AMAR É...

                    ROUPA NOVA


Por Crica Snape
 
 
Sinopse: Esta songfic tem como tema “Amar é...”, do grupo Roupa Nova, 
mostrando, de forma dramática, como o misterioso sentimento entre Snape 
e  Hermione surgiu e o  que fizeram com esse amor. Divirtam-se.

Nota da autora: está é a primeira vez que escrevo uma songfic...espero 
que gostem....e  se gostarem, enviem-me um e-mail dando suas opiniões...
por favor...

Agradecimentos: novamente, a todos que tiverem a paciência de ler minha fic
 e aos que me enviaram  e-mails dando suas opiniões sobre minha fic anterior 
(Amando  Para Viver), obrigado mesmo.

 

“Amar é...

quando não dá mais pra disfarçar

Tudo muda de valor

Tudo faz lembrar você

 

Uma manhã de aulas pacatas se desenrolava na Masmorra, era a última da manhã, mas não do dia. As provas finais estavam chegando, era tempo de se preparar, estudar e dar o melhor de si.

As aulas de Poções nunca foram, pelo menos em Hogwarts, as melhores de se assistir, embora a matéria sempre tenha sido adorada por muitos.

Aquela manhã estava sendo sofrida. Severo escrevia no quadro negro com uma velocidade que nem os próprios alunos conseguiam acompanhar. A sala fazia silêncio, embora muitos insistissem em conversar durante aquela aula.

Mas de todos os alunos presentes ali, os da Grifinória e Sonserina (juntos outra vez), uma se destacava, não por beleza, atenção ou qualquer outro motivo desse tipo, e sim pela expressão abobada e a quietude como se comportou a aula inteira.

Se fosse apenas por isso não nos preocuparíamos tanto, mas em outras aulas vinha se comportando de forma estranha, como nunca ousou se comportar: conversava, escrevia durante explicações, tirava notas baixas em provas e testes, esquecia de fazer os exercícios e deveres passados pelos professores, desrespeitava os colegas, em fim, era o exemplo de bruxa e aluna que ninguém mais seguia.

Parecia petrificada, os olhos arregalados, não fazia, não dizia nada, apenas observava-o, o professor de Poções.

Severo já não estava suportando mais aquela situação, para onde ia ela o perseguia com seus olhares, o que fazia ela o observava.
Cansou de chamar-lhe a atenção, mas de nada adiantava. Desistiu!

Hermione o observava descaradamente: cada passo, cada piscar, cada pequeno movimento. Trazia na face um leve e quase transparente sorriso, mas que por dentro era uma bela gargalhada.

Estava totalmente perdida nos seus pensamentos, parecia querer sair daquele transe, mas de nenhuma forma conseguia.

Seus olhares, de vez em quando, encontravam-se com os dele, levemente atrapalhado e sem entender. Tinha na face um leve avermelhado, era como se aqueles olhares, de alguma forma, tivesse um sentido maior, bem maior do que se podia imaginar.

Foi uma dura aula e, ao final dela, pediu com delicadeza para que Hermione o esperasse para uma “breve conversa”.

Ela, mesmo sem entender e nervosa, esperou cautelosamente que a sala esvaziasse. Chegou a viajar em seus pensamentos: coisas do tipo “o que ele quer fazer comigo?”...ou “esse é o momento perfeito para aquilo!”. Logo se deu conta das barbaridades que estava pensando e caiu em si.

Quando a sala já estava completamente despovoada, ele virou-se para ela, com aquela expressão mista, difícil de designar seus sentimentos e, com uma voz irônica, disse abertamente para ela:

“Posso fazer-lhe uma pergunta, senhorita Granger?”

 

Amar é a lua ser a luz do seu olhar

Luz que debruçou em mim

Prata que caiu no mar

 

Hermione nada respondeu, apenas balançou timidamente a cabeça em sinal de “sim”.

“Me acha bonito?”, disse observando-a com uma expressão cínica.

Demorou alguns segundos em silêncio, decidindo se responderia ou não, mas soltou tudo num gaguejo sem tamanho, mesmo nervosa e corada com a pergunta um pouco inadequada para o momento.

-Bem...eu...acho que...é...bom...você, perdão, o sr. é...tipo assim...acho que... – mal terminou de gaguejar e ele a interrompeu, para seu alivio.

-Devo realmente ser lindo, não é mesmo? Passou a aula inteira me encarando, observando meus atos e meus passos. Há alguma explicação para isso, senhorita?

