Meu Destino, nosso Destino

por Crica Snape

 

É difícil, pra mim, confessar que errei...e que continuo a errar.

Todos sempre erram, mesmo que uma única vez na vida, mas há  sempre um que erra. Mas meu caso, acredito, é diferente, pois não aprendi a lição.

Gostaria de relatar, somente com palavras, o meu passado, a minha juventude e tudo que já passei. Seria emocionante, para você, conhecer meu passado e tirar suas próprias conclusões sobre meus atos e pensamentos.

Quando era jovem, eu pouco sabia sobre o “amor” e talvez eu ainda não saiba nada sobre ele.

Meus anos em Hogwarts, escola em que me formei, foram os melhore da minha vida, embora também tenham sido os piores.

Conheci muitas pessoas importantes, fiz muitas amizades, errei muito e muitas das vezes concertei os próprios erros. Mas o maior e pior dos meus erros não pôde ser concertado.

Foi com dezessete anos que vivi os melhores e ao mesmo tempo piores momentos.

Sempre tive ao meu lado dois inseparáveis amigos, que os conheci ainda no expresso antes mesmo de ingressar pela primeira vez na escola. O famoso Harry Potter e o despojado Ronald Weasley. Pessoas de ouro.

Durantes anos, Harry foi conhecido por todos como “o garoto que sobreviveu a Você-Sabe-Quem”. Lembro-me até hoje dos chiliques que tinha quando era chamado assim pelos corredores da escola. Odiava essa fama, embora ela lhe rendesse consideráveis lucros: convivi com garotas que praticamente se jogavam em cima dele e fui a principal mensageira dessas que não tinham nada para fazer e achavam que com bilhetes fajutos e declarações melancólicas iriam despertar algum sentimento nele. O conheci tão bem e ainda o conheço perfeitamente, sei, como ninguém, como despertar um sentimento nele, o bruxo de emoções mistas. Ora triste, motivos bobos; ora feliz, motivos que até mesmo me contagiavam. Passamos bons e maus momentos juntos, por isso o conheço tão bem.

Deixe-me adiantar esse relato:

Um dos meus maiores erros foi ter sido tão ingênua em assuntos de amor.

Fui pega, ainda em Hogwarts, em plenos dezessete anos, por uma declaração repentina, vinda de alguém que sempre senti e ainda sinto nojo.

Chamava-se Draco...Draco Malfoy. Filho de pais ricos, dono de uma arrogância e uma ignorância sem tamanho. A pessoa mais deplorável do mundo.

Acreditei em cada palavra, acreditei como uma garotinha, criança que sempre desejou se apaixonar. E esse era meu maior desejo: amar alguém e ser amada por alguém.

Meu jeito, meu modo de agir, de me comportar e minha personalidade sempre me esconderam de garotos e homens.

Não aproveitei a juventude como todas as garotas aproveitavam. Era estranho me ver, aos dezesseis, dezessete anos, solteira, enquanto Rony sofria com o assedio de garotas. Harry se assustava quando via a imensidão de meninas, bonitas por sinal, que davam tudo para que pudessem ficar com Rony, o que mais parecia nunca ser amado. Bem...amar ele sempre amou. Arg...sinto-me uma verdadeira idiota por isso.

Sempre fui sua amiga, sempre estive ao seu lado e sempre o quis muito como bom amigo, quando ele me desejava como mais que isso.

Bom, pelo menos aquele desejo de ser amada por alguém eu realizei, mas o outro...hum...sim, já amei.

Lá estava ele, me esperando na porta de um antigo deposito, agora abandonado.

Vi a porta entreaberta e seus braços estendidos em minha direção. Sorri com felicidade em vê-lo, estávamos namorando. Eu, a Granger, a sabe-tudo; e ele, o Malfoy, o arrogante e oxigenado.

Era estranho até para mim.

Não consigo entender porque fui tão idiota em ter deixado que ele se apoderasse de mim daquela forma. Droga, se eu pudessem voltar atrás, juro que nada disso teria acontecido. Mas não posso dizer que fui infeliz, ao contrário, fui muito feliz, e agradeço à “ele”.

Era nova, ingênua, mal sabia sobre aquelas coisas e deixei ser levada por aqueles beijos ardentes e aquelas caricias envolventes. Era difícil querer separar meu corpo do dele, aquele corpo pálido e magro, preso ao meu, jamais tocado.

