por Aline Snape
Censura: NC-17
Agradecimentos: A Sarah Snape pela amizade e
por aceitar meus rascunhos, aos fãs de HG/SS que ainda lêem minhas fics sem
reclamar... Agradeço também as amigas virtuais que me incentivam a continuar
no mundo das fics. Agradecimento
especial à Sheyla Snape: esta fic eu dedico à você, já que lhe fiz esta
surpresa... E a todas as autoras que de certa forma me inspiram com suas belíssimas
fics.
Sinopse: Em plena segunda-feira, o professor de poções
recebeu um chamado de emergência para a reunião dos comensais. Desta vez seu
retorno a Hogwarts foi quase impossível. Voltou praticamente morto e agora sua
vida tomaria outro rumo devido a uma confissão.
Todos os alunos estranharam, não era normal o professor Snape se atrasar tanto para suas aulas. Depois de vários minutos esperando, o diretor entrou na sala de aula das masmorras com uma expressão séria em seu rosto e uma voz bastante preocupada.
- Boa tarde a
todos! Lamento informar, mas o professor Snape encontra-se impossibilitado de
dar aulas esta semana. A professora Minerva pediu para avisá-los que o
substituirá na quinta-feira. Hoje vocês estão dispensados e eu sugiro que
aproveitem o tempo para fazer seus trabalhos ou estudar na biblioteca.
A euforia era geral, os alunos
demonstravam um certo contentamento por ter uma tarde livre ou seria por ficarem
livres uma semana do professor tão odiado?
Enquanto aguardava a saída
dos alunos, Hermione aproximou-se lentamente do diretor e não conteve sua
curiosidade:
- Professor
Dumbledore, por favor, o que aconteceu com o professor Snape?
- É uma longa história,
Srtª. Granger, venha até o meu escritório que eu lhe contarei.
Ao sair da sala da masmorra, o
diretor trancou a porta com um feitiço e seguiu apressado em direção a sua
sala. Hermione o acompanhava apreensiva.
- Sente-se, Srtª.
Aceita chá com biscoitos?
- Aceito, obrigada.
Professor Dumbledore, o que houve? Ele está doente?
Alvo Dumbledore narrou toda a
história do mestre de poções, desde sua época de estudante, como ele virou
um comensal da morte, porque o acolheu em sua escola... Hermione ficava cada vez
mais surpreendida com as revelações; conhecia somente a metade dos fatos e
toda a verdade era agora revelada a ela. Sempre soube que Severo Snape não era,
não podia ser espião de Valdemort, sentia fidelidade por parte dele em
proteger o castelo, proteger os alunos... Sua intuição dizia que ele era um
bruxo digno de seus atos e que existia um homem bom por trás daquela máscara.
Não se enganara. Alvo prosseguia
em sua narrativa:
- Ontem à noite,
ele foi convocado para uma reunião de emergência dos comensais e desta vez
Valdemort desconfiou que ele estivesse trabalhando como meu espião. Depois de
muita discussão, os comensais o torturaram e Lucyo impediu que o matassem. Era
madrugada quando fui acordado por Dobby. Lucyo trouxe o corpo imóvel de Severo
até os limites da escola. Eu e a Srª Pomfrey o levamos para a enfermaria
gravemente ferido. Ele recebeu um feitiço que o deixou completamente
imobilizado. Achamos melhor não reverter o feitiço, porque os ferimentos são
realmente graves e precisam cicatrizar. Sabemos o quanto inquieto e teimoso ele
é, se não ficar em repouso, as conseqüências podem ser desastrosas. A madame
Pomfrey está cuidando dos ferimentos e disse que ele ainda corre risco de vida.
O velho mago a olhou por cima dos óculos de meia lua. Hermione não conseguiu
esconder sua aflição.
- Por favor, prof.
Dumbledore, eu posso ir vê-lo?
- Receio que não,
senhorita... Não seria conveniente, pois ele está muito machucado... Talvez
amanhã, se ele passar desta noite...
