As Peripécias de Hermione

por Aline Snape

 

Agradecimentos: Agradeço a Sarah Snape e a Crica Snap pela amizade e a todos os fãs do casal HG/SS que de certa forma torcem para que eles fiquem juntos.

 

Sinopse:  No início tudo não passou de uma brincadeira, embora as conseqüências fossem além do esperado. Hermione  precisava fazer algo para tentar mudar o tão temível professor de poções. Sua arrogância, seu sarcasmo passava dos limites e ela decidiu tomar uma decisão sozinha, já que estava para se formar e esta seria sua última chance. Seus amigos inseparáveis, Rony  e  Harry, precisavam de notas para passar na disciplina, logo não podia contar com eles. Tinha em mente as peripécias, mas precisava pedir emprestada a capa de invisibilidade para Harry. Porém, se assim o fizesse, teria que explicar a sua verdadeira intenção e ele certamente a chamaria de louca.

 

 

AS PERIPÉCIAS DE HERMIONE

 

      Naquela tarde o mestre de poções ficara mais exaltado do que o normal quando Harry Potter errou sua poção. Ele já estava irritadíssimo com sua colega de trabalho, a vice-diretora que lhe chamou a atenção por ter deixado todos os alunos da Grifinória em recuperação. Lembrava perfeitamente de cada palavra dela:

- “Prof. Snape, creio que o senhor deverá rever sua última decisão de ter colocado todos os alunos do sétimo ano, da minha casa, em recuperação! Não posso acreditar que até mesmo a senhorita Granger tenha ficado. O senhor vai ter que rever seus métodos ou serei obrigada a levar sua decisão ao conhecimento do diretor”...

-  “Para sua informação, professora Mc Gonagall, a turma está em recuperação por causa da indisciplina, inclusive a Srtª. Granger que continua com o péssimo hábito de responder as perguntas que não são lhe direcionadas.”

- “Ora, professor Snape! Isto é um absurdo... Ela é a melhor aluna dos últimos anos! Nada mais justo que ela responda quando os colegas não sabem. O senhor está confundindo as coisas: a recuperação é para recuperar notas, e não vejo nada de indisciplina por parte dela em responder as questões, se não sugeriria detenção.”

      Minerva virou as costas para ele e saiu. Severo ficou furioso, mas sabia que ela estava certa e teria que rever sua atitude. Gostaria de colocar todos os alunos da Grifinória em detenção, mas como não podia, contentaria-se em colocar o trio.

- Sr. Potter! É inadmissível um aluno famoso como o senhor errar uma simples poção... A sua falta de atenção lhe renderá três noites de detenção. Pode começar hoje após o jantar. Quanto aos demais, qualquer ruído que eu ouvir, resultará em companhia ao Sr. Potter. Amanhã fixarei no mural as notas da última prova e os nomes dos respectivos alunos que ficaram em recuperação. Lembrando que para serem aprovados direto, somente os que acertaram mais de oitenta por cento.

       Os alunos permaneceram em silêncio, pensando que era o mesmo que deixar todos em recuperação, como ele havia dito na última aula. Mentalmente contavam quantos passariam direto, pois a correção dele era muito rigorosa. O professor não perdoava uma vírgula fora do lugar.

      Ao término da aula, todos trataram de sair da sala o mais rápido possível, evitando fazer barulho para não aborrecer ainda mais o professor. Hermione era a única que manteve a calma e não se apressou. Ele a observava de sua mesa. Antes de sair ela resolveu ir até a mesa conversar com ele. Conforme o rumo da conversa, ela sairia logo ou não.

- Por favor, professor, o senhor se importa se eu lhe fizer uma pergunta?

- Não! Mas não garanto respondê-la...

- Bem, é que... normalmente nós, alunos, nos espelhamos em algum professor. O senhor, na sua época de estudante, espelhou-se em alguém?

      Severo não sabia exatamente quais eram as verdadeiras intenções daquela pergunta, achou melhor responder.

- Creio que sim... mesmo já sendo diretor naquela época, tive oportunidade de ter algumas aulas com o professor Dumbledore.

- Isto responde parcialmente a minha pergunta. Obrigado!

- Parcialmente... Posso saber por quê?

- É que o senhor tem metodologia, está sempre atualizado, suas aulas são muito interessantes, porque os conteúdos são criteriosamente selecionados. Não consigo imaginar uma aula do professor Dumbledore diferente da sua, exceto por...

      Hermione ficou em dúvida, preferiu calar-se, mas Severo queria saber o que ela pensava.

- Continue Srtª. Granger!

- É um pouco difícil para eu falar isso... Até porque o senhor mesmo sabe... São questões pessoais. O Prof. Dumbledore é simpático, transmite segurança aos alunos...

- Basta! A senhorita veio aqui para me dizer que sou antipático, deixo os alunos inseguros? Se foi para isso, já me disse... Pode dar o fora antes que eu a coloque em detenção!              