Hermione não soube o que dizer, ficou calada e observando-o, enquanto amassava um pedaço de papel, tentando amenizar o medo e o tremor que sentia nas pernas. Ficar cara a cara com aquele homem desequilibrava até a criatura mais equilibrada da face da terra.

-Não faz os exercícios e deveres que passo, conversa em minhas aulas, não responde as perguntas que costumo jogar para a turma, apenas fica me observando descaradamente e escreve durante minhas explicações. Por falar nisso, posso fazer uma pergunta?

“P-pode.” –disse num gaguejo só.

-O que tanto escreve em minhas aulas? –Perguntou, dando um curto intervalo de tempo. –Cartinhas para seu namorado?

Não ousou esconder o ódio que sentia daquela irônica pergunta. Poucas vezes mostrou um ódio tão profundo como estava mostrando agora.

-Desculpe-me se não presto atenção em suas aulas, se ando tirando notas baixas e se o observo descaradamente, mas não era isso que queria? Achar um motivo conveniente para me humilhar na frente de todos? Para que eu mesma me humilhasse na frente de todos? Conseguiu!

-Não foi isso que quis dizer, apenas quero ajudá-la, sei que está com problemas.

-Cansei de entrar nessa Masmorra com os olhos pegando fogo de tanto chorar por culpa de meus problemas, pois meus amigos me obrigavam a estudar. Cansei de demonstrar meus problemas e nunca ter alguém disposto a me ajudar. O senhor nunca me ajudou em meus problemas. O que o fez mudar de idéia? – falava com uma voz levemente alterada, embora ainda calma.

-Perdão se nunca notei seus problemas em outras circunstâncias, mas talvez não tenham sido tão perturbadores como os que têm agora.

-Tem razão. – Hermione abre um pequeno sorriso – Mas se eu lhe contasse meus problemas tenho certeza de que mudaria de idéia e desistiria de querer me ajudar.

Fez-se silêncio na sala, nenhum dos dois ousaram falar ou fazer alguma coisa, até que um ruído de passos de alunos os fizeram cair na real.

-Se não me contar quais são, talvez eu nunca poderei ajudá-la.

-Quer mesmo saber quais os meus problemas? – deu um leve e curto tempo em silêncio, até continuar – O maior dos meus problemas é o senhor...o maior e o pior dos meus problemas.

Severo não ousou dizer mais nada, apenas a observou cautelosamente, como se ainda estivesse digerindo aquela frase reveladora.

-O senhor é o meu problema...o senhor... – e assim retirou-se com lágrimas nos olhos, um olhar triste e passos sem rumo.

Correu para a grande porta da Masmorra e de lá partiu, chorando e perdida nos próprios passos. Severo, sem entender e bem mais perdido do que ela, sentou-se em uma poltrona vazia e lá ficou, tentando entender, juntando os pedaços daquele quebra-cabeça que lhe atormentava a mente.

 

Suspirar, sem perceber

Respirar o ar que é você

 

Passou uma longa e agonizante tarde, jogada na cama, coberta por uma pilha de almofadas e lembrando-se da discussão que agora estava arrependida por ter gerado.

Era duro ter que admitir ter errado.

Chegou a dar um leve cochilo, meia hora e até menos, levantando-se depressa, como atrasada para algo que não sabia o quê.

 

Acordar sorrindo

Ter o dia todo pra te ver

 

Enquanto espairecia a mente, caminhava pelos corredores vazios da escola, onde aulas e mais aulas  eram dadas, aulas que ela não estava presente.

Enquanto caminhava, observava as janelas de vidro e o pôr-do-sol, belo e tão encantador que por questões de segundos esqueceu seus problemas e mergulhou de corpo e alma no doce ver o sol se retirar.

Como pode, o céu tão grande e ao mesmo tempo tão minúsculo na visão dos humanos? Como pode, a vida tão bela, tão magnífica e única, e os outros fazerem dela uma infelicidade? Como pode, alguém amar e não saber que ama? Ou simplesmente amar, saber que ama e fingir que não se sabe?

Perguntas e mais perguntas, verdadeiros enigmas.

Caminhava com os pensamentos longes, distantes da realidade e ao mesmo tempo perto de mais da verdade.

Não entendia ao certo seus sentimentos, algo dentro dela a puxava para um lado, onde um sentimento encantador a fascinava, o lado que ele provocava desejos ardentes e incontroláveis nela, tão jovem e já tão perdida dentro de si. Ao mesmo tempo, uma força a puxava para um outro lado, onde outro sentimento se desenrolava, este já quase esgotado e morto. Era o que sentia por Harry, aquele que ela jamais deveria ter dito “sim”...como pode um “sim” arrepender tanto?