Foi uma longa noite, ali, naquela sala deserta e esquecida, escura e cujo cheiro ainda me lembro: mofo.

Demorei uma semana, mas descobri: estava grávida...dele...do Malfoy.

Não acreditei ao confirmar, tive vontade de me jogar da torre mais alta daquele castelo, mas sabia que não estaria matando somente a mim, e sim à duas pessoas, incluindo a criança dentro de mim.

Tive pesadelos por todas as noites que guardei esse segredo comigo, com medo de contar aos outros. Cheguei à uma conclusão e fui até ele, disposta a fazê-lo assumir a criança.

Pedi para que nos encontrássemos, ele não sabia de nada e, imaginando que estava com saudades de seu corpo, foi ao meu encontro, naquela mesma sala deserta e que aquela criatura dentro de mim foi gerada.

Sorria e me beijava sem parar, me desvencilhava dos beijos mas dos sorrisos nada pude fazer para detê-los.

Ainda não acredito que consegui iniciar aquela longa conversa. Contei-lhe sobre tudo e sobre como tudo aconteceu. Ele fingiu não escutar, não acreditava e me acusava de brincar. Cheguei a me irritar e quase o soquei. Mas me controlei, sabia que violência não me levaria à lugar algum.

Mas não foi fácil vê-lo dizendo que eu estava louca, me acusando de ser a culpada por aquilo e me jogando na cara coisas horríveis, coisas que nem quero entrar em detalhes.

O vi sair por aquela porta e me dando as costas, mas não fiquei quieta. O agarrei com força pelas costas e o impedi de fugir sem nenhuma resposta ou sem assumir a culpa juntamente comigo.

Fui presa contra a parede e com agressividade lutei para me soltar dele.

Gritei em letras maiúsculas várias e várias vezes:

“Estou esperando um filho seu. Queira ou não queira ele é seu.”

De nada adiantou aquela discussão.

Ele partiu, como se aquilo não fosse nada, como se a culpa fosse totalmente minha. Idiota!

Estava tão desesperada que sai correndo pelos corredores daquele andar, chorando e gritando em meus pensamentos. Gritando palavrões, palavras de ódio e que me acalmaram por momentos breves.
Não sei o que deu em mim, mas segui correndo direto para a Masmorra. Por sorte os corredores estavam vazios (graças à um campeonato de xadrez no salão principal) e uma detenção havia sido terminada minutos atrás de minha corrida desesperada pela escola.

Ele estava lá, sentado em sua mesa, segurando uma pena e me encarando. Talvez tenha pensado : “O que essa doida faz aqui?”

“Doida”, isso, um ótimo adjetivo para mim. Talvez eu sempre tenha sido doida e creio que continuo a ser.

Chorava em desespero, o encarando de forma que nem sei porque. Ele também me encarava, assustado e com uma enorme interrogação na face.

Sentei-me em uma cadeira ali perto, chorando em desespero. Apóie os cotovelos em meus joelhos e flexionei a cabeça para baixo, deixando que minhas lágrimas lavassem o mármore da Masmorra.

Escutei passos em minha direção e uma cadeira sendo levemente arrastada para perto de mim.

Ele sentou-se e me encarou, sem dizer nem fazer nada.  Senti sua respiração perto de mim e senti um frio na espinha, que se alongou até o estomago e me fez limpar as lágrimas e erguer a cabeça. Estava totalmente desfigurada: cabelos bagunçados e jogados na cara, rosto encharcado de lágrimas, vestes mal vestidas e olhares sem direção.

“Desculpe”, foi a única coisa que saiu da minha boca.

Ele não disse nada, apenas me encarou em silêncio por um único minuto. Levantou-se e voltou a sentar-se em suas mesa, agarrando a pena que carregava nas mãos na minha entrada repentina e concentrou-se no que antes fazia, e que interrompi sem noção.

“O que está fazendo?”, disse desesperada, me levantando e continuando: “Por que me encarou daquele jeito e não disse nada? Estou com problemas, não vai me ajudar?”

Nossa, quanta a ignorância a minha, tratar um professor daquela forma.

“Só queria que dissesse alguma coisa que provasse que não estava afogando-se naquelas lágrimas.”, disse ele ainda sem me encarar.

Estremeci diante daquela voz e daquela frase.

Meus olhos encheram-se de lágrimas novamente e não pude detê-las, escorreram por meu rosto como queda d’água.

