruim é que ela parou para analisar as qualidades. Se é que tivesse alguma. E
achou: um homem elegante, com uma postura rígida, um olhar penetrante e uma voz
sedutora, inteligente ao extremo e um gênio forte, assim como ela. Era, sim, um
homem admirável, mas escondido atrás de uma máscara de rancor e até de medo,
talvez… medo de ser verdadeiro. Ela sentia isso quando o via. E queria saber
por quê.
Mais
do que o desejo de tê-lo ao seu lado, de poder enfim abraçá-lo e senti-lo
perto, era saber o que havia por trás daquela sombra de seus olhos. Queria
poder ajudá-lo de alguma forma. Talvez fosse falta de amor… e isso ela tinha
de sobra para dar.
Depois
que havia apagado as luzes e trancado toda a loja, Hermione foi andar por
Hogsmead para ver um pouco a festa. Parou para conversar com alguns conhecidos,
parou em barracas que vendiam doces e parou também para ver algumas encenações
de histórias de terror. As crianças corriam, tentando assustar os festeiros, e
as vezes esbarravam nela.
Estava
tudo alegre, apesar do "clima" de terror. Todos pareciam contentes por
festejar aquele dia.
Hermione
resolveu ir tomar alguma coisa. Entrou no Três Vassouras. Mas ficou parada na
porta. Severo Snape estava sentado em um banco no balcão, tomando o que parecia
ser whisky e conversando com Madame Rosmerta.
Sentiu
uma pontada no peito ao ver aquele homem que sempre fora tão fechado e
carrancudo sorrindo para uma mulher tão bela quando aquela era. Ciúmes. Não
se permitia esse tipo de sentimento. Snape jamais fora seu. Ele mal notava sua
existência. Não havia sentido em sentir ciúmes. Mas o amor que sentia a
entristeceu como nunca, naquele momento. Antes que começasse a chorar, saiu do
bar, andando sem rumo. Olhava para frente, mas não via nada. A imagem de Severo
alegre ao lado de uma mulher não saía de sua cabeça. Estava começando a
doer.
Uma
batida em alguma coisa dura e um grito de "não olha por onde anda?" a
fez recobrar a consciência. Esfregou os olhos e olhou para cima, deparando com
um par de olhos cinzentos que a fitavam com ódio.
-
O aconteceu com você, Granger? Andava de um modo estúpido como se tivesse
acabado de tomar litros de cerveja amanteigada.
-
Malfoy… Não foi nada. Desculpe-me se bati em você. Agora dê-me licença,
estou com dor de cabeça.
Hermione
se levantou e começou a andar, mas Draco Malfoy segurou em seu braço, forçando-a
a olhar para ele.
-
Dor de cabeça? Ora, Granger, está numa festa! Tem que se divertir.
-
Solte meu braço, Malfoy. Eu não quero ficar nessa festa.
-
Mas que quero que você fique… Quero que fique comigo - disse ele ao ouvido
dela, passando a mão por suas costas.
-
Ora, deixe-me em paz! - gritou ela empurrando o garoto. - Não sei se percebeu,
mas não estou fantasiada de prostituta. Por isso, vá procurar outra! - e saiu
correndo.
Draco
correu atrás, até finalmente alcançá-la. Pegou em seu braço novamente e a
trouxe para perto de si violentamente.
-
Não precisa estar fantasiada, minha querida. Não ligo para roupas. Inclusive,
prefiro vê-la sem elas.
O
homem a segurou fortemente, tapando sua boca com a mão, e a arrastou para um
beco escuro do local. Hermione se debatia e tentava gritar, mas era em vão
lutar contra os braços fortes de Draco.
-
Agora finalmente você será minha, Granger.
-
Deixe-me em paz! Solte-me, seu nojento!
-
Se você se debater dessa maneira, querida, será mais difícil para mim e mais
demorado, então serei obrigado a castigá-la. Mas se você ficar quieta e
colaborar comigo, tudo terminará mais rápido.
E
sem dizer mais nada, Draco começou a arrancar as roupas de Hermione, enquanto a
mesma continuava a se debater e a gritar. Draco deu-lhe um tapa dolorido no
rosto e mandou que ficasse quieta.