      Severo estava furioso, mas Hermione continuava calma. Ela nunca iria se conformar com a grosseria do professor. Já havia passado em todas as disciplinas, inclusive na dele. Não tinha nada a perder, em breve estaria formada e iria continuar seus estudos bem longe de Hogwarts. Tomou coragem e perguntou:

- Professor, por que o senhor é assim? Se desistiu de ser comensal, desistiu de viver no mundo das trevas... Então por que tanta mágoa, é tão fechado e perverso com os alunos? Se não gosta de lecionar deveria falar com o diretor... Sendo o melhor mestre em poções no mundo bruxo, com certeza não precisa dar aulas para garantir seu emprego aqui ou em qualquer outra escola.

      Severo estava gostando de ouvir, era tudo verdade e, vindo dela tinha outro significado. Afinal, era a melhor aluna que já teve.

- É esta a imagem que passo?   Perguntou sarcasticamente.

- O senhor tem alguma dúvida?  O senhor deve ser muito infeliz, está sempre sozinho, não tem família, não tem mulher ou namorada...

- Acho que a senhorita já está indo longe demais. Este assunto só a mim diz respeito...

- Me desculpe, professor! É que eu só queria ajudar... O senhor é tão...

- Diga... 

- Interessante...

- A senhorita acha? Perguntou com um sorriso irônico.

- Acho... Eu sempre o admirei. Lamento chegar ao final do curso e não ter feito nada para tentar mudá-lo...

      Hemione virou-se e saiu da sala, sem ao menos despedir-se ou aguardar uma resposta. Severo ficou pensativo, refletia cada palavra dela. Ela tinha toda razão, mas não poderia lhe contar que seu principal motivo de ser infeliz é porque se apaixonara pela pessoa errada.

      Na hora do almoço, Harry lamentava-se com os amigos sobre sua detenção. Justo naquela semana que tinha treino de quadribol, tinha que terminar os trabalhos de Transfiguração e  estudar para a prova de recuperação da professora Sibila.

- Tudo bem, Harry! Acho que sei como te ajudar!

- Verdade? Obrigado Hermione! Você vai fazer o meu trabalho?

- Não, Harry... Pensei em lhe ajudar na detenção. Assim você termina cedo a tarefa e vai lhe sobrar mais tempo.

- Como? O professor Snape nunca vai permitir...

- Eu sei...  Por isso você vai me emprestar a capa da invisibilidade!

- Você é louca Hermione? E se ele te pega?   Rony bastante preocupado, a alertava.

- Eu sei tomar cuidado. Vai ser divertido. Quero só ver a cara dele quando Harry terminar rapidinho a tarefa de hoje à noite...     

- Está bem, Hermione! Eu aceito sua ajuda. Depois do jantar, nos encontramos na sala comunal para você vestir a capa, certo?

      Hermione tinha um plano para infernizar a vida do Prof. Snape, mas precisava da capa. Esta era a única chance do Harry lhe emprestar, sem precisar contar o que pretendia.

      À tarde Hermione quase não prestou atenção nas aulas, estava planejando as três noites de peripécias que iria aprontar para tentar mudar o professor tão carrasco.

      Depois do jantar os dois se dirigiram até a Masmorra. Hermione embaixo da capa, andava com cuidado para não fazer barulho. Harry disse-lhe para ficar bem ao seu lado na hora de entrar e sair da sala.

      Harry abriu a porta e educadamente cumprimentou o professor. Este nem sequer o olhou, continuou a rascunhar um pergaminho. Chegando próximo a bancada havia um bilhete para ele, com todas as tarefas a serem realizadas naquela noite. Hermione e Harry em silêncio dividiram as tarefas e iniciaram o trabalho. Uma hora depois, Harry chamou o professor para avisar que a poção solicitada já estava pronta e engarrafada. O professor não acreditando, levantou-se e foi até a bancada verificar.

      Enquanto isso, Hermione foi até a mesa do professor, pegou uma pena e tinteiro vermelho. Começou a desenhar vários corações em volta da fórmula que ele escrevia. Não se contentando, resolveu escrever um bilhete. No pergaminho solto na mesa, Hermione escreveu: “Querido prof. Snape: o senhor é um homem muito interessante, inteligente e extremamente atraente. É lamentável que seja tão cruel! Beijos da aluna que tanto te admira: HG”

      Ela deixou o bilhete embaixo do pergaminho contendo a fórmula e uma moldura de corações. Tratou de sair dali o mais rápido que pôde e aguardou Harry na porta.

      Severo não estava muito convencido, mas  aparentemente não havia nada de anormal e a poção estava correta.

- Senhor Potter, não entendi como conseguiu terminar tão rápido?! Só para picar os ingredientes, leva-se quase uma hora... A sala está protegida contra feitiço de aluno. Não sei como fez isso, mas se eu descobrir que foi desonesto, irá se arrepender... Pode ir.

      Ambos saíram muito satisfeitos. Logo estavam na sala comunal de volta. Hermione foi correndo contar para o Rony a cara de bobo do professor quando teve que liberar cedo o Harry.

      Harry foi buscar os livros e começou seu trabalho de transfiguração, fazendo companhia a Rony. Hermione que já estava passada em todas as disciplinas, disse que estava cansada e foi para seu quarto. Deitou-se na cama de uniforme e tudo. Ficou imaginando a cara que o professor fez quando viu os corações ou quando leu o seu bilhete. “O que ele vai fazer, me chamará para uma conversa ou vai me deixar em detenção?   Vejamos o que eu vou aprontar amanhã...”    