Lembro-me que, inesperadamente, ele levantou-se, professor Snape, e seguiu em minha direção, me sentando com delicadeza na cadeira.

Era como meu pai me dando conselhos, mas ele não era meu pai. Era meu professor, o homem que eu...bem...vamos pular esse detalhe.

Perguntou o motivo de meu choro, não lhe respondi de imediato, demorei segundos para compor palavras corretas para explicarem o que me fazia chorar.

Também não acredito, até hoje, como fui ter a coragem de dizer tudo, nos pequenos e mínimos detalhes.

Relatava o acontecido entre soluços e lágrimas que eu já não conseguia mais deter.

Chorava e falava, tudo ao mesmo tempo. É engraço lembrar disso, hoje, pois lembro-me das expressões dele: não estava entendendo nada e quando entendia o que eu falava, “bum”, eu voltava a não dizer coisa com coisa. O que o desespero não faz, não é mesmo?!

Foi uma tarde de desabafos e uma conversa que chegou à uma conclusão: eu o amava.

Como fui idiota, como nunca percebi? Eu o amava sim, ele, o professor snape. Seus olhares, aqueles olhos negros me encarando enquanto chorava; aquele rosto pálido e que eu desejava tocar. Eu sempre o amei e nunca percebi isso.

Conversamos e discutimos o assunto.

“Como fui deixar isso acontecer?”, protestava ele. “O Malfoy? Não, não mesmo! Logo o Malfoy?”, quanta ignorância.

Draco nunca foi perfeito e certinho, por que seria agora?!

Sai de lá com uma enorme interrogação pairando sobre minha mente:

 

“Por que ele? Por que confiei nele?”

 

Era estranho, haviam  milhões de pessoas à confiar, amigos que me escutariam com todo o carinho, mas foi à ele que eu procurei. Não sei, exatamente, o que deu em mim para que entrasse na Masmorra naquele estado, e muito menos sei porque desabafei com tanta calma e leveza coisas que eu deveria guardar em segredo. Talvez porque eu o amava.

Descobri tarde, embora cedo para que minha vida se refizesse e tomasse um novo rumo. 

Ele prometeu-me ajudar-me, mas não confiei nele tanto quanto à ponto de contar-lhe tudo. Quis que eu contasse à Dumbledore, quis que eu pedisse ajuda à ele: um homem experiente, vivido e que me daria bons e aproveitáveis conselhos.

Disse “não” à proposta de colocarmos o diretor dentro daquele assunto. Poderia ser expulsa de Hogwarts. Sim, aquela criança foi gerada dentro da escola, sendo eu uma aluna e sabendo das regras do castelo.

Faltava um mês para que eu me formasse e fazia duas semanas que estava grávida. Chegava a me desesperar.

Sabia que mais cedo ou mais tarde minha barriga cresceria e a criança me provocaria desejos que, por sua vez, despertariam curiosidades em meus amigos.

Draco não olhava para mim quando passava ao meu lado, não sorria nem se quer sentia saudades de mim. Claro, ele nunca me amou.

Fui muito tola em acreditar que ele me amava, quando só queria se divertir à minhas custas.

Severo parecia interessado em me ajudar, tentava me convencer de abrir o jogo à Dumbledore, mas eu não dava trégua em minhas decisões.

Numa manhã qualquer, um mês antes do encerramento do ano letivo e da formatura, fui pega de surpresa por uma coruja que pousara na janela do dormitório feminino. Estava sozinha e li o bilhete com cautela.

Que bela letra ele tinha.

“Encontre-me na Masmorra, agora...”

Lembro-me nitidamente das palavras daquele pequeno bilhete, um pedaço de papel qualquer, pois ainda o tenho guardado. Velho e meio apagado, mas ainda o tenho.

Sorri, achava que estava com saudades de mim ou que tinha algo de importante, ou quem sabe “especial”, para me dizer.

Corri direto para a Masmorra, ainda sorrindo.

Observei a tarde partindo enquanto caminha pelos corredores, através das janelas abertas e frestas das que estavam fechadas.

Entrei em desespero na Masmorra, procurando-o por todos os lados. Cheguei a achar que havia me feito de boba e meu sorriso desapareceu, dando lugar a um imenso ar de dúvida.

O procurei por todo o salão, e nada de vê-lo. Observei a escada de mármore e a porta que dava acesso. Era lá, seu quarto.

