N/T: Esta é uma versão em português da Fic No Future Opportunities da Strega Brava. Você pode encontrar a original no fanfiction.net. Reviews sobre a história podem ser enviados diretamente para autora ([email protected]) ou para mim ([email protected]) que eu repasso.
Agradecimentos: A Strega Brava que escreveu essa história tão bonita e a BastetAzazis que betou essa tradução com uma velocidade incrível.
Disclaimer: Qualquer coisa que vocês reconheçam pertence a J.K. Rowling.
Sem Oportunidades Futuras
Por Strega Brava
Tradução de Marie Verlaine
Você ficaria satisfeito em saber que meus olhos não se encheram de lágrimas quando soube da sua morte. Eu não agi feito uma lufa-lufa desconsolada, não comecei a arrancar os cabelo, nem vesti luto.
Isso teria
feito você torcer o nariz em desaprovação.
Eu fiquei
surpreendentemente calma... Pelo menos por fora.
Eu fui mais
pega de surpresa... Particularmente quando soube que você não morreu
recentemente. Foi há quase dez anos.
Dez anos?
Como você
morreu, inesperadamente e sozinho, sem que uma parte de mim soubesse
instintivamente que você se foi?
Será que um
pequeno pedaço do meu coração (aquele que ainda pertence a você)... Será
que ele morreu, numa morte silenciosa e sem dor, e se foi com você?
Não sem dor.
Nós nos
amamos e nos perdemos tanto tempo atrás. Parece uma vida inteira quando, na
verdade, foi muito menos. Foi maravilhoso e eu ainda tenho apenas lembranças
felizes daquele tempo. Mas foi a distância, apesar das vassouras e do pó-de-Flu,
o que não permitiu que nossos corações se afeiçoassem mais.
Você não
podia deixar Hogwarts. Eu sabia e entendia isso. Tendo deixado uma vez... por
circunstâncias que você nunca discutiu com ninguém exceto comigo... Você
sentia que era seu dever ficar.
E o seu senso
de responsabilidade pesou mais que qualquer outra coisa... Até mesmo o amor que
você tinha por mim.
E você
realmente me amou. Merlim! Por um tempo (muito pequeno), um angustiante e
glorioso tempo você foi minha vida. Nós trabalhamos juntos. Mestre e aprendiz.
Professor e aluna.
Amigos e
amantes.
Ninguém
entendia porque nós nos amávamos. Meus amigos estavam chocados e te chamavam
de todo tipo de coisas. Eles não conseguiam ver além da máscara de Comensal
da Morte que você destruíra tantos anos antes.
Nenhum dos
seus amigos sobreviveu para se preocupar com o fato de que você tinha se
apaixonado por uma sabe-tudo nascida trouxa como eu.
Às vezes eu
imagino o que foi que nos levou a nos apaixonarmos tão rápida e
desesperadamente. Foi pura solidão (que o mundo tão cruelmente impõe sobre nós)
que nos levou a procurar companheirismo... Até mesmo no mais incomum dos
lugares?
Foi lindo.
Mas, no fim,
eu tive que deixá-lo ir.
E você teve
que me deixar ir também.
Foi para
melhor.
Eu ainda
acredito que, mesmo assim, meu coração dói sabendo que você se foi.
Eu segui em
frente, sabe? Finalmente encontrei um homem que, surpreendentemente, revelou ser
minha alma gêmea. Eu o amo de um jeito que eu jamais pude amá-lo e, apesar do
clichê, ele me completa.
Você sempre
odiou clichês.
Ele me faz
rir... Mesmo quando parece que o mundo está desabando sobre mim, ele sabe
exatamente o que dizer para diminuir a dor e fazer um sorriso, não importa o quão
abatido e pequeno, aparecer em meu rosto.
Você nunca
conseguiu me fazer rir.
E também, eu
nunca ouvi você rir. Talvez você tenha esquecido de como é rir.
Seu sorriso
foi tudo com que você me agraciou. Eu não acredito que mais alguém tenha
visto você sorrir depois que o Lorde das Trevas foi derrotado.
Eu deixo de
lado a cópia arquivada do Profeta Diário e suspiro. Eu estava procurando por
um artigo sobre... Não consigo lembrar exatamente o que... Quando vi a pequena
notícia sobre sua morte.
Não sei
quanto tempo exatamente eu fiquei aqui... Pensando e lembrando.
Dez minutos?
Dez horas?
Estou
surpresa por isso ter me afetado tão profundamente. Sinto como se tivesse
perdido você novamente e então, eu percebo que você já não era mais meu
para perdê-lo. Eu não tinha nenhum direito sobre você assim como você não
tinha sobre mim.
Mas a dor em
meu peito não é minha imaginação.
Eu lamento não
ter tentado contatá-lo.
Eu lamento
por, enquanto o amor se desgastava, não ter tentado resgatar a amizade sincera
que uma vez tivemos.
Eu lamento
que não haverá mais oportunidades futuras para nós simplesmente conversarmos
e contarmos histórias sobre maridos e esposas, e filhos e carreiras.
Mas eu não
lamento, e nunca lamentarei tê-lo amado.
“Descanse em paz” Eu sussurro enquanto guardo o jornal e deixo o arquivo.