OS BILHETES
por
Aline Snape
Música:
Perhaps Love -
Talvez O Amor (John
Denver & Plácido Domingo)
Agradecimentos:
Agradeço a Sarah Snape pela amizade e a todos os/as fãs do excêntrico
casal HG/SS que têm paciência de ler minhas fics.
Sinopse:
O mestre de poções guardou todos os bilhetes que sua aluna lhe mandava
no dia dos professores. Agora ela estava se formando e ele decidira responder
aos bilhetes antes dela ir embora de Hogwarts. Hermione não compreende a
resposta dele, fica confusa. Naquela noite, no baile de formatura, tudo dá
errado, mas Severo precisa rever a situação para que suas vidas tomem outro
rumo .
OS
BILHETES
Final do ano letivo para os alunos da Escola de Magia e Bruxaria de
Hogwarts. Os formandos assistiam incrédulos à última aula de poções, na
Masmorra. Severo Snape não estava tão arrogante como de costume; ao contrário,
demonstrava uma certa sensibilidade em seu olhar e menção de despedida em suas
palavras.
Tanto os alunos da Grifinória, quanto os da
Sonserina, que em sete anos dividiam a mesma sala e o mesmo horário da
disciplina, sentiam-se aliviados, exceto uma aluna que parecia distante e melancólica
com o clima de formatura que envolvia todos.
O professor ao perceber aquela aluna dispersa em seus pensamentos, mudou
seu tom de voz e discursou de forma serena, enquanto caminhava elegantemente
entre as classes, esvoaçando ainda mais a habitual capa preta:
-
Ao finalizarmos a nossa última aula, gostaria de dar alguns avisos importantes:
Lembrem-se de que independente da carreira que um bruxo siga, necessitará em
algum momento de sua vida, preparar uma ou mais poções ensinadas aqui.
Qualquer que seja, a mais simples ou a mais complexa, deve ser criteriosamente
elaborada e, para atingir tal objetivo, é necessário metodologia e
disciplina... Jamais se esqueçam de que uma poção equivocada poderá levar a
sérias conseqüências. Quero aproveitar a oportunidade e desejar a todos
sucesso em suas carreiras. Todos, sem exceção, foram aprovados em “poções
para níveis adiantados”. Ouviu Sr.Longbotoom?
Rony cutucou as costas do amigo que estava pasmo com a notícia. Hermione
que normalmente sentava-se ao lado de Neville para ajudar, esticou o pescoço e
beijou o rosto do amigo. Severo reparou naquele gesto simples, porém tão
expressivo de carinho que não saberia explicar o que sentiu no momento.
Ficou alguns minutos observando atônito a melhor aluna sentada ao lado
do aluno mais lerdo. Lembrou que tinha alguns pergaminhos dobrados e guardados
com muito cuidado num pacote, dentro do bolso da capa, virou-se para a turma e
prosseguiu com o mesmo tom de voz:
-
Nos encontramos no baile de formatura... Agora todos estão dispensados, exceto
a senhorita Granger, pois tenho um recado para lhe dar.
Aos poucos os alunos deixavam a sala de aula, sem pressa e com uma
expressão facial radiante. Nos corredores o comentário da última aula era
geral, todos estavam maravilhados com aquela despedida. Jamais esperavam tal
discurso do mestre de poções.
Hermione Granger aguardou pacificamente até o último aluno se retirar.
Ficara vários minutos se controlando para não demonstrar tamanha preocupação
que sentia.
-
Afinal, o que ele quer comigo? Se não bastasse todas as humilhações que
passei nesta sala... Ele sabe que sou louca por ele... Como fui me apaixonar por
um carrasco? E agora? O que pretende me dizer? Nunca
foi capaz de me dar um único elogio... Não poderá mais me deixar em
detenção ou tirar pontos da minha casa... Deve ser isso, no mínimo vai
ironizar esta situação, vai me ridicularizar por gostar tanto dele...
Quando Hermione menos esperava, Severo alcançava sua mão para que ela
levantasse e o acompanhasse até sua mesa. Ela seguiu o mestre, de mãos dadas a
ele, preocupada e sentindo-se extremamente confusa com aquele toque. A mão do
professor tão fria quanto ela suspeitava, o rosto sombrio e o silêncio a
deixavam mais intrigada ainda. Ele soltou sua mão de forma súbita, colocou no
bolso da capa e retirou um pacote do bolso, jogando-o em cima de sua mesa. Com
um sorriso irônico perguntou:
-
A Senhorita reconhece estes pergaminhos?