Me bateu um frio no estomago, minhas pernas estremeceram e meus olhos petrificaram na escada, enquanto uma vontade chegava a me fazer movimentar minhas pernas com lentidão, me obrigando a subir aquela escada.

Sabia que estaria violando a privacidade de um alguém, mas havia ficado tão intima daquele professor que isso justificava em minha mente o ato que eu estava praticando.

Bati duas vezes na porta e em seguida agarrei a maçaneta, abrindo-a com cautela e observando cada novo objeto que ia surgindo por de trás daquela enorme porta de madeira.

O quarto parecia escuro e vi a cama, bagunçada; vi um enorme lustre; uma mesa ao lado da janela, onde haviam livros empilhados e papeis espalhados; vi o tapete que cobria o chão, detalhes magníficos; vi as paredes, escuras e uma enorme bandeira da Sonserina pendurada nela; vi dois sapatos, presos nele duas pernas e um corpo sustentado...era ele...e me encarava.

Fiquei paralisada diante dele, e ele parecia também ter ficado igualmente.

Depois de alguns segundos em transe total, pedi desculpas pela intromissão e fui desculpada. Pediu para que eu entrasse. Fiz uma cara de desconfiança, mas acabei cedendo: entrei.

Tudo que eu havia visto antes mesmo de abrir a porta por completo, pude ver novamente, de um ângulo sensacional. Era um quarto como nenhum outro. Sinistro.

Iniciamos uma conversa e ele me disse que havia encontrado uma solução para esse “problema” que eu carregava dentro de mim.

Tentou, mais uma vez, me convencer a deixar o assunto nas mãos de Dumbledore, que resolveria tudo facilmente. Disse “não” e lutei bravamente para tirar essa idéia da cabeça dele. Além do mais, ele não havia achado uma solução? Hum...e que solução.

Enrolou, enrolou e enrolou, mas chegou ao ponto.

Foi a declaração de amor mais séria e verdadeira da minha vida. Isso porque foi a única.

Ele me olhava meio que de lado, seus olhares não penetravam nos meus, mas eu tinha certeza de que ele me encarava, mesmo não fazendo isso.

Disse que havia descoberto um sentimento após esse longo momento de nossa amizade. Disse coisas bonitas, como: “A solidão sempre foi minha amante, mas você era a pessoa que eu desejava ter ao meu lado.”, e outras coisas feias, como “Aquele idiota do Malfoy, aquele @#%*&, que acabou com sua vida.”

Mas foi o momento mais encantador da minha vida.

Fiquei paralisada diante de tal declaração, mas no fundo do meu coração, eu também o amava. Havia descoberto a pouco tempo, embora cedo para que eu pudesse aproveitar aquele sentimento que descobri possuir.

Pedi desculpas à ele, mas eu o queria bem perto de mim. E no fundo, era o que ele queria também: me ter ao seu lado.

As nossas diferenças, que antes vibrava em nossas frentes, agora se tornaram grandes qualidades e nos fizeram parecer iguais, um perante o outro.

O vi sorri, mesmo que por trás de uma expressão de ódio, vi um sorriso brotando. Daí tive certeza de que ele me amava.

Não perdi tempo, entreguei-me a ele.

Tentei impedir que aquele beijo e aquela encenação de amor fossem postas em pratica, mas a vontade falou mais alto. Não quis saber se era certo beija-lo ou amá-lo, não quis saber se era certo estar ali ou se era errado amá-lo. Hum...e que amor...

Foi uma manhã diferente, embora eu já tivesse passado uma noite bem parecida.

Mas, qual era, então, a solução?

Quase já entardecendo ele virou-se para mim, no salão de entrada da Masmorra, sentado em uma poltrona, enquanto eu em outra, e disse-me, com sua voz grossa e sedutora:

“Pode parecer loucura, mas é solução que eu encontrei: case-se comigo e transforme Malfoy que espera dentro de você em um snape como eu.”

Foram palavras bobas, mas que tocaram fundo no meu coração. Nunca me imaginei ao ser lado, nunca imaginei que o amaria e casar-me com ele seria uma verdadeira revolução em minha vida, sendo ainda uma loucura sem tamanho.

Mas não me importei com o que os outros iriam dizer ou com as nossas diferenças: aceitei.

Sabendo que meu filho teria um pai, mesmo que não o verdadeiro, senti-me mais tranqüila e aproveitei aquele mês que me restava com todo o fervor que pude.

