Amor Eterno
por Crica Snape
Sinopse:
Entre quatro paredes, uma prazerosa noite de amor se desenrolava...
Agradecimentos: à todos, aos meus amigos, à Sarah, em fim...
AMOR
ETERNO
-Esta
noite poderia ser eterna!
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Hogwarts
parecia vazia, todos repousavam confortáveis em suas camas quentinhas,
embrulhados em seus cobertores e afogados em seus sonhos, no sono profundo que
tomava conta dos dormitórios das quatro casas.
Mas na Masmorra, abrigo e esconderijo do mestre de Poções, uma longa noite de prazer e desejos se desenrolava ardente em uma grande cama de casal, onde apenas algumas velas iluminavam o ambiente, obscuro e tenebroso, dando um ar de romantismo e delicadeza a cena que se passava com fervor.
As
gotas d’água chocavam-se violentamente contra a única janela de vidro do
quarto, de onde podia-se ver a chuva grossa e assustadora cair nervosa nos
arredores do castelo, fazendo um vento gélido antecipar o inverno.
Entre
beijos, gemidos de prazer e movimentos delicados, ele sussurrava em seu ouvido,
tentando abafar o som da chuva e quebrar o silêncio entre eles, parecendo
inebriado de tanto prazer e desejo.
-A
escuridão da noite poderia ser eterna, assim teríamos mais do que simples
noites de amor.
-Contente-se
com o que tem, Severo, estou muito feliz de poder tê-lo só para mim, mesmo que
só por algumas horas.
-Não
estou reclamando, afinal, tê-la ao meu lado já é o bastante para fazer-me
feliz. Mas só de pensar que ao amanhecer eu terei de deixá-la, já perco a
vontade de viver.
-Não,
Severo. –e abraçou-o forte, naquela cama macia, apertando-o contra seu corpo,
fortemente atados. –Viva mais um pouco, só por esta noite. Poder passar uma
noite como esta, ao seu lado, sem ter que dar satisfação a ninguém já é o
bastante pra mim. Eu poderia morrer agora, pois o que eu mais queria eu já
consegui: o seu amor. E esse será o meu fim... –e parou, observando-o com
malicia nos olhos. -...,se você morrer, Severo, de uma forma ou outra eu
morrerei junto.
-Não
diga bobagem, ainda é jovem, tem muitos anos pela frente e muitas noites de
amor para passar, talvez não comigo.
-Sem
você? Jamais! Entre eu e você é como se existisse um laço atando um nó em
nossos corações que só irá se desatar quando realmente não for mais meu e
eu não for tua.
-Então,
esse laço durará para sempre. – e beijou-a, envolvendo-a em seu corpo,
aquecendo-a do frio e fazendo com que ela sentisse cada vez mais desejada.
Seus
corpos, ali, unidos um ao outro, era a prova de que realmente o amor existia.
Tal amor que há anos jazeu dentro deles, porém nunca tiveram a coragem
suficiente de notar esse sentimento, de libertá-lo das trevas e de dar-lhe
vida, asas para que voasse livre e escolhesse o seu próprio caminho.
E agora que esse sentimento havia finalmente tomado coragem de expor-se, parecia ter feito brotar, uma outra vez, a juventude que há anos ficou aprisionada em Severo, o “insensível mestre de Poções”.
Mais do que um sentimento, entre eles havia carinho, admiração e uma amizade que ambos jamais imaginaram que poderia existir.
Sussurros,
Suor, saliva, gemidos, suspiros, delírios, garganta seca, sede... vertigem
suave... Um corpo sobre outro, em movimentos ritmados. Assim o desejo os
conduzia, de forma delicada, entre beijos e carícias ousadas.
-Eu
a amo, muito, bem mais do que eu podia imaginar que amaria um dia.
-Então,
já amou a outra? – Hermione estremeceu ao ouvi-lo comentar, afastando-o de
cima de si, naquela cama grande e já molhada pelo suor de seus corpos.
-Não.
-Não
minta, Severo. Eu achava que era a única, a primeira a tê-lo feito mudar e a
única a ter tido coragem de amá-lo.
-Pela
vida, Hermione, nos passamos por muitos caminhos, e em algumas esquinas
encontramos pessoas atraentes, com quem vivemos fantasias e sentimentos tolos,
mas essas são pessoas que jamais serão capazes de transmitir amor, pessoas
incapazes de amar e de serem amadas.