-
Não, senhor...
-
Pois devia... A coruja da escola me entregou cada um deles, sempre no dia do
professor...
-
Sim, senhor, estou lembrada... São os bilhetes que lhe escrevi, em homenagem ao
dia do professor... Hermione
falou corando logo em seguida.
-
Exatamente senhorita! São sete bilhetes ao todo e todos com sua letra e
assinados.
-
Pensei que o senhor os jogasse fora sem ler, pois nunca houve uma resposta...
nem mesmo de agradecimento...
-
Está muito enganada. Como pode ver... Guardei todos! Depois que recebi o
segundo, confesso que todos os anos eu aguardava ansioso por eles. Sabia que
receberia. Guardei-os com muito carinho e é o que pretendo continuar fazendo.
Mas o que eu tenho a lhe dizer é que hoje resolvi responder a estes bilhetes.
Aqui está a resposta, após sete
anos...
Severo alcançou-lhe
um pedaço de pergaminho dobrado cuidadosamente, olhou-a com certo mistério e
depois lhe disse:
-
Agora vá... Leia em seu quarto. Eu a vejo no baile de formatura!
Hermione saiu confusa com o bilhete na mão. Por que só o veria no baile
se ainda faltava uma semana? Com certeza o professor viajaria para não
encontrar-se mais com ele, nem mesmo nos horários das refeições no amplo salão
principal.
Com as mãos trêmulas, sentada em sua cama, Hermione abriu o pergaminho
e começou a ler. Era a letra de uma música. Não conseguia entender o que ele
queria dizer com aquilo. À medida que lia a letra da música, menos entendia a
ligação com um suposto agradecimento aos seus bilhetes. Aparentemente ele lhe
dera apenas a letra de uma música. Hermione começou a cantar baixinho e não pôde
evitar uma lágrima. Lembrou que ficaria uma semana sem vê-lo. E pior, lembrou
que depois desta semana talvez nunca mais fosse vê-lo... Ela partiria de
Hogwarts. Fora aprovada numa conceituada universidade de magia. As lágrimas
agora desciam veemente de seu rosto, os soluços já se tornavam audíveis. Gina
entrou no quarto e foi correndo abraçar sua amiga.
-
O que houve Hermione? O prof. Snape
te humilhou de novo?
Ela só conseguiu
fazer um gesto negativo com a cabeça e alcançou o pergaminho para ela. Gina
reconheceu a letra do mestre e começou a ler para tentar ajudar sua melhor
amiga. Sabia que durante muito tempo Hermione sofria por este amor impossível.
Quantas vezes tentou fazê-la esquecer de tamanha loucura.
Perhaps
Love -
Talvez O Amor
(John
Denver & Plácido Domingo)
Perhaps
love is like a resting place,
Talvez
o amor seja como um local de descanso,
a
shelter from the storm
um abrigo da tempestade.
It
exists to give you comfort,
Ele
existe para te oferecer conforto,
it
is there to keep you warm
ele
está lá para te manter aquecido.
E
naqueles tempos de dificuldade,
when
you are most alone
quando
você está na maior parte [do tempo] sozinho,
The memory of love will bring you home
A
lembrança do amor vai te trazer para casa...
Talvez
o amor seja como uma janela, talvez uma porta aberta,
It invites you to come
closer, it wants to show you more
Ele te convida para chegar
mais perto, ele quer te mostrar mais.
And
even if you lose yourself and don't know what to do
E mesmo se você perder a
si mesmo e não souber o que fazer,
A
lembrança do amor vai te acompanhar até o fim.
Oh
Love to some is like a cloud,
O
amor para alguns é como uma nuvem,
to some as strong as
steel
para alguns [é] tão
forte como o aço.
For
some a way of living,
Para alguns [é] um modo de
vida,
for
some a way to feel
para
alguns [é] um modo de sentir.
E
alguns dizem que o amor está persistindo
and some say letting go
e alguns dizem que está
desistindo.
And
some say love is everything,
and
some say they don't know
e
alguns dizem que não sabem...
Perhaps
love is like the ocean,
Talvez
o amor seja como o oceano,
full
of conflict, full of pain
repleto de
conflito, repleto de dor.
Like
a fire when it's cold outside,
Como
uma chama quando está frio lá fora,
thunder when it rains
[como]
um trovão quando chove.