*****
Severo
Snape vestiu sua capa saiu de suas Masmorras,
indo em direção à saída do Castelo de Hogwarts. Ainda não havia entendido
por que estava fazendo aquilo. Odiava festas, odiava muita gente, odiava essas
comemorações idiotas. Mas Rosmerta insistira tanto em sua presença que ele não
pôde resistir… não quando ela lhe beijava a face
maliciosamente. Ela era linda, com
certeza. Flertava com ele a todo instante. E
fora sua amante por tantos anos, sem nunca exigir um compromisso sério.
Porém, mantendo essa relação de apenas sexo e amizade por tanto tempo,
ele se acostumou a viver sem dizer "eu te amo", muito menos ouvir. Acostumou-se
a essa relativa solidão e a viver sem a mulher que por tantas noites o fez
perder o sono.
No caminho para Hogsmead, independente de sua vontade, a imagem da tal mulher veio à sua mente. Viu-a com aquele avental branco, sorrindo para os clientes e mostrando que tudo entendia de literatura. Viu-a sorrindo formalmente para ele quando o viu entrar por sua loja e pedir por um livro. Viu-a indo embora de Hogwarts, e voltando outras vezes quando havia alguma festa. Viu-a dançando com Ronald Weasley. Viu-a beijando Harry Potter. Viu-a chorando sentada de baixo de uma árvore, mas não teve coragem de ir ampará-la.
Foi difícil para ele admitir que a amava verdadeiramente. Quase seis
anos haviam se passado e só agora ele admitia para o espelho que apesar de ter
dinheiro, emprego e uma bela amante, sua vida era realmente uma droga. Sentia-se
infeliz. Sentia-se só. Sentia-se um miserável toda vez que ficava prestes a
deixar uma lágrima escorrer por Hermione Granger. Mas ele nunca a deixou cair.
Sempre engolia suas tristezas. Pensava que chorar era uma fraqueza que jamais se
permitiria.
A neve que caía estava congelante. Sua imensa capa preta forrada de
penas de Hipogrifo não era suficiente para mantê-lo
aquecido. Pensou que naquele momento a única coisa que poderia aquecê-lo
era a simples visão da mulher que tanto amava.
Seguiu lentamente até Hogsmead, ainda pensando em Hermione e em seu amor
por ela. Reprimiu a si mesmo, num sussurro, por estar tão sentimental aquele
dia. E xingou-se mais ainda por depois de quase seis anos ainda não tê-la
esquecido, ou pior, por jamais ter feito o que
um homem apaixonado verdadeiramente deveria fazer: declarar-se, por mais ridícula
que a cena lhe parecesse na cabeça.
Não… Jamais faria isso. Não suportaria ser rejeitado uma segunda vez
em sua vida pela mulher amada.
E esse pensamento fez sua mente viajar até sua época de escola, quando
levou um fora muito dolorido de Lílian Evans e uma semana depois a viu
desfilando de mãos dadas com Tiago Potter pelos corredores de Hogwarts.
Uma mulher linda, inteligente e agradável como Hermione Granger jamais
olharia para ele, além do fato de ser muito
improvável estar sozinha. E desde quando a achava linda, inteligente e agradável?
Desde que se deu conta que a perdera, após tê-la feito chorar ao ouvir as
palavras cruéis e dolorosas que ele lhe dissera durante
todos os seus anos de escola. Achava-a
linda, mas dissera-lhe ser horrível; achava-a inteligente, mas dissera-lhe ser
apenas metida a estudiosa; achava-a agradável, mas chamara-a de insuportável
"sabe-tudo". E por que fizera isso? Porque era um verdadeiro idiota…
e estava com medo. Medo de não saber controlar seus sentimentos.
Sem que percebesse, já estava parado à porta do pub Três Vassouras. Limpou os pés e entrou. Pendurou sua capa e foi até o balcão, onde encontrou Rosmerta, linda com seus longos cabelos cor de ouro, em seu vestido básico preto com um sobretudo de couro vermelho, do outro lado do balcão, dando ordens a um funcionário.