Enquanto caminhava refazia todos os seus maiores problemas, que tinham o nome de “Snap”, ou mais intimamente “Severo”.

Caminhava de cabeça baixa, encarando o chão e pisando tão fundo que o solo tremia a cada passo. Foi assim, observando seus sapatos e o chão, que caminhou até um fim que desconhecia. Notou a sua frente dois elegantes pares de sapatos negros, cobertos por um longo e tenebroso tecido preto.

Foi, aos poucos, erguendo a cabeça e os olhos para o corpo que era sustentando por aqueles pés.

Era ele, como sempre foi. A encarava com expressões quase impossíveis de se determinar: era ódio, mas ao mesmo tempo felicidade, talvez por encontrá-la; ao mesmo tempo havia arrogância e falsidade em sua face, da mesma forma como num canto escuro de seus lábios nascia um breve e majestoso sorriso, que transparecia conforme a luz entrava pelas frestas das janelas e portas daquele corredor vazio e escuro. Um cenário perfeito para uma cena de amor.

 

O amor é um furacão, surge no coração

Sem ter licença pra entrar

 

Hermione não disse nada, o observou, da mesma forma que ele a observava. Dois pares de olhos tão parecidos, ambos negros, sendo apenas um deles profundo de mais.

“Desculpe-me por aquela inconveniente discussão na Masmorra, esta manhã.”

Hermione não respondeu o pedido de desculpas, estava anestesiada de mais para dizer algo.

Encararam-se por alguns segundos mais, até que Hermione pôs-se a dizer algo, algo que pudesse acabar com aquela vergonhosa cena, onde uma timidez estranha tomava posse deles, pessoas tão equilibradas.

“Eu...é que devo pedir desculpas. Não devia ter gritado daquele jeito. Perdão!”, tinha a voz fraca e os olhos encravados no chão, o refugio perfeito.

-Foi...uma situação constrangedora, para mim, ter descoberto que ‘eu’ sou o seu ‘problema’.

-Desculpe-me por isso, perdi a total classe. 

-Está certa!

Hermione não escondeu a cara de desentendida, uma interrogação pairava em sua testa.

-Eu sempre fui o maior problema de todos. Dos alunos em Hogwarts, dos mestres que convivem ao meu lado, da minha família, dos meus inimigos e amigos, e o meu próprio maior problema.

Hermione não soube o que dizer, encarou aquilo como um desabafo, ficou calada e continuou a escuta-lo.

-Como anda o Potter? – mudou de assunto com uma rapidez monstruosa.

-Preciso ir! – Hermione tenta pular aquele assunto, mas quando já se preparava para desaparecer dos corredores escuros e vazios daquele andar, Severo a puxa levemente pelo braço.

Hermione nada diz, apenas sente aquele contado maravilhoso. Nunca foi tocada por ele, mesmo por um único dedo. Era uma sensação sem igual. O mundo pareceu ter parado diante daquilo, parecia petrificada novamente, como sempre ficava na presença dele.

Olharam-se por alguns bons segundos, era como uma cena de filme: o mocinho, a mocinha, um cenário perfeito e um ótimo tema. Dois belos atores, sabiam interpretar seus sentimentos com uma perfeição tão exuberante que talvez nenhum ator, seja ele qual for, jamais irá conseguir fazer igual.

Misteriosamente suas faces juntaram-se, como se seus lábios os puxassem para um mais perto do outro.

Um beijo logo surgiu entre aqueles bruxos tão diferentes um do outro. Duas personalidades que, de alguma forma, se combinavam.

Severo, aos poucos, entrelaçava seus dedos nos fios encaracolados daquela jovem aluna, que o abraçava da mesma forma que abraçava Harry, mas não tão forte e ardentemente como estava fazendo.

 

Tempestade de desejos

Um eclipse no final de um beijo

 

-Desculpe...eu... – tentava ela se justificar, mas nada podia explicar aquele beijo, o mais ardente de todos que já deu.

Afastaram-se depressa um do outro, sem jeitos e levemente corados.

-O que o Potter irá dizer disso?! – foi a coisa mais idiota que Severo poderia ter dito naquela situação.

-Deus!! – disse sussurrando, desanimando depressa e causando uma estranha culpa em Snap. “Perdão, eu não queria...juro que...há uma explicação...eu só acho que...desculpe...”, gaguejava e falava depressa, tentava justificar o erro e o ato.