If
I should live forever,
Se eu viver
eternamente
and
all my dreams come true
e
todos os meus sonhos tornarem-se realidade,
Minhas
lembranças do amor serão sobre você...
-
Esta música
é muito bonita, Mione!
Por que ele lhe deu esta música?
-
Eu também não sei... Pensei que era um bilhete respondendo os meus...
Hermione
falou entre soluços. Ainda com o rosto molhado pelas lágrimas ela
contou a amiga a conversa que tiveram no final da aula. Gina pensou um
pouco procurando as palavras certas para confortar a amiga:
-
Bom, ele está tentando lhe dizer que o que você sente por ele talvez seja
amor, talvez não... Ou será que é ele que está em dúvidas quanto aos
sentimentos por você?
–
Obrigada Gina, mas “ELE” com dúvidas sobre seus sentimentos por mim?
Ele simplesmente me ODEIA! Em todos estes anos tudo que ele fez foi me
aturar para preservar seu emprego. Se pudesse, logo na primeira aula teria me
lançado o feitiço Avada kedavra!
-
Não exagere, Mione! Agora pode me dizer o motivo desta choradeira? Se
ele não te humilhou, ainda lhe deu uma bela lembrança...
Gina esforçou-se para não rir.
-
Eu estou me formando e vou embora daqui. Provavelmente nunca mais vou vê-lo.
Pensei que ele havia me chamado para me dar um único elogio por ter
me dedicado às suas aulas... Mas não! Sabe o que ele me disse? “Aqui
está a resposta após sete anos...
Agora vá... Eu a vejo no baile de formatura!”
-
Não me leve a mal, mas acho que ele agiu certo! Quando você cursar a
universidade conhecerá bruxos novos, colegas e até professores mais
interessantes que ele. Você o esquecerá rapidinho. Vamos Mione, não fique
assim... Você é ainda tão jovem, tem a vida toda pela frente...
Gina abraçou a amiga. Sabia que a dor de um amor não correspondido era
muito forte para suportar. Lembrou-se da primeira vez que se apaixonou. Harry
Potter até freqüentava a sua casa, mas nunca havia lhe visto como ela o via.
Somente depois de anos começaram a namorar... Alguns meses depois Gina percebeu
que Harry não era exatamente o que idealizou. Terminaram o namoro, mas restou a
amizade. Agora ela estava namorando Miguel Córner, estava feliz e gostaria
muito de ver sua amiga também feliz. Mas sabia o quanto impossível seria o
prof. Snape namorar e ainda, uma aluna com metade da sua idade...
Aquela semana que se iniciou parecia eterna. Em todas as refeições em
que Hermione era forçada pela amiga a comparecer, sempre olhava para a mesa dos
professores com a esperança de vê-lo. Nunca imaginou que a ausência dele a
fizesse sofrer tanto. Mais até que a presença arrogante e as palavras sarcásticas
dele.
Hermione sofria em silêncio, não conseguia comer. Com muito esforço
alimentava-se somente o suficiente para não adoecer. No segundo dia de ausência,
ela não se agüentou e perguntou para o Prof. Dumbledore o paradeiro do
professor Snape. Ele sempre muito gentil, chamou-a até sua sala para responder
a pergunta. Serviu-lhe uma xícara de chá e com a voz
procurando não demonstrar preocupação,
lhe disse:
-
Srtª. Granger, eu receio que a informação que tenho a lhe dar sobre o
paradeiro do nosso mestre de poções, não seja muito agradável...
Hermione sentiu um calafrio e seus olhos revelaram todo o pavor que
sentia. Alvo percebeu sua reação e foi cauteloso, não querendo assustá-la
ainda mais.
-
Severo foi para a reunião anual dos comensais. Normalmente esta reunião dura
alguns dias. É neste período que eles fazem seus planos... Severo é um bruxo
excepcional, sei que ele vai se sair bem novamente. Todos o vêem como espião e
até o homenageiam por estar aqui, tão próximo a mim...
Só que me matar, há muito não interessa mais Valdemort. Ele tem que
cumprir a profecia, e para isso terá que matar Harry com as próprias mãos.
Severo leva informações daqui e juntos traçam os planos de ataque ...
Alvo fez uma longa pausa. Hermione ainda um tanto inquieta na cadeira,
perguntou:
-
O senhor confia muito nele... E se ele realmente está trabalhando para
Valdemort? Não teremos a mínima chance...
-
Não, senhorita... eu lhe asseguro que Severo é de extrema confiança. A minha
preocupação é que os ataques se iniciam em breve. Antes mesmo de nos preparar
e planejarmos no mínimo a nossa defesa...