-Então
sou como uma delas? Uma dessas “pessoas atraentes” com quem você esbarra
nas esquinas de seu caminho e que jamais irão amá-lo, assim como você jamais
irá amá-las, é isso? – nervosa com a resposta anterior do mestre, Hermione
se enfurece rápido, deixando-o assustado.
-Não
seja tola, você não é nem nunca será como uma dessas pessoas, pois você é
diferente, você é especial. Eu queria muito demonstrar esse sentimento mais do
que consigo, mas palavra alguma ou ato algum é capaz de dizer, na medida certa,
o quanto eu a amo.
-Então,
não tente, não diga nada, pois o seu silêncio diz tudo, assim como nos seus
olhos um brilho radiante se transparece a cada beijo que trocamos. – tirando
os fios negros da face do mestre, continuou – O seu olhar é a prova perfeita
de que realmente me ama.
-As
suas palavras... soam tão sinceras que eu seria um tolo se não acreditasse na
força dos seus sentimentos. – e continuaram a amar-se, com beijos bem mais
fogosos e caricias bem mais ousadas do que antes. Tal habilidade que adquiriam a
cada novo segundo, quando seus corpos se uniam e nesse momento o ritmo
parecia único. – E em pensar que há alguns dias atrás eu a odiava, quase tão
intensamente como hoje a amo.
A
tempestade continuava feroz do lado de fora do castelo, enquanto na Masmorra,
iluminada malmente por algumas velas e pelos relâmpagos, o casal aproveitava
aquelas poucas horas mais de prazer que ainda lhes restava.
-Estou
surpresa de ver o quanto é um homem carinhoso, diferente do que eu julgava que
fosse. Um homem atencioso, romântico, que sabe, de forma tão simples, fazer
alguém se sentir tão querida.
-E
são apenas essas as minhas qualidades?
-Não.
Há várias, e algumas estão tão bem guardadas que só eu sei encontrá-las.
– disse ela com uma voz provocante, fazendo-o desejá-la bem mais.
-Isso...
é um desafio?
-Talvez!
Era
magnífica a forma como eles se moldavam um ao outro, estavam tão unidos que
talvez jamais fosse possível separa-los.
A
noite parecia bela do lado de fora, era como um conto de fadas: duas criaturas
diferentes que quando juntas se transformavam em criaturas perfeitas, que
ousavam da criatividade para manterem o elo entre elas. Simplesmente unidas pela
força de um sentimento.
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-Acorde,
Severo. – e aos poucos foi despertando. –Já é manhã.
-Não!
– e em um ato desesperado, despertou rapidamente, sentando-se na cama, ainda
nu da noite que passara ao lado dela, trazendo o cobertor para perto de si,
enquanto suas mãos acariciavam bruscamente a face pálida da jovem Granger.
“Maldito
sol que insiste, todos os dias, em tomar o lugar da noite. Fique, Hermione, só
por mais algumas horas, só para que eu tenha certeza de que o que fizemos na
noite passada não foi um sonho.”
-Não
posso, Severo, não podemos.
-Se
fomos capazes de realizar nossas fantasias mais íntimas, porque ficarmos juntos
por mais alguns minutos seria errado, impossível?
-Porque
eu morreria se Dumbledore descobrisse tudo que há entre nós.
-Não,
eu não deixaria isso acontecer... –acalmou-a, continuando em um desabafo
–Embora eu sinta vontade de contar a ele sobre nós.
-NÃO!
Jamais. Eu não posso, eu não quero ser expulsa de Hogwarts por culpa de um
sentimento. E se fizesse isso, Severo, eu deixaria de amá-lo no mesmo instante.
-Então
é esse o amor que sente por mim? – sua voz parecia levemente alterada –Um
amor que se esgota por qualquer motivo, como a água de um rio que evapora com o
calor do sol?! É esse o amor que com orgulho diz sentir por mim?
-Claro
que não, Severo. O amor que sinto por você é tão forte que às vezes foge de
meu controle; um amor tão profundo quanto às profundezas do mar; tão grande
quanto as montanhas a nossa volta; um amor tão ardente quanto uma fogueira
acesa em uma noite de inverno e tão eterno quanto a escuridão da noite que
jamais será eterna.