      No dia seguinte Harry tinha treino de quadribol. Geralmente o treino começava uma hora após o jantar. Harry avisou que talvez chegasse um pouco atrasado, mas que iria se esforçar para não perder o início. Hermione o tranqüilizou dizendo que os dois conseguiriam terminar a detenção a tempo e que ele não perderia o treino. Ao se aproximarem da Masmorra Hermione comentou baixinho: - Qual será sua detenção de hoje? Espero que não seja destripar aqueles bichos nojentos... A porta estava trancada. Harry bateu e aguardou. Severo muito desconfiado foi abrir a porta pessoalmente. Hermione teve que se espremer atrás de Harry para conseguir entrar sem que esbarrasse no professor.

- Sem gracinhas hoje, ouviu Sr.Potter? Harry não entendeu nada, foi direto para a bancada trabalhar. Logo avistou duas bacias enormes. Uma vazia e a outra contendo dois quilos de bichos para serem destripados. Sabia muito bem o tipo de serviço que tinha pela frente. Ele tratou de dividir igualmente os bichos.  Hermione sentada num banquinho colocou uma bacia embaixo da capa e começou a trabalhar. Quase uma hora depois ela terminou e ele ainda tinha meia dúzia de bichos.

      Pé ante pé ela foi até o banheiro, dentro do quarto de Severo. Lavou bem a mão para tirar o cheiro de tripas. Deixou cair bem pouca água para não fazer barulho. Usou a toalha dele para se secar. Não pôde evitar a curiosidade e abriu um frasco de perfume que estava em cima da pia. Era o perfume que ele usava. Usou um pouco nas suas mãos para disfarçar aquele cheiro que ainda ficara. Depois pegou seu batom rosa que estava em seu bolso e desenhou um grande coração no espelho do banheiro, com as iniciais SS/HG. Estava tão fascinada com o quarto dele, que não teve dúvidas, foi até a cama  deixar outro bilhete. Este já estava escrito, o fez com muito carinho naquela tarde. Deixou bem em cima do travesseiro dele e foi para a sala. Harry tinha terminado e parecia meio preocupado com ela, pois não a encontrava em sua volta. Hermione bateu delicadamente em seu ombro. Harry sorriu e anunciou ao professor que havia terminado a tarefa.

      Severo veio certificar-se de que estava tudo pronto e limpo. – Pode ir, senhor Potter. Amanhã veremos se o senhor vai ser tão rápido... E sorriu sarcasticamente.

      Harry ao chegar no salão comunal, agradeceu a amiga e foi direto trocar a roupa pelo uniforme de quadribol. Estava somente dez minutos atrasado.

      Hermione foi para seu quarto. Deitada na cama, sentindo ainda o perfume dele em suas mãos, adormeceu.

      Severo terminou de corrigir as  provas de recuperação e foi para seu quarto. Para sua surpresa ao entrar no banheiro, viu logo aquele enorme coração com as iniciais. Ficou muito intrigado. “Não pode ser o Potter. Ele não saiu da sala... Se foi a Hermione, como ela entrou? A sala iria detectar feitiço de aluno... Amanhã eu a pegarei”. Ao deitar-se viu o bilhete em cima de seu travesseiro, começou a ler:

- “Professor: peço-lhe mil desculpas por invadir seu espaço. Prometo não fazer mais isso, eu só queria que o senhor me notasse... Gostaria tanto que não me visse mais como uma aluna ou como uma irritante Srtª. sabe-tudo... Eu não sou mais a sua aluna, pois as aulas já terminaram e tenho todas as notas para me formar. Também não sou mais aquela menina tola que fazia questão de responder todas as suas perguntas para ser notada. Todas às vezes, tudo que consegui foi ser humilhada.

      O senhor nunca me elogiou diante da turma, mas soube através da diretora de minha casa, a professora Mc Gonagall, que o senhor sente orgulho de mim. Pois nós dois fomos os únicos alunos até hoje a tirar as notas máximas em poções, desde a fundação desta escola.

      Severo... Como eu gostaria de lhe chamar pelo primeiro nome... Se o senhor fosse o diretor de minha casa, provavelmente seríamos amigos... Ou algo mais... Seria tudo bem mais fácil.

      Eu só não queria me  formar sem antes dizer que eu te amo. Queria muito vê-lo mudado, mais feliz, menos irônico... Já que eu não consegui, despeço-me com lágrimas nos olhos. Você é e sempre será o professor que eu me espelharei. Beijos de quem muito te admira. Hermione Granger”

      Severo ficou muito comovido com o bilhete dela. Ela o amava e ele sempre a insultou. Ele não queria admitir seus sentimentos. Tornara-se cada vez mais solitário, mais fechado, sofria em silêncio, tanto quanto ela. Ele releu o bilhete. Não conseguiu dormir, a verdade era única: ele também a amava. Não podia deixá-la ir embora de Hogwarts sem ao menos responder, mas não conseguiria lhe dizer pessoalmente. Pegou um pedaço de pergaminho, a pena e o tinteiro. “Querida Hermione”... Rasgou o bilhete, os olhos encheram-se de lágrimas. Severo sofria. Por que  foi tão covarde em não querer admitir que gostava dela desde o início... Era madrugada quando Severo conseguiu dormir.

