(Jorge
Vercilo)
Por Taty Snape
Eu, prisioneiro meu
descobri no breu
uma constelação
Céus, conheci os céus
pelos olhos seus
Véu de contemplação
7º ano de Hogwarts. O temível
profº de Poções estava a cada dia mais mau -humorado. Mas algo naquela aula
com os alunos da Grifinória e os da Sonserina parecia estar dificultando a vida
do professor. Já era normal ele tirar pontos da Grifinória, mas ultimamente
estava demais. Snape tentava de todas as formas evitar o olhar atencioso e meigo
da moça mais linda daquela classe. Snape olhava Hermione Granger com grande
admiração e respeito, mas ele não poderia deixar transparecer, pois como ele
poderia explicar a alguém o que estava acontecendo em seu coração, que até
pouco tempo não tinha afeição por ninguém. Mas algo mudava na vida de Severo
Snape, que parecia não querer mais sofrer e sim se entregar a algo que ele
desconhecia. Enquanto Snape pensava sobre si, Hermione o observava sem saber
explicar o que estava sentindo, pois há algum tempo ela não achava Snape tão
mau assim e, até o achava diferente dos outros, mas não anormal.
Passaram-se os dias e em uma
aula de Poções, Neville Longbottom conseguiu quebrar tudo o que possuía.
Snape ficou irado, mas em vez de dar detenção para Neville, ele preferiu dá-la
a Hermione.
- Mas por quê eu? Perguntou
Hermione com raiva - Isso não é justo!!!
- Nada o que faço é justo
Srta. - respondeu Snape com um impulso- A srta. é a Monitora-Chefe e terá que
se responsabilizar pelo seu amigo da Grifinória.
A aula acabou e Hermione saiu
completamente irada. Snape não entendia o porque ter feito isso, pois Hermione
estava certa, ela não tinha nada haver, mas o que está feito, está feito e não
tem volta. Snape marcou a detenção e mandou o dia e o horário para ela ir.
Deus, condenado eu fui
a forjar o amor
no aço do rancor
e a transpor as leis
mesquinhas dos mortais
Vou entre a redenção
e o esplendor
de por você viver
Quando Hermione chegou na
masmorra, percebeu que a porta estava aberta. Ela entrou e viu que Snape estava
sentado em uma poltrona fazendo algumas anotações. Ele percebeu que a moça o
olhava e disse polidamente:
- Fique a vontade Srta.Granger.
Espero somente um minuto que eu já direi qual será sua detenção...
Hermione pensou que seria
impossível ficar a vontade, mas fez de tudo para ficar calma. Snape terminou,
levanto-se, guardou suas anotações e disse:
- A srta. pode começar me
ajudando nesta poção que começaremos. Se trata da poção Wigweld. Ela serve
para dar força. Sendo assim, me passe os ingredientes que estão naquela
estante.
Hermione assentiu e eles começaram.
Hermione dava todos os ingredientes que ele pedia e aos poucos os dois foram se
soltando e conversavam sobre tudo. Snape começou a brincar (o que era muito
estranho para Hermione) e ensinou passo a passo a poção. Quando a poção
estava quase azulada, Snape pediu que Hermione a mexesse para não grudar. O
profº foi pegar um livro e quando voltou percebeu que não adiantava Hermione
mexer, pois ela não tinha tanta força. Severo correu e nem se deu conta que
estava junto de Hermione e com as mãos encima das suas. Hermione ficou sem graça
mas gostou da aproximação dele. De repente Snape caiu em si, ele se desculpou
e envergonhou-se, pois nunca tinha ficado tão perto de uma aluna antes.
Hermione não se importou e eles passaram o resto da noite conversando. Ela
percebeu o quanto ele era educado e gentil. A hora passou e Hermione teve que
ir. Quando eles iam se despedir, sem quere (ou querendo) Snape beijou Hermione.
Ela retribuiu o beijo e eles ficaram assim, se beijando por alguns minutos.
Hermione disfarçou e sorriu. Snape sorriu também mas se preocupou, pois não
estava certo ele se enamorar de uma aluna. Hermione foi embora e Snape ficou
pensando no que tinha acontecido.