- Severo, que bom que chegou!
Dispensando o rapaz com quem falava, contornou o balcão e foi até
Severo, abraçando-o.
- Estava com saudades!
- Eu também, Rosmerta.
- Então por que não me beija? - perguntou ela, abrindo seu deslumbrante
sorriso.
- Ora, você sabe que não aprecio esse tipo de intimidade em público.
- Ah, Severo, só um beijo. Ninguém está olhando.
E sem dar chance a Severo de protestar, pressionou sua boca contra a
dele. Ele correspondeu ao beijo, abraçando-a também e invadindo a boca dela
com sua língua habilidosa. Rosmerta derreteu nos braços de Severo, o homem que
amou secretamente tanto tempo. Contentava-se em tê-lo apenas como um amante em
poucas ocasiões. Preferia isso a se arriscar exigir um compromisso e acabar
perdendo aquele homem.
- Então, Sev, bebe o quê? - perguntou ela quando finalmente se
desvencilharam.
- Acho que vinho tinto, para começar.
- Ótimo! Também vou querer.
Rosmerta pediu a um de seus funcionários as bebidas. Logo elas chegaram.
Os dois conversavam e riam enquanto bebiam. A mulher riu muito enquanto Severo
contava sobre as garotinhas que saíam chorando de sua aula, e ele também riu
bastante quando ela lhe contou sobre um cliente que bebeu demais e deu
"show" em seu bar.
Mais bebidas vieram. Severo sabia se controlar, mas Rosmerta não. Ela já
havia bebido demais e estava começando a ficar indiscreta.
Severo sentiu a mulher roçando suas pernas nas dele por debaixo da mesa,
enquanto fitava-o de forma maliciosa.
- Sabe, Sev… há tanto tempo que nos encontramos e eu nunca exigi que
você ficasse ao meu lado. Mas eu queria dizer que te amo. Te amo muito e quero
levar você lá para dentro agora mesmo para fazermos amor a noite inteira e
depois te pedir em casamento.
- Rosmerta, você já bebeu demais. É melhor se recolher.
- Eu vou se você for comigo - ela disse, levantando-se e cambaleando.
Ele se levantou também, indo ampará-la.
-
Venha, Rosmerta, você não está falando coisa com coisa.
A mulher se apoiou em Severo, deixando-se ser guiada até seu quarto, nos
fundos do bar. Quando chegaram lá, ele a pousou na cama, tirando seu casaco e
seus sapatos.
- Sabe, Sev, eu nunca exigi nada a mais em nosso relacionamento. Nunca
esperei que me amasse, mas… - ela fechou os olhos e pensou que agora era tarde
para desistir. Abriu-os e encarou os profundos olhos negros de seu amado. -
Severo eu sempre te amei, e talvez numa atitude romântica esperei que você
viesse a me amar com o passar desses anos.
-
Você precisa descansar, Rosmerta. Durma. Você terá uma ressaca daquelas,
amanhã.
Ela
sentiu os olhos arderem, mas não faria isso na frente dele, sabia que Severo
detestava pessoas fracas. Ela começou a falar ainda de olhos fechados, a voz um
pouco fraca e sussurrada, mas não conseguia reprimir o desejo de expressar o
que sentia por ele.
-
Às vezes acho que só ficarei bem se acordar… - abriu os olhos e o encarou. -
e ver você ao meu lado pela manhã.
Severo
sentiu um arrepio. A princípio pensou que ela falava daquela maneira por efeito
da bebida, mas agora podia ver a sinceridade em seus olhos.
-
Por favor, Rosmerta, não quero enganá-la. Eu gosto de você, gosto da sua
companhia… e de seu corpo. Mas não a amo. E por isso vou embora.
-
NÃO! Não vá, Severo, por favor - suplicou ela, sentando-se da cama. - Não é
isso que eu quero! Quero você. E só você, Sev! - Ela o abraçou forte. - Não
me importa se você não me ama, basta ter você. Nem que seja só por mais uma
noite. Esta noite, que seja!