Ela tomou rapidamente seu chá
com a intenção de conter o choro, mas foi em vão. As lágrimas já rolavam de
sua face, quando Alvo aproximou-se colocando sua mão no ombro dela.
- Temos que ter fé,
minha filha...
Ela levantou-se e abraçou-o,
chorando copiosamente. Alvo a aninhou em seus braços. Sabia exatamente o que se
passava no coração da jovem, mas não falou nada. Acariciou o cabelo da aluna
e lhe fez um convite:
- Srtª. Granger,
eu estou me sentindo tão desesperado quanto a senhorita. Não conseguirei
jantar ou muito menos dormir esta noite. Vou agora para a enfermaria e se a Srª
Pomfrey permitir, passarei a noite lá. Gostaria de me acompanhar?
Ela só balançou a cabeça,
Alvo prosseguiu:
- Está preparada
para o pior?
Ela o olhou com lágrimas nos
olhos e soluçando disse:
- Se ele morrer,
parte de mim também morrerá... Eu o amo...
Sua voz saiu fraca, quase
inaudível. Alvo a apertou em seus braços.
- Eu sei minha
filha... eu sei... Talvez ele ainda não saiba... Você precisa dizer isso a ele
antes que seja tarde...
Alcançou seu lenço a ela e
ambos saíram abraçados, em direção a enfermaria.
- Por favor, Srª.
Pomfrey, podemos ver o professor Snape?
Ela olhou incrédula para os
dois parados a porta e respondeu:
-
Impossível, diretor... Ele não pode receber visitas. Ele ainda está
inconsciente, sem contar os ferimentos que o deixaram praticamente morto...
-
Sabemos disso, mas mesmo assim gostaríamos de vê-lo...
-
Diretor... Estou admirada com essa sua insistência... O senhor sabe que ele
pode não passar desta noite, nós já conversamos sobre os riscos...
-
É por isso mesmo que precisamos vê-lo, pode ser a última vez...
-
Bem, sendo assim... Já que ele não tem parente, eu permitirei a visita. Daqui
a meia hora vocês entram. Agora preciso refazer os curativos.
-
Nós aguardaremos... Muito obrigado!
Hermione enxugava mais uma lágrima
enquanto sentava-se ao lado do diretor, no sofá da sala de espera. Aquela meia
hora parecia uma eternidade.
Hogwarts seguia em seu ritmo
normal. As aulas e outras atividades transcorriam naturalmente naquela tarde,
como se nada tivesse acontecido.
O silêncio na enfermaria era
absoluto, a não ser pelo barulho do relógio na parede.
-
Agora o senhor e a senhorita podem entrar, mas, por favor... Todo silêncio é
pouco. Deixe-o descansar.
-
Sim senhora... muito obrigado.
Alvo que o tinha visto
totalmente ensangüentado na madrugada, sentiu um certo alívio ao vê-lo limpo
e com os curativos ocultando os graves ferimentos. Hermione ficou chocada ao vê-lo
tão pálido, inconsciente. Novamente as lágrimas rolavam de seu rosto,
demonstrando toda a fragilidade de seu ser.
O diretor colocou a palma de
sua mão na testa do enfermo e comentou:
-
Parece que ele não está reagindo ao tratamento... A febre ainda não cedeu.
Hermione sentou-se na beira da
cama e pegou a mão esquerda do professor entre as suas. A mão pálida e fria
do professor de poções parecia uma barra de gelo. Com movimentos suaves ela
ativou a circulação e acariciou durante horas aquela mão imóvel, mas que aos
poucos era aquecida e retornava a vida.
Depois de um longo tempo em
silêncio, Alvo que observava com ternura aquela cena rara, pediu licença e
retirou-se, disse que iria providenciar algo para comerem.
Hermione não resistindo a
proximidade que estava em relação ao professor e aproveitando o momento de
estar sozinha no quarto, levantou-se e encurvando-se um pouco, beijou as faces gélidas
dele. Acariciou o rosto pálido e adormecido.