Sim,
quis sair de mim
esquecer quem sou
e respirar por ti
e assim transpor as leis
mesquinhas dos mortais
A noite passou e amanheceu.
Severo não tinha dormido e pensava o que ele tinha feito na noite anterior. Sua
alma estava leve e feliz, tão feliz como ele nunca esteve antes. Mas ele se
preocupava, pois ele era seu professor e mais velho que ela. Pensava no quanto
aquele amor , aquele desejo incontrolável podia ser crucificado e descriminado
por todos. Mas quem se importa com que os outros pensam? Sim, Severo se
importava, e muito. Se talvez, por alguns segundos ele pudesse esquecer quem era
e o que fazia, talvez assim ele poderia encontrar a felicidade, mas Severo não
se importava só com o amor que sentia, ele também se importava com as pessoas
em geral e no que elas iriam pensar sobre um profº chefe da casa Sonserina e
uma aluna Monitora chefe da Grifinória. Enquanto Snape tentava achar uma solução,
Hermione estava radiante e muito feliz, ela não porque amar alguém como ele,
mas bem lá no fundo ela sabia que ele tinha sentimentos e que talvez só
precisasse de um empurrão para amar e ser amado.
Naquele mesmo dia, Snape
mandou uma carta para Hermione que dizia o seguinte:
|
Srta. Granger, gostaria muito de
poder conversar com a Srta. sobre ontem à noite, pois creio que a srta.
tenha ficado confusa. Assim como eu. Mas gostaria muito de esclarecer os
fatos, se for possível, se puder, venha a minha masmorra esta noite a
mesma hora. Aguardo ansioso... Severo Snape.”. |
Hermione lia e relia a carta
com satisfação, mas na verdade não sabia o que pensar, pois tinha medo que
Snape não a quisesse por ser mais nova e sua aluna.
Agoniza virgem Fênix
O amor
entre cinzas, arco-íris e esplendor
por viver às juras de satisfazer
o ego mortal
Viver aquele amor parecia
impossível, mas mesmo com medo Hermione decidiu que iria. Ela foi para a aula
com os seus amigos da Grifinória e quando terminou preferiu não ir jantar,
pois alegou indisposição.
- Mione tá esquisita - disse
Rony ao se sentar à mesa da Grifinória.
- É. Será que aconteceu
alguma coisa? Perguntou Harry pensativo.
Os dois ficaram pensando no
que poderia estar acontecendo e não chegaram a nenhuma conclusão. Enquanto
isso, Hermione estava em uma sala vazia esperando o momento certo de ir para a
masmorra. Ao chegar, Snape já estava esperando por ela. Ele sorriu e quando ia
ao seu encontro para abraçá-la, ele recuou. Hermione não entendeu e indagou:
- O que aconteceu? Por que
recuaste?
- Porque não sei se devo te
abraçar e sentir a imensa alegria que senti ontem a noite.
- Mas por quê? Você não
quer ser feliz?
- Quero, mas você é minha
aluna e eu, bem, sou seu professor e mais velho que você querida.
Hermione pensou no que dizer e
disse indignada:
- Então quer dizer que você
quer abrir mão do amor que você sente por mim por diferenças mesquinhas e fúteis?
Saiba, Professor Snape, que eu não me importo com que as pessoas vão pensar,
porque o que elas pensam não me fará feliz da forma que eu estava até ontem.
- Hermione - disse Snape
segurando suas mãos - você sabe, ninguém entenderia...
Hermione se soltou, respirou
fundo e disse decidida:
- Se você quer abandonar a
guerra sem ter lutado, por mim tudo bem. Mas colocar outras pessoas como
empecilho para justificar o que você pensa, é o fim. É inconcebível uma
pessoa amar e ser amada e não querer este amor porque existem pessoas que falam
que não é certo. Então Severo Snape, fique sozinho e vê se as pessoas que
você se incomoda tanto te farão feliz como eu pretendia.Talvez seja melhor você
ficar assim, sozinho. Você pensa que todas as pessoas são mesquinhas e
preconceituosas, não, só você é...