-
Você nunca me terá, Rosmerta, porque eu não sou seu e jamais serei. Amor
nunca me foi ensinado. Eu só conheci ódio e desprezo. O mais próximo que eu
cheguei do que você chama de “amor” foi respeito e gratidão. E tenha
certeza que não são muitas as pessoas a quem eu dirijo estes dois. Sou um
homem solitário e assim permanecerei.
E sem dizer mais nada, ele se afastou e saiu do quarto dela, indo para
fora do pub. Ouviu-a chamar seu nome, mas ignorou. Pegou sua capa e foi para
fora, agradecendo por ter parado de nevar.
Começou a andar pelas ruas de Hogsmead, um pouco atordoado. Aquela relação
com Rosmerta tinha ido longe demais. Ele a iludira, e reconhecia isso. Mas
achava que com o tempo passaria a amá-la mais por estar acostumado do que por
ela mesma. Porém, não imaginava que mesmo depois de seis anos Hermione ainda
estaria tão viva em sua mente e atrapalhando suas relações com outras
mulheres.
Levantou os olhos para se situar de onde estava. Deparou-se com a
livraria de Hermione bem à sua frente. Mas já estava fechada. Anotou
mentalmente que passaria ali no dia seguinte apenas para vê-la, usando uma
desculpa qualquer.
Continuou andando, sem reparar nas pessoas que passavam por ele.
Sentia-se um tanto deprimido. No momento em que dava meia volta para voltar ao
Castelo, avistou Hermione. Por um momento seus olhos brilharam e um calor
invadiu seu corpo. Mas tudo esfriou de repente e seu mundo pareceu desabar, como
se um Dementador tivesse se aproximado dele, quando viu que a mulher não estava
sozinha; Draco Malfoy estava junto dela, e falava algo em seu ouvido.
A raiva súbita que percorreu por suas veias naquele momento o fez começar
a andar a passos firmes na direção oposta. Ele acabara de jogar fora um
“possível final feliz” em sua vida, por achar, mesmo que remotamente,
poderia se declarar algum dia e agora via a mulher que ele amava ali, nos braços
de outro. Ele só queria sair dali o quanto antes. Porém, um grito de Hermione
o fez parar e virar-se para os dois. Ela empurrou Malfoy e saiu correndo. O
rapaz saiu correndo atrás. E Severo, mesmo com raiva, resolveu segui-los por
ter sentido, naquele instante, uma estranha sensação de que algo ali estava
errado.
Malfoy
a alcançou. Severo se escondeu para ouvir a discussão, mas nada pôde escutar
devido a distancia. Viu o momento em que Draco arrastou Hermione à força para
um beco quase em breu total. Via apenas suas silhuetas
Severo estava em dúvida se deveria interferir ou não. Afinal, não sabia qual era o grau de intimidade entre os dois jovens, não sabia qual poderia ser a reação de Hermione caso ele a salvasse, isso se ela estivesse realmente precisando ser salva. Hesitou até o momento em que Draco desferiu um tapa no rosto da mulher.
A fúria que Severo sentiu foi tão intensa que sacou a varinha e lançou
um feitiço em Draco, que o jogou fortemente contra a parede, fazendo-o bater a
cabeça e desmaiar.
- Lumus! Srta. Granger, você
está bem? - perguntou ele caminhando na direção
dela.
Hermione estava ajoelhada no chão, suas roupas estavam rasgadas. Expressões de medo e repulsa estavam estampadas no rosto dela, além de lágrimas incessantes que escorriam. No canto de sua boca, um filete de sangue denunciava a força com que Draco a batera.
-
P-prof-fessor Sn-nape? O q-que
faz aqui?
- Eu vi Malfoy a agarrando à força. Venha, eu lhe ajudo a se erguer.
Os olhos de Hermione brilharam. Segurou a mão que Severo Snape lhe
oferecia.
- Pode ficar em pé?
- Sim…
Hermione tremia tanto que ele duvidou que ela pudesse ficar de pé. Tirou
a própria capa e deu a ela, para que cobrisse seu corpo contra o frio.
- Obrigada - ela respondeu com a voz fraca quando sentiu o peso e o calor
súbito da capa em seus ombros.
- Venha, devo levá-la até sua casa.