-
Por que o professor Snape arrisca tanto a sua vida? Estando com eles, ele
deve agir como um igual, e se não o fizer certamente eles o matarão!
-
Esta dupla identidade só terminará quando a batalha terminar. Por
enquanto a única maneira dele se manter vivo é atendendo ao chamado...
-
Ele deve ter muito cuidado com o que fala para não levantar suspeitas...
Concluiu e Alvo acrescentou:
-
Por incrível que pareça o nosso principal problema chama-se Draco Malfoy! Ele
conta tudo a seu pai, que repassa ao Valdemort. Na última reunião desconfiaram
desta dupla identidade e Severo voltou muito ferido. A voz de Alvo agora era nitidamente aflita.
-
Professor, o que poderemos fazer para ajudá-lo?
-
Creio que só nos resta esperar... E rezarmos para que Merlim o proteja!
Hermione tomou o último gole de chá, repousou a xícara em cima da
mesa. Estava bastante preocupada quando ia se levantar, Alvo lhe fez um sinal
para que ficasse mais um pouco.
-
Por favor, senhorita, será que eu posso lhe fazer uma pergunta agora?
-
Claro, professor...
-
Existe algum motivo em especial para esta sua preocupação em relação
ao professor Snape? Além é claro,
de todas as vidas aqui em Hogwarts correrem riscos?
Hermione corou. Sabia exatamente o que ele estava querendo saber. Não
tinha resposta. Ou melhor tinha, mas devia contar a ele? Com certeza se ele
perguntou é porque desconfiava. Ficou um tempo pensando o que dizer, criou
coragem e respondeu, ainda muito vermelha.
-
Eu admiro muito o professor Snape, não quero que lhe aconteça nenhum mal...
-
Entendo... Alvo limitou-se a
responder, olhando-a por cima dos óculos de meia lua. Parecia enxergar muito além
do que realmente estava vendo. Sorriu para ela e juntos saíram da sala.
Em seu quarto, naquela noite, Hermione não conseguia dormir. Teve um
pesadelo horrível, Lúcio Malfoy trazia o corpo ensangüentado de seu amado,
totalmente imóvel, para dentro da Masmorra. Ela ajoelhou-se diante do professor
e chorando abraçou-se àquele corpo frio, sem vida. Soluçando acordou
assustada.
Finalmente sábado chegou. O grande dia! Dia do baile de formatura! Todos
estavam eufóricos, exceto uma única aluna.
Na hora do almoço, Hermione teve a agradável surpresa de ver o
professor Snape conversando animadamente com o professor Dumbledore, enquanto
almoçavam. Ela ficou radiante por vê-lo bem, por vê-lo vivo... Almoçou
satisfeita, até seu apetite voltou. Aguardou até que os dois se retirassem e
saiu ao encontro deles. Precisava falar com ele, precisava ouvir aquela voz...
Estava louca de saudades. Sua vontade era de atirar-se em seus braços e beijá-lo.
Mas conteve-se e ao se aproximar, ela cumprimentou rapidamente o professor
Dumbledore. Virando-se para Severo, disse-lhe:
-
Como vai, professor? O senhor está bem?
Quase dissera que havia sentido muito a sua falta, mordera os lábios
para evitar que a frase já pronta
fosse pronunciada.
Severo percebeu a alegria nos olhos da aluna e respondeu com um belo
sorriso:
-
Como vai senhorita Granger? Eu estou bem, sim, obrigado!
-
Desculpe, senhorita Granger, mas eu e Severo ainda temos muito que
conversar... Prometo que eu o libero para o baile, logo mais à noite!
Disse-lhe sorrindo. Em
seguida Alvo repousou seu braço no ombro do amigo; juntos subiram as
escadarias.
Hermione foi para seu quarto. Estava muito feliz. Ele iria ao baile de
formatura.
Enquanto Gina fazia suas unhas, ela
lhe contava seus planos:
-
Se ele não quiser dançar comigo, vou colocar algumas gotas da poção do amor
em sua bebida. Ele vai ter que me escutar. Vou lhe dizer tudo que há tanto
tempo estou ensaiando. Gina, minha amiga, hoje à noite eu quero beijá-lo! Vou
agarrá-lo pelo pescoço e antes que ele reaja, eu o beijarei!
-
Você está falando sério? Desde
que se apaixonou por ele, eu nunca sei quando você está brincando ou não...