Hermione nem deixou Snape
responder, saiu da masmorra batendo a porta. Snape sentou-se e chorou, pois
depois daquelas duras palavras ele percebeu o quanto amava aquela menina e se não
fosse tão burro, poderia ser feliz ao seu lado.
Coisa pequenina,
centelha divina,
renasceu das cinzas
Onde foi ruína
pássaro ferido
hoje é paraíso
Luz da minha vida,
pedra de alquimia
Tudo o que eu queria
Renascer das cinzas
Severo Snape passou mais uma
noite acordado e chegou a conclusão que Hermione estava certa (mas é obvio).
Ele passara a vida inteira sozinho porque se preocupava demais com as pessoas
que não tinham nada haver com a sua vida. Agora, ele estava fazendo a mesma
coisa, perdia a guerra sem lutar por ela. Snape só conseguia pensar nas
palavras de Hermione que cortaram seu coração como uma flecha, mas ele
percebeu que ela o amava demais. Snape ficou pensando e acabou se comparando com
uma Fênix, tão pequena, indefesa, mas mesmo tempo tão certa de si, tão
forte. Ela cresce, morre e renasce de suas cinzas. Severo se sentia assim, pois
sempre fora infeliz e agora encontrara a felicidade que ele precisava para ser
realmente feliz. Ele precisava mesmo renascer e esquecer as diferenças que não
adianta de nada. Snape levantou decidido e pensou em falar com Mione, mas estava
muito tarde. Então ele falaria com ela pela manhã. Mal sabia ele que Hermione
também estava acordada e chorando muito, pois ela acreditava que ele fosse
diferente, mas não era. Hermione tentava dormir mas não conseguia, a toda hora
vinha em sua cabeça Snape e o beijo que a fez desejá-lo ainda mais, mas também
se lembrava da dura conversa e o fim de amor que só estava começando. Hermione
pensou tanto que adormeceu. Quando amanheceu, Hermione percebeu que havia um
bilhete em sua colcha e se surpreendeu ao ler o que estava dentro...
|
"Hermione, por favor, me deixe
explicar. Sei que fui um idiota pensando em coisas fúteis, mas eu te
amo e não me importo mais com os outros. Deixe-me
te convencer que te amo e que podemos ser felizes juntos..." |
Hermione chorou muito, pois
esperava qualquer atitude dele, menos essa. Hermione releu o bilhete e pensou
que pelo menos suas palavras fizeram um bom efeito, Snape se arrependera e a
amava.
Quando o frio vem
nos aquecer o coração
Quando a noite faz nascer
a luz da escuridão
e a dor revela a mais
esplêndida emoção
O amor
Hermione foi tomar o café da
manhã mais contente. Seus amigos que achavam ter algo de errado, agora estavam
tranqüilos, pois ela estava bem.
Naquela manhã, eles teriam
aula de Herbologia, e como Hermione precisava ver Snape e sabia que ele não
daria aula naquela primeira hora, ele disse aos amigos que estava naqueles dias
ela não foi à aula. Os alunos foram saindo aos poucos do salão principal e
Hermione ficou só observando. Quando não restava mais ninguém, ela saiu
direto para a masmorra de Snape. Hermione entrou rapidamente e Snape se
surpreendeu. Hermione queria beijá-lo mas ao mesmo tempo queria matá-lo. Snape
a olhou com muita alegria e eles se abraçaram muito forte.
- Por que você fez isso
comigo? -perguntou Mione falando rápido - Sabia que eu cheguei a acreditar que
não valia a pena te amar?
- Calma Mione - disse Snape
beijando-a - quem sabe assim o nosso amor não fica ainda maior...
Mione não queria saber mais
de nada, os dois se deixaram levar pela emoção e prometeram nunca mais tocar
nesses assuntos bobos. Se existia amor verdadeiro, seria muito bom cultivá-lo,
mas se não existia, só o tempo diria. Mas, por enquanto, eles aproveitariam o
máximo para não deixar acabar um sentimento tão puro.