-
Por Merlin! O que fizeram com você? Por favor, professor... não morra! Eu te
amo tanto, mas nunca terei coragem de dizer isso a você, pois o senhor me
odeia...
Assim que revelou seus
sentimentos, Hermione beijou rapidamente os lábios ardentes de febre do mestre.
Percebeu uma linha suave na expressão severa do rosto do professor, quase um
meio sorriso, ou seria apenas sua imaginação?
A enfermeira entrou no quarto
para medir pressão e temperatura e Hermione afastou-se bem a tempo para não
ser vista tão próxima a ele. Foi sentar-se numa poltrona mais distante e
continuou a observá-lo. Logo em seguida Alvo e Dobby entraram trazendo uma
bandeja com sanduíches e suco de abóbora. Como era difícil ter que se
alimentar sem ter vontade, mas fez o possível para acompanhar o prof.
Dumbledore.
Já era tarde da noite quando
a enfermeira veio dar mais uma dose da poção sono sem sonhos e constatou que a
febre estava começando a ceder.
-
Agora vocês podem ir... Não tem o porquê passar a noite aqui. Ele parece
reagir e creio que uma boa noite de sono fará bem a todos.
Alvo agradeceu e retirou-se,
acompanhando Hermione até seu dormitório.
-
Amanhã no final das aulas, você poderá visitá-lo, se quiser... Falarei para
a Srª Pomfrey permitir a sua entrada...
-
Obrigado professor...
Assistir a todas as aulas do
dia seguinte, preocupada e sonolenta, não era uma tarefa muito fácil. Dormira
mal, acordou várias vezes sempre com o mesmo pesadelo a torturando: o funeral
do professor Snape seguido da festa dos alunos. Não prestou o mínimo de atenção
nas aulas. Durante todos aqueles anos em Hogwarts foi a primeira vez que se
sentiu assim: perdida em seus devaneios e distante de tudo. Só uma coisa
importava agora, era ver Severo Snape bem.
Ao anoitecer, Hermione foi até a ala hospitalar. O prof. Dumbledore a
aguardava.
-
Pensei que não viesse mais...
-
Eu não queria que meus amigos soubessem que vim aqui. Só agora os despistei,
dizendo que ia até a biblioteca pegar os livros para fazer o trabalho.
-
Entendo... A Srtª tem vergonha de dizer aos seus amigos que veio visitar o
Prof. Snape...
-Não...
Não é isso... É que eles não iriam entender... Ao menos se o professor fosse
diretor da minha casa...
-
Sei... É uma situação delicada, não acha?
-
Muito... prof. Dumbledore, eu estou confusa... O prof. Snape me odeia e eu tenho
que tentar esquecê-lo. Não posso alimentar a idéia de que um dia ele irá me
olhar diferente...
-
Eu não estaria bem certo disso, senhorita Granger... Para mim, ele sempre a viu
diferente. Nos conselhos de classe ele se limita a falar de você, mas quando o
faz, é para elogiar ou concordar que você é
a melhor aluna que Hogwarts já teve.
-
Verdade?
-
Sim... Agora vamos entrar... Deixamos as águas do rio seguirem seu curso
normal.
Hermione antes de sentar-se na
beira da cama, aproximou-se e beijou a face do mestre; agora não tão fria, mas
áspera, com a barba por fazer. Era a primeira vez que o via assim, tinha uma
aparência um tanto descuidada. Pegou a mão dele entre as suas e aqueceu.
Dumbledore quebrou o silêncio:
-
A Srª Pomfrey me disse que sábado irá reverter o feitiço e que ele poderá
repousar em sua masmorra.
-
É... Desta ele escapou... Mas até quando professor Dumbledore?
-
Sem querer assustá-la senhorita, mas receio que o dia da batalha se aproxima. A
ordem terá que se reunir antes do final do ano letivo, pois tudo indica que
Valdemort já traçou seus planos.