Hermione disparou pelos corredores, chorando e soluçando, enquanto Severo era comido vivo pelo arrependimento.

Foi um erro, sim, mas não podemos controlar nossos sentimentos, nem nossas vontades. Pelo menos isso já é uma ótima justificativa para aquele erro.

Foi uma longa noite, Hermione mal fechou os olhos, tinha nos lábios o gosto daquele beijo, na mente a voz dele a perturbando, e no coração uma dor sem tamanho, o que diria ao Harry? Bem, pra que dizer, não é mesmo?

 

No dia seguinte, após um treino de Quadribol da Grifinória, Harry pediu para que Hermione o esperasse no vestuário, onde todos os jogadores já haviam se retirado, atrasados para uma magnífica competição de xadrez que estava se desenrolando no salão comunal da Grifinória.

Hermione não entendeu, mas mesmo assim estava lá, sentado em um banco, esperando que Harry terminasse de vestir-se. {Hum...se vestir é? Sei!}

“Posso perguntar uma coisa?” – disse ele quando já vestido. Trazia na face uma expressão mista, ódio e felicidade.

-Claro!

-Me ama?

Hermione ficou calada, não disse nada, estava digerindo aos poucos aquela pergunta repentina.

-Me ama? – repetiu, nervoso.

-Por-por que essa pergunta?

-Só responda.

“Bem...eu...ah, Harry, é claro que sim.” , disse ela ficando em silêncio por alguns segundos, pensando consigo =Droga, é claro que não. Bendita hora em que fui aceitar esse namoro=

-Se me ama, por que finge amá-lo?

-Hã? De quem está falando?

-Dele... professor Snap, o que vive a encarar, o cara que vive a pensar e que esquece do mundo. O ama, não ama? Fale a verdade. – Harry já se aproximava dela, nervoso e com uma expressão de ódio.

-Claro que não Harry, de onde tirou essa idéia?

-Faz semanas que anda diferente. Não quer mais conversar comigo, não me deixa abraça-la, como antes vivíamos a fazer, não sorri e vive a observá-lo durante as aulas de Poções, quer mais provas? Será que eu não mereço saber se estou sendo traído pelos seus pensamentos?

-Quanta idiotice, Harry. Eu gosto de você, mas eu mudei. Pessoas mudam.

“Então, não quero que mude!”

-Harry... – mal concluiu a frase e já foi interrompida.

-Acha legal para uma pessoa namorar uma garota que vive no mundo da lua, que quando nos beija está pensando em outro, que não nos quer mais ao seu lado e que fica dando patadas o tempo todo? Acha legal saber que alguém gosta de outro, e não de você? É triste, deprimente. É assim que eu me sinto, e você nem se quer se importa com meus sentimentos.

-Harry, eu gosto de você, juro que sim.

-Mentir é feio.

-Não estou mentindo, droga. – já começava a se desesperar, chorava descontroladamente.

-Traidora...é isso que é...uma...traidora! – gritava com ódio na face.

-Está misturando as coisas, Harry...não me acuse do que não tem certeza. – gritava ela mais ainda.

-TRAIDORA... – gritou com toda a força que tinha nos pulmões, seguido por um estralado tapa. 

Hermione, pasma com a agressividade do namorado, virou-se de costas pata ele, observando seu reflexo em um enorme espelho colado à parede do vestuário.

Seu rosto queimava, enquanto por dentro um ódio a corroia.

 

O amor é estação, é inverno, é verão

É como um raio de sol

Que aquece e tira o medo

De enfrentar os riscos, se entregar

 

“Que feio, Potter.”, Severo entra no vestuário, carregando consigo uma expressão arrogante, misturada com ódio extremamente voraz. “Controlo-se, ou eu mesmo o farei.”

Harry, perplexo com a visita inesperada, o observa sem nada dizer ou simplesmente fazer. Não por muito tempo, pois Hermione revolta-se com a crueldade como foi tratada por ele, e avança sobre Harry, que não esperava o ataque, retribuindo e afastando-a de seu corpo, socado e arranhado por ela.

Severo, a fim de acabar com aquilo, separa ambos revoltosos, puxando-a com força para seu lado.

-Então ai estão vocês: os amantes. Não se sentem envergonhados pelo que fizeram, traidores?

-Cale-se, Potter, você não passa de um moleque que ainda cheira a leite.