     No terceiro dia de detenção, Hermione pediu desculpas ao Harry, disse que não poderia lhe ajudar naquela noite, pois não estava se sentindo bem.

- Não tem problema, Hermione, você já me ajudou tanto... Não importa a hora que eu termine hoje, não vou estudar mesmo para a prova da professora Sibila. Eu e o Rony já descobrimos um ótimo macete, é só escrever o que ela quer ler e não o que realmente vemos na bola de cristal. Até mais tarde Hermione!

- Até mais Harry e boa sorte!

      Harry entrou na sala do professor e foi até a bancada. Lá estava uma fórmula da poção a ser preparada a sua espera. O professor escrevia num pedaço de pergaminho, em seguida amassara e jogara no lixo. Depois fez o mesmo com outro pedaço. Parecia com dificuldade de se expressar. Harry tratou de começar logo a poção, pois ela levaria três horas para ficar pronta.

      Finalmente parece que Severo conseguiu escrever alguma coisa, pois abriu a janela e chamou uma coruja da escola. Depois de amarrar o bilhete em sua patinha, a ave saiu para sua tarefa da noite.

      A coruja bateu na janela do quarto de Hermione. Era cedo, mas ela já estava deitada lendo um livro para tentar tirar o professor de sua mente. Quase não acreditou quando abriu o pedaço de pergaminho e reconheceu a letra dele.

“Prezada Hermione: devo admitir que desta vez a senhorita realmente conseguiu chamar a minha atenção... ocultando-se foi a forma mais engenhosa que usou para atingir seus objetivos. Lembro perfeitamente que me disseste umas verdades na última aula. Agradeço-lhe por isso. Gostaria muito de me encontrar com a senhorita neste sábado. A maioria dos alunos estará em Hogsmeade e a escola ficará mais vazia, poderíamos dar um passeio até o lago. Estou me sentindo diferente e a senhorita tem muita influência nesta minha mudança. Era o que queria, não? Preciso muito conversar com  senhorita, a primeira pergunta que lhe farei é como conseguiste entrar em meu quarto? Fique tranqüila, não lhe darei nenhuma detenção ou perda de pontos... Até porque a senhorita já passou na minha disciplina e praticamente não é mais a minha aluna (infelizmente). Saiba que eu a admiro muito e sentirei muito a sua falta quando partires. Com carinho: Severo Snape” 

      Hermione  ficou radiante com o bilhete. Não estava acreditando, releu novamente para se certificar que não estava sonhando. Dormir naquela noite seria quase impossível. Desceu até o salão comunal e ficou aguardando o Harry.

- Então, Harry como foi sua detenção?

- Nada mal, Hermione! Você nem vai acreditar... no final, o professor veio me ajudar a filtrar a poção e engarrafá-la. Parecia simpático... Não sei o que deu nele...

- Vai ver ele está com a consciência pesada!  Hermione respondeu séria e pensou: ele está mudando... Fez uma pausa, criou coragem e pediu um grande favor ao seu amigo: Harry, será que você poderia me emprestar a sua capa da invisibilidade? Eu a devolvo sábado. 

- Tudo bem, Hermione...  Você a usará em Hogsmeade?

- Não... Na verdade eu nem pretendo ir...

- Não me leve a mal, mas para quê você precisa dela?

- Pensei em usá-la para retirar um livro da sessão reservada.

- Mas você não precisa... Lembra que o prof. Dumbledore lhe autorizou a retirar qualquer livro da sessão reservada, como mérito por suas notas?

- Eu sei... mas todos os livros retirados são devidamente registrados e eu... Hermione aproximou-se de Harry e lhe disse baixinho, no ouvido: quero tirar um livro sobre sexo...

- Hum... Entendo! Se quiseres que lhe ensino alguma coisa na prática depois... Harry disse com um sorriso malicioso.

- Obrigada, se eu precisar, lhe procuro...  Respondeu ironicamente.

- Eu lhe empresto a minha capa... mas adoraria saber quem é que está lhe despertando sexualmente... Não é o Rony, é?

- Me desculpe, Harry, mas não é da sua conta!  Vai me emprestar ou não?

- Claro! Aguarde um pouco que eu lhe trago.

      Enquanto Harry foi até seu quarto, Hermione quase arrependeu-se de ter pedido a capa, sabia que ele era curioso e lhe perguntaria  o motivo. Não mentiu sobre o livro, tinha real interesse em retirá-lo, mas seu principal  objetivo era outro...

      No dia seguinte, enquanto a maioria dos alunos foi fazer as provas de recuperação, Hermione que tinha o tempo todo livre, foi até a biblioteca com a capa e retirou o tão desejado livro. Depois seguiu para o jardim, sentou-se num banco e  começou a ler. Ouviu uns passos se aproximado e a voz do diretor conversando com alguém. Cobriu-se rapidamente com a capa. Para seu desespero, Alvo e Severo decidiram sentar-se no mesmo banco onde ela estava. Iniciaram uma conversa que fez Hermione desviar a atenção do livro:

- Já não era sem tempo, Severo... Fico muito feliz por você! Quais são os seus planos de agora em diante?