Faltava uma semana para que eu me formasse. Harry e Rony estavam felizes, iriam ganhar diplomas e isso era o bastante para provar à eles mesmos que eram capazes de serem alguém respeitável. Eu também estava feliz, bem mais que eles e que todos de Hogwarts juntos.

Draco não ligava para mim, não queria saber de mim, nem se eu passava bem ou se “seu filho” continuava com vida dentro de mim. Um verdadeiro cretino.

A formatura foi uma honra para mim: lá estavam todos, os que se formariam e os que ainda esperavam por  um dia daquele. Todos mantinham olhares fixos em nossos uniformes (blusas negras, saias e calças também negras e uma enorme capa verde sobre nossos ombros, seguido de um chapéu pontudo e negro, bastante parecido com o seletor), e eu olhares fixos no professor que apertaria minha mão quando eu já estivesse com meu diploma.

Ele também me encarava, com sua expressão séria e que, para mim, muito falava.

Foi a noite mais calorosa da minha vida. Senti um frio na espinha quando toquei aquelas mãos pesadas e severas, mas já havia tocado em lugares bem mais interessantes. Ops, foi mal pelo comentário.

Pulando esses leros-leros... casei-me com ele. Foi apenas em papel, nada de festas nem de comemorações. Dumbledore estava presente. Soube da noticia e feliz por saber que nos amávamos de verdade (e que Severo desencalharia), concordou com facilidade a nossa união. Não sabia sobre o filho que esperava, e só soube quando ele nasceu, achando que fosse legitimo de seu mestre de Poções.

Era um bebê lindo. Nas primeiras semanas foi difícil vê-lo de olhos abertos, mas era adorável vê-lo em meus braços. Nunca segurei criança alguma e nem imaginava que um dia seguraria meu próprio filho.

Chamava-se Michael...Michael Granger! Belo nome.

Cresceu um adorável homem e ingressou, em seus onze anos, em Hogwarts, onde pôde viver todas as emoções que eu, sua mãe, e seu pai postiço vivemos. Bons momentos.

Nunca soube da verdade sobre sua existência, e talvez eu nunca lhe conte. Somos felizes assim e assim viveremos.

Se esse tivesse sido meu único erro, tudo estaria em perfeita paz, mas fui mais longe em minhas mancadas.

Harry casou-se com Gina, assim que conseguiu um emprego em uma escola trouxa. Viveram felizes por um longo, embora breve tempo. Tiveram uma briga, Michael já havia ingressado em Hogwarts e estava em seu quarto ano. Harry me procurou, querendo conselhos, como eu havia procura Snape, anos atrás.

Foi um erro ter deixado aquilo acontecer.

Harry estava carente e precisava de amor...bem, eu estava sozinha, fazia semanas que Severo não largava Hogwarts para me visitar...e aconteceu.

Outro filho.

Harry não soube e nem sabe de nada, e talvez nunca saiba. Severo acha, até hoje, que esse filho foi gerado por ele mesmo, mas mal sabe ele que veio de seu principal inimigo. Ele nunca vai saber da verdade.

Michael adorou a idéia de um novo irmão, e hoje se odeiam. Coisa de irmãos.

Severo, mesmo sem saber de nada, desconfia da paternidade do segundo filho.

“Se parece tanto com o... Potter.”, disse-me ele, um dia.

Nicolas, o segundo filho, tinha os cabelos desalinhados, a pele clara e os olhos levemente esverdeados. Carregava na face óculos ovais, que lembravam bastante os que Harry usava.
Grande coincidência.

Em questão de parecer, Michael era muito a cara de Draco: cabelos loiros, olhos azulados, pele pálida e um gênio de matar. Mas tinha o coração enorme.

Um dia, Severo me disse, sem mais nem menos:

 

“Não me importo com o fato de Michael ser filho do Draco, e não me importaria se Nicolas não fosse meu filho, pois tenho uma mulher que é só minha e tenho o principal de tudo, a felicidade. Nunca a tive, e mesmo que meus dois filhos não fossem mesmo meus filhos, seriam meus grandes companheiros para a vida toda, verdadeiros e bons amigos.”

 

Foi uma cena chocante.

Por isso, não me importo com a paternidade de meus filhos, pois sei que sendo ou não frutos de nosso casamento e nossa relação, serão sempre filhos de Severo Snape e Hermione Granger, o casal que nem na traição se separa.

 

È isso...tirem suas conclusões e enviem-me comentários sobre essa declaração:

[email protected] (eu, a autora)





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