“Escute uma coisa, “professor” Snap: Hermione é minha namorada, eu a amo e tenho certeza de que ela também me ama. Dumbledore irá saber que anda seduzindo suas alunas.”, Harry avança de mais os limites, e Severo parte para cima dele, agarrando-o pelo colarinho de sua blusa, o deixando contra a parede e o espelho ao qual tudo era refletido. 

-Escute uma coisa você, Potter: apenas suspeitar é totalmente aceitável, se for em silêncio. Mas suspeitar de algo e achar estar certo, mesmo que esteja errado isso eu não admito. Ninguém jamais irá dizer por mim. Se eu digo que “não”, será “não”...entendeu?

-Então, diga: vocês tem ou não um caso? – Harry consegue faze-lo largar-lhe após escutar a pergunta.

-Está ficando louco, Harry. Está desafiando um professor, uma autoridade. Cale-se de uma vez. –Hermione se opõe ao namorado.

-Se estou errado, diga logo que não tem um caso com minha namorada. – Harry retorna a falar com Severo, que se distancia dele.

-Se eu disser que “não”, vai acreditar?

Harry fica em silêncio, observando a expressão do professor, que logo retira-se, dizendo: “Às vezes, não sabemos ao certo quem somos, às vezes nem sabemos o que realmente sentimos. Se eu respondesse sua pergunta, Potter, estaria mentindo para mim dizendo “não”, ao mesmo tempo que estou apenas dizendo a verdade. Mas, para mim, “não” é quase o mesmo que um “sim”...sim, eu não sei o que me faz pensar tanto no que eu considero pecado...não, não temos um caso e jamais isso seria da sua conta, Potter.”

Em fim, foi-se deixando uma bela interrogação na mente daqueles jovens namorados, ou ex-namorados. Como pode palavras explicarem tão bem coisas que poucos sabem entender?

-Não pode ser! – Sussurra Hermione saindo do vestuário em disparada.

No campo, Severo caminhava apressado, esperando sumir da vista dos dois e da frente de si mesmo.

-Espere...Snap...professor...

Severo não respondia, continuava a caminhar, até que Hermione o alcança, colocando-se em seu caminho.

“Aquele beijo...os seus olhares e as inúmeras faces coradas com minha presença...será que não vê que está arruinando minha vida?”, disse baixinho, observando-a parado, com uma expressão caída e pouco raivosa.

-Sim...eu o amo...desculpe por isso...desculpe por eu ser tão direta...mas sei que também me ama, eu vejo isso nos seus olhos. Harry e o mundo todo já desconfiava, eu dei muito mole, mas o único que não desconfiou foi o senhor...por quê? Não me ama? Diga que sim, que me ama e que eu sou a coisa mais importante na sua vida. Vamos, eu sei que é isso que quer dizer...

Hermione desabafava com fervor, não estava preocupada com as palavras, com o que ele acharia daquilo, se Harry estava por perto, se estava ultrapassando os limites ou se estava fazendo papel de louca. Queria declarar-se, e sabia que, de certa forma, suas declarações teriam uma força maior nos ouvidos e nos pensamentos de Severo. E tiveram.

Snap, num ato desesperador, a puxou pelos cabelos para perto de si, lá, no meio do campo de Quadribol, enquanto Harry os via da porta do vestuário dos jogadores. Não se importou com o momento, não quis saber se haviam alunos por perto ou se aquilo era certo, aproximou a face da dela e, em seu ouvido, disse com uma voz fraca e uma respiração ofegante:

-Já se olhou no espelho, senhorita Granger? – esperou que ela entendesse-se e continuou –Está cada vez mais irresistível, mas não a admiro por beleza, e sim porque misteriosamente eu a amo.

Sem medir as conseqüências, a beijou profundamente, um beijo como nenhum outro já fora dado por nenhuma outra pessoa em tempos passados.

 

Amar é envelhecer querendo te abraçar

Dedilhar num violão

A canção pra te ninar

 

Harry, desapontado, deixou-se levar por lágrimas que escorriam por sua face, lágrimas que o fizeram lembrar de quando recordava as fotos de seus pais, únicos momentos em que  chorava de verdade.

Um belo fim, não é mesmo? O mocinho finalmente terminou feliz com a mocinha...

Harry aprendeu uma importante lição: mais vale amar, mesmo que por um breve espaço de tempo, do que ficar a esperar por um amor que dure a vida toda. Detalhe: amor algum dura a vida toda, apenas o momento em que der prazer.

Enfim, viveram felizes para sempre!!!!!!!




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