Gina demonstrava preocupação em relação aos sentimentos da amiga.
-
É claro que estou falando sério! Diga-me o que tenho a perder? Amanhã estarei
formada e vou embora mesmo... Não tenho nada a perder, somente esta chance de
beijá-lo... uma última vez... Eu não vou perder esta chance! Torce por mim,
Gina!
Hermione estava relaxada e feliz, acabou adormecendo. Dormiu a tarde
toda. Quando acordou, já era noite. Gina já estava se maquiando para o baile.
-
Que horas são, Gina? Por que você não me acordou?
-
São quase nove horas e eu iria te chamar agora. Achei que em uma hora você se
arrumaria... Não quis acordá-la antes, afinal fazia tempo que não a via
dormir tão tranqüila!
Hermione foi direto para o chuveiro. Depois de uma longa ducha, vestiu
seu lindo vestido confeccionado especialmente para a ocasião e maquiou-se. Fez
uma maquiagem mais elaborada, procurando parecer-se mais velha. Prendeu seu
cabelo num belíssimo coque, deixando duas mechas do cabelo solto em cada lado
de seu rosto. Colocou seu melhor perfume, conferiu o horário. Gina já havia saído
com Miguel. Ela não tinha par para acompanhá-la até o salão. Seus amigos
também já haviam descido para o salão principal. Afinal era a grande noite, tão
esperada por todos. Pouco se importou por não ter companhia, sabia que se
dependesse dela, não passaria aquela última noite em Hogwarts, sozinha...
Faltavam quinze minutos para a abertura oficial do baile. O salão já
estava cheio, mas ainda faltava o professor Dumbledore e o professor Snape.
Hermione serviu-se de um licor de cereja. Harry e Rony vieram assediá-la.
-
Como você está linda, Mione!!! Os
dois exclamaram juntos.
-Obrigada!
-
Dançará conosco, não? Rony
perguntou meio preocupado, pois tinha absoluta certeza que ela se arrumara para
outro rapaz.
-
Claro! Hermione
respondeu, beijando cada um no rosto.
-
Não vai nos contar quem é o felizardo? Harry
quis saber, depois de olhá-la de cima a baixo.
-
De que está falando, Harry?
-
Ora, Mione! Conhecemos você muito bem! Está certo que se trata de uma noite
especial, a nossa formatura... Mas você está simplesmente magnífica nesta
noite! Você tem um brilho diferente nos olhos... parece apaixonada... Não vai
nos contar quem roubou o seu coração?
Hermione soltou uma gargalhada gostosa.
-
Parece que não dá para esconder nada mesmo de vocês, não?
Lamento mas não posso contar. É um amor platônico...
Rony e Harry se olharam e neste instante o professor Dumledore entrou no
salão acompanhando o professor Snape. Todos se viraram para ver. Severo estava
muito elegante, usava calças pretas e camisa verde escuro; sem a capa habitual,
deixando-o muito sensual, com todas as linhas de seu corpo a mostra. Hermione
suspirou baixinho. Alvo logo pegou
o microfone e deu início ao seu discurso.
-
Boa noite a todos! Antes de darmos início ao baile, eu e os quatro diretores
das respectivas casas, temos o imenso prazer de homenagear a aluna mais
brilhante, a que mais se destacou em todas as disciplinas, nestes últimos
dezessete anos!
Todos viraram-se para vê-la, mas ela estava tão compenetrada olhando
fixamente para um certo professor que não reparou o que se passava.
Alvo teve que repetir o seu nome e então ela virou-se assustada e
percebeu logo que deveria receber a medalha das mãos do diretor.
Todos a aplaudiam, inclusive ele. Hermione
sentia-se feliz, recebeu um abraço carinhoso do diretor e logo em seguida os
diretores das casas vieram abraçá-la. Severo foi o último. Para ela o tempo
parou quando se sentiu envolvida naquele abraço. Como era gostoso tê-lo tão
perto novamente, podia sentir seu perfume e aquele corpo másculo, que acendia
seus mais íntimos desejos. Alvo a tirou dos braços do mestre para dançar a
primeira valsa com ela. Porém, em nenhum momento ela deixou de olhar para a
mesa dos professores, sabia que ele também a olhava.
Quando terminou a música, Harry sorridente foi a seu encontro retirá-la
para dançar. Neste instante a melhor aluna Sonserina tirava o professor Snape
para dançar. Ele atendeu prontamente. Na pista de dança, seus olhares se
encontravam e ela não pôde evitar uma pontada de ciúmes. A próxima música,
Rony lhe tirou para dançar e como havia prometido, não pôde recusar.