-Então
fique! Se tal sentimento que diz jazer por mim é tão grande quanto o universo,
não há porque não dar asas a ele, para que possa voar e junto ao meu
sentimento, que eu creio ser tão forte quanto o seu, possam viver juntos,
unidos, assim como nossos corpos que se unem com vontade.
-Eu
não posso, Severo. Isso tudo é errado, esse sentimento é errado, e nós
sabemos disso.
-Não,
Hermione, errado é o jeito com que trata as nossas diferenças, errado é o
valor que dá às opiniões dos outros, que de nada valem. Isso é errado. Esqueça
as nossas diferenças, as opiniões dos outros, as pedras e os obstáculos no
nosso caminho. Fique, só mais um pouco. – e correu abraçá-la, entrelaçando
suas mãos na cintura fina e delicada da rebelde Srtª. Granger.
-Eu
ficaria... se eu não tivesse uma longa e exaustiva manhã de aulas.
-Droga...
– sussurrou baixinho, lembrando-se de sua obrigação como professor.
“Escute,
Severo, falta um mês, apenas um mês para que eu me forme, e aí serei dona de
meu próprio nariz. Teremos muitas noites de puro prazer para passarmos juntos,
basta eu realizar o meu maior sonho: me formar em Hogwarts.”, e acariciando a
face melancólica do mestre, convenceu-o, finalmente, de aceitar a realidade.
-Então
vá, mas saiba que irei esperar, ansiosamente, pela chegada da noite, quando o
sol maldito que esquenta o dia for substituído pela lua, brilhante e tão bela
quanto você, Hermione.
E
um beijo estalado selou aquela difícil situação, em que Severo teria de
conformar-se com a dura realidade que aos poucos se formava à sua frente. Para
ele, vê-la pelos corredores, nas aulas e nas refeições e não poder abraçá-la
era algo perturbador de mais, algo que ele, a contragosto, tinha de fazer todas
as manhãs e tardes, onde as passava desejando-a em seus pensamentos, assim como
desejava a noite, que era o esconderijo perfeito daquele casal tão apaixonado.
A
manhã de aulas foi quase a mais complexa daquela semana, os professores
pareciam mal-humorados e passavam lições que talvez nem a própria melhor
aluna de Hogwarts conseguiria executá-las.
Severo
estava radiante, e mesmo que não demonstrasse tal felicidade, caminhava seguro
pelos corredores e parecia mais amigável com seus alunos, aqueles que em todas
as aulas sofriam cruelmente com as perguntas complexas e as humilhações freqüentes
a que eram obrigados a passar.
Hermione
tentava suportar a idéia de vê-lo e não poder tocá-lo, e durante as aulas
mantinha seus olhos fixos no que fazia, observando disfarçadamente, de vez em
quando, o mestre por de trás dos ombros, enquanto o restante da turma se
empenhava em suas poções.
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Finalmente, o grande dia havia chego, o dia que todos, desde os seus primeiros
anos em Hogwarts, desejavam viver: o baile de formatura, onde centenas de jovens
formariam-se e quebrariam mais um obstáculo em suas vidas.
Esse
era o dia mais importante para Hermione, e para Severo também, que não via a
hora de vê-la com seu diploma nas mãos, assim viveriam felizes, sem que
tivessem de esconder o sentimento belo que havia entre eles.
O
salão estava muito bem enfeitado com cores vivas e delicadas, que davam leveza
e tranqüilidade ao ambiente. A mesa retangular dos professores fora substituída
por uma plataforma não muito alta, onde, sentados em fila de frente para o
restante dos alunos, estavam os professores.
Majestoso,
o diretor era o primeiro da fila, enquanto McGonagall, na frente de todos,
segurava uma grande lista de nomes, pronta para iniciar a entrega dos diplomas.
Não
tardou muito e logo chegou a vez de Hermione, que tímida e radiante, seguiu
cautelosamente até a plataforma, de onde todos os restantes dos alunos a
observavam contentes e invejosos.
Ao
receber seu diploma, acompanhado de uma bonita medalha ganha como a melhor aluna
da casa Grifinória em sete anos consecutivos, o que a fez parecer bem mais
radiante do que quando entrara no salão, seguiu em direção aos professores,
cumprimentando-os com um bonito sorriso estampado no rosto.
Severo era o penúltimo da fila e estava nervoso de tê-la tão próxima, temia
que perdesse o controle e cometesse uma loucura, como as que cometia todas as
noites em sua Masmorra, ao lado dela.