- Seria muita gentileza, professor Snape.
Sem mais nenhuma palavra trocada, ambos saíram em direção ao pequeno
apartamento de Hermione. Ela encolhida, ele a abraçando.
Severo sabia onde ficava o prédio. Procurou descobrir quando soube que a
jovem mulher moraria ali naquele povoado, dois anos atrás. E Hermione percebeu,
mesmo ainda em estado do choque, o caminho certo sendo percorrido e braços
fortes a envolvendo. Sentiu-se protegida como nunca.
Há apenas alguns passos da entrada do prédio, Hermione tropeçou em uma
pedra, fazendo ambos, ela e ele, perderem o equilíbrio. Mas Severo o recuperou
a tempo de segurá-la antes que caíssem.
- Está tudo bem, Srta. Granger?
- Eu… torci meu tornozelo… - respondeu em voz muito baixa.
- Ah… Deixe que eu a levo,
então.
Com um movimento rápido, Severo colocou-a em seus braços, enquanto ela
soltava um gritinho de surpresa. Calmamente foi prestando atenção a cada
degrau da escada, até chegarem ao apartamento da moça.
Colocou-a no chão e sacou a varinha. Pronunciou um feitiço e fez a
porta se abrir.
Novamente colocou Hermione em seus braços, entrando no apartamento. Com um chute, fez a porta se fechar. Contra sua própria vontade, Severo não pode deixar de comparar aquela cena… aquilo era tudo o que queria fazer um dia, mas na condição de recém-casado. Uma fantasia idiota, assim como aquele "ritual" de levar a noiva até o quarto nos braços. Podia ser ridículo, mas secretamente era o que ele mais queria.
Pousou-a no sofá mais próximo. Perdeu o equilíbrio e caiu sobre ela,
mas logo se levantou novamente.
- Bem… Algo mais que eu possa fazer pela senhorita?
- Sim, por favor. Fique aqui comigo. Não vá embora. Tenho medo que ele
volte.
- Ele não voltará, tenho certeza.
- Por favor, Severo… Fique comigo.
Ele parou, aturdido. Ouviu-a chamar por seu primeiro nome. Ficou confuso.
Não sabia se ela o chamara assim pela fraqueza e angústia do momento ou se
ele, influenciado por seu amor, que ouviu errado. E ela pedia. Céus, e se pedia!
Não era justo aquela expressão de dor tão intensa no rosto dela quando
ele se sentia tão vulnerável.
Seu desejo era de ficar ali e protegê-la, embalá-la, deixá-la chorar
em seu ombro. Mas não conseguiria. Não com seu coração a ponto de explodir.
- Eu… eu não sei se é uma boa idéia… Hermione.
- E por que não? - perguntou a moça com a voz chorosa.
- Porque… - então de repente ele desfez a expressão de pena e amor,
franzindo o cenho. - Ora, porque não! Eu a salvei, mas não significa que virei
seu amiguinho. Chame seu namoradinho Weasley para vir cuidar de você!
E dizendo isso, ele se virou para ir embora, mesmo sentindo-se terrível
por isso. Mas o som do choro dela o fez para e se voltar para ele.
- Não estou entendendo você, garota. Que diferença minha presença
pode fazer para você?
- Não quero ficar sozinha. Tenho medo que ele volte - ela repetiu.
-
Já disse que ele não voltará!
Nesse instante, Hermione mudou sua expressão para raiva e ergue-se do
sofá, chegando bem perto dele.
- Eu odeio você, Severo Snape, e me odeio por ter chegado a pensar um
que dia você teria coração! Não sei onde eu estava com a cabeça quando
resolvi me apaixonar por você. Oh, é
claro, a frase típica: não escolhemos a quem vamos amar. E EU ME ODEIO POR
AMAR VOCÊ!
Severo ficou chocado com a reação dela, assim como com as palavras. E
ela continuou.
- Tanto tempo amando-o secretamente, chorando por você, sonhando com o
dia em que você corresponderia meu amor. Sou uma idiota! UMA COMPLETA IDIOTA!