Severo permaneceu dançando com a aluna. Ela era uma morena alta, muito
bonita e tirava sempre as melhores notas em poções. Esta moça estava no sexto
ano, tinha aulas junto com a Gina e por isso Hermione sabia que era uma suposta
rival. Segundo a amiga esta aluna também demonstrava ser apaixonada pelo
mestre. A música que tocava era romântica (Perhaps
Love) e agora ela os viu dançando de rosto colado.
Uma sensação de ódio, ciúmes, tomou conta de si. Talvez tenha sido
este o principal motivo que a levou a beber. Assim que terminou a música, pediu
licença a Rony e foi se servir de outra taça de licor.
Os elfos passavam com as bandejas de bebidas e coquetéis deliciosos, mas
ela não tinha fome. Não quis comer nada e logo sentiu
o efeito do álcool quando terminou a segunda taça.
Sentia-se leve e com coragem para aproximar-se do professor. Draco Malfoy
tirou a moça para dançar e Severo Snape retornara para sua mesa. Alvo dançava
com a professora Minerva, logo não se sentiu inibida ao aproximar-se dele, pois
parecia estar tão solitário quanto ela.
-
Com licença, professor... posso me sentar?
-
Fique à vontade, senhorita!
Depois de alguns minutos, em silêncio constrangedor, Hermione
perguntou-lhe se queria dançar.
-
Posso parecer antiquado, mas “eu” prefiro tirar as moças para dançar...
Portanto, lamento ter que lhe dizer não...
-
O senhor não recusou quando a outra aluna lhe tirou para dançar...
-
Nem poderia... É uma aluna Sonserina! E é uma excelente aluna...
Ele lhe respondeu com um sorriso maroto. Hermione mordeu seus lábios de
tanta raiva que sentiu naquele momento. Pediu licença e saiu. Severo a
observava de longe. Sentia um certo prazer em provocá-la daquela forma. Sabia
até onde poderia ir. Tomara a decisão mais importante de sua vida quando
conversou com Alvo naquela tarde. Lembrava das palavras do diretor:
-
Severo, diga-me a verdade sobre seus sentimentos em relação à senhorita
Granger.
-
Ora, Alvo por que esta pergunta agora?
-
Por dois motivos meu amigo: primeiro, ela está se formando... e segundo, ela
veio me procurar enquanto você esteve fora.
Severo ergueu as sobrancelhas, não esperava por isso.
-
Sim?
-
Esta moça gosta muito de você. Demonstrou preocupação... diria até que
estava aflita quando lhe disse que você estava na reunião anual dos comensais.
Alvo fez uma pausa e prosseguiu. Severo o escutava em silêncio.
-
Você também a ama, não? Sei que você deve estar muito confuso, por isso
pretendo ajudar... Não sei se vocês já tiveram algum “momento mais íntimo”
– Severo corou ao ouvir as três palavras – só sei que você agiu
corretamente... foi leal ao regulamento da escola, a tratou sempre com respeito
e como aluna... eu diria até que durante suas aulas foi cruel demais com ela.
Mas...entendo, era seu instinto de autodefesa... A maneira que escolheu para se
defender deste sentimento tão sublime e ao mesmo tempo assustador. Diga-me se estou errado?
-
Não senhor... Severo
respondeu olhando para o chão. Sentia-se envergonhado, um verdadeiro
adolescente.
-
Severo, meu filho... Ela é bastante jovem, porém já é adulta... Amanhã ela
estará indo embora de Hogwarts, continuará seus estudos numa universidade.
Talvez nunca mais volte aqui... Logo, não a perca... Procure-a durante o baile
e exponha seus sentimentos. Não perca esta oportunidade de ser feliz! Ela o
ama!
-
Obrigado Alvo! Severo levantou-se e
foi abraçar o diretor.
Agora olhando-a melancólica com outra taça de licor na mão, lembrou-se
daquela noite: na casa de Sirius Black, quando estavam reunidos na Ordem da Fênix;
sem querer acabaram dormindo juntos....[FIC “Esta noite”].
Não conseguira resistir aos encantos dela e fizeram amor. Foi o primeiro
homem da vida dela, provavelmente o único... Infelizmente no dia seguinte não
podiam revelar nada, somente um brilho diferente no olhar de cada um era
percebido apenas pelo Mago mais experiente. Tudo voltou ao normal, parecia que
nada havia acontecido. Continuaram sendo somente aluna e professor... era muito
doloroso para ele também...