Sábado amanheceu chuvoso e frio. Por isso o passeio a Hogsmeade foi
cancelado. O professor Dumbledore avisou os alunos durante o café da manhã. O
descontentamento era notório no rosto dos jovens, que olhavam atentos o
temporal desabando no lado de fora do castelo.
O diretor aproximou-se de Hermione e pediu para o acompanhar. Seguiram em
direção a enfermaria. Antes de entrar, Alvo beijou a testa da moça e lhe
disse:
-
Srtª. Granger, hoje bem cedo revertemos o feitiço do professor Snape. Ele está
bem e quer falar com você. Convenci-o de pedir auxílio para a correção de
provas, já que ele ficou afastado uma semana de suas atividades e acumulou
serviço.
-
Ajudarei no que for preciso, professor...
-
Eu tenho certeza que sim. Agora entre e converse com ele. Boa sorte!
As batidas cardíacas de ambos
aceleravam à medida que ela se aproximava do leito.
-
Bom dia Srtª. Granger! É muito bom revê-la...
-
Bom dia, professor Snape... Para mim também é muito bom vê-lo...
-
Hoje eu não ganho beijo?
Hermione ficou completamente
encabulada e seu rosto vermelho a denunciava.
-
Como o senhor sabe que eu...
Olhou fixamente naqueles olhos negros e a frase morreu ali, pois ela
sentiu-se impossibilitada de prosseguir quando lembrou que além de mestre de poções,
Severo Snape era considerado um mestre em oclumência. Lembrou perfeitamente da
tarde de segunda-feira quando confessou seus sentimentos a ele. Estava
completamente confusa, tinha vontade de sair correndo. Será que ele ouviu? A dúvida
transformava-se em certeza, podia ver naquele olhar.
-
Aproxime-se Senhorita... Eu não mordo...
Ainda sem graça, ela
aproximou-se e inclinando-se, beijou o rosto suave e sem barba dele. Sentia o
perfume amadeirado que a entorpecia. Ele pegou as mãos delicadas dela entre as
suas e disse:
-
Se não fosse por você, eu jamais lutaria para sobreviver... Não sentia
nenhuma vontade de reagir...Você esteve ao meu lado durante esta semana e me
fez ver que ainda vale a pena viver. Devo a minha vida a você.
Severo a fez sentar-se ao seu
lado e puxando-a para si beijou-lhe com toda a paixão que sentia. Embora
estivesse ainda confusa, aproveitou o momento e correspondeu aquele beijo que
tanto sonhara.
Hermione não pôde deixar de
comentar:
-
Pensei que o senhor me odiasse... As nossas brigas em sala de aula... Eu não
entendo...
-
É simples, senhorita Granger... coloque-se no meu lugar, eu jamais poderia
deixar transparecer algum sentimento por uma aluna, ainda mais da grifinória...
Agora que estive a beira da morte, percebi que não podemos desperdiçar as
oportunidades. Esta é a oportunidade que tenho para lhe dizer o quanto te amo!
Nem sei ao certo quando este sentimento tornou-se mais forte, só sei lhe dizer
que preciso muito de você...
Hermione o abraçou e correspondeu com a mesma intensidade aquela
demonstração de amor, ternura e paixão.
Com um feitiço, Severo
trancou a porta da enfermaria e ali mesmo, naquele leito, fizeram amor.
A entrega de corpo e alma era
total, Hermione e Severo em perfeita sintonia chegaram rapidamente ao êxtase do
amor.
A partir daquele momento os
dias tornaram-se mais iluminado, a felicidade estampada no rosto do casal dava a
certeza de que o futuro era promissor e mesmo tendo que enfrentar a batalha com
o lado das trevas, existia uma
chama que os conduzia para a luz da vitória.
Nota
da autora:
esta fic foi escrita há dois meses e por isso não faz alusão alguma ao sexto
livro. Severo Snape sendo do bem ou
do mal, continuará a habitar nossos corações. Continuará a habitar nossos
sonhos eróticos com seu jeito sexy e másculo de ser.