Você é o ser mais… repugnante que eu já conheci! Você sempre odiou a mim e
aos meus amigos. Jamais ouvi uma palavra saída de sua boca que não fosse para
ferir alguém.
Hermione se virou bruscamente e se afastou de Severo. Ele ficou onde
estava, olhando para as costas dela. Ora, ela o amava e ele estava sendo estúpido
daquela maneira! Precisava fazer alguma coisa! Esperou tanto por esse momento, e
agora que ele chegou, não sabia o que fazer.
Os dois permaneceram em silêncio por um tempo. Severo estava entre agir
e não agir; Hermione estava entre a vontade de quebrar o silêncio e esperar
que ele o fizesse. E assim, quase dez minutos se passaram, apenas de reflexão.
- Eu… peço perdão. Não imaginava.
- É claro que não imaginava - ela respondeu se virando para ele e
olhando profundamente em seus olhos. Ele percebeu que ela ainda chorava. -
Afinal, sou apenas uma garotinha perante a você, não é? Uma garotinha
sangue-ruim e que pertenceu à Grifinória!
- Não é nada disso, Granger! Você jamais entenderia!
- Não mesmo, pois não tenho a capacidade mental que você tem! Sou
apenas uma metida a sabe-tudo!
Severo sentiu uma súbita fúria invadir seu corpo. Avançou para
Hermione e apertou seus braços, chacoalhando-a.
- Pare de ser criança! Sim, você é uma metida a sabe-tudo e acha que
pode entender o que acontece comigo. Já lhe passou pela cabeça a hipótese de
que eu também tenho sentimentos? Já parou para pensar que você não é a única
aqui que tem problemas? Ao contrário do que você pensa, eu tenho sim
sentimentos, e bons sentimentos. Não sou o monstro que você pensa.
- Ah, é? Então me prove!
Sem pensar duas vezes, Severo comprimiu seus lábios contra os dela. O
beijo pegou Hermione tão de surpresa que ela não conseguiu reagir. Não
queria, mas foi inevitável. Seu corpo correspondia incontrolavelmente às carícias
que Severo iniciou, somadas a paixão intensa que havia entre os dois.
Enquanto ele beijava seu pescoço,
Hermione abria os botões das vestes dele. Nenhum dos dois parou para pensar
naquela atitude, foram levados pelo desejo. Enquanto Hermione era despida pelas
ágeis mãos de Severo, ele caminhava lentamente até o sofá, deitando-a
carinhosamente.
Hermione abriu os olhos. Sentiu o chão duro abaixo dela e algo pesado em
seu ombro. Severo dormia pesadamente apoiado nela, seus cabelos negros
espalhados sobre os seios dela.
Os raios solares que invadiam o ambiente pela janela iluminavam o casal.
Ela sorriu com a visão de seu amante e com as lembranças da noite que passaram
juntos. Passou os dedos pelos cabelos dele, sussurrando seu nome.
- Severo… Acorde, Severo. Já amanheceu.
- Ah… Bom dia. Que
sofá duro!
Hermione riu.
- Bem, nós estamos no chão. Parece que caímos e nem percebemos.
- Ok! Estou morrendo de fome - ele disse, sonolento, erguendo-se para
olhar para ela. - Você está linda, Hermione.
- Ora, nenhuma mulher é linda quando acorda - respondeu ela entre risos.
- E eu jamais imaginei que você pudesse sser tão romântico. Ou seria efeito do
amor?
- É, quem sabe…
Severo se ergueu, mas bateu com a cabeça na quina da mesinha de centro,
soltando um xingamento.
- Droga! E você, pare de rir!
- Sua cara foi muito engraçada!
- Que bom que está se divertindo.
Os dois se sentaram no chão mesmo, ainda abraçados, recostando-se no
sofá.
Um silêncio pairou por alguns minutos, ambos de mente voltada apenas
para as sensações da noite anterior. Até que Severo resolveu falar.
- Hermione… E agora?
- Bom… agora vem a parte do "e foram felizes para sempre" -
ela respondeu, dando mais risadas.
- E logo depois à parte que não aparece nas histórias - respondeu
Severo, puxando Hermione para si, os dois beijando-se longa e apaixonadamente.
FIM!!!!