Severo olhou no relógio, passava da meia noite. Todos pareciam se
divertir. Depois destas lembranças, sentiu-se um idiota por fazê-la sofrer
ainda mais. Foi até seu encontro.
-
A senhorita me dá o prazer da próxima dança?
-
Posso parecer mal educada, mas minha resposta é não!
-
Ok, senhorita! Agora deixe esta taça na mesa e me acompanhe até o jardim.
Precisamos conversar...
-
Não temos nada para conversar!
-
Mas eu tenho algo a lhe dizer, por favor, venha comigo!
-
Vá para o inferno, professor Severo Snape!!!
Ela já estava gritando e por sorte a música era alta e não chamou a
atenção de ninguém. Ele sentiu seu sangue ferver e precisava agir rápido. Não
teve dúvidas, com uma mão agarrou-a pela cintura e com a outra lhe tapou a
boca, no instante seguinte ambos aparataram dali.
Soltou-a em sua sala, na Masmorra. Lançou o feitiço para trancar portas
e janelas e o feitiço a prova de som.
-
Senhorita Granger, fique à vontade! Quando estiver mais calma, podemos
conversar...
-
Por que me trouxe para cá? Não me fez sofrer o suficiente? O que você quer de
mim? Quer me usar novamente, é isso?
-
Eu nunca usei você... O que fizemos aquela vez, foi porque você também quis!
Por favor, me escute... você bebeu demais. Eu não vou levar em consideração
suas ofensas. Sei que está muito magoada comigo, e com razão. O que posso
fazer para você me perdoar? Eu te amo, Hermione...
-
Me tire daqui! E fique longe de mim!
As lágrimas rolavam de seu rosto, ela agora estava toda encolhida e seus
soluços o deixaram sensibilizado. Severo abraçou-a e ambos aparataram dali.
Surgiram no imenso jardim do castelo, em frente ao lago. Era uma noite muito
bonita, com o reflexo da lua na água. Severo afastou-se dela e foi sentar-se
num banco. Não queria acreditar que tudo estava saindo errado. Lembrou das
palavras do diretor: “Não perca esta oportunidade de ser feliz! Ela o
ama!”. Não pôde evitar uma lágrima
que descia de seu rosto, sentia-se o mais infeliz dos bruxos. Mesmo estando no
escuro, Hermione percebeu o brilho daquela lágrima no rosto dele. Sabia que
havia exagerado na bebida, sabia que estava tonta, mas ainda sentia aquela angústia.
Porém, aquela lágrima atingiu profundamente seu coração, foi a certeza de
que ele falava a verdade. Ela o amava, acima de tudo, o amava. Com a voz rouca,
chamou-lhe. Severo levantou-se imediatamente, secou discretamente a lágrima e
foi até onde ela estava.
-
Faça amor comigo, Severo!
-
Hermione, você não está bem...
Ela não o deixou terminar a frase, agarrou-o e o beijou. Ele não
conseguia definir o grau de embriaguez dela, uma hora parecia muito alta, outra
hora agia com lucidez. O beijo dela era provocativo e ele não conseguiu evitar
o desejo tomando conta de seu corpo. Abraçou-a mais forte e aparataram dali.
De volta a Masmorra, mas desta vez surgiram no quarto dele. Ela se despiu
rapidamente e ele não poderia e não queria resistir àquele momento, mesmo
conscientemente sabendo que não era o momento mais adequado. Saciou os desejos
mais íntimos dela e os seus. A tensão dele e a necessidade dela fizeram com
que os orgasmos surgissem simultaneamente. Ela adormeceu logo em seguida. Severo
a cobriu com um lençol e enquanto acariciava seus cabelos que soltava do coque,
pensou o quanto aquela jovem era bela, o quanto a amava. Faria qualquer coisa
para tê-la sempre a seu lado. A presença dela em seu quarto, em sua cama era
tudo que sempre sonhou. A felicidade então existia e ele tinha finalmente
experimentado. Já era madrugada quando adormeceu.
O sol entrava discretamente através das cortinas. Severo acordou e
sorriu ao vê-la dormir serenamente. Não quis sair da cama para não acordá-la
e para não desperdiçar nenhum segundo daquele momento tão sublime.