- A primeira coisa que pretendo fazer é reformar a mansão que foi dos meus pais. Tenho uma boa quantia guardada, afinal morando aqui no castelo durante estes anos, quase não tive gastos. Pretendo recuperar toda a arquitetura original e reformar o jardim. Quando for mobiliar e decorar, quero que ela me ajude em cada detalhe.

- Sei... E quanto a oficializar a união?

- O senhor diz...

- Casamento... Sim, Severo, ou você pretende viver com ela sem se casar?

- Não... É que primeiro preciso conhecer os pais dela e depois agendamos uma data.

- Para breve, eu suponho?... Alvo curioso, quis saber.

- Sim. Tudo depende da Sibila...

      Alvo o interrompeu aflito: - Eu e a Minerva vamos ser os padrinhos, não vamos?

      Hermione não quis ouvir mais nada. Saiu correndo dali em direção ao lago, segurando a capa para não perdê-la. Não podia mais conter o nó na garganta. Teve uma longa crise de choro.

- “Como fui idiota... Pensei que ele havia mudado por minha causa. Ele vai se casar com a professora Sibila... Logo com ela? Não é possível! Eu preciso fazer algo para impedir, mas fazer o quê?”  As lágrimas rolavam de seus olhos, o desespero era tanto que não sabia o que pensar. Lembrou das palavras escritas no bilhete: “Estou me sentindo diferente e a senhorita tem muita influência nesta minha mudança. Era o que queria, não? Saiba que eu a admiro muito e sentirei muito a sua falta quando partires.”

      Nova crise de choro tomou conta de seu ser. Hermione não se conformava de não ter feito nada antes. Claro que cedo ou tarde, se não fosse a Sibila, qualquer outra moça conquistaria aquele coração tão solitário. Um homem como o mestre de poções era como uma jóia a ser lapidada. Por que nunca demonstrou seus sentimentos por ele? Talvez porque soubesse que ele não a levaria a sério, era sua aluna... Não poderiam ter um relacionamento além de professor e aluna. Sem contar com a diferença de idade... Mesmo sendo mais velho, ele conservava a juventude; era um bruxo muito bonito, másculo e extremamente sensual. Hermione sonhava em se tornar mulher em seus braços. 

       Foi para seu quarto chorar. Não desceu para o almoço. Harry e Rony ficaram preocupados com ela. Harry comentou que  havia lhe emprestado a sua capa.

- Vai ver que ela está almoçando embaixo da capa, só para não repararmos o quanto é faminta! Brincou Rony.

- No mínimo ela está usando a capa para outros tipos de prazeres... Cochichou Harry.

- E você não descobriu quem ela está a fim?

- Não... No início pensei que fosse você, Rony.

- Eu??? Ora Harry, sabemos que ela sempre teve uma quedinha por você...

- Por mim? Quem dera! Até gostaria de namorá-la, mas ela sempre fugiu das minhas indiretas. Hermione é do tipo intelectual. Não é qualquer rapaz que a conquistará...

-É... Você tem razão. Talvez seja o Krum, aquele rapaz que esteve aqui no torneio de tri bruxos, no quarto ano...

- Não sei, não... Ela anda muito esquisita.

      Hermione sentia muita dor de cabeça. Decidiu ir até a enfermaria. Usou a capa da invisibilidade até a entrada, não queria que ninguém a visse com os olhos inchados de tanto chorar. A Srª. Pomfrey veio atendê-la e ficou preocupada.

- Nossa, mocinha... O que aconteceu? Por que todo este desespero?

- Não é nada...

- Nada? A Srtª. é a melhor aluna do colégio... Se for por causa de notas... Imagino como está o pior aluno...

      Ela inventou uma desculpa de última hora, jamais poderia dizer a verdade.

- Estou me formando e já estou morrendo de saudades de Hogwarts, antes mesmo de ir... a Srª. me entende?

- Claro, Srtª... Olhe beba esta poção, vai lhe fazer bem.

     Alcançou uma garrafa contendo um líquido cor de cereja, cujo rótulo dizia “Poção da Melancolia” .

- Tome três colheres de sopa, três vezes ao dia. Se não melhorar até amanhã, volte aqui. Está certo?

      Hermione agradeceu. Saiu da enfermaria com a capa e retornou para seu quarto. No caminho encontrou Severo e Sibila que estavam indo aplicar suas provas de recuperação. Ela apressou o seu passo, não suportava vê-los juntos. Tomou a poção e deitou-se. Minutos depois adormeceu em sono profundo. Sonhou que virou comensal e que era seguidora de Valdemort. Acordou assustada. Já era noite, olhou no relógio e viu que o jantar estava sendo servido. Sentia-se bem mais calma e com muita fome. Lavou o seu rosto e desceu para o salão principal. Encontrou seus amigos que lhe encheram de perguntas.

- Não fui a lugar algum. Fiquei no meu quarto dormindo. Por quê?

- Por nada... É que só a vimos no café da manhã... Respondeu Rony.