Hermione,
ao apertar-lhe carinhosamente a mão, estremeceu rapidamente, mas procurou
manter a pose, seria o fim se perdesse o controle.
A
cerimônia continuou majestosa, animada, e muitos outros alunos foram premiados
como melhores alunos de suas respectivas casas, assim como Hermione fora.
Após
a entrega dos diplomas, o salão foi tomado por cochichos, risadas e gritos,
todos pareciam eufóricos e se aglomeravam uns ao lado do outro.
Severo,
disfarçadamente, separou-se dos outros professores e seguiu em direção a
multidão de alunos, procurando por ela, que conversava animada ao lado de seus
dois melhores amigos.
Ultrapassava os jovens com violência, chegando a empurrá-los, em busca dela,
que já havia avistado de longe.
Hermione
assustou-se quando o viu caminhar em sua direção, e com seus olhares pedia
para que ele voltasse, mas Severo parecia disposto a fazer o que pretendia.
Faltavam
algumas horas para que a ceia da formatura fosse servida, o tempo estava quente
e o sol brilhava forte no horizonte fora das janelas de vidro do salão
principal.
Severo
foi aproximando-se dela com vagareza e repentinamente a beijou, segurando firme
seu rosto para que ela não se desvencilhasse do beijo.
Harry
parecia assombrado com o ato, e foi assim que muitos ficaram quando aos poucos
foram visualizando-os, abraçados, trocando um caloroso beijo em meio a toda
Hogwarts.
Não demorou muito e alguns cochichos e conversas ecoaram pelo salão, enquanto
o casal parecia não se importar com nada, ou quase nada...
-O
que está fazendo? – sussurrou baixinho após separarem-se um do outro.
Hermione havia corado rápido e não tinha coragem de fitar o salão. –Estão
todos nos olhando.
-E
daí? Lembra-se quando disse que assim que se formasse seria dona de seu próprio
nariz? – e deu um tempo para que ela entendesse –Aceita?
E
retirou uma singela caixinha, que abriu tremulo, mostrando a ela duas bonitas
alianças de noivado. Hermione estava inebriada de tanta felicidade, mal
acreditava que aquilo estivesse acontecendo, esse era um dos seus maiores
sonhos, que pareciam estarem se realizando aos poucos. Sem pensar e sem temer,
abraçou-o com felicidade e beijou-o novamente, o que despertou um enorme alvoroço
no salão: de um lado, risadas de deboche, de outro, olhares de ódio, e por
fim, sorrisos felizes por finalmente aquele conto de fadas ter terminado com um
belo final feliz.
Dumbledore
tentava, por de trás de sua barba grisalha, não mostrar o sorriso que se
estampava em sua face. Talvez os outros fossem achá-lo louco, por concordar e
aceitar o amor entre o arrogante mestre de Poções e a melhor aluna de
Hogwarts.
-Você
ainda não disse se aceita.
-É
claro que aceito, Severo, eu seria tola se não aceitasse um pedido tão sincero
e tão doce como .
-A
noite pode não ser eterna, mas o nosso amor talvez seja! – e entregaram-se a
um novo beijo, interrompido em seguida por ele –Venha!
Assustada,
deixou-se ser guiada por ele, que a puxava para a saída do salão em passos
largos e apressados, enquanto suas capas esvoaçavam-se no ar.
O
salão parecia petrificado, todos imóveis, surpresos com tudo, e um silêncio
pareceu se formar aos poucos, enquanto Dumbledore agia naturalmente
observando-os sem dizer nada.
Felizes,
caminhavam em direção aos jardins, onde uma bonita carruagem os esperava para
uma longa viagem.
As
árvores belas e gigantes, o céu azulado e com poucas nuvens, o sol radiante e
o belo lago que envolvia o castelo transformavam a paisagem em foto bela de se
ver. A carruagem já estava posta próximo às águas esverdeadas do lago, onde
dois belos cavalos esperavam pacientemente pelo casal.
-Espere,
Severo! Para onde vai me levar?
-Para
um lugar onde tudo é eterno.
-Esse
lugar não existe!
-E daí? – e a puxou para si, beijando-aa ardentemente. –Esperei muito para tê-la
só pra mim, não estrague esse momento tão especial.
##FIM##
NOTA
DA AUTORA: Por
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