Enquanto pensava como seria seu futuro ao lado dela, Hermione acordou
assustada, sem lembrar onde estava. Sua reação deixou-o preocupado, não sabia
como ela iria reagir a tal situação. Puxando o lençol até o pescoço, ela
perguntou:
-
O quê fizemos?
Severo sorriu encabulado e respondeu um pouco sem jeito:
-
Bem... Acredito que fizemos Amor...
-
Por Merlim! Como eu vim parar em sua cama?
-
Creio que foi depois de três taças. Sei que não vai acreditar em mim, mas foi
a senhorita que me propôs...
-
Eu não me lembro de nada... Ela
falou ruborizando.
-
Eu lhe proponho repetir o que fizemos para que possa se lembrar... Garanto que
é uma bela lembrança! Desta vez sem licor... sem anestesia! Disse-lhe
sorrindo.
Ela o olhou incrédula. Afinal estava ao lado do homem que amava, não
poderia recusar aquela proposta tentadora. Permaneceu imóvel, olhando-o ainda
sem acreditar.
Severo sorriu para ela e a beijou. Ela lentamente correspondia ao beijo.
Logo em seguida ele roubou-lhe o lençol e começou a acariciá-la. O toque de
suas mãos parecia mágico, aos poucos foi se entregando aquele homem que lhe
fazia gemer como se fosse a primeira vez, tão recente à sua memória. Ela não
tinha mais dúvidas quanto aos seus sentimentos. Amava aquele homem e
entregou-se totalmente. Não sabia que ele já havia traçado seus planos para o
futuro, incluindo-a. Ela só sabia que era sua despedida. Despedida de Hogwarts,
despedida dele... Ao finalizar o
ato, com uma torrente de gozo e paixão, ela não pôde evitar uma lágrima.
Severo a secou com um beijo carinhoso em seu rosto:
-
Não deveria estar triste... Eu sou
tão ruim assim? Juro que até me considerava um bom amante! Falou rindo para
descontraí-la.
Hermione também sorriu.
-
Você é muito gostoso, mas estamos nos despedindo, não estamos? Logo mais
todos os alunos estarão voltando para suas casas. Após o período de férias
estarão de volta, mas eu... Eu não voltarei...
-
Por que não, Hermione? Eu te amo!
Você não vai sair daqui, se não for voltar! Eu não vou deixar... Você agora
é minha! Aliás, sempre foi! Infelizmente era minha aluna e eu não pude fazer
nada para mudar esta situação. Agora é diferente... Você não leu o meu
bilhete?
-
Que bilhete? Aquela letra de música que me deste? Ora, Severo! Como pôde fazer
isso comigo? Deixou-me mais confusa do que eu já estava...
-
Céus! Eu te dei o pergaminho errado! Severo
abriu a gaveta do criado mudo e rapidamente pegou o bilhete, abrindo-o.
Alcançou a ela para que ela lhe desse uma resposta.
“Minha
querida Hermione: Admito que desde o segundo bilhete que me deste em homenagem
ao dia dos professores, aguardava ansioso pelos demais. Sabia que entre aquelas
linhas, nascia um sentimento que ia além da simples admiração por um
professor. Neste ano quando inesperadamente e inexplicavelmente fizemos amor, na
casa de Sirius, eu me senti vivo novamente e com mais força para lutar a favor
de Dumbledore. Você é tudo que sempre desejei, mas era minha aluna... Peço-lhe
perdão por continuar tratando-a como uma Grifinória. Eu não queria te expor,
envolver-se comigo seria o fim da sua vida acadêmica, o regulamento de Hogwarts
é muito rigoroso. Agora não somos mais professor e aluna. Quero estar com você
no baile de formatura, faremos planos para nosso futuro. Quero me casar com você,
antes ou depois que terminar a faculdade. Você decide... Eu te amo! Sempre te
amei! E sempre te amarei! Um último
pedido: não gostaria de vê-la dançar com Harry ou Rony. Não saberia dizer se
é por ciúmes, talvez... Beijos
Com todo o meu amor: SS”.
Hermione ficou pasma. Conseguiu entender as provocações dele quando dançou
com a outra aluna e se recusou a dançar com ela. Ele sabia ser perverso quando
queria e sabia ser muito carinhoso... Severo acariciava seu cabelo enquanto lhe
perguntava:
-
Então, minha querida... Tem alguma resposta para me dar?
Hermione olhou para o quarto, totalmente iluminado com o sol da manhã,
olhou para os olhos negros, brilhantes e apaixonados de seu amado.
-
Sim, Severo! A minha resposta é sim!