- Fiquei lendo e perdi a hora do almoço. Como foi a prova de recuperação da Profª. Sibila? Hermione perguntou sem muito interesse, para desviar o assunto.

- Você nem vai acreditar... Ela estava um doce com a gente! Até nos ajudou numa questão. No final, quando entregamos a prova, ela disse que previa a nossa aprovação. É completamente doida! Completou Harry.

      Hermione olhou para a mesa dos professores e viu dois olhos negros expressivos fixos nela. Severo a cumprimentou com um sorriso, mas ela abaixou a cabeça e evitou que uma lágrima caísse.

- O que você vai fazer hoje à noite? Harry perguntou.

- Vou terminar de ler o livro. E vocês?

- Vamos jogar xadrez. O Harry está ficando bom. Já conseguiu ganhar uma partida! Respondeu Rony.

- Vamos amanhã a Hogsmeade? Harry perguntou, mesmo sabendo a resposta.

- Não posso ir. Tenho que arrumar meus livros, mandar uma carta sobre a formatura para meus pais... Vocês trazem uma caixa de bombom para mim?

- Claro, Hermione!

      Ela pediu licença e se retirou, foi para seu quarto. Já tinha em mente o que fazer. Apressou-se. Tomou seis colheres de sopa da poção, escovou seus dentes, trocou de roupa, arrumou o cabelo e vestiu a capa por cima. Desceu rapidamente as escadas e viu Alvo, Minerva e Severo irem para o jardim conversar. Não teve dúvidas ficaria de plantão a noite toda se fosse preciso para poder ter um minuto a sós com ele.

      Alvo iniciou a conversa. Falou sobre a tranqüilidade daquele ano letivo. Minerva concordou e disse que sentiria muitas saudades da turma que estava se formando. Severo estava quieto, parecia distante, não disse nada. Hermione em pé, agora aproximava-se mais do professor, observava-o atentamente. A beleza dele era excêntrica, ocultava-se no rosto severo, nas palavras intransigentes, no olhar sensual e na voz que a deixava trêmula.  Já tinha em mente o que iria fazer, mas precisava ficar a sós com ele. 

      Dobby apareceu com três garrafas de cerveja amanteigada na bandeja. Foram muito bem recebidas pelos professores, pois fazia uma noite quente, embora agradável. Ao terminarem de beber, Alvo convidou os dois para darem uma volta até o lago. A lua cheia estava surgindo por trás da montanha e o céu completamente estrelado era um convite para um belo passeio.  Minerva prontamente levantou-se para acompanhá-lo. Severo que continuava distante, agradeceu e disse que voltaria logo para seus aposentos dormir.

      Hermione vibrou com a decisão dele de ir logo para os aposentos. Não pôde resistir ao fato de vê-lo sozinho, assim que os dois se afastaram um pouco, sentou-se no colo do professor com ímpeto. Este, mesmo sem vê-la por causa da capa, sabia que era ela. Hermione abraçou-se a ele. Severo sentiu o corpo delicado dela e o perfume.

- Hermione? Perguntou, mesmo sabendo quem era.

- Eu te amo, professor... foi a sua resposta. Agarrando-se ainda mais em seu pescoço.

- Então foi assim que entrou no meu quarto?... Estas capas de invisibilidade são raríssimas. Onde a Srtª. conseguiu?

- O Harry me emprestou.

- Em troca de ajudá-lo na detenção... Muito hábil de sua parte! O que a Srtª. acha que eu devo fazer com você?

- Quer mesmo saber? Sussurrou em seu ouvido: Faça amor comigo...

- A Srtª. enlouqueceu?    Severo estava adorando todo o atrevimento dela.

- Ainda não... Mas posso lhe garantir que estou louca por você...

- Precisamos ter uma conversinha... Siga-me até a minha Masmorra, pois tenho uma poção que lhe fará se sentir melhor. Vamos antes que Alvo e Minerva retornem.

- O senhor sabe muito bem o que me fará sentir melhor!  Hermione não pôde evitar umas risadinhas abafadas ao dizer a frase.

Severo levantou-se do banco, colocando-a em pé no chão.

- A Srtª. me acompanhe em silêncio, não quero que chame atenção de ninguém quando entrarmos no castelo. Estamos entendidos?

- Como quiser, senhor!

      Entraram em silêncio, mas ao passarem pelo salão principal, um grupo de alunos que ficaram em recuperação, abordaram o professor para saber dos resultados das provas.

- Ainda não corrigi e não pretendo fazê-lo antes de segunda-feira, quando devo entregar as notas na secretaria.

      Uma das alunas que estava junto, jogando um pouquinho de charme disse:

- Por favor, professor Snape, o senhor não poderia me mostrar o gabarito da prova agora? O senhor faria isso por mim, não faria?

      Hermione conhecia esta aluna da Sonserina e sabia que ela era gamada no professor. Antes que o professor respondesse qualquer coisa, Hermione abraçou fortemente o professor por trás, acariciou seu cabelo, sua nuca. Severo não podia reagir as carícias dela e sentia-se bastante embaraçado.

- Hoje não posso, tenho um compromisso. Amanhã a Srtª. me procure, ok?

- Está certo! Amanhã eu lhe procuro, obrigada pela atenção!

      Severo saiu apressado em direção a Masmorra antes que Hermione resolvesse aprontar mais uma travessura.

      Ao chegarem na Masmorra, Severo disse a senha e ambos entraram. Hermione largou  a capa de invisibilidade em cima do sofá e Severo com auxílio da varinha fez surgir algumas luzes no ambiente. Não pôde deixar de reparar na roupa que ela usava. Um vestido preto de alça, muito justo, curto, que revelava cada curva de seu corpo, deixando-a muito sensual. Reparou também nas longas pernas bronzeadas. Hermione sentiu o olhar dele desejando-a e percebeu que era o momento ideal para agarrá-lo. Mesmo que ele estivesse noivo de outra, Hermione estava disposta a tudo, faria amor com ele naquela noite, ele querendo ou não... Se precisasse faria uso de algum feitiço do amor. Abraçou-o fortemente e ele acariciou seu cabelo macio.

- Severo, eu quero você... Sussurrando em seu ouvido disse: - Você me quer?

      Ele não respondeu, simplesmente aproximou seus lábios dos dela e a beijou com toda a paixão que sentia. Foi um beijo demorado, no início mais atrevido, depois mais suave, dócil.

      Severo não estava mais conseguindo resistir, desde o momento que ela sentou-se em seu colo, lá fora no jardim, a excitação tomava conta de seu corpo. Era tudo o que queria, como a desejava... A atração que ambos sentiam era incontrolável. Ele apertou-a forte contra seu peito, suas mãos agis percorriam cada curva de seu corpo. Severo a beijou novamente e agora sua mão subia cada centímetro de sua coxa. Hermione delirava de prazer. Após outro longo beijo ela desabotoou a camisa dele, beijou seu peito. Severo deixou a camisa cair no chão e a conduziu até o sofá grande da sala.

- Hermione, sei que não deveríamos, mas...

- Por favor, não diga nada... Apenas me ame...

     No momento seguinte completaram o ato de amor. Amaram-se desesperadamente a fim de saciar toda aquela vontade reprimida de ambas as partes. Pareciam dois amantes e não mais aluna e professor. 

      Depois de extasiados, Severo percebeu um pequeno sangramento e sentiu-se extremamente emocionado. Jamais imaginaria que seria o primeiro homem da vida dela. Ao tentar beijá-la, Hermione afastou-se do rosto dele e com lágrimas nos olhos disse:

- Eu preciso ir...

- A Srtª. não vai me abandonar agora, vai? Não depois do que aconteceu...

- Não aconteceu nada... Eu  realmente preciso ir!

      Ao levantar-se, Severo a puxou de volta e segurando firme em seu braço, perguntou:

- Eu te machuquei?  Você sangrou... É a sua primeira vez ou eu...

- Não, você não me machucou... Você foi maravilhoso. Eu te amo, por isso preciso ir...

- Não te entendo, se diz que me ama... Eu também te amo, Hermione! O que teme? Sei... é a diferença de idade, não?

      As lágrimas escorriam de seu rosto, mesmo com dificuldade disse:

- Eu sempre quis você, mas você preferiu a professora Sibila...

- Não sei o que você está falando, mocinha...

- Eu o ouvi conversar com o diretor, hoje pela manhã... Você pretende se casar e depende dela para agendar a data ou algo parecido.

- Então é isso? Ora, Hermione, com certeza você não ouviu toda a conversa... Sente-se aqui. Puxou-a suavemente para seu colo.

     Severo sorriu e a abraçou fortemente, completando em seguida:

- Eu estava fazendo os meus planos para o futuro: disse que reformaria  a mansão de meus pais. Alvo queria que eu marcasse logo uma data para o nosso casamento. Sabe, ele não concorda que eu more com você sem  me casar... Eu nem havia lhe pedido em namoro ainda... Confiei em seu olhar sedutor, confiei em seus bilhetes, sabia que você seria minha um dia!!! Pensei em falar com a Sibila para consultar a bola de cristal para saber se você realmente me aceitaria como marido ou se tudo que fizera era apenas travessuras...

- Foi isso? Severo, me desculpe... Eu pensei que você só me quisesse pela simples oportunidade...

- E  mesmo assim estava disposta a se entregar para mim? Hermione, eu te amo... Você quer se casar comigo? 

- Você diz oficializar nossa relação? Pois acabei de me tornar sua mulher, sinto-me totalmente sua...

- A resposta é sim?

- Você ainda tem dúvida? Ela o beijou. Severo correspondeu ao beijo, depois levantou-se com ela no colo e a levou para seu quarto.

      Passaram a noite juntos. Dormir era impossível diante de tanta felicidade.

      Severo nunca fora tão feliz em toda a sua vida.Ter Hermione em seus braços era a maior prova de amor que alguém poderia ter. Ela entregou-se totalmente a ele de corpo e alma, sem querer nada em troca, sem cobranças. Pensava que ele se casaria com outra, mesmo assim seu amor era  tão forte que suportaria deixá-lo logo em seguida.    Fazer amor com o homem de seus sonhos era tudo o que ela mais queria. Agora sabiam que nada mais os impediria de amar e ser feliz!

      Um mês depois, na abertura do baile de formatura, Alvo pediu a palavra:

- Boa noite, senhoras, senhores e senhoritas! É com muito orgulho que celebramos o baile de formatura dos alunos do sétimo ano! Em homenagem a aluna que mais se destacou desde a fundação de Hogwarts, eu e os quatro diretores das respectivas casas, temos  a honra de homenageá-la com alguns presentes. Em meu nome e em nome da Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts concedemos uma medalha de ouro à Senhorita Hermione Granger!!! Uma cópia desta medalha ficará no acervo da escola, para que todos possam admirá-la!

     Hermione foi até o centro do salão receber um caloroso abraço e a medalha das mãos do diretor. Todos a aplaudiram. Depois foi a vez da professora Mc Gonagall que lhe deu um colar de ouro com o brasão da escola e um lindo buquet de orquídeas. O professor Flitwick lhe deu um marcador de páginas cravejado em pedras preciosas e um  bouquet de flores do campo. A professora Spraut lhe deu uma caneta de ouro, com seu nome gravado e um bouquet de rosas brancas. Por último Severo se aproximou e deu a ela um lindo anel e um enorme bouquet de rosas vermelhas. Antes que Alvo dissesse qualquer coisa, Severo puxou-a para si e a beijou na boca, na frente de todos. A admiração foi geral. Apenas Alvo e Minerva sabiam do relacionamento.

      Alvo divertia-se com a cara de espanto de todos, retomou a palavra e disse:

- Convido a todos os presentes a saborearem o bolo de noivado e a brindarem juntos com os noivos Severo Snape e Hermione Granger!  Em seguida o casal iniciará o baile dançando a primeira valsa! Desejo uma ótima festa a todos!!!

      Metade dos alunos aplaudiram e a outra metade, representada pelos alunos da Grifinória e da Sonserina estavam boquiabertos, sem acreditar que o professor Snape e Hermione Granger um dia pudessem ter um caso de amor. Logo eles dois, tão opostos: ela a luz e ele as trevas!

- Harry, me belisque, não pode ser verdade o que estou vendo!...

      Rony estava pálido, parecia que ia desmaiar de tão incrédulo.

- O que será que ela viu nele? Será que ela não foi vítima de uma poção ou de algum feitiço???  Harry parecia preocupado com a hipótese por ele mesmo levantada.

- Não posso acreditar, ela trocar a gente por um morcego... Ela podia ter namorado você, que é tão famoso, ou a mim... Eu no fundo tinha alguma esperança... Juro, Harry, que sempre pensei que um dia ela fosse me olhar diferente, fosse me notar... Eu a beijaria e seríamos felizes... Mas olhe só para eles... Não combinam em nada... ela é jovem, bonita... ele é sarcástico, cruel, coroa antipático, morcego...   Traidora! Isso que ela é... uma traidora!!!

- Calma Rony! Até parece que você está com ciúmes...

- Ciúmes? Quem? Eu???  Ora, Harry, ela nos enganou... O tempo todo de namorico com ele e nunca nos contou...

- Coloque-se no lugar dela! Ela nunca iria nos contar porque sabia que nós jamais aprovaríamos. Olhe Rony, tirando a parte cruel, irônica e arrogante dele, sabe o que ela viu nele?

- Não!!! Sinceridade, não deve ter visto nada, pois não sobrou nada... Nadinha!  Ele é totalmente arrogante, irônico e malvado...

      Rony parecia arrasado e Harry procurava entender o relacionamento dos dois.

- Sabemos que ela é muito intelectual e só alguém assim poderia interessá-la. Ele é o melhor mestre em poções do mundo bruxo. Daqui de Hogwarts, o segundo maior salário deve ser o dele, fora o que ele tira com a venda de seus livros e palestras que dá no mundo todo... Este cara é muito rico. A família dele era muito rica, ele deve ter herdado fortunas.

- Você quer dizer que ela está dando o golpe do baú? É... Faz sentido, ela é inteligente o suficiente para lhe dar a poção da morte e herdar tudo...       

- Não, Rony! Não foi isto que eu quis dizer... Se tirarmos a parte ruim dele,  você verá que ele é um homem elegante, inteligente, corajoso, muito corajoso, pois durante muito tempo foi espião e conseguiu escapar das garras do Valdemort. A Hermione o está mudando aos poucos. Ele foi bem gentil com agente no último mês, lembra-se?

-Não sei não, Harry... acho que ela está fazendo um péssimo negócio... Ele tem a idade para ser o pai dela! Não me conformo, deixou de namorar a gente para namorar um coroa... E o pior, vai se casar com ele...

      Harry olhou o casal dançando e conseguia compreender plenamente o que se passava no coração de sua amiga. Desejava-lhe toda a felicidade do mundo. Sabia que Hermione merecia um homem de verdade. Rony era muito imaturo para ela. E ele, bem, não conseguiria namorá-la, pois ela era como uma irmã. Sentia um carinho enorme por ela, e pelo professor sentia profunda admiração. Naquele momento Harry teve a certeza de que realmente Severo Snape era o homem ideal para Hermione, pois ambos se completavam e ele daria a sua própria vida para fazê-la muito feliz.

 

FIM





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